quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

É tudo uma questão de fazer (se esperar, não acontece)



O que não falta no vocabulário humano são aquelas frases prontas conhecidas como “lugares comuns”. Muitas vezes surgem como verdadeiros provérbios e se querem carregadas de uma significância para muito além do que realmente tem.

Um dos mais usados é “querer é poder”. Será que é assim mesmo? Diria que depende. Depende do que? De quem quer.

Claro que querer é o primeiro passo.

Há uma propaganda na TV que diz que se é possível pensar, é possível realizar. De minha parte, afirmo: Se você sabe o que quer, cabe a você fazer.

Não há nada que seja impossível.

Ninguém nasceu destinado a ser o que já é ou preso num status do qual jamais poderá sair.

A história da humanidade é repleta de personagens que saíram do nada e que a custa de uma ideia ou de muito esforço se fizeram vencedores. Campeões olímpicos que superaram diferentes doenças e desafios; jogadores de futebol que suportaram sérias contusões e voltaram ao campo após uma recuperação dolorida; pessoas pobres que ficaram ricas; inventores que ficaram famosos e artistas que revolucionaram a forma de fazer arte.

São talentosos? De certo que sim! Deram sorte? Pode até ser. Mas o principal é que agarraram a chance que a vida lhes deu.

Quando falo vida você pode dar a ela o conceito metafísico que você quiser ou se contentar em saber que mesmo humano e errante, você é responsável por tudo que faz e consegue. Pode até ter quem te ajude, muitas vezes alguém que te inspire, mas quem faz é você; a batalha é tua, a dor é você quem sente, mas na vitória é você quem se compraz.

E tudo isso se resume a uma coisa: Atitude!

Dia após dia, milhares e milhares de pessoas buscam sua sorte no conto da loteria. Acreditam que a solução dos seus problemas, a mudança das suas vidas e tudo o que de mais querem lhes virá do simples preencher de uma cartela.

Sonham um sonho que não depende de si. Talvez o sonho mais fácil de sonhar. - Não foram meus números? Poxa, que falta de sorte. E ficam passivos.

Adormecem e acordam. Corre o dia e, cansados, voltam a dormir. Embriagam-se nos seus devaneios e se veem príncipes, sentem-se deuses, mas logo voltam a sua vida, praguejam sua sorte e contentam-se com o lugar que ocupam, mesmo que seja o lugar que não sonharam ocupar.

Mais um lugar comum: “você é do tamanho dos teus sonhos”.

Note que quando eu menciono os lugares comuns não os critico. Tampouco quero desmenti-los. Antes, acredito que é importante que se sonhe e que esse sonho se transforme no objetivo que você buscará.

E o que é preciso para buscar? Atitude!

Toda pessoa de sucesso só teve sucesso porque teve atitude.

Talvez nesse momento você esteja pensando numa série de pessoas que tiveram seu sucesso fabricado por uma indústria que cria ídolos e, não conseguindo subir ao alto em que estão, você tenta reduzi-los ao andar onde você se imagina (forma comum de justificar a sua própria inação). Mas saiba que mesmo essas pessoas tiveram atitudes. Foram e fizeram. Encararam críticas que muitas vezes quiseram calar os aplausos que recebiam. E seguiram em frente.

Outro lugar comum: “as melhores mulheres são dos homens mais ousados”.

Ousadia é atitude. Se você acreditar que algo está tão alto que você não é capaz de alcançar, não alcançará. E vai se indignar quando ver que outro – que você julgava menos que você – tem nos braços quem você acha que não poderia ser de quase ninguém ou conseguiu o que você julgava inalcançável. Esse que era menos, acabou de te mostrar que é bem mais. Ele tinha mais: atitude!

O desejo motiva as buscas. Deseja-se o que não se tem (e se depois de ter, você ainda consegue manter um desejo, tanto mais feliz você será). Mas, mesmo já tendo, não há o que te impeça de querer mais.

Ora, se há um degrau mais alto do que aquele em que você se encontra, busque-o. Um emprego melhor do que o que você tem? Consiga-o. Você só depende de você e de mais ninguém.

Mas o mais importante é saber que nem mesmo a chuva cai deliberadamente do céu. É preciso saber que quem quer tem que fazer, e que não há nada melhor do que, lutar um bom combate, enfrentar fortes desafios, encarar todos teus medos, vencê-los todos para, no momento derradeiro dos teus dias, poder olhar pra trás e dizer: valeu a pena!.

Você sonha? Ainda não alcançou teu sonho? Está esperando o que? Vai lá e faça acontecer!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A tua história é escrita por você (e a minha é escrita por mim) e mais ninguém!


