domingo, 29 de julho de 2012

Quando a nossa mudança é o outro

Tempo e vida (7)[1]Não adianta negar. Já aconteceu comigo, com você, com teu vizinho e com aquele parente distante que a gente só lembra quando vê a foto no álbum de família: em algum momento das nossas vidas mudamos todos os nosso planos por causa de alguém.
Ter coragem de mudar é sempre algo positivo. Não se pode dizer que não é bom. A grande questão é: por que estamos mudando? O que é que nos motiva nessa vontade de sermos diferente do que pensamos que iríamos ser?
Nossas vontades são inconstantes e nossos planos nunca são absolutos, mas nossa vida se baseia nas decisões que tomamos e nossos caminhos se fazem na medida dos passos que nos permitimos andar. Logo, se somos nós que fazemos para nós, nossa mudança não pode ser por causa do outro.
Mas nem sempre é assim que acontece. Quantas e tantas vezes mudamos tudo o que queremos (queríamos) para o futuro em nome do presente de então? Do nada nos pegamos ignorando a verdade de que a satisfação que se sente no agora é frágil e enganadora. Nos fazemos levianos com nós mesmos na medida em que apostamos nosso tempo no pouco que temos agora, muitas vezes certos de que é o melhor do que jamais iremos ter e, quando o tempo passa e a verdade vem, notamos que o que parecia “para sempre” não tinha mais do que a brevidade de um sonho bom.
Uma coisa que sempre achei injusta na vida é a necessidade de definirmos no fim da adolescência aquilo que acreditamos que será o nosso futuro. Nem terminamos o Ensino Médio e já temos que nos lançar num curso Superior específico. De uma certa forma, quando preenchemos o formulário de inscrição do vestibular, estamos pós-datando o cheque a ser compensado ao longo do nosso futuro. E isso é cruel.
A crueldade dessa etapa da vida está no fato desse período ser o período em que temos certeza que temos uma certeza (e o tempo mostrará que nunca tivemos certeza nenhuma). Quando saímos da adolescência somos todos intransigentes. Peremptórios. Pensamos ter todas as respostas e carregamos a convicção de que nos conhecemos melhor do que ninguém jamais nos conhecerá. Mas a verdade é que sabemos menos do que nos permitimos pensar.
Ainda adolescentes descobrimos uma vida de instantes complexos. Descobrimos que sentimentos não são ficção e que a ficção tem muito de vida real. O primeiro amor parece ser destinado a ser o amor do resto de nossas vidas. As pequenas glórias parecem o prenúncio de toda sorte de vitórias e isso nos faz confiantes de um sucesso a que estamos predestinados e, se não contarmos com a ajuda de quem sabe da vida mais do que o nada que sabemos, nos sufocamos na nossa própria arrogância.
E se você está se perguntando o porquê de eu estar falando em adolescência nesse texto, saiba que é porque, ao menos no amor, somos todos eternos adolescentes.
Quando amamos parece que o tempo parou e que esse amor nos fez outro. Amamos e o sonho de ontem já não sobrevive ao sentimento de hoje. Se antes nosso caminho era pra esquerda, quando amamos nosso caminho segue o caminho do outro (muito mais importante que o nosso, tão insignificante por ser só nosso). E é aqui que a mudança começa a ser preocupante.
Se mudamos nossa vida, sonhos e quereres por causa do outro, mudamos pelo motivo errado e, no instante em que nada der certo – e muito provavelmente não dará – será a esse outro que culparemos.
No começo desse mesmo amor, somos invariavelmente mais altruístas. Ficamos tão encantados com a delícia de sentir amor que pensamos ser mais importante o que fazemos pelo outro e muitas vezes nem esperamos nada em troca e nem pensamos se o outro está disposto a mudar. Mas não importa.
A verdadeira mudança tem que vir acompanhada de um verdadeiro motivo. Muda-se para ser melhor e ser melhor não é agradar o outro ou viver como se só houvesse um agora que não traz consequências depois. Mudar é crescer e crescer exige rompimentos: a menina que cresce se separa da boneca e o menino do carrinho; as roupas da infância não vestem corpos crescidos e os colos que abrigavam, já não afastam o mal do mundo.
Crescer é romper com o passado, ser cruel com o presente e se preparar para o futuro, sendo nós mesmos a mudança que queremos para o nosso próprio mundo.
Mudar pelo outro é colocar a responsabilidade da nossa vida nas mãos e nos sonhos de alguém que não vive e nem pode viver nossa vida. Ele não tem responsabilidade para conosco e nós não temos o direito de exigir dele o que só depende de nós.
Seja lá o que fizermos e escolhermos, que seja sempre primeiro por nós e para nós. Não de uma forma egoísta. Mas, só saberemos, enfim ser dois, quando soubermos – de verdade – quem somos quando somos um.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Vamos construir?


Vivemos tempos em que tudo é para já. Tempos em que o imediatismo impera nas pessoas e os quereres são cada vez menos um projeto e muito mais um desejo. Tempos em que “desafio” não passa de uma palavra e projetos parecem mera perda de tempo.
O mundo está todo ele mais rápido. A velocidade nas comunicações, a diminuição das fronteiras, o alcance de toda e qualquer informação, tudo isso faz com que tenhamos pressa. Não por um acaso, o que mais se escuta nos dias atuais é “estou numa correria”. Mas a pressa é de que? De obter tudo e ainda querer mais?
A ânsia por conquistar mais impede que se desfrute o que já conseguimos e que, no mais dass vezes, nem é tão pouco assim. É só essa a nossa mania de insatisfação que faz com que colecionemos frustrações.
O fato é que estamos cada vez mais ansiosos e ansiedade demais faz mal. Não sabemos mais esperar. Não queremos e nos recusamos a esperar e se a espera é necessária, nos irritamos num “zas traz“.
Tem faltado paciência. E a culpa é de quem?
A vida não tem um roteiro e nem uma única definição. A vida é um dia de cada vez até que se acumulem todos eles. Mas ela passa; ela acaba. No fim das contas qual terá sido o saldo do que deixamos: Os amores que tivemos ou as mulheres que conquistamos? O trabalho que fizemos ou as farras que farreamos? O esforço recompensado ou os dias e noites desperdiçados qual cigarra no verão?
Ah, a vida. Na vida nós não somos meras personagens de nós mesmos, mas sim, os próprios autores dessa nossa história que – correm os dias – se confunde com outras e novas histórias. No livro da vida não nos permitiram escrever o começo e não nos é permitido escrever o final, mas nos foi dado bastante espaço pra preencher.  
O que me parece é que as pessoas estão cada vez mais preguiçosas para escrever, sem inspiração para uma história interessante e, no livro da vida, se falta inspiração, falta vida; no livro da vida, quem não escreve já não sabe viver.
Sim, porque não adianta se esperar que a vida aconteça à tua revelia e sem que você tenha que merecer. Quem sabe faz, quem quer dá um jeito de conseguir. Mas nesse mundo imediatista e cheio de ansiedade, a dificuldade parece estar em saber exatamente o que se quer.
Vivemos imersos em tantas dúvidas que não parece fazer sentido dispensarmos energia em algo que não nos bastará amanhã. E pensamos isso mesmo quando evitamos considerar as perspectivas do amanhã. Queremos viver o agora, conseguir o agora, experimentar e ter agora, muitas vezes abrindo mão da própria previdência.
Quando se vive, se quer, se experimenta e se tem só o agora, corre-se o risco de estar descartando o amanhã.
É clássico o verso onde o rock-star diz não conseguir ter satisfaction e talvez não tenha porque não sabe onde procurar. A satisfação está em nós mesmos. A satisfação está em se saber que fizemos o melhor que podíamos. Está nas conquistas do que sonhamos e pelas quais lutamos.
Descubra-se! Seja sincero contigo. Não tenha medo de querer se você está disposto a conseguir. O sacrifício de hoje se justifica no sucesso de amanhã e a vida premia esforços. O sacrifício não é eterno, não é para sempre, ele dura o tempo necessário, nem mais, nem menos. Mas você tem que saber esperar.
Conheça alguém. Pegue sua mão. Descubra seus gostos e deixa que ela descubra os teus. Invista. Construa. As pessoas não são descartáveis, então para que trata-las assim? Pode ser estranho no começo, talvez difícil e muitas vezes tão trabalhoso que não se vê muito sentido, mas quando você menos esperar, terá um companheiro, uma companheira ainda melhor do que você jamais sonhou.
Os Contos de Fadas, as novelas, os filmes e os romances não estão errados. Mas eles só mostram uma pequena fração do que é a vida. Não existe mágica, não existe destino e nem a felicidade para sempre. Na vida que nos compete, sempre há o capítulo seguinte e ninguém os escreverá melhor do que nós mesmos.
A vida não acontece por si, ela se constrói. Nada vem pronto, mas tudo pode ser feito e só depende de nós.
E então, vamos construir?

