segunda-feira, 4 de abril de 2011

Nem tudo começa como termina


Às vezes a vida acerta a gente em cheio. Na cabeça. Em mira perfeita de quem sabe que está prestes a mudar tudo o que até então parecia certo.

Você acorda numa manhã de sexta-feira como outra qualquer sem esperar que ao longo das primeiras horas daquela manhã tudo o que parecia ser o futuro se faz menos que o passado do que não foi.

Aquele dia todo planejado, com o mesmo começo, meio e fim de todos os outros trezentos e sessenta do ano vai acontecer no mais inesperado e vai te mudar a vida numa velocidade que, ainda no começo desse dia, você não consegue imaginar.

Você não quererá mais que o que era seja e à medida que ele continua sendo, isso, que ainda é, não satisfaz mais. Tudo mudou. Nem as cores em volta do mundo são as mesmas. Você precisa do que até então nunca teria sido, mas que parece definir o que, dali pra frente, você tem certeza que será.

E, de repente, te parece que mesmo isso nunca é. O mundo que a gente enxerga nem sempre é aquele em que a gente vive e os pensamentos que você pensa, só quem pensa é você. E mesmo essa nova certeza se acompanha de toda sorte de incertezas. E você que parecia saber tudo, agora já não sabe de mais nada.

Mas não há quem tire da gente a lembrança do que foi. Daquela sexta-feira que se misturou ao sábado e que tantos sábados depois é como se fosse o ontem do hoje que pode ser qualquer dia.

Até um dia...

Quando faltam palavras, use Drummond


E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José ? E agora, você ? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama protesta, e agora, José ?

(...)

Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Minas,Minas não há mais. José, e agora ?


(...)


sem cavalo preto que fuja a galope, você marcha, José ! José, pra onde ?

Contrariando minha contrariedade


O que é mais importante: o agora ou o depois?

O que vale mais a pena: gozar o agora ou planejar o amanhã?

Há anos que a formiga de La Fontaine vem ensinando a importância da previdência e o risco de esquecer que o inverno sempre sucede o verão (ainda que depois do outono).

Mas qual é o grande erro da cigarra? (porque a sua menção nunca é elogiosa). A cigarra se torna o sinônimo da inconsequência, do descaso, de tudo que não se deve ser, só porque resolveu se inspirar no sol para cantar pra lua.

Sim, sim. No fim da história a cigarra vai buscar ajuda da formiga e esta lhe recusa a boa mão amiga, dizendo-lhe que se antes cantara, que agora dançasse.

Mas e quando o amanhã não chega?

Qual o destino do previdente que de tanto que se preveniu, deixou de prever que se é destino de todos morrer, há pouco mais que nos reste além de viver? Aquele mesmo que tanto poupou, pouco arriscou e quando mal esperou... nada! De quem era, agora já não mais é e nunca mais será. Do que tinha, nada lhe valerá. Do que poupou, deixa aos outros – cigarras tantas talvez – levando consigo apenas a irresignação da luta que ninguém vence. Da derrota que a todos aproxima.

Não. Não faço uma elegia à imprevidência e ao descompromisso com um amanhã que sempre tem chance de chegar.

Pelo contrário. A cada novo dia temo mais o amanhã que se me apresenta.

Busco a mesma segurança que sei que tantos outros, como eu, jamais alcançarão.

Tudo o que espero é que a minha escolha seja sempre viver. E viver não é ser vivido pela vida. Não é temer errar ou recear estar errado. Viver é cair, mas achar razão em levantar. É errar, mas ser o primeiro a se perdoar e o último a repetir aquele erro.

Quero um futuro bom e é por ele que trabalho. É em nome dele que estudo. E mesmo em razão dele que poupo o quase nada que ainda não ganho.

Mas ainda não consigo acreditar que haja sacrifício hoje, que se compense no amanhã. E isso, porque ninguém sabe se o amanhã virá.

domingo, 3 de abril de 2011

Textos que não escrevi - Parte IV

O texto que segue não é meu. Seu autor, Vanderlei Kloss, é um grande amigo dos tempos de faculdade e de depois, hoje professor universitário. Pediu-me o favor de postá-lo aqui, mas é ele quem me honra com a deferência. Segue-o:


AMOR: RAZÃO OU LOUCURA?