A tua história é escrita por você.
Sim, eu sei que isso soa óbvio. Aliás, isso É óbvio. Contudo, muitas vezes o que me parece é que as pessoas (vou generalizar só pra não ficar tão claro que falo de mim também) se acomodam com a ideia de que não dependem só de si para escrever o futuro que, assim que atingido, será o passado de quem escreveu, definição perfeita de quem você foi ou de quem eu fui, enfim, de quem fomos nós.
Talvez os mais puristas já tenham pensado: “bah, não nos bastamos a nós mesmos. Não tivéssemos os cuidados havidos quando infantes, não ultrapassaríamos, sequer, a adolescência.”
Por certo que não. Ocorre que em algum momento das nossas vidas – seja das mais louváveis, seja das mais medíocres – somos nós que assumimos o controle dos nossos dias.
Não podemos passar a vida como se guardados numa redoma que se quer intransponível, distantes do mundo que se nos mostra, vigilantes contra sabe-se lá quem vindo de sabe-se lá onde.
O único momento que nós temos é o agora! O ontem já nos foi tirado e o amanhã não nos pertence. Não sabemos nem se chegará.
Adiar é costume de quem tem medo de fazer. E medo nunca é bom.
Os que querem justificar sua inação podem dizer que não têm medo, mas sim, cautela.
Cada um acredite no que quiser.
Erros e acertos nos definem muito menos do que a coragem que tivemos de, em dado momento, termos escolhido a vida que é vivida ao invés da vida que no vive.
A vida é feita de decisões e quem toma decisões acerta, mas também erra.
Mas até mesmo não tomar decisões é um erro.
Você sabe o que quer? Não? Essa é a resposta mais comum. Mas há algo, você, eu e todo mundo sabemos, mas insistimos em nos negar: todos sabem o que querem, mas têm medo de admitir, porque, uma vez que admita, o próximo passo é conseguir... ah! Mas daí vem o medo, quer dizer, a cautela de quem pensa: “e se eu não conseguir, como conviverei com a dor, a vergonha, a frustração, o tombo?”
E daí eu peço que você me permita te perguntar: quantas frustrações você carrega consigo por não ter tentado? Seja por medo, seja por orgulho, seja pelo que for. Motivos para justificar nossa mediocridade nunca nos faltam (e nem nos faltarão) o que parece nos faltar é a disposição para encarar os verdadeiros desafios e, não há desafio maior do que ser quem você realmente é.
E continuo falando para você, mas também como se falasse para mim mesmo (mas sem querer parecer – mais – louco):
Saiba quem você é! Mesmo que para isso você precise viajar para dentro de você. Mas cuidado! Viagens como essa, muitas vezes, não aceitam companhia. Só você é capaz de saber o que se passa na tua cabeça ou no teu coração (mas coração não pensa, só reproduz dor).
Antes de se entregar para quem quer que seja ou para o que quer que seja, lance-se ao conhecimento de você. É mais difícil do que parece, mas é um passo importante para saibamos se estamos vivendo o que precisamos viver e seguindo o caminho que precisamos seguir para chegar onde queremos chegar.
Conheça o teu caminho para que você saiba quem pode caminhar com você e para que, quem já está caminhando, possa saber se esse caminho pode ser de dois ou é, definitivamente, o caminho de um.
Assuma-se para si e não para os outros; seja sincero e verdadeiro consigo e, então, você será também com todos que fizerem, fizeram ou farão parte da tua vida.
E não se esqueça: no final de tudo, quem escreve(u) tua história é você!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Minhas impressões 03 dias após o acidente...