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Amor com afeto e afeto sem amor

L’amour, hum hum, j’em veux pas
(Eu não quero o amor)
J’préfère de temps em temps
(Prefiro de tempos em tempos)
Je prefere le goût du vent
(Eu prefiro o gosto do vento)
Le goût  étrange et doux de la peau de mes amants
(O gosto estranho e suave da pele dos meus amantes)
Mais l’amou, hum hum, pas vraiment!
(Mas o amor, hum hum, de jeito nenhum)
(Carla Bruni)




“Espero para ver se você vem
Não te troco nessa vida por ninguém
Porque eu te amo... eu te quero bem!
Acontece que na vida gente tem
Que ser feliz por ser amado por alguém
Porque eu te amo, eu te adoro, meu amor
(...)
Grito ao mundo inteiro
Não quero dinheiro
Eu só quero amar.” (Tim Maia)



Duas canções. As duas falam de amor. Em uma se quer amar, enquanto na outra, dispensa-se o amor. E daí eis que me pergunto: queremos amor? Sabemos amar?
Aqui se falará do amor que une duas pessoas, carnal, terreno, profano e divino.
Se procurarmos nas músicas, nas poesias (e até mesmo nas prosas) encontraremos toda forma de amor. Poetas apaixonados enxergam nas cores do mundo a mesma vibração de seu peito, todo ele cheio de um sentimento de vida que descobriu nos braços de ontem e que redescobrirá no ciclo do novo (e, no mais das vezes, diferente) abraço de amanhã.
Por sua vez, compositores cantarão dores de um amor finito, cuja herança, a solidão, é a companhia inevitável de uma dor que fazem questão de rimar com esse mesmo amor do poeta feliz.
Nos filmes e livros amores impossíveis são sempre possíveis, talvez porque o amor seja sempre possível. Não sei. Não se trata disso. A pergunta é sabemos amar? Queremos amar? Estamos prontos para amar?
Essa última pergunta me lembra de uma terceira música. Guilherme Arantes. E nela ele começa dizendo que tudo que queria um dia para ele, tinha visto na sua musa desde o começo, num momento em que a paz existiu e ele se sentia renascido.
Mas será que amar é isso? Será que amar é renascer e daí se afirmar que cada novo amor, uma nova vida e que, portanto, o novo amor só vem se sepultamos o amor que já morreu?
Certamente ser amado não é (ou pelo menos não deveria ser) o primeiro requisito para se amar ou mesmo um motivo determinante para isso. Fosse assim, não teríamos tantas e tantas histórias de amor não correspondido.
Então, o que é preciso para amar? E pergunto ainda: Basta amar para estar junto?
Você que me lê e tem alguém: por que você está junto de quem você está junto?
Você que me lê e não tem ninguém: o que você precisa pra ter alguém de quem estar junto?
Você que me lê e tem muitos alguéns: o que você pensa que está fazendo?
Talvez os primeiros digam que estão juntos porque amam ou porque a pessoa com quem estão lhes faz bem (para não dizer daqueles que estão só esperando algo melhor). Por sua vez, os da segunda pergunta diriam que esperam aquele alguém que balance seu mundo, que seja companheiro e que desperte o melhor de si. Para que, enfim, os terceiros não saibam dar uma resposta que sirva como boa justificativa para que não sejam de ninguém, ao mesmo tempo em que são de todo mundo e acham que o mundo é seu também.
Para Tom Jobim, fundamental mesmo era o amor, sendo impossível viver feliz sozinho.
E daí eu venho e afirmo: é possível viver um amor sozinho. É possível amar sozinho. Não sei por quantos dias, por quantos meses ou anos. Mas o amor não depende de troca para existir. O afeto sim.
Penso que se há uma causa justa para que duas pessoas se façam juntas uma da outra é a troca de afeto. E o afeto é um elemento importante do amor. É o se sentir amado, desejado, bem quisto. É se sentir parte de um projeto de vida em que os sonhos são positivos. Afeto é a troca de beijos e de carinhos. É o que mantém acesa a chama do amor dita por Vinícius.
Todos nós conhecemos casais que “se sentem presos” em relações que julgam não satisfatórias, ou se queixam das indiferenças do outro às suas necessidades, mas que, quando indagados do por que se mantém na relação, tergiversam e dão uma desculpa qualquer.
Provavelmente eles mesmos não saibam, mas o que os mantém junto é o amor. Um amor que sobrevive apesar da falta de afeto. Mas um amor que deixa de ser essencialmente carnal, pra se tornar um amor fraterno de quem sabe que vai sentir a falta da chatice do outro ou mesmo daquela presença tão ausente.
Mas enquanto a alma pede amor, o corpo quer afeto e essa é uma equação delicada de se acertar. Mas que, ao menos, não haja traumas e nem dores, mas sim, a coragem de não desistir de amar e de querer e de ser amado e ser querido. Sempre! O amor não morre pra nunca mais nascer e o afeto não acaba para nunca mais voltar.
Seja pelo de hoje, seja pelo que virá amanhã, ainda vale muito apena amar e se deixar levar. 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Vazio


Estou vazio por dentro: falta-me a vida nos olhos
E não há ritmo na batida do meu peito.
O que há em mim é só a vida que sobrevive.
Menos sorriso e quase nenhuma satisfação.

Sou como o criminoso que se rouba
Ou o doente que se contamina:
Sou o menos que se diminui mais
E o nada que se faz menos ainda.

Foge de mim o instante que já sabia não vir.
O sorriso que era a certeza do choro, esse não veio.
O choro, consequência do tolo sorriso, correu
Num dia em que me fiz vilão de minha própria história.

