quinta-feira, 12 de abril de 2012

Tu És

Tu és



És como a rosa que reina sozinha em meio a um jardim onde é só ela só.
Tens no sorriso o encanto doce que se completa na força de um olhar que fascina.
A noite é mais que tua amiga: ela te pertence a ti mais do que te pertences a ela
E mesmo as estrelas parecem menos alegres, pois seu brilho não alcança o brilho teu.

Se há quem seja a hora certa, que sejas tu
Tu que tens a força de ser quem quiseres
Olhar forte e intenso que prende outros olhares
Mas não perde a gentileza que os faz sorrir só por te olhar.

Te olhar é sorrir com os olhos
É fazer refletir a eternidade da doce lembrança que nasce do instante de você.
Te olhar é o infinito do que renasce só p’ra te olhar.
Te olhar é assistir a um sonho sem nem mesmo precisar dormir...

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Sonhei com Jesus


Essa noite eu sonhei que lia a Bíblia. E lia mesmo. É claro que eu não conheço a Bíblia inteira para poder sonhar que estava lendo e, no sonho, estar lendo um trecho preciso do texto. No sonho que sonhei o texto que lia foi de um trecho que, ao meu modo, eu mesmo criei.
Vale dizer que meu domingo por uma série de fatores foi bastante melancólico e triste por ter passado todo um feriado que se quer santo sem me ocupar de refletir no que ele significa. Triste por ter bebido mais do que devia quando havia feito o compromisso comigo mesmo de não tornar a fazer. Triste por ter deixado quem gosta de mim triste. Assim, ontem, ao me dar conta de estar triste por causa de mim e das minhas escolhas, tentava “me curar” entre momentos de reflexão e oração.
Nessas orações que duravam o tempo do próximo cochilo, vinha me queixando de estar procurando pouco a esse Deus que nunca deixou de olhar por mim e que me incomoda(va) o fato de não saber dar reciprocidade a um cuidado sem o qual eu já não seria e nem haveria. Pedia então certo sinal de que minha oração era ouvida de modo a saber que haveria ajuda naquilo que eu considero que precise mudar.
No sonho, eu abria a Bíblia no livro de Mateus. Num primeiro momento abri no sermão da Montanha. Esse, por conhecer com certa riqueza de detalhes, até poderia ter “lido enquanto sonhava”, mas ao abrir no Sermão da Montanha folheei a Bíblia algumas páginas atrás e me deparei com uma história que não existe lá, mas que poderia ter havido e vou narrar.
A história se passava num período posterior àquele em que Jesus transformou a água em vinho num casamento em Caná da Galileia. Lá se narrava que enquanto Jesus caminhava pelo deserto avistou uma mulher sentada a contemplar uma árvore enorme e bonita com muitos frutos também bonitos.
As folhas dessa árvore eram em forma de setas como se a indicar um caminho e a mulher, apesar de fraca, parecia bastante admirada com a imagem.
(enquanto eu ia “lendo” no sonho, ia se formando pra mim, como que num mosaico, as imagens daquilo que lia).
Jesus então se aproximava daquela mulher e lhe perguntava o porquê de ela estar ali, sentada sozinha, olhando para aquela árvore ainda que a própria árvore indica-se um caminho.
A mulher sem saber de quem se tratava disse que estava ali sentada esperando que tivesse fome, porque aquela árvore tinha tantos frutos e era tão bonita que lhe serviria para sempre. Bastava que ela precisasse, estenderia a mão, comeria e poderia continuar onde já estava.
Jesus a olhava enternecido e disse-lhe:
“Pois em verdade te digo que é bom que te vás daqui tão logo, porque virá uma grande fome por seis anos e essa árvore secará e só os prudentes, que ouvirem essas palavras, sobreviverão: não há sede que o Pai não sacie e nem há fome que Ele não dê fim.”
Jesus, então, pôs-se a explicar àquela mulher que os belos frutos que ela via não durariam muito e que logo se secariam e ela não teria o que comer. No que a mulher se pôs a chorar e disse: “Há outro motivo que me faz não poder sair daqui. Há dias que sangro de uma ferida que não sara e já não tenho forças para me mover. A esperança que tinha era nos frutos dessa árvore que me manteriam saciada enquanto houvesse vida. Agora, pelo que me diz, pouco me resta de mim mesma.”
Nessa mesma hora Jesus lhe dirige um olhar de amor e lhe diz: “pois não percebeste que assim que cheguei não sangraste mais?”
A mulher então olha para si e nota que a ferida se fechara, ficando uma pequena cicatriz, mas nenhum sangue. Assombrada ela pergunta a Jesus se ele era algum profeta e como ele fizera tal milagre.
Jesus a olhando com a mesma ternura, agora sentado sob a árvore, suas costas encostadas no seu tronco lhe diz: “não fui eu quem te fiz nada. Orei ao Pai e porque Lhe pedi, Ele te curou. Em tudo que quiseres e pedires e for bom, assim como Ele me ouviu, Ele também te ouvirá”.
Jesus disse a mulher que seguisse e espalhasse a boa nova. Haveria fome em Israel, mas aqueles que conhecessem a palavra que Ele pregava não sofreriam por aquele mal.
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Da hora que acordei desse sonho, fiquei pensando nos vários significados ali.
Aquela mulher estava sob uma árvore e essa árvore lhe indicava um caminho, mas mesmo assim, preferia se valer dos frutos daquela árvore que lhe pareciam bonitos e suficientes para o tempo que julgava ter. Ela estava preocupada com o seu agora. E só com o seu agora. Confiava, pela beleza da árvore e dos frutos, que tinha ali tudo o que precisava para si e que, aquilo sim, é que era bom. Quando Jesus lhe diz que os frutos daquela árvore se secariam tão logo, ela entra em desespero por ter lançado nela toda sua esperança, não tendo onde mais se valer.
E daí me ocorreu: quantos e mais quantos de nós estamos parados no mesmo lugar errado, apostando o tempo que temos, por causa da beleza do que vemos agora, pouco preocupados com o que nos virá no depois?
Quantos e quantos de nós preferimos confiar em nós mesmos ou nos outros, como se nos bastássemos em todas as nossas necessidades quando, a simples frugalidade da nossa vida já nos deveria ensinar-nos o quanto somos pouco para tudo?
A vida de agora parece tão bonita, tão perfeita que não reconhecemos a Jesus enquanto a necessidade não bate a nossa porta. De repente nos comovemos num fim de semana em que se celebra seu sacrifício e sua ressurreição como parte do plano de salvação do homem, mas chega a segunda-feira e nos vemos, novamente, parados sob a mesma árvore bonita, de grandes folhas bonitas, todo o nosso tempo, apostando toda nossa vida.
A árvore que aquela mulher contemplava era em formato de seta. Dizia que ela deveria seguir adiante, procurar o melhor caminho, mas ela achava que ali estava bom. E vem outro questionamento: quantos e quantos de nós ouvimos diariamente sobre um melhor e diferente caminho que nos é apontado, mas preferimos nos fiar no que parece bonito agora? Para quantos e tantos é muito mais difícil acreditar no amor de Cristo que não falha e só quer o bem do que no homem que é falho?
A árvore que dá bons frutos no agora não é melhor do que a árvore da vida que dá seus frutos na eternidade.
De repente, diante da notícia de que não haveria mais frutos naquela árvore e que uma grande fome viria para aquela região, a mulher se desespera porque não havia nela mais forças para seguir adiante. Jesus então, tomado do amor que lhe fez dar a vida por todos os homens e mulheres, senta ao seu lado e lhe mostra que diante do amor de Deus, sempre pronto para ouvir e ajudar a seus filhos, forças não lhe faltariam.
Ela se vê curada, recobrada em forças, pronta para seguir o melhor caminho que é o caminho que leva ao amor de Deus através das palavras de Jesus, essas mesmas que lhe disseram: “Em tudo que quiseres e pedires e for bom, assim como Ele me ouviu, Ele também te ouvirá”.
Será que já não passou da hora de ouvirmos a voz e a mensagem de Cristo e nos voltarmos mais a Deus?