Agora há pouco eu estava falando comigo mesmo que tem hora que eu ainda não acredito que sofri o acidente da segunda-feira. Que eu tive mesmo que passar por isso.
Jantei porque não tinha almoçado, falava com meu pai sobre o vídeo do Kibeloco onde imitam a Dilma, coloquei a camiseta e lembro que estava de frente pro espelho arrumando o cabelo, minha irmã brinca: tá se achando só porque está magrinho. Respondo alguma coisa, faço alguma graça, pego minha bolsa, falo tchau. Entro no carro, coloco o nome do vídeo e mando pro meu pai por mensagem pra ele acessar.
Trinta minutos depois estou eu ligando pra eles pra dizer que tinha acabado de capotar o carro...
Eles estavam aqui em casa, tranquilos, assistindo TV; eu estava chegando em Cacoal. Faltava menos de 5 minutos pra eu estar na UNESC. e, num segundo, eu poderia nem estar aqui escrevendo.
Tem hora que parece que não aconteceu, que foi um sonho... e daí, tendo flertado com a morte, é inevitável que eu me confronte com a parte espiritual da coisa. Ora, para mim, o que eu aprendi e o que eu interpretei são verdades. Muito do que está na bíblia é o que eu acredito que seja. E se eu tivesse morrido, qual será que teria sido o meu destino para além dessa vida?
Eu que às vezes blasfemo tanto. Eu que tantas vezes desmereci tanto o que soava mais religioso.
Partindo do pressuposto de que o que ouvi desde que nasci é verdadeiro, grande parte do que fiz foi mau.
Complexo? Muito. Acho que é essa complexidade que está me atingindo a alma.
Na madrugada de anteontem eu fiquei cerca de uma hora ajoelhado no quarto fazendo oração. Fazia muito tempo que eu não tomava esse tipo de atitude.
Estava tentando entender o porquê eu tinha que passar por isso. Por que eu saí vivo? Qual o propósito pra que eu tivesse pedido por misericórdia e esse socorro me viesse de pronto?
Por que, tendo tanto lugar pra cair, o carro foi cair exatamente na valeta que impediu que o teto me espremesse e, ainda, com o espaço para que eu saísse pela janela no chão e não na valeta que era funda até
Ou seja, o carro caiu exatamente onde tinha que ter caído. Quando eu me arrastei pra fora, era tanto mato, que eu não sabia pra onde eu ia e, pela profundidade da valeta, eu poderia ter caído mais fundo e me machucado de um jeito sério.
Em 2002 quando um pit bull me atacou e "tentou" me matar, eu lembro que gritava de susto e tudo mais, mas em momento algum - por mais que naquela época pregasse isso na igreja - pedi algo do tipo: Deus, me ajude!
Fiquei durante esses 09 anos com isso na cabeça: que se eu me visse em qualquer situação de perigo, eu não faria outra coisa que não fosse pedir que Deus me ajudasse (como que se eu tivesse ficado constrangido por ter me esquecido de Deus naquele momento e só sentido o medo).
Quando eu vi que tinha perdido o controle do carro e que o pneu direito bateu na mureta e o carro rodou, eu só tive tempo de gritar: Deus, tem misericórdia de mim! E Ele teve
Cumpriu-se justamente o que está lá no salmo 91: Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos. Eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra.Acho que faz umas 68 horas que estou pensando em tudo isso. Minha cabeça está rodando....
Mais de uma vida? Não. Para mim não. Eu só tenho essa.
Depois que eu morrer será o momento em que eu prestarei as minhas contas e, se eu tive essa chance de continuar ao invés de já ir direto prestar essas contas, há algum propósito nisso e não deve ser só eu aprender a valorizar a minha vida.
Acredito, sim, que muitos dos alunos e pessoas do meu facebook que leram meu relato de como foi tudo e que viram as fotos, não conseguem não pensar que Deus cuidou de mim. E, não sei, mas pode ser uma forma dEle falar: lembra quando você ainda era criança e falava de mim? Então, não era pra parar. Se você sabe falar, fala e não te cala!
E não é que eu esteja me sentindo devedor hoje, depois do que aconteceu. Essa é uma sensação eu já venho sentindo há alguns anos. Daí a impressão de que o que aconteceu segunda-feira foi “A“ sacudida, entende?
Estou querendo crer que as coisas se esclarecerão aos poucos.
Eu não acho que eu dei sorte, antes, acho que Deus cuidou de mim e houve foi o que se chama de milagre. Se eu tive essa prova de que Deus está cuidando de mim, eu não tenho porque não conseguir dormir. Faço como diz no salmo 4; 8: Em paz também me deitarei e dormirei, porque só tu, SENHOR, me fazes habitar em segurança.Sempre tento não levar nada a ferro e fogo; tento sempre racionalizar o máximo. Mas o que eu sei é que as obras são importantes, mas não são o que há de mais importante dentro daquilo que me foi ensinado e que eu acredito.
O primeiro e mais importante é acreditar que, de fato, "Deus amou ao mundo de uma tal maneira que enviou seu filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna".Nessa sequência, vem o fato do que disse Isaías: “O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz”. (esse povo são todos aqueles que não são os judeus. Foi para os não judeus que veio Jesus)
O importante é lembrar que a boa nova que é o Evangelho não são as palavras ditas por Jesus; não são os ensinamentos de jesus. A boa nova do evangelho é o fato de que ele, Jesus, tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.
Assim, a boa nova do evangelho, não é o sermão da montanha ou a parábola do filho pródigo ou a dos dez talentos. A boa nova do Evangelho é que Jesus morreu para que na pureza do seu sangue os pecados do mundo fossem perdoados, mas que a morte não lhe derrotou, antes, ao terceiro dia ele ressuscitou e, em seu nome, (nome de quem venceu o mundo) todos se achegarão verdadeiramente a Deus.
O que eu aprendi, é que não importa quão boas sejam as tuas obras, o mais importante é que você reconheça que houve esse sacrifício e seja grato por ele. Essa é a boa nova desse evangelho que, pelo que me foi ensinado ainda criança, deve ser levado a todos quanto for possível.
Agora, é claro que de nada adiantaria você se dizer agradecido a esse sacrifício, sendo indiferente às necessidades do próximo e despreocupado em fazer o bem que você pode fazer. Tudo é importante.
Mas qual é a minha parte nisso tudo?

sábado, 24 de setembro de 2011

Como nos filmes...



Quando o que penso é você comigo, geralmente o cenário é único. Não, nunca uma balada. Sempre imagino no caminho de volta de algum lugar (que lugar não importa). O carro encostado, a lua brilhando, eu tomando tua mão na minha e deixando as tuas se tocarem num silêncio que só não é absoluto porque o peito insiste em aumentar a intensidade das suas batidas.

De repente você baixa os olhos tímida. Eu te ergo o rosto levemente com a ponta dos dedos sob teu queixo só pra dizer o quanto você é linda... e você sorri. Então corro os dedos pelos teus cabelos e os coloco por detrás da tua orelha, deslizando a ponta da minha unha pela tua nuca, te arrepiando a pele nesse misto de frio e calor que te corre a espinha.

Teu sorriso já beira o tímido e o tenso. É quando me vou à direção tua e te beijo o rosto, com calma, com carinho...

No beijo que te dou no rosto, você deixa que teu rosto vire e faz com que meus lábios toquem os teus... O peito – que já fazia barulho – agora faz escândalo já que tudo que eu mais queria era beijar o beijo teu.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

DESCONSOLO






Há certas palavras que cortam. Machucam. Sangram.

Há palavras que são escritas como que com sangue. Palavras, versos, frases e orações que carregam no seu fluir a dor de quem as escreve sem que finja que é dor a dor que sente.

Essas palavras, escritas no sangue que as fazem ainda mais fortes, correm como correnteza. Esvaem-se pelos pulsos cortados e enquanto vão atingindo o chão onde não deveriam estar, levam consigo toda a luz – se é que alguma luz há – , restando só o negro que se ficou.

Por tantas vezes é tanto o sangue que sangra nas palavras, que o que parece cheio de vida se mostra morto por dentro. Está morto só que ninguém vê.

Não há olhos que perscrutem o íntimo dos que sofrem. Não há ouvido que ouça o lamuriar silencioso daqueles que sentem que o que já foram jamais tornarão a ser.

À medida que o sangue corre e faz as palavras, o corpo inerte e vazio é tomado de escuridão. Não há peito que bata como já bateu; não há choro que corra como já correu. Não há mais ela, não há mais eu.

Se é que foi como tinha que ter sido, onde estará quem escreveu essa história que, calado, não surge pra dizer se ainda existe ou se acabou?