Sou menos do que jamais me permiti supor
E mais do que ninguém sei o quanto isso é pouco.
Vivo os dias até que não haja mais vida
Faço-os em vida até que me celebrem em morte.



terça-feira, 26 de junho de 2012

Eu preciso dizer que Te amo


“É que eu preciso dizer que te amo
Te ganhar ou perder sem engano.”
(Cazuza)

“Qualquer maneira de amor vale a pena.
Qualquer maneira de amor vale amar”
(Milton Nascimento)

Amar e ser amado. Ser amado ou amar. Amar sem ser amado. Ser amado sem amar.
De tempos em tempos me pego pensando que o amor é um sentimento supervalorizado. Não é tudo isso que dizem, muito menos é o tanto que esperam dele.
Amor é um sentimento que você sente, mas que não necessariamente outra pessoa sentirá. Nem por você, nem por ninguém e não porque essa pessoa é incapaz de amar ou não sabe amar, mas porque cada um tem o seu próprio jeito de amar.
O amor que eu sinto por alguém e o que você sente pelo seu alguém costuma ser sempre o mais bonito que você tem para oferecer e é a certeza disso que faz com que você queira que o sentimento que essa pessoa te sinta seja o mesmo que você sente e daí vem a insegurança, o pânico, o medo de não ter o sentimento correspondido. Ou pior: as vezes até o tem. As vezes somos amados de volta, mas o amor não se mostra como nós mostramos, não se vê como nós queremos enxergar e não se fala como nós gostaríamos de ouvir e daí, mesmo amados, somos injustos e julgamos que não souberam nos amar.
O medo de não ser amado tem feito com que muitas pessoas lutem contra a vontade de amar. Todos sabemos que somos felizes quando em estado de amor, todos sabemos a delícia de ser amado, a troca de carinhos que faz querer bem, que faz gostar mais, os instantes em que se quer estar “perto se longe e mais perto se perto”, mas quando sentimos, cada um ao seu modo tende a revelar seu medo, e a principal forma de medo é aquela que faz calar.
Eu te amo, mas não posso dizer.
É clássica nos filmes a cena em que um diz para o outro “te amo” e esse outro, desconcertado, diz para o outro “obrigado”. Esse é aquele instante em que espectadores de todo o mundo dizem, cada qual no seu idioma: “putz!”. Imediatamente nos vemos na situação do que disse sem ouvir e imaginamos o quão desagradável é se revelar sem que a recíproca seja a da mesma verdade. E é por isso que calamos.
E o amor passa a ser um jogo em que um fica esperando que o outro se mostre, para só então retirar seu próprio véu.
“Eu te amo, mas só te digo depois que você disser!”
“Eu preciso dizer que te amo, mas só depois de você!”
Calam seu próprio amor por medo. Ou vários medos dentro de um só. Medos, medos e mais medos que fazem com que o amor seja uma dor que se acumule ou uma angústia que cresce, num descontentamento que tinha tudo para ser contente. Mas o amor não pode ser isso. Seja lá o que o for o amor, ele não passa de um sentimento. E sentimento existe para ser sentido e experimentado.
Não há medo pior do que o medo de amar. Amar é sentir e sentir é viver, logo amar é viver e quem teme amar, teme viver e, se teme viver, já morreu antes mesmo de nascer.
Acredite, amar não é um jogo e dizer que ama não é um desafio.
Se o teu sentimento é bonito, sinta-o e viva-o por você, mais do que pelo outro.
Permita-se sorrir! Permita-se viver! Permita-se amar! Ser amado é merecimento, não é obrigação para ninguém.
Não se engane e, se ama, revele o amor que sente. Se sente, viva o amor que ama. Se não é amado, pior pra quem não te quis no que de melhor você tinha pra dar. Certamente ele te merece muito menos do que esse muito que você tinha para lhe amar.
Se como cantou Milton, “qualquer maneira de amor vale a pena; qualquer maneira de amor vale amar”, liberte-se de si mesmo e experimente a delícia de amar. Ser amado, é mera consequência: um prêmio que se receberá. 

