sábado, 26 de junho de 2010

Qual a graça de saber o futuro?


A premeditação tiraria toda a graça da vida. Aliás, é no mínimo curiosa essa tendência de certas pessoas que, ansiosas pelo futuro, buscam no que é místico o que lhes reservará o porvir.
A graça da vida está na sua imprevisão. Está em você começar um dia, uma semana, uma fase da vida, qualquer coisa, sem a menor certeza do que te bom se virá... e de ruim também.
É como você levantar da cama sem saber que até o fim daquele dia a pessoa que mudará tua vida cruzará o teu caminho pela primeira vez. Ou que te chegará uma proposta que você não esperava ou se realizará um sonho que já há tempos você não sonhava mais.
A imprevisão da vida faz com que nos deparemos com pessoas que se até ontem não nos diziam nada, amanhã já nos serão indispensáveis por toda uma vida. Inevitavelmente pensaremos que o tempo em que não tivemos a companhia que tanto nos agrada foi um tempo perdido em que não se viveu, mas se sobreviveu à espera da satisfação da companhia mais que presente.
Para qualquer é um é fácil fechar os olhos e ver com a alma a imagem que falta na ausência sentida de um amor; na tristeza lancinante de uma partida; na angústia doída de um adeus ou mesmo na inquietante demora de um novo olá. São sentimentos que os que vivem já sentiram e os que chegam sentirão.
Essa perspectiva toda que surge de que de uma hora pra outra surja o novo que fará o antigo sem sentido, ou que lhe dará sentido ainda maior, se mostra como o gostoso da vida. Para que conhecermos o futuro e perdermos as surpresas? Deixemos que o que tiver que acontecer aconteça sem que nos percamos de nós, dos nossos e do que ainda não nos são, mas serão.
Não nos inquietemos com o amanhã, mas antes, nos deleitemos no hoje, acreditando – porque isso é bom – que logo ali adiante está pronto pra nos surpreender.

Como 2 e 2 são 5


Era uma noite como outra qualquer. A rotina não se mudava. O que faziam cada qual no seu papel convencionado é o que fariam no momento em que tudo estava por mudar. Não havia um para outro, antes eram cada um por si.
A forma como a os cabelos caíam por sobre os olhos talvez já dissesse algo, talvez nunca dissesse nada. Diferente do sorriso do outro que na sua forma singela se abria de um jeito intenso, mas meigo ou no leve passar das mãos pelas pontas douradas de um cabelo comprido.
Como todo início eram o improvável de um para o outro; já no meio eram indispensável um para o outro. Chegado o fim, bom... o que é o fim?
Não foi do dia pra noite em que o que era estranho se fez divino. Talvez tenha sido da noite pro dia... tardes inteiras, manhãs que não eram frias. Foi o tempo em que o jogo proposto se fez mais do que sério e o que era gostoso se fez lindo, o que era lindo foi se fazendo maravilhoso.
Ambos seguiam seu curso; os dias suas horas, as semanas se dividiam nos seus meses, a Terra rodava e o universo se expandia. Já não havia tempo, mas apenas o furtivo que se vivia mais em sentimentos que em palavras...
A dor do adeus. A perda da pureza. O confronto ao leviano e a tristeza do que se supôs indiferença. Por tudo se passou. O longo silêncio, a ausência presente de quem não se queria fazer ver, mas era visto; não queria se fazer sentir, mas era sentido... até tentou esquecer, mas era a todo tempo lembrado.
Eram um e se fizeram dois num encontro que não foi de vidas, mas foi de almas. Eram momentos em que tudo que não eram eles era demais. Não havia mais nada, não havia que haver mais nada.
O que se fez só lhes sabem eles. E a distância imposta é o preço que pagam dentro da culpa que cada um tem. Um ao outro, magoaram-se os dois. Mas conhecem-se a si para que se dêem ao ombro que os confortará no momento de dor.
Não havendo físico, haverá o que é maior... haverá a simples certeza que ao oposto do que se pensará no agora, se lhes virá um ardoroso depois.