Onde havia um coração que pulsava há no máximo um músculo inerte. Se os olhos ainda piscam é a teimosia de quem não repara que o sangue que correu terminou seu curso e não voltará para onde veio e não mais virá para fazer viver.

De tudo que se foi, a dor ainda fica. Tivesse ido - e deveria ter ido - não haveria mais dor. Mas há dor. E dói. Sempre dói.

Olha-se pra dentro e é tudo negro. Tudo é nada!

As palavras que sangram (escritas do sangue que sangrou) ficam. Quem vai foi quem as escreveu. É ele quem encerra uma história, sua história, tantas histórias... mas não, ele ainda não morreu!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Corinthians 101 Anos: Minha Vida, Minha História, Meu Amor



Nada mais justo do que quebrar o silêncio do blog falando de amor, mas não de um amor qualquer, mas de um amor que é muito e que é grande.
No dia do aniversário de 101 anos do Corinthians, esse post só podia ser sobre esse amor... esse amor pelo Todo Poderoso, Sport Club Corinthians Paulista.
Sim, o Corinthians tem 101 anos. Desses 101 anos eu participo de 26. Não, não me tornei corinthiano depois de certa idade. Todo corinthiano já nasce corinthiano.
Quando me perguntam se sou corinthiano respondo que sim, graças à Deus e quando me perguntam o porquê de eu ser corinthiano, respondo que foi porque dei sorte.
Lembro da primeira vez que fui ao estádio, não um estádio qualquer, mas na casa que por mais que queiram dizer que não, é a nossa casa: o Pacaembu. Corinthians e Grêmio, campeonato brasileiro de 90. 2x0 Corinthians, dois gols de Neto.
Neto, sem dúvida o meu maior ídolo dos que eu vi jogar. Pra mim Neto é muito maior que Marcelinho... mas e o Ronaldo? Bom, daí já fica difícil definir qual deles que gosto mais: se o fenômeno das alegrias recentes ou o goleiro que 10 em cada 10 crianças gritavam: Ronaaaaaaaaaaaaaaldo quando defendiam uma bola.
Eu vi bastante de Corinthians. Se invejo os que vieram antes de mim – como meu pai, por exemplo – foi porque não vi Rivellino, Zé Maria, não vi Sócrates, nem vi Zenon, nem Wladimir.
Não vi - como meu pai viu - o Morumbi com mais de 130 mil pessoas e não comemorei, como ele comemorou, o título de 1977...
Mas tenho boas lembranças do que vivi, do que sofri e do que senti.
Lembro de gostar do Tupãzinho e de admirar a raça do Ezequiel. Raça, sinônimo de Corinthians.
Lembro da camiseta da Kalunga e depois a da Suvinil. Eu tinha a número 5 que era do Bernardo e depois passou pro Zé Elias, o Zé da Fiel, que batia até na mãe se ela passasse na frente.
Na cantina da escola, num dia de Corinthians 6 x 3 Santos, cantei com a torcida que: “caiu na rede é peixe, leleá – o que? O que? – o Timão vai golear. Foram 03 gols do Viola, o mesmo Viola que surgiu em 88, mas que em 93 se emocionou porque jogava uma final contra o Palmeiras, seu time de coração.
Vi chegar Marcelinho e, antes disso, lembro de um gol de falta que ele fez no Ronaldo quando ainda jogava nos urubus. A dupla com Donizete. A 12 do Túlio e dos dias que o banco Excel dava de juros no cheque especial. E vi Mirandinha, aquele que se pensasse não corria, mas que se corria não pensava.
Xinguei o Luxemburgo quando ele barrou o Ronaldo do gol e trouxe o Nei do Fluminense. Xinguei mais ainda o Nei pelos frangos que levava. NA reserva, sempre ele, Maurício, pequenino, mas eficaz (principalmente quando o terceiro goleiro era Wilson Macarrão).
A dificuldade do Sylvinho marcar um gol, mas, em compensação, vi Didi fazer um golaço no São Paulo num dia que, infelizmente, era dia de Raí, o mesmo Raí que, em menos de seis meses perderia dois pênaltis no mesmo jogo e para o melhor goleiro do Corinthians, o geladíssimo Dida. E ri do Raí.
Antes disso, anos afastado dos estádios por causa da violência, meu pai me chamou pra assistir a um jogo da Copa do Brasil: Corinthians x Treze de Campina Grande/PB. Segundo jogo das oitavas de final. Primeiro jogo empatado em 2 a 2. Estava de volta ao Pacaembu e não acreditava nos meus olhos quando o placar indicava 2 a 0 pro time da Paraíba e então vi o treinador chamar do banco Amaral (aquele mesmo que as vezes parecia que tinha um olho só) e que naquele jogo, ao entrar, pôs fogo. Onde você olhasse no campo tinha Amaral. Depois da entrada dele o Corinthians empatou e o jogo foi para os pênaltis.
É 07 anos sem ir ao Estádio e vou pra assistir uma disputa de pênaltis... e o Vampeta errou (novidade?) Vi o Pacaembu inteiro bater nas cadeiras e fazer um barulho ensurdecedor e, se Vampeta errou um, o time da Paraíba errou 02. Nunca fui ao Estádio pra ver o Corinthians perder.
Vampeta, não tivesse sido um baita jogador, já entrou pra história entre os maiores só porque foi ele que definiu muito bem o que é o time da Vila Sônia que acha que está no Morumbi. Foi Vampeta que cunhou o: time de bambis.
O meio de campo sensacional: Vampeta, Rincon, Ricardinho e Marcelinho, para lá na frente achar Edílson, Luísão e muitas vezes ele, o fazendeiro Dinei.
Sofri na final contra o Cruzeiro, mas vi meu time ganhar.
Ri e ri muito com as embaixadinhas do Edilson e pensei que fosse enfartar na final contra o Atlético.
Vi meu time ser Campeão do Mundo (mesmo com Marcelinho perdendo pênalti).
Depois volto ao estádio em 2004 pra ver Fábio Baiano, mesmo mancando de uma perna, acertar um chute no ângulo do Harlei num jogo contra o Goiás (a narração do José Silvério é de arrepiar).
Pois é, praticamente não ouvi Osmar Santos que fazia as bandeiras tremularem, mas ouvi muito jogo na voz de José Silvério: angústia, aflição, mas muitos gols.
Em 2005, Tevez, Nilmar, Mascherano, Roger, Carlos Alberto, um 7 a 1 no Santos e um título brasileiro no peito...
Vi meu time cair em 2007, mas cantei junto com a torcida: Eu nunca vou te abandonar, porque te amo! E naquele momento foi como se eu renovasse meus votos de amor pelo meu time que, já no ano seguinte, renasceu e se fez ainda maior.
E chegou ele: Ronaldo. Senhoras e Senhores, xinguei o Douglas quando ele não deu o passe para o fenômeno no jogo contra o Itumbiara. Desacreditei quando, contra os porcos, ele acertou um tirambaço dá intermediária no travessão e gritei feito louco quando, no gol, até o alambrado caiu.
Quem viu se arrepiou.
As outras torcidas não entendem a nossa torcida. Querem achar que amam seus times como o corinthiano ama o seu. Mas não. Nunca, serão!
Quem falou que todo time tem uma torcida, mas a Torcida do Corinthians é uma torcida que tem um time, sabia bem do que estava falando.
Não há outra torcida que grite tanto. Que apoie mesmo na adversidade. Enquanto as outras vaiam, a do Corinthians canta. Somos sim, um bando de loucos, “Loucos por ti, Corinthians”.
Que venham mais tantos anos e que eu sempre veja o Corinthians jogar. Ganhar é mero detalhe. O que me importa é cantar meu amor ao “clube mais brasileiro”.
E como diria um corinthiano dos mais geniais, o grande Toquinho: Ser corinthiano é ir além de ser ou não ser o primeiro. Ser corinthiano é ser também um pouco mais brasileiro.
Então, só me resta dizer: Vai Corinthians!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

