quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Aviso aos Navegantes

O Trovante abre o seu ano de 2011 com 05 novos textos. O primeiro deles, de cima para baixo, é uma rápida reflexão sobre escolher viver ou pensar, sabendo que a vida não espera uma decisão; o segundo, por sua vez, flerta com um tipo de crítica a esse mundo atual em que tudo parece tão normal que acaba sendo muito estranho; a seguir, um poema que sabe lá Deus se é autobiográfico ou não; a quarta postagem é da série músicas que gosto, quando, após Dorival Caymmi e Michael Jackson, finalmente, resolvi escolher uma de Chico Buarque; e por fim, minha homenagem à personagem de sitcom que mais me tem feito rir atualmente, Sheldon Cooper.
Será sempre um prazer recebê-los e deixe o seu comentário. É bom saber de quem passou por aqui.
Sejam bem-vindos.

A vida não para de viver - parte I



Pensar ou agir?
O dito popular ensina a pensar duas vezes antes de agir. A música do grande compositor dá o “Bom Conselho” de agir duas vezes antes de pensar.
Será que a vida segue um padrão? Será que segue uma receita já há muito definida? Ou essa vida, nossa vida, é vivida no improviso? É vivida no ato em que se torna urgente viver...?
Independente do que se escolha, se pensar ou agir, se aguardar ou viver, se fazer ou esperar que aconteça, seja o que for a verdade é uma só: a vida não para de viver.
A vida não espera ainda que nós esperemos na vida.
E pra piorar (ou não), nós somos a consequência de nós mesmos. Não há sucesso de que o responsável não sejamos nós. Mas também não há fracasso em que a culpa não seja nossa.
A vida é recheada de medos. O medo é bom. Muitas vezes o medo mantém vivo. Mas não se pode ser refém desse medo.
Uma vida mais ou menos não vale mais do que uma vida não vivida, mas vale muito menos que uma vida de quem se permitiu viver, de quem não temeu se lançar ao que os dias tinham pra oferecer.
De que importa se esforçar para ser aceito por quem te cerca e, para isso, deixar de ser quem você é e se tornar quem esperam que você seja?
A vida é única e uma. E não é justo, para conosco, que queiramos achar no outro a aprovação para aquilo que somos nós. E não é justo, para com os outros, que queiramos parecer para eles, justamente aquilo que não somos. Se formos o melhor daquilo que temos que ser, seremos também o melhor que teremos pra oferecer.
Mas não pense muito no que ser. Está na hora de viver, porque a vida, a vida não para de viver.

Que tal esse mundo?


E que tal esse mundo em que juízes são exonerados por darem sua opinião ou por cantarem uma mulher na sorveteria? Aliás, quanto a isso, nunca ouvi motivo mais absurdo. Perdoem-me os moralistas, mas o mundo anda pra frente...
Que tal esse mundo em que o Partido dos Trabalhadores vota contra os Trabalhadores, dá um aumento (?!) no salário mínimo pífio e ainda se vale de uma manobra jurídica pra governar por decreto (sim, porque o aumento do salário é só o começo).
Esse mundo em que o Brasil elege uma presidente que até parecia que ia bem, mas que, ao que tudo indica, tem a mesma aversão à democracia que os seus vizinhos do sul. Esses mesmos que, aparentemente como ela, criticam americanos do norte por seu imperialismo, mas que gostam de governar como se fossem Imperadores.
Que tal esse mundo em que os alunos se assustam quando a gente fala de BBB durante a aula?
Que tal um mundo onde o Restart existe e não é só uma opção do video-game?
Que tal um mundo em que o Luan Santana é galã e o Fiuk se acha músico?
Um mundo em que a geração atual se quer mais careta do que todas as outras que tiveram que morrer pra mostrar que é pra frente que se vive e fazendo a revolução, que tal? Jovens que querem passar num concurso, casar e ter filhos, quando estão na idade de contestar até o que está certo, se rebelar com o que já há e criar o que seja o legado deles.
Que tal um mundo que a juventude não deixará qualquer legado, mas que quase não se saberá que passou por aqui?
Um mundo em que o novo realmente não vem mais. E não somos nós que simplesmente amamos o passado...
Que tal um mundo em que quando as pessoas se revoltam contra um ditador tirano todos nós aplaudimos como se fosse a exceção, quando o inconformismo teria que ser a regra na luta contra tudo que não é bom?
Que tal esse mundo?
Esse mundo é nosso mundo, feito por eu e você.
Péssimo pra nós.