domingo, 20 de junho de 2010

O Brasil na Copa... Jogo número 2



Tá bom, tá bom... fizeram gol, ganharam outra, estão classificados para próxima fase (mesmo com Felipe Melo jogando e com o Dunga no banco). Então tá... sorria quem achar que é caso para sorrir; alegre-se quem achar que é caso para se alegrar. Só não venham me dizer que o time joga bem, porque não está. Seleção Brasileira com mais cara de Alemanha igual essa eu nunca vi... jogar no erro do adversário sem impor seu ritmo é pra acabar.
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Post Scriptum: Acabei de ver no youtube o vídeo em que o deprimente técnico da seleção brasileira xingou o competente jornalista Alex Escobar, chamando-do de "um merda e um puta de um cagão" em plena coletiva de imprensa.
É uma excrecência que esse cidadão que se diz representante de um país e que prega tanto patriotismo, no momento em que lhe são conferidos os microfones para falar em nome da seleção que dirige dê tamanha demonstração de rancor, despreparo e falta de educação.
Ora, a medida que aceita assumir o encargo de dirigir o selecionado de jogadores que nasceram no Brasil (e nao a seleção brasileira) ele deveria estar pronto para lidar com os que discordam dele e, havendo o que rebater, que o faça com a razoabilidade que se espera de qualquer pessoa com o mínimo de decência e inteligência, que é o que ele nunca fez...
Dunga, faça-nos um favor: cala a boca!

terça-feira, 15 de junho de 2010

O Brasil na Copa... um país que vai parar


Logo o Brasil (time dos amigos do Dunga) vai entrar em campo. Como acontece de 04 em 04 anos o Brasil (país) vai parar para assistir. Mas uma coisa está sendo dita pelos quatro cantos: não há a empolgação de outras copas. Antigamente, a essa altura, as ruas estavam pintadas, os muros tinham bandeiras, as camisas eram amarelas; adolescentes coloriam seus aparelhos, mulheres pintavam suas unhas... hoje não se vê nada disso.
Há quem queira colocar a culpa no Dunga. Eu ponho. Nunca a seleção brasileira foi tão antipática. A começar pelo treinador. O maior mérito do Dunga foi o de afastar o brasileiro da seleção. As outras seleções eram simpáticas. Nelas você tinha seus ídolos. Você torcia por jogadores que normalmente não tinha a chance de torcer. Nessa você não tem por quem torcer.
Lembro quando em 93 o Parreira convocou o Romário. Basta buscar na memória aquele dia e lembrar da capa da Folha de São Paulo que trazia uma foto do Baixinho fazendo embaixadas e sendo chamado de salvação da seleção. E foi. Depois daquele jogo contra o Uruguai eu me tornei “romarista”.
Depois, nessa geração mais recente, os brasileiros viveram a mesma sensação com o Ronaldo – hoje jogador do Todo Poderoso – a quem todos tinha o prazer de torcer pelo garoto “Ronaldinho”.
Os que tiveram mais sorte que eu, viram ainda uma seleção fantástica que tinha Zico, Sócrates, Falcão, Júnior, Éder, Oscar e até o Serginho, infelizmente no lugar do Careca. Você tinha numa mesma seleção ídolos do Corinthians, Flamengo, São Paulo, Atlético-MG, Internacional, e por aí vai. E todos craques.
Nos anos 70 o desfile de craques não era menor, se é que não era maior. Pelé, Rivellino, Jairzinho, Adhemir, Nelinho, Carlos Alberto, Tostão, Gerson, Leão, Zé Maria, Dinamite, Luis Pereira e tenho certeza que todo mundo pode lembrar mais um.
Andemos pra trás e acharemos tantos outros.
Mas daí eu pergunto: quem são os da seleção de hoje que são unanimidades nesse time escolhido pelo Dunga? Uma seleção repleta de reservas nos seus clubes é um acinte à história do futebol brasileiro. Quem é Felipe Melo (e acho que ele é expulso no 1º tempo hoje)? Quem é Elano (um volante muito mais ou menos e que vai ser o armador (?) do Brasil)? O próprio Kaká com aquele jeito bambi de bom moço não agrada muito, não. É bonzinho demais pro futebol, muito corretinho... muito chato.
Nessa seleção temos jogadores de times como Wolfsburg, Galatassaray, Lyon, Panathinaikos, Tottenhan e Santos. Só times pequenos. É inconcebível.
Mas o Brasil entra em campo e junto com ele, todos nós. Sim, porque nessas horas o extinto de torcedor fala mais alto. Todos xingaremos quando o “Fabuloso” fora de forma não conseguir fazer aquele gol cara a cara ou quando o Robinho pedalar e cair da bicicleta ou mesmo quando o Elano mandar uma falta na entrada da área pra lá do Cabo da Boa Esperança.
Então, contemos todos com o Júlio César, o melhor jogador dessa seleção. Agora, convenhamos: ter o goleiro como melhor jogador do Brasil é algo que “nunca antes na história desse país”.