domingo, 24 de junho de 2012

Sou Grilli porque ele era Grilli


Acho que ando correndo tanto e tão desatento que, se não tivesse sido lembrado pela manhã, talvez não me recordaria que hoje faz 13 anos que meu avô pai de minha mãe faleceu.
Lembro-me como se fizessem menos de 13 horas (e as vezes dói como se fosse assim): era uma quinta-feira quando, 24 de junho de 1999, por volta das 8 horas da manhã minha mãe abriu a porta do meu quarto para me acordar. Acordar a mim que, na noite anterior, havia me prontificado a estar com ela naquele dia de cuidados no hospital.
Naquele instante, tomado por um sono que me é comum até os tempos hodiernos, disse a minha mãe que não iria. Preferia ficar dormindo.
Compreensiva, deixou-me na cama como estava e foi terminar de organizar o que precisava.
Menos de cinco minutos depois e pulo da minha cama num estalo, dirigindo-me ao banheiro único da casa em que morávamos, dizendo-lhe que me aguardasse apenas um pouco e eu a acompanharia.
Naquela manhã fomos ao hospital ela, minha vó – sua mãe – e eu.
De Guarulhos até o bairro de Santo Amaro onde ficava o hospital foi uma longa caminhada num trânsito de São Paulo que, há 13 anos não era menos do que hoje.
Lá chegamos; encontramos a irmã de meu vô e sua filha que ali ficaram para lhe prestar assistência. O quadro não era auspicioso, mas no semblante havia certa paz.
O dia foi correndo minuto após minuto como nunca deixou de ser.
Por volta das 15 horas uma respiração cada vez mais pesada que exigia que, de tempos em tempos as enfermeiras fossem chamadas a que fizessem seu serviço, até que, por volta das 16h30 uma crise que – ainda não se sabia – seria a última que lhe viria.
Lembro-me de minha vó aflita assistindo um instante em que era clara a luta de alguém pela própria vida e minha mãe, como numa oração aos céus e numa súplica ao próprio pai, pedindo-lhe que, enfim, permite-se se descansar.
(na noite anterior, mesmo tendo tomado uma dose de remédio para dor que, segundo o médico, faria qualquer pessoa forte dormir por uma semana, meu avô tinha acordado e, com o piscar de olhos e apertar de mãos, comunicou-se com os 04 filhos, pediu que fizessem uma oração, lhe lessem a Bíblica e lhe cantassem alguns hinos da harpa. O médico, descrente, ainda dissera a minha mãe e seus irmãos: “- não acredito nesse Deus de vocês, mas alguma coisa de diferente há na situação de seu pai. Ele não poderia estar acordado.” O médico precisou ver com os próprios olhos).
As enfermeiras nos pediram que saíssemos do quarto. A angústia era um sentimento que não se permitia apenas sentir, mas mostrava-se nos olhos e nos rostos de nós três que estávamos ali.
Minha vó esquecera sua bolsa no quarto. Coube-me a mim busca-la. Ali entrei e, até hoje, trago a certeza de ter visto os últimos segundos do que seria a vida que mais me faria falta na minha vida.
Do tempo em que saí do quarto, por volta das 17h05 daquela tarde cinzenta de quinta-feira, passaram-se 10 minutos, até que a enfermeira viesse com a inevitável, porém triste notícia.
Naquela tarde de quinta-feira encerrava-se uma vida que pode se dizer vitoriosa. Uma vida que iniciara-se num dia 1º de novembro de 1939 (registrado no dia 04 de novembro). Ali acabava a vida terrena de um vencedor: bom marido, de gênio forte, mas amoroso; pai de 04 filhos; pastor de milhares de almas, de grandes igrejas, seguramente um dos maiores pastores das Assembleias de Deus no Brasil; então avô de dois netos; sogro de 01 genro e 03 noras. Ajudador dos que recorriam a si.
Até que ele fosse não conhecia quem me fosse próximo que tivesse ido e depois que ele partiu, foi-me boa a vida no sentido de permitir que ninguém mais partisse. Mas até hoje dói.
Meu avô, Perácio Grilli, nome que ganhou em homenagem a um jogador da Seleção Brasileira que disputou as copas de 1934 e 1938, morreu de câncer. Uma morte anunciada em dois momentos diferentes: o grupo de jovens da Assembleia de Deus de Osasco foi visitar a igreja do Jd. Vila Formosa. Não era hábito dele acompanhar essas saídas, mas como era uma igreja de uma região em que ele morou e vizinha de uma outra de que foi pastor, resolveu que iria. Era junho ou julho de 1998. Até então, meu avô vendia saúde. Homem grande que raramente se gripava. Ao final do culto, enquanto cumprimentava e era cumprimentado, uma senhora se aproxima de minha vó. Minha vó não a conhecia e ela não conhecia minha vó. Essa senhora a toca no ombro, chama sua atenção, aponta na direção de meu avô e lhe diz: “Deus manda avisar que meu servo já está preparado!”
Como se aproximou, essa senhora se foi. O choque de minha vó foi tal que ela não comentou com ninguém. Certamente quis desprezar aquela palavra no seu coração. Calou.
Setembro de 1.998: a igreja de Osasco comemorava seu Jubileu de Ouro. Após uma grande e difícil reforma, uma semana de programações para comemorar os seus 50 anos. Num dos cultos, o preletor da noite, Pr. Samuel Bezerra, parou a palavra  e disse mais ou menos assim: “Deus está me incomodando para que eu diga algo. Não ia dizer. Estou calando, mas Ele me manda dizer: Ele tirará uma rosa muito valiosa desse seu jardim e muitos não entenderão, mas não é para se questionar. Ela já está pronta!”.
À noite, quando chegamos na casa de meu avós, à mesa de jantar meu avô, taciturno como era raro, confidenciou: senti que aquela palavra foi para mim.
Outubro de 1.998: uma forte dor no peito e desconfia-se de um infarto. Levado às pressas ao hospital, fica de observação e a equipe médica solicita uma biópsia do pulmão. Não era um problema cardíaco e o diagnóstico não podia ser pior: câncer. O pior e mais astuto dos cânceres.
Não sei precisar o dia, mas tenho por certo que foi uma quarta-feira a tarde quando, tendo meu avô descansando no quarto que era de minha irmã, minha mãe talvez sem saber como dar a notícia, me vê deitado sobre sua cama e me diz: “não faça muito barulho. Seu avô está com câncer”. Ele ainda não sabia.
Aquela notícia me caiu como uma bomba. Na insignificância dos meus 13 anos, o que me veio a mente foi um sonho sonhado semanas antes em que eu via, num cenário muito escuro e enevoado, um caixão no centro da igreja de que meu avô era pastor e duas pessoas conversavam quando uma perguntava para a outra: “do que ele morreu?” e a outra dizia: “câncer”.
No sonho eu não via quem estava no caixão, mas não era preciso ver.
O abatimento tomou conta de todos. Havia, naquelas primeiras semanas o paradoxo de quem queria acreditar que o Deus que se pregara e se ouvira naquela casa faria o milagre e mostraria a grandiosidade de Seu poder, contra o medo do inevitável pior.
Todas as noites, em minha casa, a família se reunia e fazíamos um período de cânticos e outro período de oração. Dia sim, dia também, todos prostravam-se e pediam pelo que julgavam que viria.
Na igreja, até então, havia rumores, mas nenhuma confirmação. Por alguma razão que não me recordo, esse problema particular não foi transmitido de imediato. Notava-se a estranheza na ausência de um pastor sempre presente.
Antes que se desse a notícia para a igreja, a visita de uma senhora bastante respeitada com um recado. Ela disse que, enquanto lavava louças, uma voz lhe ordenara que fosse até meus avós e lhes dissesse que Deus já havia preparado aqueles que “poriam às mãos no meu avô”. E não poderiam ter sido mãos melhores. A médica oncologista que lhe tratou tinha acabado de perder um pai com o mesmo câncer e tratou do meu avô como quem trata do próprio pai; o enfermeiro contratado, quando soube que meu avô era pastor, revelou-se evangélico e, por vezes, considerou sequer cobrar pelos seus serviços. A fisioterapeuta era de um cuidado que ia além do profissionalismo.
Mas a roda da vida continuava a rodar e a doença, cruel como só ela, estava ali.
Culto de Natal de 1998: é chegada a hora de comunicar à igreja. Àquela altura as sessões de quimioterapia já debilitavam um corpo atacado por um câncer poderosíssimo. A família apresentou dois louvores naquela noite: “Eu não me esqueci de ti” e “Quisera sempre orar”. Encerrado o louvor foi dada a palavra a meu avô que noticiou para a igreja o deserto que atravessava. Como homem de Deus que se soube, disse ter fé de que o tratamento que fazia seria como as águas do rio Jordão foram para Amã; que os remédios que tomava seriam como o lodo que Jesus passou nos olhos do cego e que em breve veria o relógio de Acaz andar para trás e receberia a resposta de Deus.
A igreja em prantos, pedia a Deus por Sua misericórdia.
Àquela altura, o médico já tinha lhe dado não mais que 06 meses de vida. Pediram ao médico que não lhe dissesse que esse era o prognóstico porque seria uma notícia assaz devastadora, no que o médico deu de ombros e disse que se passasse por meu avô lhe diria. O médico não disse, e os meses que não seriam mais do que 06 se meu avô fosse muito forte, foram quase 08.
Meu avô foi velado como se fosse um Chefe de Estado. Centenas de pastores de toda a região Sudeste, Goiás e Brasília compareceram à cerimônia e ali contaram histórias acerca daquele homem que, soube eu ali, despertava toda sorte de admiração em homens que também despertavam admiração.
Mais de 2 mil pessoas passaram por aquela igreja.
Lembro-me que quando o Quarteto Alfa cantou pela manhã “Mais perto quero estar”, foi quando a ficha caiu. Meu avô estava perto de Deus e, para sempre, longe de mim.
A marginal do rio Tietê parou para que os batedores da polícia guiassem o cortejo fúnebre até o Cemitério da Vila Alpina, numa fila de carros que, certamente, poucas vezes se viu naquela cidade de São Paulo.
Confesso que tenho vários momentos em que acho mais fácil descrer em Deus do que crer. Muitas vezes, para parafrasear Vinícius, “quero crer, mas não consigo. É tudo uma total insensatez”, mas é a lembrança do meu avô, seu exemplo e tudo que permeou sua passagem dessa vida, que me mantém um mínimo de sanidade espiritual.
Note-se que, as dores de câncer aumentavam quando lhe davam morfina, mas sumiam quando tomava um simples relaxante muscular.
Hoje ficam a lembrança e a saudade. Não houve um dia nesses 4749 dias em que eu não desejei pelo menos mais um dia com meu vô.
Foram várias as noites em que acordei de um sonho em que ele parecia muito vivo e tudo que eu queria era poder ter a chance de sentar no chão e ouvi-lo falar. É poder beijar-lhe a face, dizer que amo e que ele não se atrevesse a morrer outra vez, porque a falta que ele faz é brutal.
Milhares conheceram o pastor; 04 conheceram o pai; outros 04 o sogro. 01 conheceu o esposo, mas o avô amoroso, docemente severo quando precisava ser, desses que ficava bravo se eu falasse de horóscopo ou cantasse em falsete querendo imitar algum cantor de rock, esse avô que fazia de tudo para ver um sorriso dos netos e que ficava bravo se lhe mexiam o jornal, esses só conhecemos Lilian, minha irmã, e eu. E como ele faz falta.
As vezes me pego olhando para o céu desejando que fosse verdade que algumas daquelas estrelas fosse ele olhando por mim. Mas ele não me haverá. Olho meus dias e vejo que me aproximo do tempo em que a maior parte da minha vida será uma vida sem a presença dele e me pego temendo esquecer o tom de sua voz, as formas do seu rosto, guardando apenas algumas lembranças pontuais suas. Mas o tempo, mesmo cruel, não é tão poderoso assim.
Hoje faz 13 anos. Daqui alguns anos serão 30 e, se eu tiver sorte e saúde, passarão mais de 50 anos, e não haverá ano, não haverá mês ou dia em que eu não lembrarei de meu vô como exemplo, com carinho e sempre com o mesmo ou ainda maior amor.
Dessa linhagem do tronco que vem de seu pai, os Grillis continuarão, porque, se ele era Grilli, Grilli também eu sou.
Onde quer que ele esteja, que ele sempre receba o beijo meu.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Que tal prender o Lula?