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Fui reler os trechos da Bíblia que seriam os corretos se, no sonho, eu tivesse aberto a Bíblia como ela é e eles seriam:

Mat. 2:6 E tu, Belém, terra de Judá, De modo nenhum és a menor entre as capitais de Judá; Porque de ti sairá o Guia Que há de apascentar o meu povo de Israel. 


Mat. 5:16 Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. 

sexta-feira, 23 de março de 2012

Cala quem és (se é que o sabes)


CALA QUEM ÉS (se é que o sabes)!

Se tu que és não sabe quem és
Então te calas.
Cala-te para que outros não escutem tuas palavras vazias
Como se fossem doces e belas sinfonias.
Tuas palavras, vazias, não são mais do que o nada.

Cala-te!
O pouco que sentes interessa só a ti.
Então, cala-te!
Cala-te de modo que sejas o único enganado
Pela história por ti criada.

Ousas sonhar?
Ousas querer?
O que sonhas?
O que queres?
Deixa que te digo: sonhas e queres tudo o que o amanhã não te dará!

Volte-se a si e seja contente contigo!
A ti mesmo ainda é um pouco daquilo que ainda terás
Mas não se sabe até quando.
Nem tu sabes quem és.
E se tu que és não sabe quem és, cala-te!
                                                                 mar/2012

quarta-feira, 7 de março de 2012

E SE...?


Você já parou para notar como por causa de um simples detalhe a tua vida poderia ser completamente diferente?

É comum dizer que o “se” não joga o jogo da vida. Só que me parece, no mais das vezes, que é inevitável se pensar em “como teria sido se...”.

A vida da gente é só nossa e somos nós que fazemos da nossa vida aquilo que ela é. Mas não vivemos sozinhos. Muito do que fazemos, muito do que escolhemos e queremos é consequência das companhias que tivemos nos nossos dias, as companhias que compartilharam conosco nossas angústias, tristezas e alegrias, enfim, a nossa vida.

Mas e se essas nossas companhias não fossem as nossas companhias?

E se os teus pais tivessem escolhido ir para o sul ao invés de subir ao norte?

E se naquela noite em que você conheceu teu namorado, tua namorada (o futuro pai dos teus filhos), você tivesse resolvido ficar em casa e não o encontrasse nunca mais?

E se você não tivesse estudado naquela escola ou feito aquela faculdade? Não conheceria quem conhece hoje e a vida continuaria sem que se precisasse de quem, agora, parece ter nascido para completar a vida de você?

Certamente sim.

Toda nossa vida poderia ser completamente diferente do que é hoje, do que é agora, só dependendo do que tivéssemos escolhido ou do que tivessem escolhido pela gente.

Hoje você ama. Mas e se você não tivesse encontrado seu amor?

Hoje você está sozinha. Mas e como seria se tivesse pensado duas vezes antes de errar?

Hoje você não perdoa? Mas como seria se ao invés de reticente, você experimentasse perdoar esse perdão que parece distante, impossível?

Viver o hoje não implica em não projetar o amanhã. E, acreditar que tudo é por uma razão e que as coisas acontecem a seu tempo, não vai evitar que você pense em quanto tempo perdeu por não ter pensado que o melhor seria ter feito antes ao invés de deixar para experimentar só agora/depois.

O amanhã ainda não existe, mas pode ser que ele chegue. Se há a vontade no agora, não vale a pena testar sua força no depois. Nem tudo resiste ao teste do tempo (e a vida é a primeira a sucumbir). Não se arrependa do tempo em que você poderia ter vivido e não viveu. O quase vivo já não vive.

O que você deixa de fazer agora para, talvez, fazer amanhã, é tempo que você perde naquilo que te será bom. Pense: se amanhã você realmente perceber que dava para ter sido "desde ontem" foi tempo que você perdeu em que você poderia ter sido feliz (mas feliz de verdade e não no fullgás dos vários durantes que trazem o vazio de todos os depois).

Engana-se quem acha que o “se” não joga.

Pode ser que não adiante de nada você pensar em como teria sido o teu futuro (talvez o presente de agora) SE você tivesse feito diferente no passado de antes. Mas com certeza valerá muito a pena você pensar como será o teu futuro quando no momento das tuas escolhas de agora.

O SE do amanhã ainda joga e, dificilmente, vai parar de jogar.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A Culpa não é tua quando o sentimento não é teu!


Pare e respira. Você não é responsável pelo sentimento de ninguém. Não é tua culpa se a outra pessoa construiu uma imagem de você que não é você. E mais. As pessoas se chatearão, perdoarão e se chatearão de novo e talvez nem venham a tornar a perdoar, mas nem isso é tua culpa. Cada um faz da própria vida e dos próprios sentimentos o que bem entende.

Às vezes você se vê trazendo pessoas para a tua vida e, ao mesmo tempo, começa a se preocupar com o que essas pessoas estão esperando de você; ou se o que elas esperam é justamente aquilo que você está disposto a dar. E daí você já começa a ‘sofrer’ por antecipação, imaginando que está se enrolando numa teia que, depois, caberá a você mesmo desenrolar.

Mesmo correndo o risco de gostar mais do que ‘ser gostado’, você já começa a imaginar que aquela pessoa pode acabar se envolvendo demais no teu mundo e, quando menos esperar, estará sendo desconvidada dos teus dias. E começa a pensar no quanto ela ficará triste com você e você, que precisa ser amado, ficará tentando controlar uma situação que não está sob seu controle (tanto que você corre esse mesmo risco).