Vanderlei Kloos Às 3 horas do dia 08/03/2011.

Vejam como o Dicionário MICHAELIS define razão e loucura:

- RAZÃO – é o conjunto de faculdades anímicas que distinguem o homem dos outros animais.

- LOUCURA – é o estado de quem é louco. LOUCO – é aquele que perdeu a razão. Indivíduo extravagante, apaixonado.

Percebe-se de plano que, razão e loucura são antônimos. Sem nenhum devaneio, citando o senso comum dizendo que “no amor existem razões que a própria razão desconhece”, porém, fica muito piegas, não é esse o objetivo; pensemos de maneira mais científica. O brilhante filósofo alemão Friedrich Nietzsche, disse: “AQUILO QUE SE FAZ POR AMOR ESTÁ SEMPRE ALÉM DO BEM E DO MAL.”, para ele, no amor vale “tudo”, compensa correr qualquer risco, até porque, no amor não existe garantia. Ciências Humanas é um ramo da ciência que envolve um componente imprevisível, o próprio SER HUMANO!

O homem é um dos poucos animais que consegue disfarçar suas emoções; que destrói por destruir; e dos poucos animais que faz sexo por prazer e não apenas para procriar. Portanto, não existe uma lógica quando está presente esse componente, o SER HUMANO!

Raul Seixas escreveu: “(...) ninguém nessa vida é feliz tendo amado uma vez (...)”; escreveu ainda: “(...) eu do meu lado aprendendo a ser louco, um maluco total, na loucura real (...)”, o que o poeta exprimiu nestas palavras? É difícil ser louco, especialmente, se a loucura for real, por ser de caráter subjetivo (loucura aqui, não se refere à esquizofrenia, tal é doença – CID F20.0).

O advogado, professor, músico, poeta e trovador William Grilli, pessoa que jamais esquecerei (vi sua transição: adolescente-adulto – vou parar aqui, pois, minha avaliação não é confiável, mais do que amigo, sou um fã), em uma de suas músicas, de maneira um pouco diferente do Raul, canta quase a mesma coisa, vejam: “Há quem me chame de louco, eles são bem mais que eu, fazem isso por achar que minha vida se perdeu; mas eu só quero é amar, amar do jeito que aprendi e se é isso que me faz louco, quero endoidar mais um pouco (...)”, registre-se: NÃO PARTICIPEI NO APRENDIZADO DA LOUCURA DO CIDADÃO EM COMENTO, por mais que digam o contrário.

Fala-se que “o amor e o ódio são as duas faces da mesma moeda”, melhoraria esta frase dizendo que, no amor, a RAZÃO e a LOUCURA são as duas faces da mesma moeda. Parafraseando Nietzsche, diria: “há sempre alguma loucura no amor; mas há sempre um pouco de razão na loucura”, como definir se o amor é razão ou loucura? IMPOSSÍVEL! Na música “A MIRAGEM” o intérprete canta: “(...) Somente por amor; a gente põe a mão no fogo da paixão e deixa se queimar (...)”; parece coisa de novela das oito. A pergunta que não quer calar: O AMOR EXISTE? Existindo, o amor é: RAZÃO ou LOUCURA?

Conta-se que um casal enamorado, após juras de amor eterno e sem entender o porquê de tanto amor, daqueles dignos de filme Hollywoodiano, surge de inopino Andre Sardet cantando FOI FEITIÇO, dissipando as dúvidas: “(...) Eu não sei o que me aconteceu, foi feitiço, o que é que me deu? Pra gostar tanto assim de alguém (...)”, há aqueles que não creem em feitiço, mas era a explicação do casal: “FEITIÇO”. Como se não bastasse, surge Fábio Jr com ALMA GÊMEA, e diz: “(...) VOCÊ SABE COMO ME FAZER FELIZ!”, parafraseando Os Melhores do Mundo: “a vida é uma caixinha de surpresas”, ia tudo bem, mas um dia (porque sempre existe porra de um “MAS”?), na mistura da “maluquez” com a “lucidez”, o casal deixa de ser “maluco beleza”. Lembram-se do que foi lhes ensinado a vida toda: “esmola grande o santo desconfia”, eles DESCONFIARAM (como é difícil romper com certos paradigmas). Resumindo: eles se machucaram, distanciando-se ao ponto de se perderam no pior labirinto que existe, o labirinto do seu próprio ser. Pode ser que eles ainda se amem de verdade, mas, tudo indica, que não ENCONTRARÃO O CAMINHO DA VOLTA, como na fábula de João e Maria, as migalhas de pão que indicava o caminho da volta, fora comido pelas aves oportunistas que sempre aparecem nessas horas (e aparecem mesmo, alguém duvida?).