"O Imponderável da Vida"


Desde sempre que eu ouço muito a expressão “o imponderável da vida”. E desde sempre é que penso: não há um imponderável da vida. A vida é que é imponderável.
Pode até parecer que se trata da mesma coisa ou que se acha aqui um mesmo sentido. Mas não é.
Ao menos pra mim, quando ouço alguém se referir ao ‘imponderável da vida’, ocorre a impressão de que se afirma que há nessa vida que vivemos qualquer aspecto que seja previsível, que seja uma regra que se pode esperar e com a qual se possa contar (e como aqui é pra falar de vida – e não de morte – não vou nem entrar no mérito da certeza desta).
A vida é tudo, menos previsível. E de cara eu já afirmo: nós não devemos confiar no que queremos e nem acreditar demais no que desejamos.
Desejos e vontades são consequências do nosso Eu de agora e que refletem no que será e em quem seremos amanhã. Mas, nem sempre o que eu quero agora (pra amanhã) é o melhor para quem eu serei quando esse amanhã chegar.
Cada vez mais eu vejo que fazemos planos por teimosos que somos. Ousamos ter segurança num amanhã que não sabemos se nos chegará e que, quando chega, ao invés de entendermos a sorte que tivemos, começamos a pensar no próximo amanhã que talvez nos virá.
Ou a maior parte de nós não se ocupa mais do depois do que do agora?
E ousados que somos, planejamos.
Uns são mais modestos e sonham com um emprego, uma casa, um cônjuge amoroso, caloroso e sempre disposto pra quando ele estiver disposto, filhos bem educados que superem seus pais e uma aposentadoria confortável. E tentam fazer – e muitos fazem!
Outros (que entendem que o limite do sonho é o infinito), sonham com um emprego que lhes garanta mordomias que só o dinheiro compra: viagens, carros, roupas, Europa, América, amantes, um pouco de filhos, fama, etc. Esses também tentam fazer (enquanto alguns se contentam em sonhar).
Mas a vida é imponderável e o certo de agora já não será mais nada amanhã. E não há problema nenhum nisso. Isso se chama viver.
Não há o que justifique que façamos do nosso amanhã o eterno martírio do que sonhamos e não fomos. Por mais que sejamos consequências das nossas escolhas, mesmo essas são consequências de certas circunstâncias que fogem ao nosso controle.
E vai aqui um segredo que não é segredo nenhum: muito do que nós queremos hoje (e sonhamos como se fosse o melhor pra amanhã) seria péssimo se conseguíssemos – e por isso é bom que não consigamos.
Pode ter certeza: às vezes a própria vida nos faz sair pra andar sem destino, só pra nos mostrar um lugar muito melhor pra gente ficar.

terça-feira, 10 de maio de 2011

AS GLÓRIAS DOS QUE NUNCA AS TIVERAM


A vida de alguns parece que foi desenhada para dar certo. Quantas e tantas vidas parecem feitas para o cinema, parecem próprias para biografias, como histórias prontas de quem nasceu para fazer história. Sim, a vida de muitos parece mais interessante que a nossa.

Os poetas saxões que me desculpem, mas me recuso a acreditar que haja na língua inglesa – e também porque não estudei pra isso – poetas que tenham dito o que os nossos disseram em português, essa língua marginalizada e que nós mesmos insistimos em não cultivar. Eu mesmo elejo o meu próprio triunvirato: Vinicius, Pessoa e Drummond. Não acho que tenha havido quem tenha sido mais.

