quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Até que ponto?

E é quando eu me pego pensando nas várias vezes que alguém diz: 'ah, sei lá como que tá. Eu sei que peso o que é bom e o que é ruim e continuo porque, apesar de tudo, o saldo fica mais pro bom'. E daí eu pergunto: qual é a vantagem? Até que ponto vale a pena ficar com o mais ou menos porque ele é um pouquinho mais do que menos? Até que ponto vale se alimentar das eternas ausências como forma de compensar o que falta no momento de agora? Se faz falta, deixa o que não satisfaz e vá atrás do que te faça melhor do que está agora.
Só que de repente a gente se pega optando por viver menos (em qualidade de vida), querer menos, ousar menos e, sem que a gente note, já nos fizemos reféns das nossas próprias escolhas, de sonhos que foram sonhados em outras épocas e que, por desatenção, viraram verdades até hoje. Nos tornamos reféns de nós mesmos e das expectativas que queremos atender (e nunca são apenas as nossas).
Tudo isso é absurdo. Sim, porque é absurdo sermos reféns das nossas próprias escolhas, na medida em que o controle da nossa vida é nosso e quem a vive – se ela vive! – somos nós.
A partir daí, até que ponto viver o parcial é melhor? Até que ponto fazer parte de um grupo ou de um instante é realmente mais eficiente do que estar sozinho? Quanto vale a pena querer ser aceito e, em nome disso, deixar de se aceitar?  Quanto vale a pena insistir no que não há, no que já foi, no que nem foi ou nem será?
Olhamos o passado que nos sonhamos e estamos presos a ele. E, muitas vezes, ele não tem mais nada a ver com o nosso presente. Mas ele está ali, sempre pronto a prejudicar o nosso futuro.
Presos no mais ou menos, contentes nos nossos descontentamentos, deixamos de buscar e querer e contar e aproveitar o que for arrebatador! Pode ser que até que não chegue, mas vale a pena buscar. Queiramos a melhor risada, o melhor beijo, o melhor abraço. Queiramos o amor mais quente, o prazer mais forte, o grito descontrolado de quem pede. De quem pede mais. Sempre mais! Nunca menos. Menos jamais.
Mas ao invés disso, muitos de nós teimamos em continuar crendo no que teimamos achar que nos é importante, e então, não entendemos a falta de vida que, invariavelmente, sentimos.
Isso é tudo porque é menos a atenção que temos prestado em nós do que a importância que damos para todos outros que não são nós e para tudo aquilo que, de verdade, nem queremos mais pra nós.
Até que ponto vale a pena?

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A Família é projeto de Deus! - E por que eu penso que a novela é a ferramenta que tenta destruir a família

Eu sempre tive uma tendência a torcer o nariz para certas afirmações. Sempre tentei distanciar o máximo possível o que é terreno do que é divino. O que é simplesmente da natureza do homem daquilo que faz parte de uma batalha travada num campo espiritual. O que é realmente importante pra Deus, daquilo que nós distorcemos na tentativa de humaniza-lo.
A partir daí, sempre desgostei de afirmações do tipo de que a televisão está aí como ferramenta do diabo a fim de destruir a família, essa sim, importantíssima para Deus e seu projeto para o homem. Mas agora vejo que é verdade. A família é projeto de Deus e, dada sua importância, e ela vem sendo atacada corriqueiramente e de uma forma cada vez mais escancarada.
Ora, a família faz parte do plano de Deus para o homem, sendo nela que se molda o caráter, nela que o homem encontra abrigo da dor, força e razão pra seguir em frente, bem como, desenvolve sua espiritualidade, uma vez que se pense que a família deva ser o primeiro ponto de reunião das pessoas que querem - devem e precisam - adorar a Deus.
A família vem sendo atacada rotineiramente na televisão e vejo isso nessa atual novela das 21h em que o patriarca trai a esposa sistematicamente até o ponto de fazer com que ela crie a filha dele com uma amante; faz o filho gay casar com a garota de programa que antes lhe atendia e que estava grávida dele, fazendo o filho acreditar que é pai do próprio irmão. E, depois de tudo isso, ainda troca a esposa de anos - a quem traía - pela secretária.
Esse filho, que tenta destruir o pai em nome da presidência de um hospital, já jogou a própria sobrinha recém-nascida na caçamba de lixo e anos depois ajudou a sequestrá-la, deixou a irmã para morrer de hemorragia no banheiro de um bar e tentou incriminá-la por tráfico internacional. E isso, só dentro de uma família.
Na outra, a mãe incentiva a filha a não ficar com quem ama, mas sim, dar um golpe da barriga em algum milionário.
Em outro momento, o marido recém-casado trai a esposa em plena lua-de-mel e o que essa resolve fazer? Sai dando pra quem tiver vontade de pegar até que, apaixonada por um colega de trabalho, não pode ver o cara passando que já tem que arrancar as roupas onde estiverem...
Outra "amiga" vai morar com um casal de amigOs, só pra furar o olho de um com outro e engravidar dele... não bastasse, agora a filha namora um cara que já foi namorado da própria mãe.
E isso, sem contar o escarcéu que fizeram porque uma enfermeira tinha na casa dos 30 anos e ainda era virgem, como se isso fosse um problema, um defeito ou um crime...
É preciso que reflitamos, sim, sobre que tipo de mensagem estamos deixando entrar em nossos lares. Já passa da hora em que devemos nos preocupar mais com o que Deus tem achado daquilo que temos achado dEle. E, então, vivermos mais pra Ele e por Ele do que pra nós.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A beleza da nudez do corpo da mulher