Façamos uma reflexão no que disse o poeta romano Horácio: “carpe diem quam minimum credula postero”, ou seja, “Colhe o dia, confie o mínimo no amanhã”; nesse mesmo diapasão, existe um verso com autoria atribuída a um poeta chinês da dinastia Tang: “colha a flor quando florescer; não espere até não haver mais flores, só galhos a serem quebrados”. Fazendo uma análise teleológica assevaremos: APROVEITE TODAS AS OPORTUNIDADES NA HORA QUE A VIDA OFERECER, NÃO ESPERE E CONFIE ACHANDO QUE NO FUTURO TEM MAIS. Quando a “burrinha da felicidade” bater a sua porta, ABRA SEM MEDO DE SER FELIZ! Não cante como o Zé Geraldo: “(...) meu cavalo passou ensilhado e eu não montei (...)”. Arrependimento só chega depois do “derramamos o leite” ou do “espelho quebrado”, quando a grande oportunidade de ser feliz passou. Chorar depois? Ajuda, pois, alivia a dor, mas não resolve o problema.

Se o amor é RAZÃO ou LOUCURA, não sei, mas NÃO TEM A MENOR IMPORTÂNCIA!

O IMPORTANTE É “AMAR COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ!”

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Aviso aos Navegantes

O Trovante abre o seu ano de 2011 com 05 novos textos. O primeiro deles, de cima para baixo, é uma rápida reflexão sobre escolher viver ou pensar, sabendo que a vida não espera uma decisão; o segundo, por sua vez, flerta com um tipo de crítica a esse mundo atual em que tudo parece tão normal que acaba sendo muito estranho; a seguir, um poema que sabe lá Deus se é autobiográfico ou não; a quarta postagem é da série músicas que gosto, quando, após Dorival Caymmi e Michael Jackson, finalmente, resolvi escolher uma de Chico Buarque; e por fim, minha homenagem à personagem de sitcom que mais me tem feito rir atualmente, Sheldon Cooper.
Será sempre um prazer recebê-los e deixe o seu comentário. É bom saber de quem passou por aqui.
Sejam bem-vindos.

A vida não para de viver - parte I



Pensar ou agir?
O dito popular ensina a pensar duas vezes antes de agir. A música do grande compositor dá o “Bom Conselho” de agir duas vezes antes de pensar.
Será que a vida segue um padrão? Será que segue uma receita já há muito definida? Ou essa vida, nossa vida, é vivida no improviso? É vivida no ato em que se torna urgente viver...?
Independente do que se escolha, se pensar ou agir, se aguardar ou viver, se fazer ou esperar que aconteça, seja o que for a verdade é uma só: a vida não para de viver.
A vida não espera ainda que nós esperemos na vida.
E pra piorar (ou não), nós somos a consequência de nós mesmos. Não há sucesso de que o responsável não sejamos nós. Mas também não há fracasso em que a culpa não seja nossa.
A vida é recheada de medos. O medo é bom. Muitas vezes o medo mantém vivo. Mas não se pode ser refém desse medo.
Uma vida mais ou menos não vale mais do que uma vida não vivida, mas vale muito menos que uma vida de quem se permitiu viver, de quem não temeu se lançar ao que os dias tinham pra oferecer.
De que importa se esforçar para ser aceito por quem te cerca e, para isso, deixar de ser quem você é e se tornar quem esperam que você seja?
A vida é única e uma. E não é justo, para conosco, que queiramos achar no outro a aprovação para aquilo que somos nós. E não é justo, para com os outros, que queiramos parecer para eles, justamente aquilo que não somos. Se formos o melhor daquilo que temos que ser, seremos também o melhor que teremos pra oferecer.
Mas não pense muito no que ser. Está na hora de viver, porque a vida, a vida não para de viver.