Esqueça. Você não é infalível e, tampouco, a companhia mais ideal.

Desapegue-se da ideia de você mesmo e dê mais crédito às pessoas. Elas não se apegam a você com tanta facilidade assim. E ainda que após o ‘apego’, o desapego faça doer, em algum momento você será o passado do que foi, ou o futuro do pretérito do que poderia ter sido.

Não ache que o sentimento vem em primeiro lugar. Muito menos o sentimento dos outros em relação aos teus sentimentos. Esteja em primeiro na tua vida e permita que o outro seja o primeiro na sua vida. E pensa o seguinte: as pessoas se entregam muito mais aos momentos do que aos sentimentos.

Faça, então, o momento valer a pena e daí sim, cuida do sentimento do depois. Porque na vida, o que ainda vale é o durante!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Encontros, desencontros, despedidas e reencontros...


“Algumas situações me levam a questionar sobre quem passou pela minha vida: ‘essas pessoas são descartáveis pra você ou você que era descartável para essas pessoas’”


Experimente lembrar-se de qualquer ocasião em que você esteve cercado por uma multidão, seja enquanto caminhava a pé pelas margens de uma avenida muito movimentada, seja quando dentro de um transporte público na hora de seu maior movimento.
Você já parou para pensar quantas pessoas passaram por você? Quantos rostos que não te diziam e nem disseram nada? Quantas não foram as mais diferentes histórias que essas pessoas traziam consigo e que você não soube? Quantas dores elas escondiam? Quantas alegrias queriam compartilhar, mas calavam? Quantos medos poderiam confessar, mas simplesmente, passaram. Passaram como quem sai por um caminho para nunca mais voltar.
Há muitas e muitas pessoas no mundo e você não saberá nada da maioria delas. Sua existência não afetará a tua e a tua qualquer importância terá para a delas.
Ao mesmo tempo, os acasos da vida ligaram a tua vida a vida daqueles que fazem parte dos teus dias. Seja porque se empregaram na mesma empresa ou porque estudaram na mesma sala ou na mesma instituição, cresceram na mesma rua, moravam no mesmo condomínio ou frequentaram o mesmo clube, o fato é que essas pessoas não passaram como rostos que se acumulam, mas somem. São pessoas que fazem parte de você. São pessoas que não se limitaram a passarem pelos teus dias, mas, sim, ocuparam parte considerável deles.
Mas onde estão elas?
Por qualquer dinâmica da vida, quem era alguém pra você ontem, hoje, de repente, já não é mais. E os que hoje são, talvez até pouco tempo sequer tivessem chegado a ser. E por vezes você nem nota que foi substituindo as pessoas que ocupavam diferentes papéis na tua vida.
É como se a roda da vida girasse a velocidade tal que fosse lançando pra longe os que não ficariam mais na órbita da vida tua, abrindo espaço para novas tentativas. Mas não. Várias e várias vezes a escolha foi tua. Consciente ou inconscientemente, é você quem as afasta de ti. E, no mais das vezes, tem ainda mais dificuldade de entender que assim como você tira as pessoas da tua vida, as pessoas tiram você da vida delas. E aí, sim, dói.
O ser humano tende a se creditar uma importância para além da que ele realmente tem. Sente um acréscimo de estima por si que muitas vezes se faz tão grande a ponto de começar a achar que a bem aventurança está para aqueles que lhe tem nos dias, não concebendo que assim como não lembra, pode muito bem não ser lembrado.
Mas a dificuldade está em entender como isso se dá. Como alguém que antes era tanto, de repente já não é, ao mesmo tempo em que você, que era tanto para alguém, hoje já representa menos que a fração mínima do nada para esse mesmo alguém?
Até que ponto somos realmente importantes para alguém? Faríamos falta se não existíssemos? Provavelmente, não. Somos a metade de a existência de alguém? Dificilmente.
De repente me pego imaginando que na vida não somos nada para o outro. E, se não somos, nós apenas estamos. Estamos fazendo parte de seus dias até que um dos dois desista ou enquanto for bom, conveniente, interessante...
Mas qual o verdadeiro significado desse estar? Somos, de fato, para o que houver de útil e, portanto, prontos a ser parte de uma história daquelas que, talvez, ninguém conte ou mesmo se recorde?
Se antes éramos a razão dos sonhos, dos suspiros, das ligações noturnas ou mesmo quem ouvia os lamentos e compartilhava as primeiras alegrias nas novas conquistas, de repente (ou nem tão de repente assim) passamos a ser só mais um daqueles tantos “rostos numa multidão”. Talvez o que nos diferencie dos vários “rostos dessa multidão” seja a lembrança do outro (esporádica) de que em determinado dia você também esteve presente naquela ocasião narrada anos depois onde, se antes você era personagem principal, agora, na lembrança narrada, não passa de mero coadjuvante.
No final das contas, somos apenas “mais um na multidão”. Descartáveis, sim. Ainda que o presente diga que não, o futuro pode vir e dizer que sim. E a prova disso é a nossa própria vida. Quantos amigos não recebem um telefona teu há anos? E isso não significa que não havia sinceridade nas relações de vocês. Mas vocês estavam, muito mais do que eram.
Quantos são aqueles de quem você sente falta, mas que não se ocupam de pelo menos lembrar de você? E daí você se pergunta: só ele (a) era importante pra mim? Eu não era importante pra ele? Sim. Você foi. E talvez um reencontro dos dois traga carinho, traga saudade, mas não traz o tempo que passou e nem diminui a distância que esse tempo percorreu, com o detalhe de que nem sempre é confortável confrontar e reviver o passado.
Mas uma certeza eu tenho: não há o que compense a mesquinhez. Longe de mim querer que alguém pense que o novo não vale a pena ou que, havendo o novo, deverá haver também a indiferença de quem sabe que não vingará para muito além.
Alguns encontros são, sim, para sempre. Depende só da sinceridade do sentimento e da verdade do que se quer para si; depende dos cuidados de um para com o outro; de não se pensarem como parte mais importante da amizade, da relação; nem se acharem mais fortes e o outro mais fraco. Não depende nunca de um, mas sempre dos dois, dos vários. Um abraço só é abraço quando os braços não se sentem vazios. E também a vida: trazemos os outros e vamos a eles porque os dias não se vivem se estiverem vazios de companhia, de carinho, de afeto e de amor.
Mas antes de trazer o novo (e é bom que se traga), não deixe de cuidar de quem já está, porque é bom, também, que vocês estejam.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Textos que não escrevi - Uma questão de (bom) gosto: Já fomos mais inteligentes?