Mais que nada


E se há a felicidade em meu destino
Ela se faz ausente (e a mim descrente)
Pendente que se sente meu peito
De um sorriso nesses meus dias
Em que me sinto refém nesse meu desatino.

Os dias que me veem são tudo menos leves
A mais suave pluma me pesa como o mundo à Atlas
E tudo que invisto não é mais do que o próximo fracasso
[de amanhã.

Se me veem certezas elas logos se mostram erradas
E quando me acostumo à companhia do erro
Mesmo ele se me ri
Naufragado que me mostro na mais mansa água.

O coração que quer sorrir é aquele mesmo que só chora
O sorriso que não se abre, faz-se por mais distante a cada nova meia-hora
E a companhia boa que me era antes é só a lembrança de um momento de outrora.

Não me há mais nada, como tampouco me há pra mim.
Na maior parte do tempo sou pouco menos do que nada.
E tudo que nunca fui me açoita na lembrança de que teria sido.
Se fosse um pouco mais do que jamais virei a ser.

Na maior parte do tempo, meu coração sangra de uma punhalada
[que quem me deu fui eu.

Músicas que gosto - Parte III

EU TE AMO (Chico Buarque e Tom Jobim)

Nessa ideia de fazer a sessão “Músicas que eu gosto”, poderia ficar semanas e mais semanas só escrevendo sobre as músicas de Chico Buarque. Não escondo de ninguém que ele pra mim é o melhor de todos (nunca coloco Vinícius de Moraes em comparação com ninguém porque ele foi o maior de todos).
São várias e muitas as músicas de Chico que gosto e tenho dificuldade em falar qual ou quais as que gosto eu mais.
Mas essa música em questão tem estado em todas as listas e, provavelmente até seja a que mais me encanta (ou não).
É de um lirismo que não poderia ter outro piano a criar sua melodia que não fosse o de Tom Jobim.
Nessa canção há, seguramente, a metáfora mais bonita que eu já ouvi (ou mesmo dentre as que eu li): “se na bagunça do teu coração, meu sangue errou de veia e se perdeu”.
Que desejo mais intenso que o desses amantes que se embolam num bem-querer que acontece e enquanto se acontecem um para o outro, redefinem a ideia de se fazerem um só.
Esses amantes que vivem o mais intenso de um amor feito em desejo, que perdem a noção da hora quando juntos e se veem sem sentido quando longe. E que mesmo depois do adeus, sabem que se chamam para si.
Mas agora, mais Chico e menos eu.


Eu Te Amo
Composição: Tom Jobim / Chico Buarque

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir.

Sheldon Cooper


Aqui também há espaço para falar do que gosto.
Pra mim, FRIENDS sempre será a melhor série de todos os tempos para sempre e enquanto houver tempo para entrar nessa contagem de todos os tempos.
Mas confesso que a minha personagem de SITCOM preferida de todos os tempos está em outra série. E vou além. É quase impossível conceber que alguém que tenha assistido um único episódio que seja da sua série não compartilhe da mesma sensação.
Esse gênio da física, sem qualquer traquejo social, totalmente NERD é das personagens mais engraçadas que a televisão já produziu. Com a sua incapacidade de perceber ironias ou com sua tendência a uma sinceridade inocentemente desconcertante, Sheldon Cooper rouba a cena na hilária “The Big Bang Theory”.
Com um conhecimento de cultura “pop” restrito às histórias de quadrinhos, esse prodígio que nunca deixou de ser criança vive num pragmatismo científico que, de tão absurdo, arranca risadas mesmo quando sua comparação se vale de uma teoria física que, no fim, a gente parece até entender.
Como não rir da cena em que ao fazer um strike numa partida de boliche ele grita: Aleluia, Jesus! Logo ele ateu que vai à igreja uma vez por ano para contentar sua mãe muito religiosa (para seu desgosto).
Ou com a sua fixação pelo local de sentar, sempre exigindo que saiam do seu lugar.
Todos os seus transtornos obsessivo-compulso que o levaram a invadir a casa da vizinha em plena madrugada para organizar sua bagunça ou mesmo roubar um filme num cinema em que ele passou horas na fila para tentar entrar.
E quem é que tem coragem pra chegar pro próprio chefe e dizer que o trabalho científico dele tem a validade das considerações de uma criança primária?
Eu juro que as vezes – só as vezes – eu me acho muito Sheldon Cooper. Bazzinga!!!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Escritos que não escrevi - O que é a vida?