Que tal esse mundo?


E que tal esse mundo em que juízes são exonerados por darem sua opinião ou por cantarem uma mulher na sorveteria? Aliás, quanto a isso, nunca ouvi motivo mais absurdo. Perdoem-me os moralistas, mas o mundo anda pra frente...
Que tal esse mundo em que o Partido dos Trabalhadores vota contra os Trabalhadores, dá um aumento (?!) no salário mínimo pífio e ainda se vale de uma manobra jurídica pra governar por decreto (sim, porque o aumento do salário é só o começo).
Esse mundo em que o Brasil elege uma presidente que até parecia que ia bem, mas que, ao que tudo indica, tem a mesma aversão à democracia que os seus vizinhos do sul. Esses mesmos que, aparentemente como ela, criticam americanos do norte por seu imperialismo, mas que gostam de governar como se fossem Imperadores.
Que tal esse mundo em que os alunos se assustam quando a gente fala de BBB durante a aula?
Que tal um mundo onde o Restart existe e não é só uma opção do video-game?
Que tal um mundo em que o Luan Santana é galã e o Fiuk se acha músico?
Um mundo em que a geração atual se quer mais careta do que todas as outras que tiveram que morrer pra mostrar que é pra frente que se vive e fazendo a revolução, que tal? Jovens que querem passar num concurso, casar e ter filhos, quando estão na idade de contestar até o que está certo, se rebelar com o que já há e criar o que seja o legado deles.
Que tal um mundo que a juventude não deixará qualquer legado, mas que quase não se saberá que passou por aqui?
Um mundo em que o novo realmente não vem mais. E não somos nós que simplesmente amamos o passado...
Que tal um mundo em que quando as pessoas se revoltam contra um ditador tirano todos nós aplaudimos como se fosse a exceção, quando o inconformismo teria que ser a regra na luta contra tudo que não é bom?
Que tal esse mundo?
Esse mundo é nosso mundo, feito por eu e você.
Péssimo pra nós.

Mais que nada


E se há a felicidade em meu destino
Ela se faz ausente (e a mim descrente)
Pendente que se sente meu peito
De um sorriso nesses meus dias
Em que me sinto refém nesse meu desatino.

Os dias que me veem são tudo menos leves
A mais suave pluma me pesa como o mundo à Atlas
E tudo que invisto não é mais do que o próximo fracasso
[de amanhã.

Se me veem certezas elas logos se mostram erradas
E quando me acostumo à companhia do erro
Mesmo ele se me ri
Naufragado que me mostro na mais mansa água.

O coração que quer sorrir é aquele mesmo que só chora
O sorriso que não se abre, faz-se por mais distante a cada nova meia-hora
E a companhia boa que me era antes é só a lembrança de um momento de outrora.

Não me há mais nada, como tampouco me há pra mim.
Na maior parte do tempo sou pouco menos do que nada.
E tudo que nunca fui me açoita na lembrança de que teria sido.
Se fosse um pouco mais do que jamais virei a ser.

Na maior parte do tempo, meu coração sangra de uma punhalada
[que quem me deu fui eu.

Músicas que gosto - Parte III

EU TE AMO (Chico Buarque e Tom Jobim)

Nessa ideia de fazer a sessão “Músicas que eu gosto”, poderia ficar semanas e mais semanas só escrevendo sobre as músicas de Chico Buarque. Não escondo de ninguém que ele pra mim é o melhor de todos (nunca coloco Vinícius de Moraes em comparação com ninguém porque ele foi o maior de todos).
São várias e muitas as músicas de Chico que gosto e tenho dificuldade em falar qual ou quais as que gosto eu mais.
Mas essa música em questão tem estado em todas as listas e, provavelmente até seja a que mais me encanta (ou não).
É de um lirismo que não poderia ter outro piano a criar sua melodia que não fosse o de Tom Jobim.
Nessa canção há, seguramente, a metáfora mais bonita que eu já ouvi (ou mesmo dentre as que eu li): “se na bagunça do teu coração, meu sangue errou de veia e se perdeu”.
Que desejo mais intenso que o desses amantes que se embolam num bem-querer que acontece e enquanto se acontecem um para o outro, redefinem a ideia de se fazerem um só.
Esses amantes que vivem o mais intenso de um amor feito em desejo, que perdem a noção da hora quando juntos e se veem sem sentido quando longe. E que mesmo depois do adeus, sabem que se chamam para si.
Mas agora, mais Chico e menos eu.