Temos fundamento jurídico para prender esse cidadão. (Art. 312/CPP).
Eu jurava que não usaria mais O Trovante para falar do Lula.  Aqui no Brasil ainda é difícil falar no ex-presidente sem que isso gere reações exacerbadas daqueles que são apaixonados por essa pústula que à custa de toda sorte de desfaçatez enganou o povo brasileiro.
Há muito que estou convencido que a história – a julgadora mais implacável! – mostrará quem foi esse déspota que, qual diro, voltou-se contra o que há de mais caro a um Estado que se quer democrático.
De pronto o que penso é que o ex-presidente, provavelmente por próximo da morte, tenta reescrever a história para que esta lhe absolva dos pecados que fez enquanto ocupava o posto mais alto do país. Demagogo, viperino e prepotente, desde os primeiros dias de seu governo demonstrou seu desprezo às instituições que garantem o equilíbrio do nosso Estado Constitucional.
O sistema de freios e contrapesos não é mero acaso. A ideia sempre foi evitar o governo absoluto, despótico, ditatorial. A própria Constituição Federal de 1988 veio para garantir a independência e a harmonia das instituições para que, cada qual conforme suas atribuições constitucionalmente postas.
Mas o então Presidente se queria rei. Queria mais. Não apoiava Fidel, Chaves, Gadaffi e Ahmadinejad por mero acaso. Mas sim, porque os admirava. Porque se queria como eles e, não tendo meios de fazer a revolução no Brasil, preferiu desacreditar os demais poderes e fazê-los subservientes a si.
Primeiro com o mensalão, garantiu uma primeira metade de governo quase monárquica. Com o Congresso submetido ao seu alvedrio, fazia e desfazia como bem entendesse, pouco preocupado com a responsabilidade inerente ao cargo que ocupava, responsabilidade essa imposta pela própria Constituição a qual ele jurou respeitar.
Mas o que é um juramento para um mentiroso?
Agora, fervilham os noticiários a respeito desse absurdo que foi a tentativa de constrangimento (e por que não dizer, coação?) que o ex-presidente sujeitou um ministro da Corte mais alta do Poder Judiciário do Brasil. Não bastasse, deu-se por se gabar de buscar o mesmo apoio de outros ministros do STF como se fossem todos subservientes do próprio interesse desse nauseabundo.
Sejamos práticos e jurídicos.
O artigo 312 do Código de Processo Penal, ao regular a prisão preventiva, dispõe que a mesma “poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria”.
Alguém tem condição de questionar que esse senhor abjeto, quando tenta cooptar os Ministros do STF para o seu interesse, age de modo a afrontar a ordem pública? Que esse sujonolento, ao marcar reuniões com o intuito de chantagear os julgadores de um processo em que seus pares são réus, busca prejudicar a instrução criminal? Alguém ainda se atreve a dizer que, no caso do Mensalão, não há indício da existência de crime, bem como de sua autoria?
Ora, fosse qualquer outra pessoa que se valesse do expediente adotado pelo funesto ex-presidente e ela estaria posta atrás das grades em nome da conveniência da instrução criminal.
Lula deseja a impunidade. Quer ajudar a levar o crime de seus comparsas à prescrição.
Lula age contra os melhores interesses de uma nação e rasga a sua Constituição quando, mesmo fora do poder, quer agir como o tirano que sempre se soube.
Lula ri da cara do brasileiro e ainda há quem o defenda em nome das migalhas que ele ofereceu.
Lula enxerga um país como se fosse um sindicato em que se negocia ao cair da noite quando, por sua condição, deveria ser o primeiro a se aviltar com essa prática.
Mas Lula, cada vez mais, é sinônimo de corrupção.
Enfim, que tal levar o Lula à prisão?

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Se melhorar estraga?


A Bíblia conta uma história de uma mulher que não tinha filhos e que, tendo recebido a visita do profeta, foi abençoada por ele e deu à luz a um menino. Passados alguns anos, esse menino caiu gravemente doente e veio a falecer.
A mulher então, irresignada, dirige-se à residência do profeta que, ao avistá-la ao longe, determinou a seu ajudante que fosse até ela e perguntasse se estava tudo bem. O rapaz, seguindo ordens precisas do profeta lhe perguntou: “Vai bem contigo? Vai bem com teu marido? Vai bem com teu filho?” No que a mulher, que horas antes havia perdido o filho, respondeu-lhe que sim. Como esse texto não é um texto bíblico, cumpre só que eu diga que em razão da fé da mulher o profeta orou a Deus que, por Sua vez, devolveu a vida ao filho da mulher.
A mulher respondeu que sim porque sabia que o ajudante do profeta não poderia fazer nada e que, só valeria a pena “se queixar” com quem pudesse resolver.
Mas, mesmo assim, agora sou eu que te pergunto: Vai tudo bem contigo?
A “etiqueta do chat virtual” implica sempre num mesmo início de conversa: “Oi, tudo bem?” , seguida de uma resposta quase automática “Tudo e você”, por sua vez, treplicada por um “tudo bem também”.
Mas será que está mesmo?
Há os que defendem que não vale a pena se queixar da vida, que isso atrai energias negativas e que as energias negativas acabarão deixando a vida ainda pior.
Existem, ainda, os que querem que todos saibam que ele é feliz, ainda que por dentro esteja morto.
Claro que há, também, aqueles que estão mesmo em um dia de graça, daqueles em que o céu parece mais azul, as árvores mais frondosas e até o feio é bonito.
Nas três situações, todos estão bem. Mas dá pra melhorar?
Quem nunca ouviu a expressão: “se melhorar, estraga”?
Eu não consigo entender o seu sentido. Como que é possível que algo que já é bom, ficando melhor, seja ruim?
Sempre dá pra melhorar e, se dá pra melhorar, melhoremos então. Ficar melhor é mais do que bom. Até porque, só falar não resolve muita coisa (pra não dizer que não resolve nada).
É certo que nossa vida é feita das escolhas que fazemos. Como é certo, também, que essas escolhas se fazem e surgem conforme certas circunstâncias que muitas vezes parecem impostas. E é justamente por ser tudo isso certo que não devemos lamentar nossa vida. O que somos hoje é fruto daquilo que nos fizemos a nós mesmos. Somos hoje o que fomos ontem e amanhã seremos o que fizermos hoje. A culpa é sempre nossa e não adianta querer lançá-la a mais ninguém.
E daí eu percebo que quando não se tem nada, há força para se buscar tudo e, com isso, alcançar algo. Agora, quando se tem algo – por pouco que seja – acabamos resignados no que obtivemos e nos permitimos viver uma vida de menor ambição.
Simplesmente nos contentamos e ficamos sendo o que já somos (mesmo quando nem somos tanto assim).
Ora, não fiquemos parados aonde chegamos. Viver, por si só, é um desafio e a vida se vive é para frente. A vida chegará a algum “depois”. Por isso, não se contente com o seu já, porque o já de agora é pouco perto do que pode ser o “já” de amanhã. Se está bom, cuida para que não fique ruim.
Mas cuidado mesmo! Não se deixe tomar pelo descuido que faz com que percamos o interesse no que já temos. Não se iluda e nem se permita iludir por essa teoria tão em moda do desapego.
Sim, precisamos deixar para trás aquilo que nos impede de seguir em frente, mas precisamos ter certeza sobre aquilo que deixaremos para trás. Faça daquilo que você já tem o ainda melhor do que você terá. E reconquiste! E reviva! E refaça! Se redescubra! O que você precisa já está, desde sempre, em você – e só em você!
Não fiquemos parados apenas gozando o que já temos. Vamos ousar. Vamos fazer ficar melhor.
O que estraga é não cuidar do que se tem, pensando, que o que se tem, pra sempre se terá. E é muito bom saber que mesmo o bom ainda pode ficar melhor.
Se melhorar estraga? É claro que não.  