"As coisas que mais gosto: mulher, mulher, mulher 
(com prioridade da minha)..." 
Vinícius de Moraes


Há beleza na nudez da mulher. É uma beleza natural, não agressiva. Uma beleza sutil, incapaz de ofender quaisquer que sejam os olhos que a veem. As formas são delicadas, em curvas que são como caminhos – perigosos caminhos – que tanto quanto queremos, precisamos percorrê-los.
A nudez do corpo da mulher é como um mesmo caminho com vários portões de saída e cujo destino não é tão óbvio quanto se pensa. O corpo dá mulher são vários destinos independentes, todos eles prazerosos pra quem entende que melhor do que a chegada é a viagem completa pelo que seja mais do que interessante. 
Ah, quando a porta por onde se sai e se começa esse caminho vai por aquele lindo umbiguinho escondidinho como um prenúncio de novas descobertas, pelo qual podemos ir ao norte ou ao sul com a mesma reverência de quem entra num templo, mas com menos silêncio (sim, porque o amor pede palavras, sons, ruídos e, eventualmente, gritos que só se admitem abafados em beijos). Não se pensa em chegada. Cuida-se de partidas, de caminhos que vão e voltam por uma pele que se arrepia e mostra que gosta –  assim, com um T separando o verbo que se gozTa de conjugar se T não houvesse.
Ah, quando a porta por onde se sai e se começa esse caminho vai por aquela nuca toda nua pros beijos que despertam uma mulher que ousa quando tocada e que pede por mais toques e suspira com mais beijos e desejos que se quer, se tem, se espera e prova. O corpo mostra que gosta, a voz mostra que gosta, a boca mostra que gosta, as mãos – ousadas – mostram que gosta. É bom que goste quando essas mesmas mãos abrem novos caminhos para novos beijos, tão ousados ou mais que as mãos por aquele corpo que é todo desejo, que acusa desejo...
Ah, e quando a porta por onde se sai e se começa são os pés? Ângulo novo. Sobe-se mais resoluto do que o fiel que busca o céu. Conhece bem o caminho do paraíso. Para alguns o da perdição... mas para todos os que sabem o que buscam, é a primeira provocação capaz de fazer ferver ainda mais um corpo prestes à sua própria ebulição. As mãos vão antes, por onde os lábios subirão, se deterão, provarão o que é o próprio de quem se entrega e continuarão em busca de toda beleza – e pureza – que nelas há.
Seus olhos são doces, seus lábios são mais. Os lábios da mulher levam do santo ao profano e levam de volta ao céu. Seu colo é repouso de lábios e de olhos e seus seios, dos mais variados, são o que há de mais perfeito em toda criação. Suas pernas são como todo o universo: misterioso em seus propósitos, distante, mas capazes de, quando em volta de nós mesmos, nos fazerem mais próximos de sermos como o Deus que dá vida.
Mas se engana quem pensa que a beleza da mulher está só no que se toca quando se toca por poder tocar. Não. Mais do que tudo, a beleza da nudez da mulher é para ser contemplada, adorada com uma devoção que num primeiro momento é quase calada: primeiro se admira com os olhos, toca-lhe com os olhos, louva-a com os olhos e com um sorriso que tem que se abrir em todos que entendem o privilégio de se depararem com a nudez natural de uma mulher. E isso porque é essa beleza da mulher que lhe aproxima das deusas a quem só se serve, sem que se questione e por quem se pede no coração silente, mas também contente.
O mundo não é plano e não é reto. O universo é feito em curvas e não numa linha ou num plano. Curvas que lembram a mulher. Mulher que precisa ter curvas. Curvas que enchem os olhos, curvas por onde passam e correm as mãos. Curvas de uma mulher que nas suas formas (tão bem pensadas e esculpidas) é sempre digna da nossa total adoração.

Mulher, mulher, mulher...