Confesso que há em mim um certa inveja de vários textos e várias músicas que, por certo não fui eu que fiz, mas que pela sua beleza eu adoraria ter o talento para, quem sabe, ser quem tivesse feito.
Um dos momentos mais interessantes do Museu da Língua Portuguesa é, seguramente, a praça das palavras e um dos momentos que mais me emocionou foi um lindo diáligo escrito por Monteiro Lobato, em que a boneca Emília explica para o Sr. Visconde de Sabugosa o que é a vida. Permitam-me:


“A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais. A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama. Pisca e anda. Pisca e brinca. Pisca e estuda. Pisca e ama. Pisca e cria filhos. Pisca e geme os reumatismos. Por fim, pisca pela última vez e morre.
- E depois que morre – perguntou o Visconde.
- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?”




[Monteiro Lobato, excerto de Memórias da Emília (1936)]

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Adeus ano velho...


Olha só. E não é que já faz quase um ano que esse ano começou. E já vai terminar...
No início de 2010, nesse mesmo bat-blog escrevi que “O fato é que a virada do dia 31 de dezembro para o primeiro de janeiro em nada difere das outras 11 viradas que se notam de um mês para outro ao longo de todos os demais anos. Mas ainda assim, achamos importante, planejamos jantares, encontros, reencontros, situações que não se vivem ao longo do ano”.
Pois bem.
Ainda penso assim. Mas não há porque desconsiderar o simbolismo da data para todos nós. Porque de fato, não é o simples começo de um novo mês, mas o começo de um novo ano e por que não esperar um novo ano muito melhor do que o ano que se passou?
Não sei como foi o ano de 2010 pra cada um de vocês. Eu tenho bastante a me queixar. Tanta mega-sena acumulada e eu não ganhei nenhuma pra não ter que me preocupar com mais nada. Falta de sorte... vamos ver o que dá na da virada.
O ano de 2010, me parece, termina como começou e, infelizmente, com o PT ainda no poder.
Aliás, se eu fosse medir meu ano de 2011 pelo seu primeiro dia, diria que será péssimo, porque será péssimo saber que dia 1º a presidente-eleita não será mais eleita, mas será presidente pelo tempo que conseguir (será que dura 04 anos?).
Mas quero acreditar que 2011 será um ano de sorrisos. Se não do meu, de todos que tanto gosto (e que venho me perguntando se são tantos quanto os que gostam de mim e se são tantos assim rs).
Permitam-me, então, que eu parta da premissa de que o ano que começa pode ser começo de um “novo eu” de cada um de nós.
Dois mil e onze é 2 + 0 + 1 + 1 = 4. Não sei se isso significa alguma coisa. Numerólogos de plantão me digam depois. Sendo 4 melhor que 3 ou pior que 5, o que quero é saber de um ano esplêndido, em que não haja quem se vai, mas que sobre quem chega para alegrar os dias de quem espera ser feliz.
Que 2011 seja um ano em que os abraços se procurem, que os beijos sejam beijados, as mãos se entrelacem em carinhos e os olhos se encontrem na ternura de quem bem se quer, seja pro agora, seja pro infinito de um tempo que jamais será.
Que 2011 seja o ano da realização e da surpresa; da escolha e da inevitável renúncia; do perdão sempre pronto a perdoar e do sorriso aberto a inspirar outros sorrisos. Seja o encantamento com o novo e o reencontro com o passado; a esperança do bem e a certeza de um sucesso recorrente, que não se limite para o agora, mas recomece sempre que houver a necessidade de recomeçar.
Então, que venha 2011. Um ano bom para todos nós.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Quem me dera mudar