sábado, 5 de junho de 2010

Contrapondo contrapontos


O que mais vem me preocupando é essa aparente postura de parcela do povo brasileiro que vem enxergando no presidente uma pessoa quase infalível. Essa parcela da população que tem se mostrado sempre pronta a defender todos os arroubos absolutistas de um presidente que na sua política populista cada vez mais “joga pra galera”.
Prova disso é o fato das políticas de Estado estarem se confundindo com a ideologia defendida pelos membros do governo.
É inadmissível que se queira pautar a política externa do país com base nessa ideologia ultrapassada de enfrentamento ao "imperialismo americano" onde – e desculpem-me os que não enxergam a falibilidade da "estratégia" do Chefe do Governo quando nas suas atribuições de Chefe de Estado – desde os primeiros momentos o governante brasileiro demonstra seu desprezo especial aos EUA. Ou não é um claro sinal de demarcação de posição os seus elogios e suas relações a Fidel, Chavez, Morales e agora essa lamentável aproximação com o presidente Mahmoud Ahmadinejad.
O Brasil tenta marcar sua posição atuando em flagrante oposição aos interesses da maior parte do G-8 mostrando-se e colocando-se como alternativa a um resto de mundo que não se sustenta e que, em nome da sua própria sobrevivência, não escolherá o Brasil em detrimento dos demais Estados realmente importantes.
A importância do Brasil está no tamanho de seu mercado consumidor e nas suas reservas naturais. Os confetes que se lançam sobre o presidente e sua política por terem aparecido na CNN um pouco mais de vezes do que o normal é a maior prova de que o brasileiro se contenta com pouco. Basta que se fale bem do Brasil e estaremos todos sorrindo satisfeitos. Ora, o mundo sabe disso. Sabe que bastará sempre dar ao Brasil alguma função e o Brasil manterá sua “significância” nos debates sérios. E daí vem a posição de país que discursa na abertura da Assembléia geral da ONU (mero prêmio de consolação por terem deixado o Brasil de fora do Conselho de Segurança, mesmo tendo sido um dos primeiros países a se aliarem aos aliados na Segunda Guerra Mundial).
É claro que os ânimos se exaltarão e daqui às eleições só tendem a piorar. O país divide-se entre os que apóiam esse governo cada vez mais absurdamente corrupto e populista e aqueles que desejam ver a corja do mensalão, dos sanguessugas e tantos outros devidamente desalojados do poder.
Aparentemente são vários os que querem que esse governo continue. Isso preocupa. Eles começam a mostrar suas unhas. Preparam-se para tomar de assalto o Brasil. Do populismo para o autoritarismo é um caminho que eles estão dispostos a traçar.
Espero que não sejam legitimados por nós mesmos.

Epitáfios...


Escrevendo ou não escrevendo, acordado ou dormindo, vivendo ou não vivendo, o mundo continua seu giro, o tempo correndo e a vida matando. Talvez aquilo que façamos ou deixamos de fazer seja o que nos define na vida que vivemos ou que, pensamos, ainda poderemos viver.
Mas qual será o nosso epitáfio? Sim, em algum momento precisaremos de um. Se não formos nós a nos darmos aos outros a última frase que se nos atribuiremos, certamente outros nos atribuirão aquilo que pensam tenhamos sido nós.
Confesso que penso bastante na morte, o que não deixa de ser incoerente. Enquanto pensa-se na morte deixa-se de viver a vida que, por sua vez, não deve ser pensada, mas deve ser vivida.
A morte se experimentará uma única vez e, de preferência, daqui a muito tempo. O grande Mário Lago já há muito anunciava seu acordo com a morte, ela não procuraria por ele e ele não iria atrás dela; um dia se encontrariam.
Não sou dos que imaginam a morte como um recomeço, mas reconheço que não é menos absurdo do que acreditá-la como um portal para a vida eterna, em pleno regozijo celestial. (mas nessa eu acredito). São várias as teorias sobre o que se sucede ao inevitável, mas não há quem possa ter qualquer certeza...
Acho bom que se acredite em alguma coisa. Dá mais sentido para as vidas que não encontram sentido nenhum. Eu mesmo não sei qual o sentido da minha. Quais as experimentações que a justificaram. Quais as renúncias que se mostraram certas e as escolhas de que me arrependerei. Mas não me furto de pensar que ali na frente está o que me será certo, ignorando completamente o que me virá depois do acerto, mas torcendo para que sejam novos acertos de uma vida que se fará longa.
Se será feliz não posso dizer. Estejam os que gosto comigo e daremos um jeito. Surjam os novos e me entendam e talvez eu tenha sorte.
Mas é certo que mesmo na solidão dá pra se achar algum tipo de prazer...
Meu epitáfio? Ainda não sei, mas estou trabalhando nele. E o teu?