Esse texto é do Prof. Bernardo Schmidt do curso de Direito da UNESC e se o reproduzo aqui é por dois motivos: o primeiro é porque eu concordo e o segundo é porque ficou muito bom. Espero que gostem:


Já Fomos Inteligentes?

Recentemente, o jornalista Carlos Nascimento cravou em um comentário no Jornal do SBT, do qual é âncora, que nós brasileiros “já fomos mais inteligentes”. Nascimento estava inconformado com as últimas notícias que acabara de transmitir envolvendo a repercussão do fenômeno Luísa (aquela que estava no Canadá e, de repente, ficou em todo lugar) e do suposto estupro no Big Brother Brasil.

Soou ranzinza e acabou por confundir inteligência com bom gosto. Além de esquecer o gigantesco poder da internet. A pergunta que surge, no entanto, é a seguinte: “já fomos mesmo inteligentes?”

O Brasil sempre se destacou muito mais por suas atividades corporais do que cerebrais. Somos referência mundial em esportes e danças, havendo brasileiros consagrados mundialmente nestas áreas. Mas quando o assunto é cérebro, não chamamos tanto a atenção. Para se ter uma idéia o Brasil nunca ganhou um prêmio Nobel. Ao contrário de nossos vizinhos sul-americanos. A Argentina já abocanhou três em áreas científicas e outros países como Peru e Colômbia ganharam em literatura.

Nas artes tivemos alguns movimentos interessantes e destacados como a Semana de Arte Moderna de 22, a MPB e o carnaval. Mas, mesmo dependentes de grande inteligência, se destacam mais pela inspiração e o talento de seus integrantes.

Não se quer aqui afirmar que não somos inteligentes, apenas que temos a mesma inteligência de outrora. Talvez tivesse mais razão o Carlos Nascimento se dissesse que já tivemos mais bom gosto. Neste ponto realmente regredimos.

A culpa em parte vai do gosto individual, mas o que transforma em algo coletivo é o fato de que há muito tempo só recebemos porcarias. Acabamos por ser resultado daquilo que vemos e ouvimos o tempo todo. A massificação do mau gosto traz esse tipo de resultado. O próprio canal em que trabalha o citado jornalista não preza pelo bom gosto.

Música universitária nos anos 60 e 70 era MPB. Nos 80 rock. Hoje é esse sertanejo estilizado. Os livros daquelas épocas eram os clássicos e os de grandes escritores premiados. Hoje são de auto-ajuda (o Brasil é o penúltimo colocado no ranking de leitura na América latina). Havia luta pela liberdade. Hoje estamos cada vez mais reclusos, satisfeitos com o que a internet e a TV nos despejam.

É claro que precisamos de diversão barata, que, pelo visto, incomodou muito o apresentador. Mas só isso não basta. É claro que não podemos achar que a vida é um big brother e nem que um fenômeno repentino e efêmero como Luísa tem alguma relevância. Temos a mesma inteligência. Só precisamos recuperar o bom gosto.

Bernardo Schmidt Penna é advogado, mestre em Direito e professor do Curso de Direito da Unesc. Bernardo@unescnet.br

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Quando não sentimos nada...


Tenho notado que às vezes a gente sente como se não sentisse mais nada. É como se em cada caminho tivéssemos apenas a companhia do vazio que enche o nosso peito. A gente se engana dizendo a nós mesmos que não sentimos nada: nem alegria, nem tristeza, nem raiva ou tampouco amor, como se o nosso coração estivesse posto do lado de fora. Dizemo-nos e nos cremos numa fase em que somos só para nós, indiferentes à existência outra, como se tomados de um egoísmo justificado por uma experiência ruim.
Mentira mais despudorada! Aliás, a pior mentira que podemos contar é aquela que contamos a nós mesmos. E, algumas vezes, somos tão ridículos que nos mentimos e, ainda por cima, acreditamos na nossa própria mentira.
Mas não é que somos ridículos ou mesmo perfeitos idiotas (ainda que às vezes sejamos um ou outro e até os dois). Ocorre que muitas vezes, temos a tendência de ignorar a nossa responsabilidade para com a nossa própria vida e com tudo que fazemos, conquistamos ou deixamos de conseguir. Ora, somos nós que vivemos a nossa vida e, tudo o que fazemos ou permitimos que se nos façam, é nossa culpa e só nossa.
E daí me ocorre que quando nos sentimos como se não sentíssemos nada, estamos sim, sentindo alguma coisa e, essa “coisa” não é algo bom. Pelo contrário. Quando nos fechamos para o mundo, quando nos distanciamos de (quase) tudo, estamos vivendo um momento tomado de uma tristeza que não queremos reconhecer. A sensação de vazio (como se o peito estivesse tomado de escuridão), de melancolia (como se o amor machucasse) ou de uma ferida que sangra sem fim no coração (como se mais que o corpo, a alma tivesse sido ferida), fazem com que queiramos ser como que vazios, indiferentes, distantes...
Mas nós não nascemos para a tristeza, mesmo que muitas vezes pareça que ela é mais do que a alegria que teima em nos faltar. A felicidade – que dá cor à nossa vida e traz brilho aos olhos e sorrisos – é que deve ser a regra dos nossos dias.
Enfim...
Você que acha que está vazio por dentro, saiba que, na verdade, você tem dentro de ti todos os sonhos do mundo (do teu mundo), que são os sonhos mais importantes de serem sonhados. E sonhar ainda vale a pena, desde que você faça algo por seus sonhos, algo para que eles aconteçam, senão todos, pelo menos aqueles que quando você sonha te fazem mais feliz.
Não deixe seus sonhos perdidos num infinito que só pertence aos que duvidam de si mesmos. Faça! Viva! Ouse fazer tudo que você ousa sonhar! O resultado será sempre bom, desde que aquilo que você queira, você queira de verdade.
Tudo na vida são escolhas. Algumas pessoas acreditam – com relativa certeza – que a melancolia é sua melhor companhia e que a dor que sentem é como um escudo para que não sejam afetados pela dor de viver. Teimam em não perceber (ou reconhecer) que já sentem essa dor e que a ferida que dói e faz doer precisa ser tratada. Ignoram ser muito pior se simplesmente sufocarem a dor que sentem, escondida embaixo de uma armadura que se quererá intransponível a novos sentimentos, à medida que vão morrendo por dentro, sentindo, mas evitando que se veja.
Não vale a pena.
Estou certo que o mesmo amor que machucou ontem, poderá fazer bem amanhã e, ainda que precise de outros tantos amores até achar o amor que se quer, pelo menos a escolha foi amar.
A decepção que te causa dor, não pode ser motivo de duvidar de todo o mais, porque na vida nem todos atenderão nossas expectativas, mas também não serão todos que quererão simplesmente errar. Alguns erram, sim, sem querer.
Ninguém disse que seria fácil, mas também não é tão difícil assim.
Converse consigo mesmo. Ache a razão da tua dor e elimine-a de ti.
Façamos algo por nós mesmos, mas não nos conformemos com o “mais ou menos” ou com o “nada” de agora. A vida se vive no já e é só o agora que nos pertence, então deixa que teu coração sinta, que tua cabeça pense, que teu corpo peça... deixa que tua alma viva.
Se for pra sentir, sinta como se sentisse todas as coisas do mundo. É bem melhor do que sentir como se, no mundo, não houvesse nada pra se sentir.