Os últimos dias têm sido de um assoberbamento tal que mal tenho tido tempo de pensar a vida... a minha vida.
Já faz tempo que a sensação de que mudanças são mais que necessárias tem tomado conta dos meus dias. É como se isso fosse essencial para que eu possa sentir que voltei (ou que estou voltando) a viver.
Já faz algum tempo que a impressão de que a vida é a arte de se reinventar me acompanha. Recriar caminhos, repensar escolhas, reviver alegrias, fazer feliz, fazer sonhar, nada disso deveria ser desafio, mas a recorrência de todos nós.
Mas mesmo assim não é.
Tendo a admirar quem se permite tomar decisões que muitas vezes soam radicais. Saem da sua zona de conforto, daquele cotidiano que inevitavelmente caminha para uma pasmaceira comum à grande maioria das pessoas e causa maior dos sorrisos tristes.
Aplaudo porque parecem diferentes num mundo em que muda-se pouco.
Mudar deveria ser muito mais natural do que o nosso medo de mudanças.
Mudar deveria ser a resposta da vida para tudo que não vai bem. Ou a insistência nossa no que patina e não sai do lugar não seria egoísmo de quem, por medo das mudanças, tenta fazer de tudo para não mudar?
Mas falar é tão mais fácil...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Melhor que seja melhor


Será que a vida de todo mundo dá voltas como tem dado a minha? Será que os outros também experimentam dessa sensação de não terem nenhuma resposta, no minuto seguinte de quando achavam já terem todas?
Confesso que na maior parte do tempo eu me delicio com o quanto ainda posso me surpreender com a vida. Sim, me parece que o momento em que perdemos a capacidade de nos surpreendermos é o momento em que a vida fica sem sentido. Eu adoro quando posso me surpreender.
Adoro quando o que hoje é real soa impossível dias atrás. A sensação do inusitado, a apreensão com o impensado, tudo isso me instiga a procurar na vida o que vem a seguir.
Muitas vezes planejamos um tempo que não chega, mas nos vem outro que nos encanta hoje, mais do que qualquer sonho tenha encantado antes. E como é bom se encantar; como é bom se deslumbrar com o que nos surge da maneira menos impensada, mas que se faz essencial para a felicidade de todos os outros dias, porque sem o impensado de antes, nada mais é sensato no agora.
Vivo um momento em que tudo que me parecia certo é cada vez menos o que quero e mais o que já foi. E por mais que assuste, muito do agora é o motivo atual do sorriso que cada dia é mais novo. E isso me é bom. É bom porque posso continuar crendo que o novo vale a pena. E ainda melhor, pelo que ainda me virá. E eu sei que virá...
Dá uma vontade de tentar fazer acontecer...

domingo, 31 de outubro de 2010

O Brasil que me envergonha


A sensação de tristeza que me acometeu com o resultado das eleições presidenciais foi semelhante a de assistir meu time perdendo uma final de campeonato. Foi inevitável a sensação de um vazio todo negro tomando conta do meu peito. Um vazio de quem teme a sorte do meu país.
Eu tenho todas as convicções possíveis de que Dilma Rousseff será desastrosa para o Brasil e, desde já, deixo aqui meu registro que, um dia, será profético.
Me sinto envergonhado pelo Brasil.
Envergonhado de um país que enxerga na figura de um homem o símbolo de sua esperança. Envergonhado de um país que enxerga essa esperança em um homem que se deitou com a corrupção, que se entregou ao achincalhe das instituições e ao descaso com a moralidade. Envergonhado de um país que vota numa mulher que até ontem era ninguém, porque esse mesmo homem – que se fez à custa de um discurso mentiroso e uma trajetória tortuosa e a cada novo dia menos digna de aplausos sinceros – indicou que votasse. Um país que não adota um critério objetivo para sua escolha, mas que se pauta na velha política populista que parece nunca soçobrar.
É vexaminoso fazer parte de um país que muitos querem “gigante pela própria natureza”, mas que se esforça para manter os seus todos dormindo, quietos, mendigantes da próxima esmola que lhes darão.
Pobre e triste Brasil, sempre lançado a quem pouco se preocupa consigo, mas muito mais com seus pares, todos eles cada dia mais ricos à custa da política suja que se assistiu ao longo dos últimos 8 anos.
Pobre Brasil que não percebeu a bem-aventurança que lhe chegaria ser livre de Lulas, Dilmas, Dirceus e Berzoinis... mas agora é refém de seu autoritarismo, de seu descaso com a democracia e de sua imoralidade.
Festejam os que sentem-se vitoriosos, mas é uma vitória que não deve durar. Não há qualquer possibilidade de sucesso de um governo que se inicia dissociado da verdade e desamparado da justiça.
Talvez mais fácil fosse deixar um país tão digno de vaias, mas o caminho mais fácil é a escolha dos fracos. Melhor é permanecer firme na luta contra esse PT que toma de assalto a república e ri do processo democrático; melhor é se fazer firme porque esse governo não tende a prosperar.
Mas por hora não dá pra não se deixar envergonhar desse povo que quis assim.
Aparentemente agora a Dilma é alguém, mas até esse Dia das Bruxas tão funesto em que “sabe-se lá porquê” resolveram lhe eleger não era ninguém. Espero que amanhã ela seja, simplesmente, a triste história de mais um erro desse triste Brasil.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A Esposa de Isaque