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Como será o amanhã



Certo poeta comparou a vida a uma gangorra. Ela sobe e desce. Para que uns estejam por cima, outros invariavelmente os verão de baixo. O poema é lindo e recomendo para algum momento de vocês. O nome é A Gangorra. O poeta é Gióia Júnior.
Assim como uma gangorra, a vida é também cíclica. É engraçado como alternamos momentos em que parece que tudo caminha em grande velocidade para um destino que nos será o resultado dos nossos sonhos e das nossas vontades e, de repente, parece que tudo parou. Parece que a gente não faz mais nada e que, daquilo que tenta fazer, não tem resultado nenhum.
Por conta dessa última temporada de LOST em que se está dando bastante ênfase ao reflexo no espelho, tenho procurado enxergar-me a mim mesmo. Procuro buscar no meu reflexo pouco agradável o eu que parece dormitar em minh’alma a esperar o momento seu.
Mas qual será esse "momento seu" que na verdade é o momento meu?
Constantemente assombro-me com meu descompromisso com os objetivos que eu mesmo traço. Aliás, tema bastante propício para uma segunda-feira de manhã. A segunda-feira – mais até que o dia 31 de dezembro – é o dia oficial de se iniciar o nosso novo modus vivendi. Só que ultimamente o meu não está superando a sua fronteira com a terça.
E daí me olho novamente no espelho e tento entender onde se esconde a vontade de inovar. A vontade trazer algo novo para a vida, porque sim, a vida vivida de forma repetida, por cômoda que é, faz com que se esqueça que ainda há muito por vir e viver.
E não se trata de não valorizar o que se teve até ontem e o que se tem ainda hoje. Mas é fato que tudo isso é a história do que será futuro e que esse futuro só nos virá - e vindo nos valerá de algo - se desejarmos o que ainda não temos (sim, porque o que já temos não nos poderá ser objeto de qualquer desejo em por vir).
Agora me parece que está tudo parado. Ontem talvez a vida me parecesse o corre-corre frenético de quem na pressa sabe onde quer chegar. Hoje estou atado a uma sorte que parece ser a que escolhi, mas que não reconheço nos sonhos do ontem que, em nada se parece com o que me virá amanhã.
Ainda bem...
E você?

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Mais uma do Lula... AFF!