terça-feira, 22 de maio de 2012

Eu acreditei na Xuxa!


Esse texto é uma resposta ao texto do blog "O Percepcionista" do prof. Bernardo Penna, quando ele pergunta em seu texto "Você acreditou na Xuxa?". (http://opercepcionista.blogspot.com.br/2012/05/voce-acreditou-na-xuxa.html#comment-form)

Vamos às minhas impressões. 

É óbvio que não se pode acreditar em tudo que se vê na TV, seja a emissora que foi, mas me parece que está havendo uma inversão.
Leio os comentários e "percebo" que muitos são movidos por uma antipatia à própria Xuxa.
Sim. EU ACREDITEI na Xuxa quando ela disse que sofreu abuso.
Não. Eu não acreditei na forma como ela relatou sua experiência.
Bons redatores existem aos montes e, com certeza, aqueles depoimentos não foram gravados em um único take. É certo que ela foi ajudada na hora de contar essa história, que suavizaram a versão, que destacaram um ponto aqui e outro ali e que, sim, ela tentou demonstrar uma emoção que os olhos negavam.
Mas daí achar que não havia verdade?
Trazer à baila o episódio do filme "Amor, estranho amor" como sinônimo de incoerência me parece um tanto mesquinho. Ali havia a Maria da Graça Meneghel, no auge dos seus 16 anos (o filme foi filmado em 1979), contracenando com um menino de 12 anos que, se estava ali, foi sob a autorização dos pais. Mais importante: a Xuxa não encarnava, sequer, personagem principal do filme, papeis esses que couberam ao Tarcísio Meira, à Vera Fischer e à Matilde Mastrangi, esses sim, nomes conhecidos.
Por que a Xuxa teria que dar nomes aos abusadores? Para que fizessem uma devassa ainda maior na sua vida? A exposição que ela fez já foi suficiente pra fomentar a discussão e se teve viés comercial por conta da audiência, e daí? Que diferença faz? Ela tinha que falar qual tipo de abuso ela sofreu? Ora, não basta ter sofrido abuso? Sob seu âmbito privado, ela aborda o que e como acha que deve abordar e, como figura pública, faz bem em preservar o que julga conveniente.
Lembro-me sempre de uma frase do Léo Jaime que, falando sobre o twitter, disse: "Tem gente que te segue no twitter só para te odiar bem de pertinho". Noto que há um certo prazer no brasileiro de atirar pedra nos famosos vivos para depois endeusá-los quando mortos.
E se o Senna foi mesmo o grande amor da vida dela? Ninguém tem condição de dizer que não foi. Ninguém conhece a intensidade do amor de ninguém e, por isso, não é capaz de julgar. Quantas e quantas pessoas perdem seus amores para o tempo, para a morte, para escolhas diferentes e, anos mais tarde percebem que não fizeram a melhor escolha, mas que é com essa escolha que elas têm que lidar.
E outra, a Xuxa não precisa de outro nome para promover seu nome. Quantos nomes são mais conhecidos do que o seu nesse país?
Me parece muito fácil criticar a Xuxa, a Globo, etc. O que me parece estranho é a tentativa que muitos vêm adotando de tentar desmistifica-la. Depois da Hebe não há apresentadora que atinja a importância dela na TV.
Ela tem méritos. Chegou onde chegou porque soube chegar. Teve carisma e, aproveitada como foi, teve senso se oportunidade.
Se ela reservou um andar inteiro do hospital, o que que tem? O Luciano Huck fez a mesma coisa pela Angélica e, se eles fizeram/fazem é porque tem dinheiro pra isso. Ou daqui a pouco vamos dizer que eles deveriam usar o dinheiro pra dar melhores condições de vida para os outros? Pra isso eles constituíram suas respectivas fundações.
Se ela sabe fazer dinheiro do dinheiro e de sua imagem, ótimo pra ela. Não acho que ela mentiu. Ela pode ter seguido um roteiro, mas ela é a XUXA e não precisava disso só para que falassem dela.
Não vejo o porquê de não lhe dar crédito.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Necessária solidão (?)