Eu não sei em outros meios, mas no meio evangélico, quando se tenta “educar” os jovens para a vida a dois, é bastante comum se dizer que a pessoa deve pedir a Deus que, no Seu tempo, lhe prepare o companheiro ou a companheira que seja da Sua vontade. É claro que com isso tentam conter os impulsos de moços e moças em busca de saciarem seus desejos mais íntimos, mas...
O exemplo preferido de 10 em cada 10 palestrantes desse tema (o casamento preparado por Deus) é o de Isaque – aquele mesmo filho de Abraão de quem Deus pediu o sacrifício – e sua esposa.
Não quero aqui me alongar nos detalhes bíblicos. Fiquemos com o fato de que o pai de Isaque mandou um empregado até a sua cidade natal para que lá encontrasse uma boa moça a ser desposada por seu filho e que, lá chegando, esse empregado enxergou em uma moça bastante generosa, a esposa para o filho de seu patrão. É dessa moça que quero falar: a esposa de Isaque, Rebecca.
Do que se sabe de Rebecca – cujo nome apropriadamente significa aquela que seduz – era das mulheres mais lindas de seu meio. De gentil trato, encanta todos quanto se ponham em sua presença, presenteando-lhes, ao seu tempo, com uma meiguice que se achava sempre presente no seu olhar ao mesmo tempo terno e forte.
Sabe-se da esposa de Isaque que era boa filha. Tinha bom testemunho de toda família. Filha devotada, carinhosa com seu pai, Betuel, amorosa com sua mãe Milca e fiel aos seus irmãos e irmãs.
O encantamento de Isaque se deu no primeiro momento em que se viram. A narrativa mostra que no que se viram tiveram a certeza de que havia um para mudar a vida do outro. Místicos fossem, saber-se-iam destinados a si desde o infinito de seu tempo de antes, quando foram partes de uma mesma alma.
Ela era linda. Sua beleza era o repouso perfeito dos olhos sempre encantados daquele que se lhe fez servo. Não haveria dia para os restos do dia de seu marido em que o pensamento dele não seria para ela. Adorava tê-la consigo, adorava tê-la para si. Tinha-a e dava-se. Tudo lhe queria. Tudo lhe faria. Ora, e o sorriso de Rebecca não lhe conseguiria tudo de Isaque? A história mostra que sim. Eram o encontro perfeito de um para com o outro. E desde o primeiro momento já se sabiam assim.
Isaque nunca perdeu o dom de se encantar. Assistia Rebecca mesmo quando ela não se sabia vista. Desejava-a mesmo quando a tinha. E mais lhe queria quando a acabava de ter. Ela era musa de seus sonhos. Era dona de sua voz.
O som da voz de sua esposa lhe era o canto mais sublime. Como a água às flores lhe trazia sentido para mais um dia... e Isaque prosperou. Prosperou porque tinha em sua esposa a inspiração para o dia que haveria de vir. Mesmo antes de beijá-la já sabia de seu beijo e por mais saber, mais queria e de tanto querer, tinha a certeza de que a beijaria o beijo que lhe guardou desde sempre. Isaque tinha em seus lábios o destino preciso dos lábios de Rebecca.
Lindas foram suas noites, sublimes suas manhãs... de amor fora sua história.
Isaque muito viveu e em nenhum de seus muitos dias deixou de pensar sua esposa com amor sublime e bem querer contente... aquela que une e seduz seria sempre a imagem adorada na sua lembrança cansada dos dias, mas jovem para o amor.
Isaque era para Rebecca o que queria que fosse ela para ele e, assim, os dois foram um...
Os dois (Isaque e sua esposa) são exemplos perfeitos já há muitas gerações. Um amor que se construiu na fé de um pai que saberia que Deus lhe daria a esposa ideal para o filho e de um filho que soube honrar a fé de seu pai.