sábado, 19 de outubro de 2013

Cem anos de Vinicius de Moraes

E no dia de hoje se celebra o centenário do nascimento do mais apaixonado dos maiores poetas da língua portuguesa. São os 100 anos do homem que não teve medo de amar, de amar de novo e amar o novo (ou a nova). Aniversário do homem que amou eternamente enquanto durou o amor e que escreveu esse amor como até hoje poucos nessas muitas eras: VINICIUS DE MORAES.
Vinicius é, sem dúvida, digno de todas as boas notas e louros e louvores à sua grandeza enquanto homem; homem das letras, das músicas... Vinicius falou, cantou, pensou, sentiu e viveu o amor. Amou suas mulheres (09 esposas); amou seus amigos; amou a poesia. Vinícius amou; simplesmente amou.
Vinicius é – assim, no presente, porque os grandes morrem, mas permanecem vivos – o melhor "mau" exemplo a se seguir: apegou-se, antes de tudo, a si mesmo. Não parecia passar vontade e nem temia seus excessos de quereres e experimentações. Vinicius não vivia amores pela metade, nem se permitia apenas sonhar acordado com o que podia ser real. Antes, era o amante inquieto pela urgência de amar (certamente, até mais do que ser amado). Vinicius ia quando o amor chamava e ficava enquanto havia chama no amor (amor que não era imortal). Mas Vinicius é. Em algum momento, todos nós já citamos Vinicius (infinito enquanto dure; por toda a minha vida; por causa do amor; pra viver um grande amor; filhos por que tê-los?; chega de saudade...).
Vinicius não está entre nós, mas está sempre entre nós. Se seu corpo não sobreviveu ao cigarro, ao whisky, ao excesso de humanidade que nele era tanta, seu amor tão amado o faz mais vivo do que muitos sobreviventes que não se dão, não amam, não choram e nem rasgam o seu coração.
Vinicius viveu a sua urgência de amar e dela fez sua poesia e sua canção. Vinicius ensinou que a felicidade até tem fim, mas é linda e sutil como a gota do orvalho (e é também uma coisa louca); Vinicius ensinou que, ainda assim, é melhor ser alegre do que ser triste. Vinicius que foi o branco mais preto e fez bonito pelo nome do Brasil, sempre cantando a beleza que passava ao caminho do mar do Rio (que é Brasil). Ou o descanso de uma tarde em Itapuã, que também é Brasil.
Ah, Vinicius, quem dera se todos fossem assim feito você. Quem dera eu fosse só um pouco um pouco de você. Você que tinha em si a coragem de ser - pra valer - aquilo que – disfarçadamente ou não – somos todos nós. Pra onde quer que você esteja, Vinicius velho: saravá!

Chega de pessimismo: viva você! (vai dar certo)

As pessoas andam pessimistas. Cada vez mais as pessoas duvidam da felicidade – e eu já nem ouso me referir à felicidade enquanto um estado de espírito recorrente. As pessoas parecem já duvidar até da possibilidade da simples felicidade experimentada num instante em que tudo parece bem ou bom.
É triste, mas é isso. Ao que parece a grande maioria de todos simplesmente desistiu. As pessoas não contam mais com a felicidade como um objetivo a ser alcançado. Lavaram as mãos. Jogaram a toalha. Agora, se vão à luta, o fazem em busca de alguma outra forma de satisfação. E é aí que fazem tudo errado, metem os pés pelas mãos.
Quando as pessoas começam a achar que nasceram para ter a vida que não querem (ou que são quem falharam ser), são tomadas por um sentimento que encobre o que pode haver de bom. Nem tudo dá errado, mas nessa fase parece que tudo dá errado. Deixam de olhar para o que têm e lamentam tudo aquilo que – muitas vezes – não têm porque, de verdade, não querem. Se quisessem, teriam.
Perdem-se em tantos quereres que acabam perdidas de si. Ficam presas numa vontade, numa fantasia, numa mentira que é só causa de insatisfação. E o resultado disso? Mais pessimismo! – o que, trocadilhos à parte, é péssimo.
E começam a mentir pra si mesmas. Escolhem exclusivamente o agora. Abusam do carpe diem. Vivem loucamente como se não houvesse o amanhã porque sonhar o depois, se vendo triste, é ser triste duas vezes e por antecipação. E daí, pra dizerem que não são sozinhas, buscam o sexo sem compromisso, o álcool sem controle, festas e mais festas sob o som de uma música que cala qualquer pensamento com o objetivo de que as pessoas não olhem para si e reflitam o quão pobre de si mesmas são. Elas querem preencher o vazio da falta de uma companhia, mas parece que nem consideraram a ideia de – efetivamente – terem uma companhia.
A maioria das pessoas não quer, realmente, por exemplo, transar pelo simples prazer do sexo. Eu não quero, você talvez também não queira. Você quer carinho, você quer ternura, quer beijos antes, durante e depois. Quer um prazer completo que venha do encontro de outra alma que se enamore de você até mais do que os corpos se desejam um ao outro. Mas muitas vezes, como desistiu de ser feliz, acha que não encontrará o sexo que, mais do que transa, seja um encontro de amor. E então transa! Um hoje, outro amanhã, talvez até repita algum por uns dias, mas não passa de transa e, se tiver sorte, orgasmo (que até te deixa leve, só que leveza não é felicidade se, no outro dia, tua vida ainda é vazia).
Você não quer, realmente, ser uma mulher profissionalmente bem-sucedida, inteligente, independente e que vive sozinha. Mas daí você pensa que a vida a dois anda tão difícil, começa a achar que os homens querem mulheres fúteis, dessas que acham que a vida é malhar perna e glúteo capazes de tudo e sem qualquer inibição e, por pensar que não te quererão quando você quiser, faz de conta que é você que não quer ninguém e nem percebe quando ao teu lado está alguém que quer mudar tua vida pra uma nova vida melhor do que a que você sempre sonhou. Mas é que você cala, porque tem medo de sonhar. E fica se lamentando calada e mentindo pra si mesma dizendo que tudo está sendo como você pensava que deveria ser. Você até escolheu assim. Mas por um motivo que te enganou.
Não se prenda aos “nãos” da vida por medo de que não te venham “sins”. Não tenha medo de tentar de novo porque não conseguiu até agora. Não tenha medo de chorar quando o contrário do choro é riso. Apegue-se no que pode dar certo. Permita-se. Se entregue a uma vida que seja 100% você: você com vontade de você sendo quem você quiser ser.
Não se amarre ao passado e nem sujeite teu futuro ao sonho de um tempo que não virá. A vida anda pra frente e é pra lá que se deve olhar. Não lamente a sorte que não é tua e nem se esconda do presente, esse sim, teu. Faça! Vá! Corra... pros braços que te querem, pra vida que te espera, pro futuro que já é. Queira o novo, mesmo que seja querer o que já se tem de novo e de novo. É possível amar e re-amar um amor que sempre se deve renovar.
Querer, pensar, sofrer, lembrar... tudo é escolha, inclusive deixar de viver (e ser você) por medo do que pode vir a ser continuar. Mas não tema! Viva! Só que viva você...