Aos que não concordarão com o texto faço questão de frisar que naquilo que tange à política interna do presidente Lula, tenho em mim certa indulgência a medida que o pobre come e a inflação não sobe. É a política internacional que acho uma catástrofe, desde a insistência com a cadeira no Conselho de Segurança, até o acordo com o Irã, mas vamos lá.
Há sempre um sentimento de grande contentamento quando o Brasil ganha algum destaque que seja no cenário internacional.
Talvez, mais do que qualquer coisa, seja esse um dos motivos pelo qual o país é tão entusiasmado pela Copa do Mundo. É o momento – de novo, talvez o único – em que o Brasil se mostra como grande potência mundial.
Provavelmente dito sentimento seja fruto do tal complexo de vira-lata sagazmente observado por Nelson Rodrigues. Fato é que todos sentimos uma ponta de orgulho quando um nacional se destaca e ergue o nome do Brasil.
Aparentemente, a julgar pelas primeiras manifestações, dito sentimento parece querer surgir com a assinatura do dito acordo nuclear entre Brasil, Irã e Turquia, no qual Irã se compromete a enviar 1.200 quilos de seu urânio enriquecido a 3,5%, em troca de 120 quilos de urânio enriquecido a 20% na Rússia ou França.
Mas qual a real relevância da medida? Arrisco a resposta: nenhuma.
Sejamos francos: essa medida é como o ato do devedor inadimplente que substitui o título vencido por um novo título sob nova promessa de pagamento futuro que não tem a intenção de adimplir. Ou dá para confiar em um país como o Irã, governado por um facínora que se manteve no poder por meio de fraude às eleições nacionais? Um país que tem como marca de seu governo o fundamentalismo religioso que há anos jura vingança contra o mundo ocidental?
O governo Lula conseguiu no máximo algumas manchetes, mas a própria repercussão internacional demonstra que não foram as mais positivas. Não há liderança que aplauda a iniciativa do Brasil, antes, há os EUA chamando-nos de ingênuos, alemães e israelenses dizendo que o acordo é irrelevante e uma União Européia que insiste na assinatura de um ato unilateral do Irã de comprometimento com a Agência Internacional de Energia Atômica, o que, até agora, não fez.
Para mim fica claro que o presidente Ahmadinejad criou toda essa fantasia para provocar os Estados Unidos e a Europa, fazendo do Brasil o seu “pato” para um belo “Golpe de Mestre”.
No fim das contas, essa medida terá efeito igual ao aperto de mãos que Bill Clinton patrocinou entre Rabin e Yasser Arafat: efeito nenhum.
Mais uma vez o Brasil anda na contramão. Enquanto EUA, União Européia e Japão defendem uma realidade, vem o presidente Lula, aquele mesmo amigo do “El loco” Chaves e defende o outro lado.
Desculpem-me os que pensam o contrário, mas para mim essa é mais uma bela bola fora de um governo trágico em matéria de política internacional.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Quando somos tudo em vão


A inutilidade do que se sente
Faz-se presente no desconserto de quem
Pretendendo o incerto não sabido
Aventura-se no descuido indevido
E busca no ontem mais infame
O porquê de um presente sozinho
Quando mais destacado é o princípio
Do que outrora (ou agora!) se fez descaminho.

AVISO AOS NAVEGANTES

O Trovante volta com tudo e não está prosa.
Depois de dois meses em que só foram postados 04 textos, vem reinaugurar sua atividades com 03 novos textos falando sobre os deputados-torcedores, Dilma Roussef e a pífia seleção do Dunga.
Outros certamente virão, talvez hoje mesmo.
E O Trovante quer a sua opinião.
Sugira temas para os próximos textos para ajudar o blogueiro em seus tempos de sem inspiração.
Divirtam-se

Seleção ridícula

Comecei a escrever o texto antes da convocação mas não consegui terminar a tempo. Vou transcrever o que vinha escrevendo e continuo o texto já conhecendo a lista de convocados.
Não faltam nem 05 minutos para que o Dunga irrite todo o Brasil com a sua lista de convocados para a Copa de 2010. É impressionante a teimosia desse senhor que parece não entender que a Copa é um evento que mexe com as diferentes emoções dos brasileiros.
Em nome da sua “coerência” vira as costas para os anseios populares e desconsidera que a seleção é um patrimônio do Brasil, pertence ao brasileiro. Muito mais importante que ser campeão é que na copa se jogue um futebol bonito.
Presume-se que as seleções reunirão seus melhores jogadores e que, nessa reunião dos melhores jogadores se assistirá o melhor futebol.
Mas a seleção do Dunga, essa que ele vem convocando e que, provavelmente convocará daqui a pouco está longe de ser integrada pelos melhores jogadores que tem um país como o Brasil. E não só no que diz respeito à dupla do Santos que eu, acredito, será bem aproveitada como dupla. Não adianta levar só um e deixar o outro.