sábado, 31 de dezembro de 2011

O que eu aprendi com 2011


31/12/2011. Último dia de mais um ano. Confesso que não sou um entusiasta de datas festivas. Mal dou conta do meu aniversário. Mas vale comemorar. Comemorar os dias vividos, a vida havida, os risos sorridos, as lágrimas vertidas, as dores que passaram e as alegrias que ficarão.
Amanhã já é 2012. Primeiro dia do ano recém-inaugurado. E todo ano tratam esse “novo ano” com um “q” de cabalístico. E talvez seja, muito embora eu pense que não.
Contudo, a simbologia não deixa de ser interessante. Apesar de que ela (simbologia) pode ser várias.
A gente pode entender que é o momento de encerrar um caminho e começar outro; ou, quem sabe, é como se fechássemos a porta de um cômodo e abríssemos outra para um outro cômodo cheio de antigas novidades. Talvez, se você está satisfeito com o que tem sido teus dias, é momento de você reafirmar teus passos e seguir resoluto na direção do destino que você já se traçou. Quem sabe?
De 2011 ficam as lembranças de um ano em que eu aprendi lições das mais difíceis. Olho para trás e é inevitável que eu veja um ano em que sorri poucos sorrisos. Um tempo em que senti sobre os ombros um peso que talvez nem existisse, mas ainda assim insistia em pesar.
Em 2011 aprendi como a vida é fullgas. Num capotamento de carro do qual poderia não estar aqui foi que (re)conheci a importância de se ter fé, de pedir por quem é maior e confiar que Ele cuida. Foi ruim, mas foi bom. Ensinou que o “até logo” de agora, pode se tornar o “adeus eterno” de daqui a pouco e que, portanto, deve se amar o que se tem e quem se tem enquanto ainda tem.
Ah! 2011. Dois mil e onze foi o ano que me mostrou que eu não sei quase nada sobre mim e que ainda preciso viver muito para aprender pelo menos um pouco. Mas algumas lições foram duras. Foram tristes.
Aprendi como posso ser egoísta. Como as prioridades instantâneas são mesquinhas e te fazem cometer erros que, provavelmente, te acompanharão o resto da sua vida. Aprendi que o valor deve ser dado na hora certa, porque, passado esse momento, perde-se a razão, o foco e a reciprocidade naquilo que sempre foi bom, mas que a mesquinhez cegou.
Aprendi que quando se tem menos de 25, apaixonar-se é a melhor coisa do mundo, mas depois dessa idade, o melhor da vida está em amar (de preferência sendo amado) e que o que se quer mesmo é o sossego dos braços conhecidos, capazes de acalmar o mundo ao mesmo tempo em que acelera o coração.
Em 2011 me veio a certeza de que qualidade vale mais do que qualquer quantidade e que nenhum coração sofre sozinho. Mas que ser dois não é tão difícil quanto ser um.
Em 2011 descobri que muitas pessoas gostam de mim, mas são poucas que se importarão comigo e que me vendo caído me ajudarão a prosseguir.
Mas acima de tudo, 2011 me mostrou que não há vergonha em errar e se admitir o erro; que não é preciso ser grosseiro com quem não atende sua expectativa; o quanto é gostoso fazer a lágrima de quem se gosta se tornar em riso e que nada é mais desolador do que transformar o riso de quem se ama, em lágrima.
Aprendi que um sorriso abre mais portas do que a gente imagina e que às vezes o melhor a se fazer é se calar, assistir e, se alguém precisar de ajuda, ajudar.
Ah, sim! Dois mil e onze me trouxe pessoas há muito tempo distantes do meu presente e trouxe crianças lindas para alegrar o meu futuro...
Mas apesar de tudo, espero que 2012 seja muito, mas muito, mas muito melhor, porque, pelo menos pra mim, 2011 já deu! rs
Um feliz ano novo para todos vocês!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A quem tinha acabado de chegar...

Algumas pessoas passam na nossa vida e nós gostamos. De umas gostamos de um jeito normal, de outras gostamos de um jeito mais comedido e ainda há outras de quem gostamos absurdamente (mesmo sem muitas vezes nem sabermos o porquê). Em abril de 2006, minha amiga Juliana (que está na lista do "absurdamente") trouxe ao mundo uma menininha que cada dia que passa fica mais linda. Mexendo nos meus arquivos, achei essa "cartinha" que escrevi para a recém nascida, pouco mais de dois meses depois que ela nasceu. Passado tanto tempo, resolvi compartilhar aqui no blog:

Um dia você vai crescer e esperemos que sua mãe seja organizada a ponto de ter guardado essa carta pra que um dia você possa ler.
Você deu a sorte de ser uma criança muito amada. Sabe, às vezes eu acho que sua mãe não tem a menor noção do quanto as pessoas gostam dela (Mas não se preocupe, ela é nova! Pode ser que até o dia em que você leia esta carta, ela tenha conseguido ter noção disso.)
Todo esse carinho que nós sentimos pela sua mãe, passou para você – e, apesar de você ter acabado de chegar, às vezes eu acho que a gente gosta mais de você (mas esse é o nosso segredinho...).
No dia em que eu soube que você ia nascer escrevi pra sua mãe que ela deveria sorrir, pois a vida a estava presenteando com o mais belo dos presentes. Quando você nasceu e eu pude te ver, tive a certeza de que estava certo desde o início. Nossa, como você foi um bebê lindo!
(Pausa pra secar a baba... é os velhos também deixam escorrer um pouquinho pelo canto da boca – e é, quando você estiver lendo isso e olhar pra mim, já me verá como um velho).
Nem sei se tenho muito que te dizer. Hoje nem sei de tantas coisas assim, mas queria mesmo te escrever umas poucas palavras num texto que poderia ser menor.
Em alguns momentos da sua vida, você sentirá dúvidas. E essas dúvidas te darão medo, mas não te assustes. É sempre bom que tenhamos dúvidas no nosso coração. Isso tem muito a ver com o que é ser humano. Tem a ver com ter medo das decisões de ontem, porque elas nos afetam hoje. Das de hoje, porque elas afetarão nosso amanhã. E ainda pior, é ter medo do que poderá vir amanhã, porque isso, minha querida, ninguém pode saber.
Mas ainda que você se sinta com muitas incertezas ou que te pareça que toda a indecisão do mundo paira sobre tua cabeça, lembra que a resposta que faz com que sempre saibamos o que realmente devemos fazer ou qual a atitude certa a se tomar está dentro de cada um de nós.
Muitas vezes, pode ser que simplesmente te falte a coragem de contar até três e se atirar do precipício da dúvida. No entanto, só pense que lá embaixo, no fim do salto, te aguarda uma lagoa refrescante pra você relaxar. Mas lembre-se, pra chegar à lagoa, muitas vezes se deve esquecer do medo e se atirar de uma grande altura e que, no mais das vezes, nesse salto, não há que se contar com proteção.
A vida precisa ser encarada com leveza. Por mais duro e difícil que possa parecer viver, é com essa leveza que você deve lidar com os acontecimentos à sua volta. Não perca isso. Nunca perca essa leveza.
Ponto muito importante para se viver uma vida plena: Confie sempre que teu coração te guiará às decisões certas, porque é o teu coração que se alegra e que se entristece e não a tua mente. E não a tua razão.
A razão faz tudo na vida parecer muito técnico e exato, como se para tudo houvesse uma receita como aquelas de bolo que sua avó deve fazer várias para você. Mas a vida da gente, ela é vivida quase toda no improviso. Então improvise! Improvise, mas se faça feliz.
Outra coisa muito importante: Procure sempre quem te faça bem e esteja sempre perto de quem te faz feliz. Também os ouça todos esses, porque são os que só te querem o bem.
Mas, apesar de tudo e de todos e antes de todos, ouça a voz do teu coração. Preste bastante atenção, no que ela te diz. Te atente! Te atente ao som da voz que vem do teu coração, porque vai ser por ele também, pelo teu coração, que Deus estará falando com você.
Lembra-te em todos os teus dias que há Deus e que Ele cuida de você. Assim, não haverá mal que poderá te afligir. Não é segredo pra ninguém de que quando Deus é por nós, não há quem possa ser contra nós.
Sempre te lembra de agradecê-Lo pelos momentos bons, mas também o faça nos ruins, porque é sempre fácil aceitar o que é bom, mas confiar em Deus é saber que ele está conosco também nos dias maus. Sim, Ele está lá cuidando de nós para que não caiamos, mas se você se sentir caída, Yasmin, Ele te ajuda a levantar.
Ame seus pais, avós e todos os que te amarem. Sempre diga que os ama. Ame intensamente e você saberá o que é viver a vida feliz. Você conhecerá o que é a verdadeira felicidade. A felicidade que está em amar e ser amado.
Esse texto era pra ser menor, mas ficou grande assim. Que ele possa servir de algo. Que ele sirva pelo menos pra que você saiba que nasceu rodeada de muito amor.
Viva muito feliz!!!
Pimenta Bueno, 21 de junho de 2006
William Ricardo Grilli Gama (ou simplesmente, "tio")

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Pode ser mais. Mas sabe menos!

“Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu.”
(Como dizia o poeta – Vinícius de Moraes)

Como dizia o Poeta a vida existe para ser experimentada e não para ser analisada.
Vez ou outra me deparo com um ou outro que fica pensando mais do que agindo, esperando mais do que vivendo ou reclamando mais do que se divertindo.
A vida é séria, sem dúvida. Mas também tem que ter graça. Na vida é preciso sorrir, mas também chorar. É preciso amar e ser amado e, muitas vezes, nem é ao mesmo tempo. A vida está aí para ser vivida. Viva!
Muitas vezes, fico com a impressão de que há pessoas que vivem a vida como se estivessem do lado de fora dela. Como se a vida fosse uma experiência na qual ela – essa pessoa – é quem toma notas sabe-se lá para quem.
Essas pessoas muitas vezes levam a sério conceitos que, se hoje são, amanhã provavelmente deixarão de ser e, presas no universo de si mesmas, apaixonam-se tanto pelas suas próprias ideias e por seus próprios conceitos, que parecem desprezar todos os demais (não os conceitos, mas as pessoas).
A vida não é uma ciência. A vida é simples: simplesmente vida.
Gosto muito de um poema do Fernando Pessoa (quando ele foi Alberto Caeiro), em que ele inicia com a seguinte afirmação: “Há metafísica bastante em não pensar em nada” e depois segue dizendo que só pensaria no mundo se, por um acaso, viesse a adoecer.
É bem por aí. Se você está do lado de fora da vida, na condição de mero espectador, você não estará vivendo essa única vida que é a única que você pode ter certeza que terá, já que já a tem.
A vida não foi feita para ser racional e nem nós fomos feitos para nos protegermos da vida. Estamos aí e é o que temos para hoje. Se tivermos que chorar, choremos; quando sentirmos amor, amemos; saudade? Vá atrás. Mas viva. Seja. Faça. Não se pense acima dos demais. Somos todos nós mortais (com o perdão da rima infame).
Você que está do lado de fora da vida, olhe para si mesmo e lembre-se que os dias passam cada vez mais rápido. As 24 horas de antes, por mais que se queiram, não são as mesmas 24 horas de agora. Elas duram menos. E eu trago comigo uma impressão: quanto menos você vive, menos você tem para viver. Mas quanto mais você vive, mais você vai perceber que, no fim, vale a pena viver.
Não se leve tão a sério. Antes de você muitos foram ridículos, depois de você muitos continuarão a ser ridículos. E qual é o problema? O que é ridículo para um não é nada mais que, a alegria para o outro... pois Viva!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

É tudo uma questão de fazer (se esperar, não acontece)



O que não falta no vocabulário humano são aquelas frases prontas conhecidas como “lugares comuns”. Muitas vezes surgem como verdadeiros provérbios e se querem carregadas de uma significância para muito além do que realmente tem.

Um dos mais usados é “querer é poder”. Será que é assim mesmo? Diria que depende. Depende do que? De quem quer.

Claro que querer é o primeiro passo.

Há uma propaganda na TV que diz que se é possível pensar, é possível realizar. De minha parte, afirmo: Se você sabe o que quer, cabe a você fazer.

Não há nada que seja impossível.

Ninguém nasceu destinado a ser o que já é ou preso num status do qual jamais poderá sair.

A história da humanidade é repleta de personagens que saíram do nada e que a custa de uma ideia ou de muito esforço se fizeram vencedores. Campeões olímpicos que superaram diferentes doenças e desafios; jogadores de futebol que suportaram sérias contusões e voltaram ao campo após uma recuperação dolorida; pessoas pobres que ficaram ricas; inventores que ficaram famosos e artistas que revolucionaram a forma de fazer arte.