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Quando o tempo conta errado

A nossa noção de tempo está diretamente ligada à separação que fazemos dele em anos, meses, dias, horas, minutos e segundos. E a partir disso, muitos de nós temos por hábito medirmos o valor das nossas histórias pelo tempo de sua duração, bem como, consideramos a intensidade de sentimentos dentro do que parece ser “temporalmente” razoável para parecer verdade, para “poder ser” verdade.
E daí, entendemos que o que é de verdade é o que dura, é aquilo que enfrenta a resistência desse tempo tão cruel, desse tempo que parece querer por à prova a vontade, a resistência mesmo, a intenção e a intensidade dos que estão juntos enquanto se querem.
Não por acaso, é comum as pessoas falarem que não deu certo o relacionamento que durou muitos anos e alcançou seu fim, ou mesmo, desmerecerem envolvimentos porque são recentes: “mas vocês mal se conhecem, não podem estar se gostando tanto”, “ficaram juntos sete anos, que pena que não deu certo”. Essa são frases comuns de se ouvir em certas situações.
Mas muitas vezes o tempo conta errado. O tempo conta errado na medida em que tudo se faz e se sente no instante em que acontece, e daí não importa se em três horas, três dias, três semanas, três anos que sejam, tudo parece uma coisa só, três horas são como três anos que a gente nem sentiu passar.
Chega-se a um ponto em que impressão que se tem é que tudo existe desde antes, desde sempre. Todo o envolvimento faz sentido desde quando sempre é. E parece que não foi quando começou, ao ponto de você mal conseguir dizer qual foi o começo. O que você sente é que simplesmente tem sido e que bom que tem sido.
Nesse ponto, o leitor ou a leitora mais cética (ou racional) poderia dizer: “é porque no começo tudo são flores, tudo fica mais fácil”. E se você pensa assim, eu te pergunto: quantas relações você começou e você terminou? Em quantas você até se sentia bem durante o momento de estar junto, mas não enxergava razão nem no antes e no depois. Em algumas? E quantas foram aquelas que simplesmente faziam sentido mesmo quando não era pra fazer?
Há um ponto na vida da gente que separa o que já tivemos daquilo que nós temos certeza que queremos ter. Experimentamos uma novidade, uma sensação, um êxtase que é diferente de todos os outros: parece mais puro, mais compromissado, mais tudo o que nenhum outro – por melhor que fosse – jamais foi. E quando é assim, é porque é diferente.
E não importa que seja só o começo se a nossa vontade é que não tenha fim. Se o nosso desejo é que todo dia seja o primeiro dia, todo ele acumulado de um sentimento que não se conta com o tempo, mas apesar do tempo. Porque o tempo conta errado, quando ele diz que é pouco pra um sentimento que é tanto.
E a gente sente. E a gente gosta. E a gente é feliz por todo tempo, seja o tempo que for (mas que seja como está sendo. E será...)

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Reconstrução


Se há vida, há momento de ser feliz. Não apenas momento de estar, mas sim, momento de ser feliz. É claro que a felicidade eterna seria um desfavor, uma desvantagem. Fôssemos sempre felizes e não saberíamos identificar a felicidade. Mas é bom que a felicidade seja os momentos que são mais.