Fui só até aí. Agora o Brasil já conhece a lista e é minha hora de cornetar o Dunga, aliás, meu esporte preferido para os próximos 02 meses.
Em 1998 eu fiquei chateado quando o Zagallo não levou o Raí e depois permitiu que o Zico cortasse o Romário (que fez falta após o “incidente Ronaldo”).
Em 2002 fiquei estupefato com a não ida do Romário à Copa do Japão.
Mas é certo que em nenhum desses anos eu me senti tão frustrado quanto com a confirmação dos nomes desse entojo que é o técnico do Brasil. Não me lembro de uma seleção de nome tão fracos como essa. Em comparação, mesmo a seleção de 90 – que entrou pra história como uma das piores e tinha o Dunga como símbolo – era tão ruim.
Que respeito impõe uma seleção que tem Felipe Melo, Gilberto Silva, Josué, Robinho, Júlio Baptista, Doni, Kleberson, Grafite, Michel Bastos e Elano? Eu nunca vi uma seleção brasileira sem um craque. Quer dizer, acabamos de nos deparar com uma. É fato. O Brasil não tem um jogador capaz de desequilibrar um jogo. Capaz de chamar a responsabilidade.
Sejamos francos, Kaká não serve para ser chamado craque. A maior prova disso é que foi completamente ofuscado pelo Cristiano Ronaldo no Real Madrid. Ele não tem a habilidade do drible, é pura velocidade e só. Não há um jogador que encha os olhos nas suas atuações, exceção que se faz, talvez, ao Júlio Cesar e, quando o goleiro é o craque, é bastante preocupante.
Ronadinho Gaúcho tinha lugar nesse time. Roberto Carlos tinha lugar nesse time. Adriano ainda tinha lugar nesse time. Afinal, se o Michel Bastos, o Josué e o Elano tem, qualquer um pode ter. Principalmente os pirralhos da Vila que estão jogando muito e que poderiam dar ao futebol brasileiro a alegria que dele se espera.
Eu não tenho condição de torcer pra um time desses. É uma vergonha para um país com a história do Brasil em Copas do Mundo se fazer representar por jogadores tão medianos.
O Brasil vencer com essa seleção é um desserviço ao futebol, como foi quando a seleção de 82 perdeu pra Itália.
No texto que não acabou eu dizia que a Seleção é um patrimônio do brasileiro. A qualquer custo e a qualquer modo o brasileiro torce para que o seu time de coração seja campeão. A seleção é onde o brasileiro comum busca a sua realização. São 04 anos de espera para se sentir o maior do mundo por ter os melhores do mundo.
A copa é para nos alegrarmos com o Brasil, secarmos os argentinos e ficar com medo da França. Mas com essa seleção na dá. Que o destino do Dunga seja o mesmo do Lazaroni. Quem? Ah, você não conhecesse esse nome? Ainda bem pra você...