Sonhos e Fantasias




Um dos filmes mais sensacionais que já assisti é “A vida de David Galé”. No início desse filme, o protagonista, um professor universitário, em meio a uma aula, indica aos alunos uma série de conceitos sobre a felicidade. Entre esses conceitos, citando de Pascal a Lacan, ele lança a máxima de que “só somos verdadeiramente felizes quando sonhamos acordados com a felicidade futura”.
Confesso que essa frase me impactou. E forte. Ela me exigiu uma necessária e inevitável reflexão. Acredito que deve ter mais de cinco anos que assisti a esse filme.
E por que eu me refiro ao filme?
Recentemente, em meio a uma rotina de conversa cada vez mais prazerosa, ao analisarmos nossos próprios comportamentos, concluímos que todos nós tínhamos a mesma mania de viajar com a imaginação. E é delicioso sonhar. Sonhar a vida real, sonhar a vida absurda... sonhar um sonho de amor, um sonho de riquezas, um sonho de fantasia...
Ah, as fantasias. Fantasio o tempo inteiro e a medida que me relaciono às outras pessoas percebo que não só eu e é quando me pego pensando na frase do filme: só somos verdadeiramente felizes quando sonhamos acordados com a felicidade futura.
E é verdade. Quando olhamos lá na frente e nos vemos felizes, não importa como, não importa com quem, sentimos uma felicidade que é daquele dia que talvez não chegue, mas no dia que já nos chegou. E mesmo que o sonho seja tão frágil quanto um biquíni de chantilly que se desfaz nas águas da cachoeira, é importante que se sonhe. Nos sonhos somos reis, heróis, infalíveis em tudo... nos sonhos nós somos felizes.
Sonhar não implica em deixar de viver. Antes, o sonho é o prenúncio da realidade que nos chegará. Não devemos sonhar se não for para querer fazer do sonho a realidade de amanhã. Sejamos, pois, sonhadores em tudo, sem medo de sonhar.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Paixão x Amor


Os que amam devem invejar os que se apaixonam.
Tenho pra mim que o amor é um sentimento superestimado. Não é tudo isso. Os romances, filmes e canções nos levam a acreditar que o amor é o sentimento a ser almejado, mas sejamos francos: os nossos melhores momentos são os apaixonados.
Quando apaixonados os dias ficam mais azuis, as nuvens mais brancas, os jardins mais verdes, porque tudo ganha um colorido mais intenso.
Quando apaixonados as canções fazem sentido mesmo quando não há sentido algum.
Enquanto o amor acomoda, a paixão faz com que se deseje cada vez mais.
Quando apaixonados até acordar pela manhã é mais prazeroso na certeza de até o fim do dia encontrar quem nos desperta a paixão.
O sorriso do apaixonado é mais bonito. Sua inspiração é latente. Seu encantamento é constante. Sua alegria é presente e suas palavras mais doces.
À bem da verdade, acredito que o amor que se escreve, se canta e se louva é, na verdade, a paixão. Essa sim é arrebatadora.
A paixão inspira muito mais que o amor, ou os melhores dias de um relacionamento não são os primeiros? Aqueles dias em que um simples tocar de corpos faz sair faísca, em que um beijo é pouco e muitos beijos ainda são poucos.
Apaixonar-se é querer quem já se tem, para que tendo, se queira ainda mais.
É sorrir sem maiores motivos. É sorrir porque sente paixão.
A paixão faz sonhar (e às vezes sonhar acordado mesmo).
Aquela cara boba de quem viu passarinho azul não existe nos rostos de quem ama. Ela é exclusiva dos apaixonados.
Quem ama quer a estabilidade de um relacionamento que muitas vezes dura mais do que deveria durar, já os que se apaixonam lançam-se na incerteza do que será, mais preocupados com o bom de agora.
E por favor, não reduzamos a paixão a um estágio preliminar do amor. Eles andam separados.
A paixão é legal, diverte. Se ela evolui, ela não poderia ser pra se tornar amor. O amor, por sua vez, é manso, é suave... companheiro. Aliás, é bem possível amar e se apaixonar. Um é um, outro é outro. E olha que são vários os que amam, mas não sabem mais o que é paixão. Triste...