Ao longo da nossa vida vamos experimentando encontros, novas descobertas, surpresas e sorrisos. Melhor que tudo isso se dê no instante imediatamente posterior àquele em que tudo parecia sem graça, sem alegria, sem cor, sem vida.
Ainda ao longo da nossa vida, iremos encontrar pessoas que nos levarão pra cima, que nos farão querer que sejamos melhores, mais abertos ao novo e que nos mostrarão quem somos de uma forma que nem mesmo a gente lembrava que podia ser. Essas pessoas tomarão nossos dias de assalto com a sutileza de quem não espanta, mas traz consigo a delícia que se repete sempre a mais no encontro seguinte. E a gente espera que esse encontro chegue logo que diz tchau.
E nem sempre é uma questão mágica que faz com que as saibamos especiais desde o primeiro instante de quando as conhecemos. Pelo contrário. Muitas vezes subestimamos o papel que elas – essas novas pessoas novas – terão na nossa vida, nos nossos caminhos futuros, e isso por culpa de estarmos distraídos nesse presente que parece propor tanto e nada ao mesmo tempo.
Mas daí a gente descobre. Descobre que pensava querer quem não era ela e que agora que você sabe que é ela que você quer, sequer se ocupa de tentar querer quem nem dava conta de você. As prioridades mudam, o sorriso que é importante agora faz mais sentido e o teu sorriso que também te agrada, sorri por causa de outro alguém (alguém que vale a pena desde o início). A tua vida que parecia destinada a não ser mais tua, cumpre o seu destino e se faz vida tua sendo de outra que te chega nova, pra ser sempre o renovo em cada estação. Começa na primavera, mas você não teme o inverno, porque sabe que entre os dois pode ser – e será – sempre verão... quente!
Tuas certezas já eram. Agora são outras. Você que gosta de gostar agora gosta diferente. Gosta de gostar de quem gosta e gosta de você. Encontra uma metade que parece mais de 2/3 de você. É uma parte importante da tua vida que, ainda tua, divide-se com a vida de quem se quer (seja quando pensa, seja quando lembra, quando deseja, quando espera, quando tem. E você tem, sente que tem, gosta de quem tem...).
Aos poucos (e às vezes até mesmo de uma vez, num espaço de dias que parecem meses dentro de um mês que nem parece passar direito), você se descobre, se redescobre e depois se perde de você. Mas há quem te ache, quem te veja, quem te saiba, quem te busca e quem te põe em pé. E tudo isso é uma pessoa só. E você gosta... dela.
Sim. Aos poucos você vai deixando mil e uma histórias pra trás e se concentra no que virá a frente. Não há medo ou dor que te impeçam. Todo o antes era o ensaio pro concerto de agora. E daí esse conserto que é teu é que faz o concerto que é de vós. As histórias de antes não são mais do que lembranças menos vivas. O Sentimento de agora é mais do que as histórias para quem o futuro disse não. O momento de agora é especial. É vívido. É vivido. E te fez bem essa reconstrução.
E tudo isso é só o começo...

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Aí é que o dia não passa (até a hora de ele voar)

Sabe quando o momento é bom e a hora passa voando? Geralmente estamos com quem a gente gosta, fazendo o que dá prazer, aproveitando um instante que vale a pena. É sempre bom. Tão bom que a gente até quer que o tempo pare, que a hora não passe, que a Terra não rode... sei lá. A gente quer aquele instante por mais tempo, outros instantes.
Mas esse tempo passa e nesse tempo o momento acaba. Só que esse momento que acaba é tão bom, tão diferente de tudo, ao mesmo tempo em que faz tanto sentido, que a gente fica contando o tempo pra que chegue logo o novo momento desse momento tão bom. E a gente sabe que ele vai vir porque a primeira vez foi boa, a segunda foi melhor, a terceira valeu ainda mais a pena, a quarta te fez sorrir por horas, a quinta confirma a certeza que já se tinha e daí você quer mais – e sem achar que quer demais.
É aí que o dia não passa.
Todo o resto do dia é mero pretexto das horas e dos dias para o instante que a gente realmente quer. E esse tempo custa a passar. Não que a gente não goste do resto de nossas vidas. A gente até gosta e sabe que é importante, sabe que tudo tem seu tempo e, principalmente, sabe que se esse momento fosse a todo o momento, tiraria o encanto – que é tanto – desse momento que é o melhor dos momentos. Mas gosta de querer que o dia enrole menos no momento em que não, para durar mais o momento do sim.
Então, que corra o dia, que o Sol dure menos, que a noite renda mais: mais horas pra mais carinho, mais carinho por mais tempo, mais tempo pra mais sim, menos tempo pra lamentar o não. Que possamos ser, estar e gostar pelo tempo que se renova e faz querer o de novo do que ainda nem acabou, sem que o lamento pelo pouco, ofusque a alegria pelo muito que sempre é o (re)encontro de quem se quer.
Querer mais não é pecado, é divino! E quando tudo parece que muda e a gente descobre o que nem pensava que seria bom, a gente cuida pra que tenha. Se a gente tem, é bom que queira ter e, querer quem se tem, é o querer que mais vale a pena. E se é então que o tempo voa, nem tem problema, porque até pode até parecer que o dia não passa, mas a nossa hora logo chega de novo. E ela sempre vai chegar.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Um sorriso que faz sorrir...