A DILMA NÃO É O LULA


A DILMA NÃO É O LULA...
... resta saber se isso é bom ou ruim. Pra ela, porque pra mim ou pra você não faz a menor diferença já que ela não vai ganhar a eleição.
Não sei se ainda há espaço para a dúvida, mas em todo caso, sendo o voto secreto nada me impede de declarar para quem eu não voto. Pasmem: não voto para a Dilma Rousseff. E antes que me critiquem, não se trata de misoginia ou androcentrismo, tampouco machismo. Pelo contrário. Minhas razões são práticas e vão além do título desse texto. Porque a Dilma não ser o Lula poderia até ser algo bom, mas o fato é que a mulher é um desastre.
Vejamos. Iniciada sua campanha a cerca de um ano atrás, na sua abarrotada agenda de inaugurações das obras do PAC (o PAC 1, que mesmo sem acabar já deu lugar ao PAC 2 – nada como ano eleitoral), visitando o simpático Estado de Roraima, a futura candidata a derrotada, ignorou vorazmente o conselho e os avisos do Professor Fabrício Fernandes Andrade e saudou seus interlocutores com um: é bom estar em Rondônia, esse Estado que cresce tanto. Dilma, o Fabrício já avisou: Rondônia não é Roraima, minha filha. O silencio e as vaias que se seguiram atestam quão desastrosa foi a visita.
Mas vamos seguir, porque na semana que passou ela se superou: o seu departamento de marketing (o mesmo que está tentando transformar a ex-guerrilheira/terrorista em uma senhora-evangélica-dirigente-de-círculo-de-oração-da-ordem-das-beatas-e-das-carmelitas-doadora-principal-das-casas-andre-luis-quase-um-misto-de-madre-teresa-e-dalai-lama) teve a brilhante idéia de entrevistar a Dilma, lançando notas sobre a sua origem e sua formação intelectual – sim, antes de sair atirando bombas por Minas Gerais.
Pois bem. Falando sobre o que lhe marcou a juventude, reclinou-se sobre o chavão de que o cinema novo de Glauber Rocha a influenciou, principalmente quando assistiu a Vidas Secas que mostrava os retirantes saindo do Nordeste e vindo para o Brasil.
Vem cá,Dilma? Quando você for presidente do Brasil (Deus nos livre) o Nordeste, esse país vizinho (?) de praias tão bonitas, será bem vindo no teu governo como é a Venezuela no do teu mentor? E pior, hein, é o único lugar que você tava ganhando disparada, mas acho que depois dessa... nem o Lula faria pior e olha que nosso Presidente quando fala de improviso faz o Franklin Martins dobrar a sua dose de anti-ácido diária.
Não fosse só isso, a mulher é uma ex-guerrilheira com histórico de atos terroristas nas costas. Sua posição e sua dureza a fazem mais Stalin que Trótski; mais Tito que Lech. Não por um acaso, ainda ministra das Minas e Energias no primeiro mandato, era chamada por seus colegas com a delicada alcunha de “Tiazinha” (quantas lembrança, hein Suzana?). Mas no caso da Dilma, certamente não eram suas curvas, sua “Tiazinha” era porque trabalha com o chicote nas mãos, açoitando a moral de seus subordinados.
E para que os argumentos não se façam em estrito no campo pessoal, há que se dizer que a senhora candidata não oferece nada de novo para o país, pelo contrário, coloca-se na posição de quem pretende continuar o que já foi feito; sugere o continuísmo de uma política capitaneada por aqueles que demonstraram enorme desrespeito pela democracia e pelo povo brasileiro, a medida que trataram seu momento de poder como um trampolim a seus interesses mais escusos. A Dilma é mais do mais do mesmo.
É o tipo de pessoa sem a menor experiência na administração de um governo – que em nada se assemelha a administração de um país e para aqueles que me disserem que o Lula também não tinha quando foi eleito eu só repito o mantra que é mais do que óbvio e que espero que não te façam confundir: A Dilma não é o Lula... e nunca será!

Para tudo que eu quero descer!


Parece que o Brasil é mesmo o país da piada pronta. E para isso, basta olhar pra Brasília. O descaratismo dos ilustres representantes do povo brasileiro alcançou um nível como ”nunca antes na história desse país”. Não sei se é conseqüência do descaso com a moralidade que vem tomando conta do governo Lula desde o primeiro mandato, seja com mensalão, sanguessugas, Duda Mendonça, Palocci e quebras de sigilo, CPIs, CPIs e mais CPIs a culminar no envolvimento do Senhor Secretário Nacional de Justiça (?) com a máfia chinesa que atua no Brasil.
Agora, em pleno ano eleitoral, o povo brasileiro é mais uma vez chamado de trouxa quando o líder, sim, eu disse Líder, do governo na Câmara vem aos microfones com a proposta estapafúrdia de se conceder um recesso extraordinário para que os engajados deputados possam acompanhar a Copa do Mundo (Ai que saudade de quando as notícias absurdas eram de Severino, João Paulo, Edmar “do castelo” Moreira e do seu mordomo-relator-lixador Sérgio Moraes).
O ilustre deputado (sim, o líder da corja) simplesmente afirma que não haverá quem os faça ir a Brasília para votações.
É o típico momento “para tudo que eu quero descer”.
Como assim não vão a Brasília? Como assim recesso? O eleitor também não trabalhará? O país inteiro parará ou só os picaretas, quer dizer, os congressistas – mesmo porque, uma casa presidida por José Sarney não tem mais qualquer escrúpulo que lhe reste para que não se junte nesse movimento.
A idéia é ainda mais absurda quando a gente pensa que estamos em ano de eleição. Pra começar, todos nós sabemos que a partir do segundo semestre inicia-se o chamado recesso branco. Empenhados em se reelegerem, os deputados e senadores comparecem as sessões uma semana em agosto, uma semana em setembro e, após as eleições, apenas os vitoriosos regressam para se rejubilar na estupidez do povo brasileiro.
Sim. Estupidez. Quem se arrisca a apostar que o “idiossincrático” Deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) não será reeleito pelos companheiros? Que não tentará levar a diante sua ambição de se tornar presidente da Casa do povo e, em conseqüência, tornar-se o terceiro na linha de sucessão presidencial?
E o povo brasileiro assiste passivamente esse carnaval de absurdos. Esse é o momento de espernear. De deixar claro que quem os obriga a ir votar é o próprio povo brasileiro. Não reeleger nenhum desses estelionatários do dinheiro público que se locupletam às custas da passividade de um povo brasileiro que parece, cada vez mais, “só ocupado em nascer e morrer”.
Não sei se é mais absurdo que lamentável. Mas sei que é os dois.