São talentosos? De certo que sim! Deram sorte? Pode até ser. Mas o principal é que agarraram a chance que a vida lhes deu.

Quando falo vida você pode dar a ela o conceito metafísico que você quiser ou se contentar em saber que mesmo humano e errante, você é responsável por tudo que faz e consegue. Pode até ter quem te ajude, muitas vezes alguém que te inspire, mas quem faz é você; a batalha é tua, a dor é você quem sente, mas na vitória é você quem se compraz.

E tudo isso se resume a uma coisa: Atitude!

Dia após dia, milhares e milhares de pessoas buscam sua sorte no conto da loteria. Acreditam que a solução dos seus problemas, a mudança das suas vidas e tudo o que de mais querem lhes virá do simples preencher de uma cartela.

Sonham um sonho que não depende de si. Talvez o sonho mais fácil de sonhar. - Não foram meus números? Poxa, que falta de sorte. E ficam passivos.

Adormecem e acordam. Corre o dia e, cansados, voltam a dormir. Embriagam-se nos seus devaneios e se veem príncipes, sentem-se deuses, mas logo voltam a sua vida, praguejam sua sorte e contentam-se com o lugar que ocupam, mesmo que seja o lugar que não sonharam ocupar.

Mais um lugar comum: “você é do tamanho dos teus sonhos”.

Note que quando eu menciono os lugares comuns não os critico. Tampouco quero desmenti-los. Antes, acredito que é importante que se sonhe e que esse sonho se transforme no objetivo que você buscará.

E o que é preciso para buscar? Atitude!

Toda pessoa de sucesso só teve sucesso porque teve atitude.

Talvez nesse momento você esteja pensando numa série de pessoas que tiveram seu sucesso fabricado por uma indústria que cria ídolos e, não conseguindo subir ao alto em que estão, você tenta reduzi-los ao andar onde você se imagina (forma comum de justificar a sua própria inação). Mas saiba que mesmo essas pessoas tiveram atitudes. Foram e fizeram. Encararam críticas que muitas vezes quiseram calar os aplausos que recebiam. E seguiram em frente.

Outro lugar comum: “as melhores mulheres são dos homens mais ousados”.

Ousadia é atitude. Se você acreditar que algo está tão alto que você não é capaz de alcançar, não alcançará. E vai se indignar quando ver que outro – que você julgava menos que você – tem nos braços quem você acha que não poderia ser de quase ninguém ou conseguiu o que você julgava inalcançável. Esse que era menos, acabou de te mostrar que é bem mais. Ele tinha mais: atitude!

O desejo motiva as buscas. Deseja-se o que não se tem (e se depois de ter, você ainda consegue manter um desejo, tanto mais feliz você será). Mas, mesmo já tendo, não há o que te impeça de querer mais.

Ora, se há um degrau mais alto do que aquele em que você se encontra, busque-o. Um emprego melhor do que o que você tem? Consiga-o. Você só depende de você e de mais ninguém.

Mas o mais importante é saber que nem mesmo a chuva cai deliberadamente do céu. É preciso saber que quem quer tem que fazer, e que não há nada melhor do que, lutar um bom combate, enfrentar fortes desafios, encarar todos teus medos, vencê-los todos para, no momento derradeiro dos teus dias, poder olhar pra trás e dizer: valeu a pena!.

Você sonha? Ainda não alcançou teu sonho? Está esperando o que? Vai lá e faça acontecer!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A tua história é escrita por você (e a minha é escrita por mim) e mais ninguém!


A tua história é escrita por você.
Sim, eu sei que isso soa óbvio. Aliás, isso É óbvio. Contudo, muitas vezes o que me parece é que as pessoas (vou generalizar só pra não ficar tão claro que falo de mim também) se acomodam com a ideia de que não dependem só de si para escrever o futuro que, assim que atingido, será o passado de quem escreveu, definição perfeita de quem você foi ou de quem eu fui, enfim, de quem fomos nós.
Talvez os mais puristas já tenham pensado: “bah, não nos bastamos a nós mesmos. Não tivéssemos os cuidados havidos quando infantes, não ultrapassaríamos, sequer, a adolescência.”
Por certo que não. Ocorre que em algum momento das nossas vidas – seja das mais louváveis, seja das mais medíocres – somos nós que assumimos o controle dos nossos dias.
Não podemos passar a vida como se guardados numa redoma que se quer intransponível, distantes do mundo que se nos mostra, vigilantes contra sabe-se lá quem vindo de sabe-se lá onde.
O único momento que nós temos é o agora! O ontem já nos foi tirado e o amanhã não nos pertence. Não sabemos nem se chegará.
Adiar é costume de quem tem medo de fazer. E medo nunca é bom.
Os que querem justificar sua inação podem dizer que não têm medo, mas sim, cautela.
Cada um acredite no que quiser.
Erros e acertos nos definem muito menos do que a coragem que tivemos de, em dado momento, termos escolhido a vida que é vivida ao invés da vida que no vive.
A vida é feita de decisões e quem toma decisões acerta, mas também erra.
Mas até mesmo não tomar decisões é um erro.
Você sabe o que quer? Não? Essa é a resposta mais comum. Mas há algo, você, eu e todo mundo sabemos, mas insistimos em nos negar: todos sabem o que querem, mas têm medo de admitir, porque, uma vez que admita, o próximo passo é conseguir... ah! Mas daí vem o medo, quer dizer, a cautela de quem pensa: “e se eu não conseguir, como conviverei com a dor, a vergonha, a frustração, o tombo?”
E daí eu peço que você me permita te perguntar: quantas frustrações você carrega consigo por não ter tentado? Seja por medo, seja por orgulho, seja pelo que for. Motivos para justificar nossa mediocridade nunca nos faltam (e nem nos faltarão) o que parece nos faltar é a disposição para encarar os verdadeiros desafios e, não há desafio maior do que ser quem você realmente é.
E continuo falando para você, mas também como se falasse para mim mesmo (mas sem querer parecer – mais – louco):
Saiba quem você é! Mesmo que para isso você precise viajar para dentro de você. Mas cuidado! Viagens como essa, muitas vezes, não aceitam companhia. Só você é capaz de saber o que se passa na tua cabeça ou no teu coração (mas coração não pensa, só reproduz dor).
Antes de se entregar para quem quer que seja ou para o que quer que seja, lance-se ao conhecimento de você. É mais difícil do que parece, mas é um passo importante para saibamos se estamos vivendo o que precisamos viver e seguindo o caminho que precisamos seguir para chegar onde queremos chegar.
Conheça o teu caminho para que você saiba quem pode caminhar com você e para que, quem já está caminhando, possa saber se esse caminho pode ser de dois ou é, definitivamente, o caminho de um.
Assuma-se para si e não para os outros; seja sincero e verdadeiro consigo e, então, você será também com todos que fizerem, fizeram ou farão parte da tua vida.
E não se esqueça: no final de tudo, quem escreve(u) tua história é você!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Minhas impressões 03 dias após o acidente...