... e eu nem estou falando de qualquer sorriso, não. É de um certo sorriso desses que chega como quem não quer nada, até meio tímido. Um sorriso cheio de curiosidade, mas que é tão bonito. Um sorriso que fecha os olhos pra sorrir e é todo cheio de graça. Ah, se um simples sorriso nos faz sorrir, é um sorriso que não é simples. É especial. Também é especial sorrir só de lembrar de um sorriso. É para poucos. Como sorrir por assistir um sorriso é só para alguns. É sorte. Sorte de quem vê (ou de quem dá motivo pra sorrir).
Sim, todos gostamos de sorrir. Mas o normal é ter motivo pra isso. E se o sorriso vem, a gente sorri mesmo querendo negar a intenção ou inventando uma outra razão que não a própria razão que nos faz sorrir...
Sorriso que sorri com o rosto inteiro, desses sorrisos que a gente entende porque a pessoa vale a pena. Sorriso que a gente quer com a gente.
Pensa no sorriso que vale o teu sorriso. Lembra do sorriso que te estremece desde dentro e que só de lembrar teu corpo responde e teu lábio sorri. Quantas e quantas foram as vezes em que você se pegou pensando o quanto faria ou o que faria só para que aquele sorriso sorrisse na direção de você?
Sorriso que faz sorrir... é um sorriso diferente de outros sorrisos. E ele existe. Ele aparece quase sempre quando a gente está distraído e nos pega de surpresa (de surpresa!). A gente não espera, a gente quase nem nota, mas daí tudo dá certo e pronto, aquele sorriso sorri e o nosso sorriso sorri também.
De repente você se lembra desse sorriso mesmo quando ele está longe de poder sorrir pra você. Aquele sorriso te interessa, te é importante, te é querido no sentido de você desejar que as horas corram só para que ele apareça (de verdade ou na fantasia que já vai tomando conta de você e faz com que ele vá chegando, mesmo sem vir, vá se abrindo, mesmo sem mostrar, esteja perto, mesmo que à distâncias de você).
Esse sorriso é feito em lábios tão bonitos que parecem desenhados para completar a outra metade do beijo dos lábios seus. É um sorriso que é quase um convite para beijos, mais beijos e até mais.
Você quer esse sorriso nos teus dias e sonha com ele nas tuas noites.
E daí percebe que não é o sorriso que te faz sorrir, mas quem te sorri é que te faz bem (mesmo que de inícios não parecesse). Te faz querer mais... dela. E os devaneios deixam de se contentar com o sorriso. Logo os dentes mordem os lábios e isso te faz querer, te faz ir além, pensar além, querer além, buscar mais, ter mais, tentar ainda mais por tudo que era – e só lá atrás que era – só um sorriso que hoje é tudo menos “só”. Até porque é bem melhor sorrir junto, um por causa do outro. Já sorriu hoje? Fez alguém sorrir? Eu acho que já...

domingo, 1 de setembro de 2013

Ela, a mulher (em receita pra mim)

Como seria? Vamos lá: 
Que o senso de humor seja diabolicamente divino.
Que se faça entender por bem sem que precise dizer por mal.
E que seja atrevida!
Que leia, que cante e que sua voz encante!
Que goste de Chico, conheça Caetano e não tenha dúvida de quem é melhor.
Ouça Elis, curta Madonna, goste de The Corrs, mas relaxe mesmo quando em Bethânia.
Que seja astuta!
Que seja ousada (“um pouco” tarada)...
Que a cor dos olhos seja naturalmente diferente da cor dos seus cabelos.
Que perto de 1,70m e saiba ser elegante sobre saltos.
Que certos momentos seja louca, mas saiba ser normal.
Que em outros momentos seja normal, mas também saiba ser louca.
Que o sorriso contagie!
Que tenha referências 'pop', flerte com os olhos e conheça Fred Astaire.
Que goste de Fred Astaire...
Saiba o valor do clássico (no cinema, na música, nos livros e, principalmente, no futebol).
Tenha saboneteiras (aprendi com Vinícius que "uma mulher sem saboneteiras é como um rio sem pontes").
Que implique com doçura, um ciúme bonitinho que em nada lembre loucura.
Diga o pensa, mas sempre tendo nos lábios mais coração do que a razão perdida na dor, na tristeza e no rancor que faz falar o que depois lamenta.
Que os olhos só peguem menos fogo que o corpo... quente ("mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior a 37 graus centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras do primeiro grau" – Ah, Vinícius, você sabia das coisas!)
A tatuagem é uma surpresa agradável: um caminho interessante, um trilho por onde correrão os lábios ávidos pelo suspiro que lhe virá.
Ria e se ria... me ria.
Saiba beber.
Saiba receber e ser bem-vinda (como na música do Juca) e que confie em si e se saiba muito.
E que seja mais!