Eu Te Amo
Composição: Tom Jobim / Chico Buarque

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir.

Sheldon Cooper


Aqui também há espaço para falar do que gosto.
Pra mim, FRIENDS sempre será a melhor série de todos os tempos para sempre e enquanto houver tempo para entrar nessa contagem de todos os tempos.
Mas confesso que a minha personagem de SITCOM preferida de todos os tempos está em outra série. E vou além. É quase impossível conceber que alguém que tenha assistido um único episódio que seja da sua série não compartilhe da mesma sensação.
Esse gênio da física, sem qualquer traquejo social, totalmente NERD é das personagens mais engraçadas que a televisão já produziu. Com a sua incapacidade de perceber ironias ou com sua tendência a uma sinceridade inocentemente desconcertante, Sheldon Cooper rouba a cena na hilária “The Big Bang Theory”.
Com um conhecimento de cultura “pop” restrito às histórias de quadrinhos, esse prodígio que nunca deixou de ser criança vive num pragmatismo científico que, de tão absurdo, arranca risadas mesmo quando sua comparação se vale de uma teoria física que, no fim, a gente parece até entender.
Como não rir da cena em que ao fazer um strike numa partida de boliche ele grita: Aleluia, Jesus! Logo ele ateu que vai à igreja uma vez por ano para contentar sua mãe muito religiosa (para seu desgosto).
Ou com a sua fixação pelo local de sentar, sempre exigindo que saiam do seu lugar.
Todos os seus transtornos obsessivo-compulso que o levaram a invadir a casa da vizinha em plena madrugada para organizar sua bagunça ou mesmo roubar um filme num cinema em que ele passou horas na fila para tentar entrar.
E quem é que tem coragem pra chegar pro próprio chefe e dizer que o trabalho científico dele tem a validade das considerações de uma criança primária?
Eu juro que as vezes – só as vezes – eu me acho muito Sheldon Cooper. Bazzinga!!!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Escritos que não escrevi - O que é a vida?


Confesso que há em mim um certa inveja de vários textos e várias músicas que, por certo não fui eu que fiz, mas que pela sua beleza eu adoraria ter o talento para, quem sabe, ser quem tivesse feito.
Um dos momentos mais interessantes do Museu da Língua Portuguesa é, seguramente, a praça das palavras e um dos momentos que mais me emocionou foi um lindo diáligo escrito por Monteiro Lobato, em que a boneca Emília explica para o Sr. Visconde de Sabugosa o que é a vida. Permitam-me:


“A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais. A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama. Pisca e anda. Pisca e brinca. Pisca e estuda. Pisca e ama. Pisca e cria filhos. Pisca e geme os reumatismos. Por fim, pisca pela última vez e morre.
- E depois que morre – perguntou o Visconde.
- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?”




[Monteiro Lobato, excerto de Memórias da Emília (1936)]

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Adeus ano velho...