Pois bem. Fernando Pessoa por quem tenho fascínio seja ele por quem ele quis ser, escreveu certa vez o seu Poema em Linha reta. Nessa poesia, sensacional como tudo que ele escreveu, disse que se sentia rodeado de semideuses incapazes de errar na vida, todos campeões em tudo, que nunca passaram um ridículo, mas nasceram para ser príncipes, perfeitos, incorrigíveis.

E não é que essa parece ser uma regra de todos nós, mesmo quando sabemos que nós somos os mais passíveis de errar e que não, nós não somos a exceção em um mundo em que, mesmo que haja os que são mais do que nós, há tantos outros que são bem menos.

E confesso que acho ridículo os que acreditam que mais vale a imagem que se mostra do que a vida que se vive. Ao longo dos meus dias não foram poucos os que ganham um dinheiro que nunca ganharão; tem as mulheres que nunca tiveram; são bem aventurados no meio de tanta desventura e são vencedores mesmo colecionando incontáveis derrotas.

Mas esses não vacilam um segundo no intento de se vangloriarem à custa de sua própria fantasia. E parecem convencidos de que de tanto repetirem as glórias que não tiveram, a perfeição que ainda não existe lhes resolverá chegar de onde não vem.

O medo e a vacilação são partes do que é ser humano. Amar e não ser correspondido; tentar e não conseguir; sonhar e não ver o sonho se tornar realidade faz parte da vida. E a maior glória que há é, apesar de nunca conseguir, jamais parar de tentar.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Bin Laden e o Sebastianismo - Texto do Bernardo

Texto do prof. Bernardo elaborado sob o clamor das especulações sobre a operação militar americana que culminou com a morte do líder da Al-Qaeda

Don Sebastião I (1554-1578) foi o décimo sexto Rei de Portugal e desapareceu lutando na batalha de Alcácer-Quibir, no norte da África, em 1578. Como seu corpo nunca foi efetivamente encontrado, havendo relatos discordantes de possíveis visões posteriores do monarca, criou-se em torno de sua morte um mito – o Sebastianismo - segundo o qual o Rei não teria morrido e retornaria como um messias para salvar o povo português.

Osama Bin Laden (1957-2011), terrorista saudita, fundador e líder da rede terrorista al qaeda, foi o mentor do atentado contra as torres gêmeas, em Nova York, em setembro de 2001, dando início à chamada ‘guerra contra o terror’, tornando-se o inimigo público número 1 do século XXI. Um dos homens mais procurados do mundo, foi morto por tropas estadunidenses em uma mansão no Paquistão no último domingo.

Mesmo que aparentemente não se aviste semelhança entre os dois, a incerteza quanto ao destino de seus corpos pode causar efeito parecido. Os Estados Unidos optaram por jogar ao mar o corpo de Osama Bin Laden, num sepultamento simbólico, mesmo que injustificado. Ou seja, ninguém viu nem verá o cadáver.

Assim como o povo Português teve no mito criado em torno de Don Sebastião um mártir, capaz de, em seu retorno, significar o salvador de Portugal, país que se via sem autoconfiança, diante de derrotas que poderiam redundar na perda de sua soberania, alguns extremistas do islã, sobretudo talibãs, podem enxergar num Osama Bin Laden sem corpo, sem sepultamento, sem imagens que comprovem sua morte, um novo Don Sebastião, eventual messias, apto a, em sua volta, salvar a causa islâmica em sua eterna luta conta a sociedade judaico-cristã ocidental. O próprio Bin Laden chegou a afirmar que poucos como ele haviam sido enviados por Alá para se tornarem mártires. Os EUA parecem estar querendo fomentar a “dádiva”.

O Sebastianismo português tem inúmeros simpatizantes, havendo se espalhado inclusive em outros países colonizados por Portugal, como é o caso do Brasil. Radicais islâmicos, seguidores ou simpatizantes da causa de Osama, existem aos milhões pelo mundo, até mesmo no Brasil.

As conseqüências do patrocínio estadunidense ao Sebastianismo de Osama Bin Laden só poderão ser conhecidas no futuro. Mas é sabido que o ser humano é pródigo em criar mitos. Ainda mais com um fomento desses.

Bernardo Schmidt Penna é advogado, mestre em Direito e coordenador do curso de Direito da UNESC.


Nota do blog: a medida que o dia amanhecia no Brasil, a Al-Qaeda confirmou a morte de Osama Bin Laden.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Divagações


As vezes a melhor forma de andar pra frente é dar dois passos pra trás. Ainda que querer abraçar o mundo me pareça próprio do ser humano, nem sempre (ou quase nunca) o que será pode conviver com o que tem sido – ou mesmo com o que já foi.

Há várias formas de descobrir isso. Algumas são boas. Outras nem tanto. Em alguns momentos vertem-se lágrimas de alegria, enquanto em outros tantos o sorriso só quer mascarar uma tristeza. O fato é que se na vida tudo tem um fim, enquanto houver vida podemos fazer novos recomeços.

É sempre imprescindível que saibamos respeitar o tempo. O nosso tempo, o tempo do outro... o tempo. A fantasia do que não será pode se fazer em véu tão turvo que capaz de cobrir os defeitos que, em dado momento, teimarão em aparecer. E é tão mais difícil quando aparecem...

Desacelerar pode ser das melhores medidas. Parar para ouvir o som do que a vida tem a dizer (e ela sempre diz). Parar para entender que a urgência de hoje não é maior que a calmaria de tantos dias. Parar e saber que mesmo a imagem mais perfeita que se pareça pra você pode trazer em si um segredo, um algo que ela seja, que ela quer, que ela tem ou terá, mas que não é pra você...