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

À primeira vista: depois do primeiro olhar

Agora que já não estás, posso te dizer o que calei. Queria que soubesses mais do que te fiz saber (e isso foi mais do que você quis saber). Calei porque os dias diriam, as semanas passariam, os meses seriam tantos e fariam os anos mais. Mas não foi. Era pra ter sido. Mas se fosse, seria. Não foi. Mas o que passou não apaga quem vejo que você é.
É... às vezes a gente precisa fechar os olhos pra enxergar quem não está (mais) à diante. E daí a memória (a boa memória) é a maior aliada do bem da nossa alma. Olhos fechados e te vejo de novo e de novo e de novo. E gosto toda vez.  Lembro primeiro de te ver andar na minha direção e foram 06 passos que apagaram tudo o que havia em volta. Só havia você. “Oi, prazer...”. Prazer. Meu peito se dividia entre o nervoso, o ansioso e o feliz. Bobo... Depois sou eu que vou até você. Mas o que eu digo? Eu digo? Digo o que? Por que? Mas eu... eu me queria perto... eu me queria perto de você. Por quanto tempo? Quando seria de novo? Só tinha o agora daquela hora. Respiro fundo. Esqueço que eu sou eu e todos os medos daquele eu que por enquanto não seria. Mas no fundo era... vergonha.
E eu te via. Sem que eu quisesse olhar muito, mas querendo olhar bem mais. Tentava te fotografar na minha retina. Te fazer a arte principal da minha galeria mais cara. Você... você feita em formas tão bonitas, tão suaves, tão gentis aos olhos. Meus olhos...
Te quis no meu passado. Por um instante... por um instante não queria que aquele fosse o primeiro dia (noite). Me peguei lamentando cada um dos dias em que não havia você. Mas o passado lamentado não muda. Preferi desejar que ainda haja mais dias em que me haja você. Haverá você pra mim?
Te via... não era difícil entender o fascínio que não era só dos meus olhos, mas de mim inteiro. Era você. Você que tem a beleza que em instantes transforma segundos em semanas. Tudo parece fazer mais sentido sabendo agora que, de real, há você.
Invejei teus olhos que olhavam a tudo, mas pareciam nem dar conta de mim. Eu estava ali. Intruso? Talvez um pouco. Daí você me olhava numa expressão que eu não traduzia e nem ousaria arriscar uma resposta que me fizesse errar. Até que você sorria e teu sorriso era gentil. Havia carinho? Que bom seria... Desde antes desse que foi o primeiro dia, teu sorriso se fez muita razão da minha própria poesia. Mas disso você já sabe. Não entende, mas sabe. Desconfia, mas sabe. Receia, mas sabe...
Agora eu não preciso mais te sonhar. Mas você é presença mais que bem-vinda em cada sonho. Já nem tento mais evitar te pensar. Disso eu já desisto. O ponteiro dos minutos roda todo o relógio e a cada volta aqui está você, onde não te olho, mas te vejo.
Sim. Você é de verdade e nem é mais “só” a “minha” verdade. E que bom. Seja e continue sendo. Não sei se fui eu que vim até aqui. Não sei se foi a vida que me trouxe até aqui. Não sei se eu fui até você ou se a vida te trouxe num caminho como que um presente para quem pedia pela novidade que lhe faria bem. O que sei é que gosto de te saber (mesmo que de pouco em pouco, com você observando mais do que falando). O que sei é que não quero simplesmente chegar num ponto em que tudo para. Quero todo o caminho. Quero o caminho inteiro. Todo o trajeto a ser percorrido por quem quer fazer e ser o melhor pra você, conhecendo, recebendo e fazendo merecer o melhor de você.
Você é tanto. É tão mais do que a maioria. É tão mais do que minha lembrança alcança dentre tudo o que já vi, vivi, experimentei e conheci.  Você é tanto que mesmo que eu te escreva mais e mais palavras pra te tentar fazer saber o quanto vejo quando te vejo, não haveria palavra que fosse plena e perfeitamente capaz de me fazer entender...
Mas você encanta! Me encanta... e que bom que é você.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A gente entende tudo na saudade


"Ela tinha viajado. Há dias estava longe. Parecia que fazia meses que não a via. Eles se falavam. Se sabiam. Conversavam numa intensidade que fazia mais o tanto que se queriam. E um dia ela perguntou se estava tudo bem. Uma pergunta tão simples, mas que lhe doeu os ouvidos, o peito... a saudade. E ele só conseguiu dizer com os lábios o que gritava dentro de si. 

- Como estaria tudo bem? De que jeito eu estaria bem se você está longe, se meus olhos não te veem e se meus braços não te abraçam? Bem de que jeito se meus ouvidos não ouvem tua voz dita diretamente pra mim, perto de mim ou se minha boca não beija o teu beijo, metade mais que perfeita de mim? Meu bem é teu e está em você. É a parte de mim que você me leva e a vida minha que você me traz. Então fica o tempo que tiver que ficar, mas volta depressa pra mim.

- Nossa, que lindo! - disse ela numa voz que era toda contentamento e paixão.

- Lindo, meu bem? Não. Não é lindo. Lindo é sorrir feito bobo só de me pegar pensando em você. É sentir a alma mais leve e o coração mais gentil só porque se sabe ocupado pelo amor que é todo você. Lindo é te fazer feliz. Lindo é ser feliz com você, por ser de você... que faz tanta falta.