Olha só. E não é que já faz quase um ano que esse ano começou. E já vai terminar...
No início de 2010, nesse mesmo bat-blog escrevi que “O fato é que a virada do dia 31 de dezembro para o primeiro de janeiro em nada difere das outras 11 viradas que se notam de um mês para outro ao longo de todos os demais anos. Mas ainda assim, achamos importante, planejamos jantares, encontros, reencontros, situações que não se vivem ao longo do ano”.
Pois bem.
Ainda penso assim. Mas não há porque desconsiderar o simbolismo da data para todos nós. Porque de fato, não é o simples começo de um novo mês, mas o começo de um novo ano e por que não esperar um novo ano muito melhor do que o ano que se passou?
Não sei como foi o ano de 2010 pra cada um de vocês. Eu tenho bastante a me queixar. Tanta mega-sena acumulada e eu não ganhei nenhuma pra não ter que me preocupar com mais nada. Falta de sorte... vamos ver o que dá na da virada.
O ano de 2010, me parece, termina como começou e, infelizmente, com o PT ainda no poder.
Aliás, se eu fosse medir meu ano de 2011 pelo seu primeiro dia, diria que será péssimo, porque será péssimo saber que dia 1º a presidente-eleita não será mais eleita, mas será presidente pelo tempo que conseguir (será que dura 04 anos?).
Mas quero acreditar que 2011 será um ano de sorrisos. Se não do meu, de todos que tanto gosto (e que venho me perguntando se são tantos quanto os que gostam de mim e se são tantos assim rs).
Permitam-me, então, que eu parta da premissa de que o ano que começa pode ser começo de um “novo eu” de cada um de nós.
Dois mil e onze é 2 + 0 + 1 + 1 = 4. Não sei se isso significa alguma coisa. Numerólogos de plantão me digam depois. Sendo 4 melhor que 3 ou pior que 5, o que quero é saber de um ano esplêndido, em que não haja quem se vai, mas que sobre quem chega para alegrar os dias de quem espera ser feliz.
Que 2011 seja um ano em que os abraços se procurem, que os beijos sejam beijados, as mãos se entrelacem em carinhos e os olhos se encontrem na ternura de quem bem se quer, seja pro agora, seja pro infinito de um tempo que jamais será.
Que 2011 seja o ano da realização e da surpresa; da escolha e da inevitável renúncia; do perdão sempre pronto a perdoar e do sorriso aberto a inspirar outros sorrisos. Seja o encantamento com o novo e o reencontro com o passado; a esperança do bem e a certeza de um sucesso recorrente, que não se limite para o agora, mas recomece sempre que houver a necessidade de recomeçar.
Então, que venha 2011. Um ano bom para todos nós.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Quem me dera mudar


Os últimos dias têm sido de um assoberbamento tal que mal tenho tido tempo de pensar a vida... a minha vida.
Já faz tempo que a sensação de que mudanças são mais que necessárias tem tomado conta dos meus dias. É como se isso fosse essencial para que eu possa sentir que voltei (ou que estou voltando) a viver.
Já faz algum tempo que a impressão de que a vida é a arte de se reinventar me acompanha. Recriar caminhos, repensar escolhas, reviver alegrias, fazer feliz, fazer sonhar, nada disso deveria ser desafio, mas a recorrência de todos nós.
Mas mesmo assim não é.
Tendo a admirar quem se permite tomar decisões que muitas vezes soam radicais. Saem da sua zona de conforto, daquele cotidiano que inevitavelmente caminha para uma pasmaceira comum à grande maioria das pessoas e causa maior dos sorrisos tristes.
Aplaudo porque parecem diferentes num mundo em que muda-se pouco.
Mudar deveria ser muito mais natural do que o nosso medo de mudanças.
Mudar deveria ser a resposta da vida para tudo que não vai bem. Ou a insistência nossa no que patina e não sai do lugar não seria egoísmo de quem, por medo das mudanças, tenta fazer de tudo para não mudar?
Mas falar é tão mais fácil...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Melhor que seja melhor


Será que a vida de todo mundo dá voltas como tem dado a minha? Será que os outros também experimentam dessa sensação de não terem nenhuma resposta, no minuto seguinte de quando achavam já terem todas?
Confesso que na maior parte do tempo eu me delicio com o quanto ainda posso me surpreender com a vida. Sim, me parece que o momento em que perdemos a capacidade de nos surpreendermos é o momento em que a vida fica sem sentido. Eu adoro quando posso me surpreender.
Adoro quando o que hoje é real soa impossível dias atrás. A sensação do inusitado, a apreensão com o impensado, tudo isso me instiga a procurar na vida o que vem a seguir.
Muitas vezes planejamos um tempo que não chega, mas nos vem outro que nos encanta hoje, mais do que qualquer sonho tenha encantado antes. E como é bom se encantar; como é bom se deslumbrar com o que nos surge da maneira menos impensada, mas que se faz essencial para a felicidade de todos os outros dias, porque sem o impensado de antes, nada mais é sensato no agora.
Vivo um momento em que tudo que me parecia certo é cada vez menos o que quero e mais o que já foi. E por mais que assuste, muito do agora é o motivo atual do sorriso que cada dia é mais novo. E isso me é bom. É bom porque posso continuar crendo que o novo vale a pena. E ainda melhor, pelo que ainda me virá. E eu sei que virá...
Dá uma vontade de tentar fazer acontecer...