O imponderável da vida, por mais que pareça regra, vem sendo a exceção dos dias de quase todos. Ou não parece muito mais simples (ou cômodo) ficar como se está ao invés de se mudar para quem ou para onde mal se sabe quem seja ou como é?

E temos medo. Temos medo mesmo quando sabemos que a vida pode ser "várias em uma" e que basta que se queira viver, ainda que, nesses tempos, tantos não vivem sequer uma só.

Faça. Faça o que quiser fazer. Ouse o quanto puder ousar e mais... não cale o querer, não disfarce a vontade. E vá. Vá ao limite do que se precisa, do que se quer ou do que se pretende. Mais importante do que o segredo que você carrega ou que o receio do que se pode achar, é quem você é, o que você representa e a história que já escreveu.

E que haja sonho, querer, desejo... tudo o que faz com que haja vida e graça em estar vivo. Mas vivo sempre! E desde que fazendo a vida, vivendo os dias e sendo feliz, ao menos pelo tempo necessário para recomeçar.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Nem tudo começa como termina


Às vezes a vida acerta a gente em cheio. Na cabeça. Em mira perfeita de quem sabe que está prestes a mudar tudo o que até então parecia certo.

Você acorda numa manhã de sexta-feira como outra qualquer sem esperar que ao longo das primeiras horas daquela manhã tudo o que parecia ser o futuro se faz menos que o passado do que não foi.

Aquele dia todo planejado, com o mesmo começo, meio e fim de todos os outros trezentos e sessenta do ano vai acontecer no mais inesperado e vai te mudar a vida numa velocidade que, ainda no começo desse dia, você não consegue imaginar.

Você não quererá mais que o que era seja e à medida que ele continua sendo, isso, que ainda é, não satisfaz mais. Tudo mudou. Nem as cores em volta do mundo são as mesmas. Você precisa do que até então nunca teria sido, mas que parece definir o que, dali pra frente, você tem certeza que será.

E, de repente, te parece que mesmo isso nunca é. O mundo que a gente enxerga nem sempre é aquele em que a gente vive e os pensamentos que você pensa, só quem pensa é você. E mesmo essa nova certeza se acompanha de toda sorte de incertezas. E você que parecia saber tudo, agora já não sabe de mais nada.

Mas não há quem tire da gente a lembrança do que foi. Daquela sexta-feira que se misturou ao sábado e que tantos sábados depois é como se fosse o ontem do hoje que pode ser qualquer dia.

Até um dia...

Quando faltam palavras, use Drummond


E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José ? E agora, você ? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama protesta, e agora, José ?

(...)

Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Minas,Minas não há mais. José, e agora ?


(...)


sem cavalo preto que fuja a galope, você marcha, José ! José, pra onde ?

Contrariando minha contrariedade


O que é mais importante: o agora ou o depois?

O que vale mais a pena: gozar o agora ou planejar o amanhã?

Há anos que a formiga de La Fontaine vem ensinando a importância da previdência e o risco de esquecer que o inverno sempre sucede o verão (ainda que depois do outono).

Mas qual é o grande erro da cigarra? (porque a sua menção nunca é elogiosa). A cigarra se torna o sinônimo da inconsequência, do descaso, de tudo que não se deve ser, só porque resolveu se inspirar no sol para cantar pra lua.

Sim, sim. No fim da história a cigarra vai buscar ajuda da formiga e esta lhe recusa a boa mão amiga, dizendo-lhe que se antes cantara, que agora dançasse.

Mas e quando o amanhã não chega?

Qual o destino do previdente que de tanto que se preveniu, deixou de prever que se é destino de todos morrer, há pouco mais que nos reste além de viver? Aquele mesmo que tanto poupou, pouco arriscou e quando mal esperou... nada! De quem era, agora já não mais é e nunca mais será. Do que tinha, nada lhe valerá. Do que poupou, deixa aos outros – cigarras tantas talvez – levando consigo apenas a irresignação da luta que ninguém vence. Da derrota que a todos aproxima.

Não. Não faço uma elegia à imprevidência e ao descompromisso com um amanhã que sempre tem chance de chegar.

Pelo contrário. A cada novo dia temo mais o amanhã que se me apresenta.

Busco a mesma segurança que sei que tantos outros, como eu, jamais alcançarão.

Tudo o que espero é que a minha escolha seja sempre viver. E viver não é ser vivido pela vida. Não é temer errar ou recear estar errado. Viver é cair, mas achar razão em levantar. É errar, mas ser o primeiro a se perdoar e o último a repetir aquele erro.

Quero um futuro bom e é por ele que trabalho. É em nome dele que estudo. E mesmo em razão dele que poupo o quase nada que ainda não ganho.

Mas ainda não consigo acreditar que haja sacrifício hoje, que se compense no amanhã. E isso, porque ninguém sabe se o amanhã virá.

domingo, 3 de abril de 2011

Textos que não escrevi - Parte IV

O texto que segue não é meu. Seu autor, Vanderlei Kloss, é um grande amigo dos tempos de faculdade e de depois, hoje professor universitário. Pediu-me o favor de postá-lo aqui, mas é ele quem me honra com a deferência. Segue-o:


AMOR: RAZÃO OU LOUCURA?

Vanderlei Kloos Às 3 horas do dia 08/03/2011.

Vejam como o Dicionário MICHAELIS define razão e loucura:

- RAZÃO – é o conjunto de faculdades anímicas que distinguem o homem dos outros animais.