domingo, 11 de abril de 2010

Observações "presidenciais"


Há que se deixar que passe em branco a crescente megalomania do Excelentíssimo Senhor Presidente da República?
Não é raro que vejamos nosso Presidente – de quem a biografia é certamente espetacular e o destino parece fadado ao sucesso – ter arroubos de estima por si e por suas medidas cada vez mais totalitaristas.
Ao longo desses 08 anos nosso Presidente deixou de “não saber de nada” para ter opiniões sobre tudo e, convenhamos, a cada momento em que abre a boca pra falar alguma coisa a tragédia só não é maior porque já não são tantos os que o levam a sério.
Quando bem treinado, nosso Presidente é o sonho de qualquer marqueteiro político. Há empatia; há a figura próxima do brasileiro comum; o ar alegre e despojado do líder máximo que faz parecer que poderíamos ser eu ou você.
Nosso Presidente tinha e teria tudo para entrar pra história como o maior estadista que já passou pelo Brasil e, seguramente, se tornar uma figura mitológica como já o são Franklin D. Roosevelt, Churchil, Kennedy e outros que caminham venturosos pela história.
Mas não o foi. Perdeu sua chance e, ao que parece, ainda sem se dar conta disso, vai enterrando a boa imagem que parecia desfrutar, inclusive, internacionalmente.
E são dois os fatos que mais me assoberbam.
O primeiro deles é o fato de alguém que só é o que foi demonstrar um descaso com a Democracia como faz o Sr. Luiz Inácio. O atento lentor pode estar se perguntando: como ele tem esse descaso afirmado se está tão empenhado no jogo de eleger sua sucessora? Ora, basta que vejamos as desastrosas afirmações sobre o regime cubano e seus presos políticos. Para não se falar das sujeições que se permite ao Chaves.
O Presidente de um país como o Brasil não pode se sujeitar a ser tão amigo de ditadores; aliado de regimes de exceção. Pior ainda é quando os defende como quem manda um recado velado às demais potências mundiais que não aceitam o descaso democrático – por assim dizer.
O outro ponto – e este está cada vez mais evidente – é o descaso do chefe do Poder Executivo pelos próximos meses, em relação ao Poder Judiciário.
O Excelentíssimo Senhor Presidente parece rasgar o artigo 2º da Constituição Federal (aquele que fala da separação dos Poderes, mas que esclarece que são harmônicos). Lula parece acreditar que sua alta popularidade lhe dá legitimidade para se colocar acima da própria lei. Desmerece o Poder Judiciário a ponto de, essa semana, em solenidade do PCdoB, afirmar que não há que aceitar que a cada eleição os juízes digam o que pode ser feito e o que não pode e que cabe aos Partidos se imporem como partidos e dirigirem suas campanhas como bem entenderem. Afora isso, são inúmeras as multas impostas pela justiça pois, advertido de seu comportamento ilegal, o Presidente deu de ombros e saiu inaugurando obras inacabadas dando viés eleitoreiro e – completamente impessoal – à União.
É momento do Brasil aprender que a Democracia é importante e o respeito às instituições democráticas é essencial para esse processo. Uma democracia conquistada com lutas e sangue precisa ser defendida até mesmo dos personagens que construíram essa história. Populismo não é purismo. Faz mal para o futuro, não socorre o Brasil.
Não podemos correr o risco de permitir que descompromissados com a história de uma República sólida, dividida em Poderes harmônicos, independentes e devidamente respeitados por si, se perpetuem no Poder. O momento do adeus se aproxima. Que possamos todos estar com nossos braços erguidos e mãos espalmadas, da esquerda para a direita constantemente até que os de hoje virem suas costas no adeus, rumo ao esquecimento do amanhã.
Será que serraremos esses laços?