Agora há pouco eu estava falando comigo mesmo que tem hora que eu ainda não acredito que sofri o acidente da segunda-feira. Que eu tive mesmo que passar por isso.
Jantei porque não tinha almoçado, falava com meu pai sobre o vídeo do Kibeloco onde imitam a Dilma, coloquei a camiseta e lembro que estava de frente pro espelho arrumando o cabelo, minha irmã brinca: tá se achando só porque está magrinho. Respondo alguma coisa, faço alguma graça, pego minha bolsa, falo tchau. Entro no carro, coloco o nome do vídeo e mando pro meu pai por mensagem pra ele acessar.
Trinta minutos depois estou eu ligando pra eles pra dizer que tinha acabado de capotar o carro...
Eles estavam aqui em casa, tranquilos, assistindo TV; eu estava chegando em Cacoal. Faltava menos de 5 minutos pra eu estar na UNESC. e, num segundo, eu poderia nem estar aqui escrevendo.
Tem hora que parece que não aconteceu, que foi um sonho... e daí, tendo flertado com a morte, é inevitável que eu me confronte com a parte espiritual da coisa. Ora, para mim, o que eu aprendi e o que eu interpretei são verdades. Muito do que está na bíblia é o que eu acredito que seja. E se eu tivesse morrido, qual será que teria sido o meu destino para além dessa vida?
Eu que às vezes blasfemo tanto. Eu que tantas vezes desmereci tanto o que soava mais religioso.
Partindo do pressuposto de que o que ouvi desde que nasci é verdadeiro, grande parte do que fiz foi mau.
Complexo? Muito. Acho que é essa complexidade que está me atingindo a alma.
Na madrugada de anteontem eu fiquei cerca de uma hora ajoelhado no quarto fazendo oração. Fazia muito tempo que eu não tomava esse tipo de atitude.
Estava tentando entender o porquê eu tinha que passar por isso. Por que eu saí vivo? Qual o propósito pra que eu tivesse pedido por misericórdia e esse socorro me viesse de pronto?
Por que, tendo tanto lugar pra cair, o carro foi cair exatamente na valeta que impediu que o teto me espremesse e, ainda, com o espaço para que eu saísse pela janela no chão e não na valeta que era funda até
Ou seja, o carro caiu exatamente onde tinha que ter caído. Quando eu me arrastei pra fora, era tanto mato, que eu não sabia pra onde eu ia e, pela profundidade da valeta, eu poderia ter caído mais fundo e me machucado de um jeito sério.
Em 2002 quando um pit bull me atacou e "tentou" me matar, eu lembro que gritava de susto e tudo mais, mas em momento algum - por mais que naquela época pregasse isso na igreja - pedi algo do tipo: Deus, me ajude!
Fiquei durante esses 09 anos com isso na cabeça: que se eu me visse em qualquer situação de perigo, eu não faria outra coisa que não fosse pedir que Deus me ajudasse (como que se eu tivesse ficado constrangido por ter me esquecido de Deus naquele momento e só sentido o medo).
Quando eu vi que tinha perdido o controle do carro e que o pneu direito bateu na mureta e o carro rodou, eu só tive tempo de gritar: Deus, tem misericórdia de mim! E Ele teve
Cumpriu-se justamente o que está lá no salmo 91: Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos. Eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra.Acho que faz umas 68 horas que estou pensando em tudo isso. Minha cabeça está rodando....
Mais de uma vida? Não. Para mim não. Eu só tenho essa.
Depois que eu morrer será o momento em que eu prestarei as minhas contas e, se eu tive essa chance de continuar ao invés de já ir direto prestar essas contas, há algum propósito nisso e não deve ser só eu aprender a valorizar a minha vida.
Acredito, sim, que muitos dos alunos e pessoas do meu facebook que leram meu relato de como foi tudo e que viram as fotos, não conseguem não pensar que Deus cuidou de mim. E, não sei, mas pode ser uma forma dEle falar: lembra quando você ainda era criança e falava de mim? Então, não era pra parar. Se você sabe falar, fala e não te cala!
E não é que eu esteja me sentindo devedor hoje, depois do que aconteceu. Essa é uma sensação eu já venho sentindo há alguns anos. Daí a impressão de que o que aconteceu segunda-feira foi “A“ sacudida, entende?
Estou querendo crer que as coisas se esclarecerão aos poucos.
Eu não acho que eu dei sorte, antes, acho que Deus cuidou de mim e houve foi o que se chama de milagre. Se eu tive essa prova de que Deus está cuidando de mim, eu não tenho porque não conseguir dormir. Faço como diz no salmo 4; 8: Em paz também me deitarei e dormirei, porque só tu, SENHOR, me fazes habitar em segurança.Sempre tento não levar nada a ferro e fogo; tento sempre racionalizar o máximo. Mas o que eu sei é que as obras são importantes, mas não são o que há de mais importante dentro daquilo que me foi ensinado e que eu acredito.
O primeiro e mais importante é acreditar que, de fato, "Deus amou ao mundo de uma tal maneira que enviou seu filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna".Nessa sequência, vem o fato do que disse Isaías: “O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz”. (esse povo são todos aqueles que não são os judeus. Foi para os não judeus que veio Jesus)
O importante é lembrar que a boa nova que é o Evangelho não são as palavras ditas por Jesus; não são os ensinamentos de jesus. A boa nova do evangelho é o fato de que ele, Jesus, tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.
Assim, a boa nova do evangelho, não é o sermão da montanha ou a parábola do filho pródigo ou a dos dez talentos. A boa nova do Evangelho é que Jesus morreu para que na pureza do seu sangue os pecados do mundo fossem perdoados, mas que a morte não lhe derrotou, antes, ao terceiro dia ele ressuscitou e, em seu nome, (nome de quem venceu o mundo) todos se achegarão verdadeiramente a Deus.
O que eu aprendi, é que não importa quão boas sejam as tuas obras, o mais importante é que você reconheça que houve esse sacrifício e seja grato por ele. Essa é a boa nova desse evangelho que, pelo que me foi ensinado ainda criança, deve ser levado a todos quanto for possível.
Agora, é claro que de nada adiantaria você se dizer agradecido a esse sacrifício, sendo indiferente às necessidades do próximo e despreocupado em fazer o bem que você pode fazer. Tudo é importante.
Mas qual é a minha parte nisso tudo?