Na mesma hora os lábios dela sorriram e seus olhos choraram. Ela era feliz. Era feita feliz. Fazia feliz. E já estava na hora de voltar...

sábado, 10 de agosto de 2013

A Arte da Conquista

Não consigo alugar filmes por mero entretenimento. Tenho por hábito ficar muito tempo na locadora procurando “aquele” filme que tenha o que me acrescentar. Até por isso, é raro que eu alugue filmes com bombas, explosões, armas... muito embora haja aqueles dias em que é isso que você quer. Pensar pouco e se sentir preso na ação que tira o fôlego. Mas esses dias são raros. Prefiro mesmo filmes que me provoquem e me façam pensar; filmes que me insiram na realidade dos personagens ou que me façam colocá-los na minha.
Foi exatamente isso que vi nesse filme tão forte: “A Arte da Conquista”, filme independente, indicado ao Grande Júri do Festival de Sundance. Com um ótimo elenco e com uma direção de fotografia que mesclava o ágil, o discreto e sútil que, muitas vezes, lembrava a de um documentário acompanhando a vida de um jovem rapaz (George), artisticamente inquieto e provocativo que, no último ano da “high school” acredita que, pelo do fato de que inevitavelmente todos vamos morrer, tudo o mais na vida se torna irrelevante. Por essa razão não tem amigos, não faz tarefas, não interage socialmente. Ele mesmo se auto define “misantropo”.
Até que ele conhece a menina – interpreta pela linda Emma Roberts, sobrinha da “linda mulher” Julia – que balança seu universo. Ela o faz querer ser diferente. Faz com que ele saia da sua armadura e socialize com seus amigos, colegas de sala que sempre o viam e não o entendiam e que passam a gostar dele. O mundo dele ganha um novo significado, mas ele não consegue se sentir habituado aquilo. O mundo dela – que ele tanto quer que seja dele – é estranho pra ele. É como se ele não pertencesse àquele lugar. E ele se cala. Todos vêm o seu interesse, mas ele nega. Todos sabem o que ele quer, mas ele evita.
A história corre, ele perde a moça, sofre, chora, para. Literalmente para. Uma única música no “repete” do som por dias. Não há aulas, não há rua, mas apenas o espaço limitado de um quarto representando um mundo que se faz pequeno e opressor agora que perdeu seu sentido e sua graça. Até que acontecimentos e desafios exigem que ele siga a diante. Só depende dele. E tudo volta a andar.
O que chama a atenção no filme é o diálogo carregado de significados. É daqueles filmes que me lembram muito a sensação que tinha durante as duas primeiras temporadas de “Dawson’s Creek”. Diálogos elaboradíssimos que eu adoraria ter tido com as pessoas que tinham 17/18 anos quando eu também tinha, mas que, no mundo real, a gente mal consegue ter aos 28, o que dirá aos 18. Mas havia provocação em tudo. A provocação que, na verdade, é a cada um de nós espectadores.
Entendo que não é um filme fácil de se gostar, mas tenho certeza de que é impossível ser indiferente à sua proposta. Se de um lado é fato que, como dito na primeira cena, “vivemos e morremos sozinhos, o resto é ilusão”, por outro lado, também é fato que vivemos de modo que nesse percurso, sejamos mais do que a solidão de nós mesmos e é por isso que sentimos dor, é por isso que ficamos triste, que choramos e que procuramos desesperadamente o que justifique o sorriso.

Por mais que a vida pareça parar, essa é só a realidade de agora e, se o filme ensina algo – e eu digo, assistam! – é que a vida não acaba enquanto se está vivo e, se ela não vai acabar agora, vale a pena sair do quarto, da casa, da prisão de si mesmo, e ir viver.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Estou cheio de mim

Estou cheio de mim!
E isso é bom
Estou cheio de mim
E já se foi o tempo em que era ruim.
Estou cheio de mim
Mas não cansado.
Estou cheio de um contentamento de mim próprio.
Cheio da vida que se me pede que viva
Cheio de um querer que dê certo o que eu faça
Cheio de saúde e de vontade... de amar.
De amar a mim mesmo,
E aos outros,
E a uma,
E a tantas... amar
Cheio de mim, comando meu caminho
Cheio de mim, faço meu o meu querer
E é por cheio de mim que entendo
Essa toada imprecisa chamada viver.
E o que vale amar?
À natureza e ao que está nela?
Ao sol e à vida que ele faz como deus?
E por que não ao próprio Deus?
Ou amar só se deve se também se souber amado?
No fim – ou nesse início – amo do meu jeito de amar
Amo como posso e não como sei.
Porque amar é aprender todo dia
Um novo amor diferente de cada amor que amei.
Há quem ache pouco
Há quem ache exagerado
Há quem ache até calado
E há quem ache que é um amor que fala demais também.
Mas se fala é porque sente tanto que até se culpa
Quando alguém, porque doente,
Dele recebe, diz não, mal quer e nem se desculpa
Se uma lágrima sentida faz rolar no chão.
Mas estou cheio de mim
E cheio de mim me ocupo do sim e me rio do não.
Espero o amor que só encontre, ame e não se perca
E nem me permito apressá-lo assim.
Antes, sigo vivendo 
Sendo feliz além de “cheio de mim”.