- LOUCURA – é o estado de quem é louco. LOUCO – é aquele que perdeu a razão. Indivíduo extravagante, apaixonado.

Percebe-se de plano que, razão e loucura são antônimos. Sem nenhum devaneio, citando o senso comum dizendo que “no amor existem razões que a própria razão desconhece”, porém, fica muito piegas, não é esse o objetivo; pensemos de maneira mais científica. O brilhante filósofo alemão Friedrich Nietzsche, disse: “AQUILO QUE SE FAZ POR AMOR ESTÁ SEMPRE ALÉM DO BEM E DO MAL.”, para ele, no amor vale “tudo”, compensa correr qualquer risco, até porque, no amor não existe garantia. Ciências Humanas é um ramo da ciência que envolve um componente imprevisível, o próprio SER HUMANO!

O homem é um dos poucos animais que consegue disfarçar suas emoções; que destrói por destruir; e dos poucos animais que faz sexo por prazer e não apenas para procriar. Portanto, não existe uma lógica quando está presente esse componente, o SER HUMANO!

Raul Seixas escreveu: “(...) ninguém nessa vida é feliz tendo amado uma vez (...)”; escreveu ainda: “(...) eu do meu lado aprendendo a ser louco, um maluco total, na loucura real (...)”, o que o poeta exprimiu nestas palavras? É difícil ser louco, especialmente, se a loucura for real, por ser de caráter subjetivo (loucura aqui, não se refere à esquizofrenia, tal é doença – CID F20.0).

O advogado, professor, músico, poeta e trovador William Grilli, pessoa que jamais esquecerei (vi sua transição: adolescente-adulto – vou parar aqui, pois, minha avaliação não é confiável, mais do que amigo, sou um fã), em uma de suas músicas, de maneira um pouco diferente do Raul, canta quase a mesma coisa, vejam: “Há quem me chame de louco, eles são bem mais que eu, fazem isso por achar que minha vida se perdeu; mas eu só quero é amar, amar do jeito que aprendi e se é isso que me faz louco, quero endoidar mais um pouco (...)”, registre-se: NÃO PARTICIPEI NO APRENDIZADO DA LOUCURA DO CIDADÃO EM COMENTO, por mais que digam o contrário.

Fala-se que “o amor e o ódio são as duas faces da mesma moeda”, melhoraria esta frase dizendo que, no amor, a RAZÃO e a LOUCURA são as duas faces da mesma moeda. Parafraseando Nietzsche, diria: “há sempre alguma loucura no amor; mas há sempre um pouco de razão na loucura”, como definir se o amor é razão ou loucura? IMPOSSÍVEL! Na música “A MIRAGEM” o intérprete canta: “(...) Somente por amor; a gente põe a mão no fogo da paixão e deixa se queimar (...)”; parece coisa de novela das oito. A pergunta que não quer calar: O AMOR EXISTE? Existindo, o amor é: RAZÃO ou LOUCURA?

Conta-se que um casal enamorado, após juras de amor eterno e sem entender o porquê de tanto amor, daqueles dignos de filme Hollywoodiano, surge de inopino Andre Sardet cantando FOI FEITIÇO, dissipando as dúvidas: “(...) Eu não sei o que me aconteceu, foi feitiço, o que é que me deu? Pra gostar tanto assim de alguém (...)”, há aqueles que não creem em feitiço, mas era a explicação do casal: “FEITIÇO”. Como se não bastasse, surge Fábio Jr com ALMA GÊMEA, e diz: “(...) VOCÊ SABE COMO ME FAZER FELIZ!”, parafraseando Os Melhores do Mundo: “a vida é uma caixinha de surpresas”, ia tudo bem, mas um dia (porque sempre existe porra de um “MAS”?), na mistura da “maluquez” com a “lucidez”, o casal deixa de ser “maluco beleza”. Lembram-se do que foi lhes ensinado a vida toda: “esmola grande o santo desconfia”, eles DESCONFIARAM (como é difícil romper com certos paradigmas). Resumindo: eles se machucaram, distanciando-se ao ponto de se perderam no pior labirinto que existe, o labirinto do seu próprio ser. Pode ser que eles ainda se amem de verdade, mas, tudo indica, que não ENCONTRARÃO O CAMINHO DA VOLTA, como na fábula de João e Maria, as migalhas de pão que indicava o caminho da volta, fora comido pelas aves oportunistas que sempre aparecem nessas horas (e aparecem mesmo, alguém duvida?).

Façamos uma reflexão no que disse o poeta romano Horácio: “carpe diem quam minimum credula postero”, ou seja, “Colhe o dia, confie o mínimo no amanhã”; nesse mesmo diapasão, existe um verso com autoria atribuída a um poeta chinês da dinastia Tang: “colha a flor quando florescer; não espere até não haver mais flores, só galhos a serem quebrados”. Fazendo uma análise teleológica assevaremos: APROVEITE TODAS AS OPORTUNIDADES NA HORA QUE A VIDA OFERECER, NÃO ESPERE E CONFIE ACHANDO QUE NO FUTURO TEM MAIS. Quando a “burrinha da felicidade” bater a sua porta, ABRA SEM MEDO DE SER FELIZ! Não cante como o Zé Geraldo: “(...) meu cavalo passou ensilhado e eu não montei (...)”. Arrependimento só chega depois do “derramamos o leite” ou do “espelho quebrado”, quando a grande oportunidade de ser feliz passou. Chorar depois? Ajuda, pois, alivia a dor, mas não resolve o problema.

Se o amor é RAZÃO ou LOUCURA, não sei, mas NÃO TEM A MENOR IMPORTÂNCIA!

O IMPORTANTE É “AMAR COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ!”