Não que eu realmente tenha parado para fazer as contas, mas acredito que a cada dez músicas que falam de solidão, nove serão para rechaçá-la enquanto apenas uma será para, pelo menos, não reclamar dela. E se digo sobre essa uma é porque quando estava pronto pra dizer que não me lembrava de nenhuma música que exaltasse a solidão, eis que me veio à memória a linda, porém triste, “Preciso aprender a ser só” dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle.
Mas vamos lá: no fundo, no fundo, ninguém gosta de ser sozinho. Nem mesmo aqueles que dizem gostar.
Ainda assim, não é raro nos depararmos com quem afirme que precise de um tempo sozinho.
Lembro que dos tempos do "falecido" Orkut havia uma comunidade chamada “Necessária Solidão”. Essa comunidade tinha vários adeptos. Mas é daí que pergunto: a solidão é mesmo necessária? A solidão é, de fato, produtiva? Aprende-se algo com ela? Afinal, a solidão tem o que ensinar?
Eu, pessoalmente, responderia a todas essas perguntas com a certeza do talvez.
Se observarmos com atenção, veremos que muitas vezes há uma gritaria tão grande dentro de nós que nós não temos a condição (e nem a aptidão) seja para ouvir o que se diz no nosso coração, seja para ouvir aqueles que nos dizem do lado de fora de nós (aqueles que falam conosco). São tantas as vozes que parecem ressoar em nós, tantas as angústias, tantos os sentimentos, que nós acabamos por nos perder na obscuridade da nossa própria existência, até nos vermos imersos num escuro que parece nos puxar para baixo –e cada vez mais distante de onde venha o ar ou de onde nos chegue a luz.
Numa situação assim – em que não escutamos, mas sentimos demais a tudo e a tudo sentimos demais – a solidão pode até ser necessária: necessária para que se diminuam as vozes que falam conosco; necessária para que nos escutemos. E só.
Nesse caso, a solidão pode ser necessária para que conversemos com o que houver de mais íntimo de nós mesmos e entendamos quais daqueles “todos e tantos sentimentos” é o de verdade e qual é o quais são os que estão ali para nos enganarem – ou pior, para colaborarem conosco na mentira que nos contamos e insistimos em acreditar.
Se conseguirmos nos concentrar no que nos diz o silêncio de nós mesmos, poderemos (quem sabe?) obter um resultado produtivo.
Mas cuidado! A viagem que se faz para dentro da gente não aceita acompanhante. Ela se faz na solidão da existência atribulada de um (da gente mesmo) e não pode e nem deve durar mais do que o tempo que tenta fazer desnecessária a nova (?) companhia de alguém.
Acostumar-se com a solidão pode fazer com que não se saiba "não ser sozinho". Pode causar um trauma do mundo, uma quase fobia dos demais e, pior, a falsa sensação de que sabemos e podemos ser sozinhos.
Não. O ser humano não sabe ser sozinho e, se o for, na verdade não é.
Em certo momento a alma gritará por companhia; os ouvidos por uma voz diferente da tua ou da TV; os olhos por uma imagem que não seja a que se vê diante do espelho; o coração por uma paixão que o faça achar graça em bater e dar à vida, por fim, uma razão para viver.
Se não há razão de ser sem ser, só haverá motivo para vida, se esse motivo for viver.
Sim, é verdade que de tempos em tempos os sonhos, planos e projetos para um bom futuro dão errado. E que daí dói.  E que a dor às vezes é tanta que a gente pensa que o melhor é ser sozinho e não arriscar a sorte na perspectiva de outro alguém que tanto pode fazer bem como pode fazer mal. A gente fica com medo, esse medo de viver finda por tirar a graça de estar vivo. E daí a gente deixa de viver e apenas vê os dias passarem e tudo isso sem entender o porquê de nada mais parecer suficientemente bom.
Olha, pois, à tua volta. Não só do teu lado. Olha pra trás. Olha adiante. Procura o futuro, mas não deixa de visitar o passado porque ali há lições, há histórias que valeram e ainda valem a pena. O passado não pode impedir o futuro, mas o futuro não pode ser indiferente ao que se passou. Só haverá solidão em que não souber enxergar.
Se você acha que precisa estar sozinho, pense duas, três vezes. Um mais zero não muda nada, continua sendo um. Agora,  um mais um é dois, e ser dois, pode até ser difícil, mas é sempre bem melhor.
E a solidão? Ah, deixa de história. Vá ser feliz! A solidão nem é tão necessária assim.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Tu És

Tu és



És como a rosa que reina sozinha em meio a um jardim onde é só ela só.
Tens no sorriso o encanto doce que se completa na força de um olhar que fascina.
A noite é mais que tua amiga: ela te pertence a ti mais do que te pertences a ela
E mesmo as estrelas parecem menos alegres, pois seu brilho não alcança o brilho teu.

Se há quem seja a hora certa, que sejas tu
Tu que tens a força de ser quem quiseres
Olhar forte e intenso que prende outros olhares
Mas não perde a gentileza que os faz sorrir só por te olhar.

Te olhar é sorrir com os olhos
É fazer refletir a eternidade da doce lembrança que nasce do instante de você.
Te olhar é o infinito do que renasce só p’ra te olhar.
Te olhar é assistir a um sonho sem nem mesmo precisar dormir...

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Sonhei com Jesus


Essa noite eu sonhei que lia a Bíblia. E lia mesmo. É claro que eu não conheço a Bíblia inteira para poder sonhar que estava lendo e, no sonho, estar lendo um trecho preciso do texto. No sonho que sonhei o texto que lia foi de um trecho que, ao meu modo, eu mesmo criei.
Vale dizer que meu domingo por uma série de fatores foi bastante melancólico e triste por ter passado todo um feriado que se quer santo sem me ocupar de refletir no que ele significa. Triste por ter bebido mais do que devia quando havia feito o compromisso comigo mesmo de não tornar a fazer. Triste por ter deixado quem gosta de mim triste. Assim, ontem, ao me dar conta de estar triste por causa de mim e das minhas escolhas, tentava “me curar” entre momentos de reflexão e oração.
Nessas orações que duravam o tempo do próximo cochilo, vinha me queixando de estar procurando pouco a esse Deus que nunca deixou de olhar por mim e que me incomoda(va) o fato de não saber dar reciprocidade a um cuidado sem o qual eu já não seria e nem haveria. Pedia então certo sinal de que minha oração era ouvida de modo a saber que haveria ajuda naquilo que eu considero que precise mudar.
No sonho, eu abria a Bíblia no livro de Mateus. Num primeiro momento abri no sermão da Montanha. Esse, por conhecer com certa riqueza de detalhes, até poderia ter “lido enquanto sonhava”, mas ao abrir no Sermão da Montanha folheei a Bíblia algumas páginas atrás e me deparei com uma história que não existe lá, mas que poderia ter havido e vou narrar.
A história se passava num período posterior àquele em que Jesus transformou a água em vinho num casamento em Caná da Galileia. Lá se narrava que enquanto Jesus caminhava pelo deserto avistou uma mulher sentada a contemplar uma árvore enorme e bonita com muitos frutos também bonitos.
As folhas dessa árvore eram em forma de setas como se a indicar um caminho e a mulher, apesar de fraca, parecia bastante admirada com a imagem.
(enquanto eu ia “lendo” no sonho, ia se formando pra mim, como que num mosaico, as imagens daquilo que lia).
Jesus então se aproximava daquela mulher e lhe perguntava o porquê de ela estar ali, sentada sozinha, olhando para aquela árvore ainda que a própria árvore indica-se um caminho.
A mulher sem saber de quem se tratava disse que estava ali sentada esperando que tivesse fome, porque aquela árvore tinha tantos frutos e era tão bonita que lhe serviria para sempre. Bastava que ela precisasse, estenderia a mão, comeria e poderia continuar onde já estava.
Jesus a olhava enternecido e disse-lhe:
“Pois em verdade te digo que é bom que te vás daqui tão logo, porque virá uma grande fome por seis anos e essa árvore secará e só os prudentes, que ouvirem essas palavras, sobreviverão: não há sede que o Pai não sacie e nem há fome que Ele não dê fim.”
Jesus, então, pôs-se a explicar àquela mulher que os belos frutos que ela via não durariam muito e que logo se secariam e ela não teria o que comer. No que a mulher se pôs a chorar e disse: “Há outro motivo que me faz não poder sair daqui. Há dias que sangro de uma ferida que não sara e já não tenho forças para me mover. A esperança que tinha era nos frutos dessa árvore que me manteriam saciada enquanto houvesse vida. Agora, pelo que me diz, pouco me resta de mim mesma.”
Nessa mesma hora Jesus lhe dirige um olhar de amor e lhe diz: “pois não percebeste que assim que cheguei não sangraste mais?”
A mulher então olha para si e nota que a ferida se fechara, ficando uma pequena cicatriz, mas nenhum sangue. Assombrada ela pergunta a Jesus se ele era algum profeta e como ele fizera tal milagre.
Jesus a olhando com a mesma ternura, agora sentado sob a árvore, suas costas encostadas no seu tronco lhe diz: “não fui eu quem te fiz nada. Orei ao Pai e porque Lhe pedi, Ele te curou. Em tudo que quiseres e pedires e for bom, assim como Ele me ouviu, Ele também te ouvirá”.
Jesus disse a mulher que seguisse e espalhasse a boa nova. Haveria fome em Israel, mas aqueles que conhecessem a palavra que Ele pregava não sofreriam por aquele mal.
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Da hora que acordei desse sonho, fiquei pensando nos vários significados ali.
Aquela mulher estava sob uma árvore e essa árvore lhe indicava um caminho, mas mesmo assim, preferia se valer dos frutos daquela árvore que lhe pareciam bonitos e suficientes para o tempo que julgava ter. Ela estava preocupada com o seu agora. E só com o seu agora. Confiava, pela beleza da árvore e dos frutos, que tinha ali tudo o que precisava para si e que, aquilo sim, é que era bom. Quando Jesus lhe diz que os frutos daquela árvore se secariam tão logo, ela entra em desespero por ter lançado nela toda sua esperança, não tendo onde mais se valer.
E daí me ocorreu: quantos e mais quantos de nós estamos parados no mesmo lugar errado, apostando o tempo que temos, por causa da beleza do que vemos agora, pouco preocupados com o que nos virá no depois?
Quantos e quantos de nós preferimos confiar em nós mesmos ou nos outros, como se nos bastássemos em todas as nossas necessidades quando, a simples frugalidade da nossa vida já nos deveria ensinar-nos o quanto somos pouco para tudo?
A vida de agora parece tão bonita, tão perfeita que não reconhecemos a Jesus enquanto a necessidade não bate a nossa porta. De repente nos comovemos num fim de semana em que se celebra seu sacrifício e sua ressurreição como parte do plano de salvação do homem, mas chega a segunda-feira e nos vemos, novamente, parados sob a mesma árvore bonita, de grandes folhas bonitas, todo o nosso tempo, apostando toda nossa vida.
A árvore que aquela mulher contemplava era em formato de seta. Dizia que ela deveria seguir adiante, procurar o melhor caminho, mas ela achava que ali estava bom. E vem outro questionamento: quantos e quantos de nós ouvimos diariamente sobre um melhor e diferente caminho que nos é apontado, mas preferimos nos fiar no que parece bonito agora? Para quantos e tantos é muito mais difícil acreditar no amor de Cristo que não falha e só quer o bem do que no homem que é falho?
A árvore que dá bons frutos no agora não é melhor do que a árvore da vida que dá seus frutos na eternidade.
De repente, diante da notícia de que não haveria mais frutos naquela árvore e que uma grande fome viria para aquela região, a mulher se desespera porque não havia nela mais forças para seguir adiante. Jesus então, tomado do amor que lhe fez dar a vida por todos os homens e mulheres, senta ao seu lado e lhe mostra que diante do amor de Deus, sempre pronto para ouvir e ajudar a seus filhos, forças não lhe faltariam.
Ela se vê curada, recobrada em forças, pronta para seguir o melhor caminho que é o caminho que leva ao amor de Deus através das palavras de Jesus, essas mesmas que lhe disseram: “Em tudo que quiseres e pedires e for bom, assim como Ele me ouviu, Ele também te ouvirá”.
Será que já não passou da hora de ouvirmos a voz e a mensagem de Cristo e nos voltarmos mais a Deus?

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Fui reler os trechos da Bíblia que seriam os corretos se, no sonho, eu tivesse aberto a Bíblia como ela é e eles seriam:

Mat. 2:6 E tu, Belém, terra de Judá, De modo nenhum és a menor entre as capitais de Judá; Porque de ti sairá o Guia Que há de apascentar o meu povo de Israel. 


Mat. 5:16 Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. 

sexta-feira, 23 de março de 2012

Cala quem és (se é que o sabes)


CALA QUEM ÉS (se é que o sabes)!

Se tu que és não sabe quem és
Então te calas.
Cala-te para que outros não escutem tuas palavras vazias
Como se fossem doces e belas sinfonias.
Tuas palavras, vazias, não são mais do que o nada.

Cala-te!
O pouco que sentes interessa só a ti.
Então, cala-te!
Cala-te de modo que sejas o único enganado
Pela história por ti criada.

Ousas sonhar?
Ousas querer?
O que sonhas?
O que queres?
Deixa que te digo: sonhas e queres tudo o que o amanhã não te dará!

Volte-se a si e seja contente contigo!
A ti mesmo ainda é um pouco daquilo que ainda terás
Mas não se sabe até quando.
Nem tu sabes quem és.
E se tu que és não sabe quem és, cala-te!
                                                                 mar/2012

quarta-feira, 7 de março de 2012

E SE...?


Você já parou para notar como por causa de um simples detalhe a tua vida poderia ser completamente diferente?

É comum dizer que o “se” não joga o jogo da vida. Só que me parece, no mais das vezes, que é inevitável se pensar em “como teria sido se...”.

A vida da gente é só nossa e somos nós que fazemos da nossa vida aquilo que ela é. Mas não vivemos sozinhos. Muito do que fazemos, muito do que escolhemos e queremos é consequência das companhias que tivemos nos nossos dias, as companhias que compartilharam conosco nossas angústias, tristezas e alegrias, enfim, a nossa vida.

Mas e se essas nossas companhias não fossem as nossas companhias?

E se os teus pais tivessem escolhido ir para o sul ao invés de subir ao norte?

E se naquela noite em que você conheceu teu namorado, tua namorada (o futuro pai dos teus filhos), você tivesse resolvido ficar em casa e não o encontrasse nunca mais?

E se você não tivesse estudado naquela escola ou feito aquela faculdade? Não conheceria quem conhece hoje e a vida continuaria sem que se precisasse de quem, agora, parece ter nascido para completar a vida de você?

Certamente sim.

Toda nossa vida poderia ser completamente diferente do que é hoje, do que é agora, só dependendo do que tivéssemos escolhido ou do que tivessem escolhido pela gente.

Hoje você ama. Mas e se você não tivesse encontrado seu amor?

Hoje você está sozinha. Mas e como seria se tivesse pensado duas vezes antes de errar?

Hoje você não perdoa? Mas como seria se ao invés de reticente, você experimentasse perdoar esse perdão que parece distante, impossível?

Viver o hoje não implica em não projetar o amanhã. E, acreditar que tudo é por uma razão e que as coisas acontecem a seu tempo, não vai evitar que você pense em quanto tempo perdeu por não ter pensado que o melhor seria ter feito antes ao invés de deixar para experimentar só agora/depois.

O amanhã ainda não existe, mas pode ser que ele chegue. Se há a vontade no agora, não vale a pena testar sua força no depois. Nem tudo resiste ao teste do tempo (e a vida é a primeira a sucumbir). Não se arrependa do tempo em que você poderia ter vivido e não viveu. O quase vivo já não vive.

O que você deixa de fazer agora para, talvez, fazer amanhã, é tempo que você perde naquilo que te será bom. Pense: se amanhã você realmente perceber que dava para ter sido "desde ontem" foi tempo que você perdeu em que você poderia ter sido feliz (mas feliz de verdade e não no fullgás dos vários durantes que trazem o vazio de todos os depois).

Engana-se quem acha que o “se” não joga.

Pode ser que não adiante de nada você pensar em como teria sido o teu futuro (talvez o presente de agora) SE você tivesse feito diferente no passado de antes. Mas com certeza valerá muito a pena você pensar como será o teu futuro quando no momento das tuas escolhas de agora.

O SE do amanhã ainda joga e, dificilmente, vai parar de jogar.