terça-feira, 29 de janeiro de 2013

O Desafio é se relacionar


Ontem a Folha de São Paulo publicou em seu site uma matéria do The New York Times sobre a nova geração de jovens – denominada geração Y – e a sua dificuldade em se relacionarem entre si. Na reportagem, dentre outros fatos alarmantes, narra-se a atualidade dos “não-encontros”, onde as pessoas, por julgarem que sabem tudo umas das outras, preferem se encontrar no tumulto de uma balada, cercados de pessoas, ao invés de no conforto de um jantar a dois e que, quando se interessam por alguém, já não sabem mais o protocolo do flerte, acostumados que estão em olhar, adicionar e ficar. Leia a reportagem aqui aqui .  
Essas coisas me assustam...
A sociedade de hoje parece estar sendo tomada por uma indiferença covarde. Julgamos nos expor o tempo todo, mas a verdade é que mostramos somente aquilo que pensamos ser o melhor de nós mesmos. Acreditamos que temos o controle da nossa imagem e que conseguimos manipular a forma como os outros nos veem, quando, na verdade, somos cada vez menos aqueles que nos enxergam e mais a sombra obscura de uma existência fadada a não deixar marcas, não marcar.
Estamos correndo o risco de sermos avatares de nós mesmos. Quantas e tantas não são as vezes em que passamos por uma pessoa que eventualmente conhecemos por meio de uma rede social, conversamos, curtimos e compartilhamos e, ao nos depararmos com um rosto parecido com o que vemos naquela pequena imagem que identifica um bate-papo on-line ficamos na dúvida se é mesmo aquela pessoa que julgávamos conhecer e agora mal nos damos conta que não. Será que é? Será que não é? Ficamos em dúvida e uma outra preocupação ética nos assola: “e se for e eu não falar oi? Depois ela vai me cobrar que sou simpático aqui e não cumprimento no mundo lá fora.”.
Sim. O mundo lá fora... o mundo lá fora é o que vive, o que sente, o que cheira e o que vê. O mundo lá fora é o que realmente acontece enquanto nos preocupamos com a próxima atualização do status. O mundo lá fora é o que justifica cinco e não dois sentidos, porque o mundo lá fora foi feito pra viver.
Enquanto isso, o mundo que construímos nos Facebooks da vida é o nosso faz de conta. Nele buscamos as melhores fotos dos melhores momentos dos melhores dias. No Facebook são todos felizes e, se alguém se arrisca a revelar uma dor ou acusar uma tristeza, corre sério risco de ser marginalizado. Nas redes sociais (?) somos infalíveis, beiramos a perfeição! Sabemos de tudo, temos opinião sobre tudo. Falamos sozinho com o mundo e julgamos que o mundo nos ouve e se ocupa de nós.
Nas redes sociais somos milhares, mas somos um. Estamos com vários, mas estamos sozinhos. Falamos com o mundo, mas é como quem fala ao vento quando anda pela rua sem ter ninguém ao lado. Somos todos como loucos, mesmo sendo normais.
Vivemos uma intimidade falsa e não porque nos enganam; não porque faltam com verdades para conosco, mas sim, porque nos permitimos enganar, não pelos outros, mas por nós mesmos.
Ficamos horas teclando e teclando e teclando. Falamos de nós e lemos dos outros, mas não interagimos com pessoas. Vivemos um mundo entre duas telas. Um mundo que é nosso do jeito que o queremos, mas que é vazio. Vazio de vida. Vazio de sentimento. Vazio de sensações.
Quando leio a reportagem e alguém diz que prefere não ter um encontro com quem lhe interesse, mas sim, que essa alguém o encontre como que por um acaso numa balada que tenha outras tantas pessoas, vejo que ele parece não saber o quanto perde por não estar com a pessoa de verdade.
A geração atual parece desconhecer o valor de um encontro real. Um bom jantar ou um sorvete no fim de uma tarde quente de verão, olhos nos olhos, sorrisos que sorriem e não que se imaginam; no afã de se esconder e ser quem a outra pessoa imagina, prefere ser um rosto sem pescoço numa foto pequena, a idealizar uma conversa que na verdade não existe.
Estamos todos na superfície um dos outros e sabemos cada vez menos do muito que há pra saber e parecemos não nos incomodar. Nos sujeitamos a virtualizar nossos dias e aceitamos relações que não são relações, encontros que não sem encontros, conversas que são menos do que conversas e pensamos que está bom assim.
Estamos cada vez mais sozinhos e cada vez mais presos em nós mesmos e achamos que estamos bem. Somos atrevidos sem atrevimento, porque não há atrevimento maior do que colocar a cabeça pra fora e encarar a vida de peito aberto sabendo que viver é sentir, é tocar, é gozar, rir, correr, chorar, observar, ver, ser visto e reparar o luar.
Precisamos sair das nossas cavernas, dos nossos quartos, dos nossos sonhos acordados e experimentarmos ser gente e não máquina.
Se relacionar, mais do que nunca, parece ser o novo desafio...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Se eu morresse amanhã...


Se eu morresse amanhã, quanto tempo sentirão minha falta aqueles poucos que penso que serão? E será que serão mesmo aqueles que penso serem os que serão?
Haveria quem eu nunca soubesse que tinha o carinho que não existia em quem eu tanto queria? E que agora, de longe, calada, chorava a falta que só ela sabia?
Ah! Quantos terão sido os meus amores realmente amados, vividos ou não vividos, muitas vezes calados?
Quantos teriam sido os desejos e as paixões que terei levado comigo e que tinha que ter dito, muito embora tenha (agora pra sempre) calado? Não seria melhor sempre falar e deixar que quem se ama se saiba amado mesmo que agora eu já não possa mais amar?
A vida pode acabar tão rápido que é bobagem calar, se proteger ou pensar que o melhor é se preservar de sentir seja o que for...
Se eu morresse amanhã, quantas serão as felicidades que desejei, mas que não assistirei por ter morrido amanhã?
E quantas serão as saudades sentidas pela minha falta de vida? Quantos sorrisos deixarei de assistir e quantos outro deixarão de, por minha causa, sorrir?
Quantas desculpas eu ficarei devendo e quantos terão sido os perdões que deixarei de perdoar?
Se eu morresse amanhã, qual seria a lembrança de mim? Gostaria mesmo de ser lembrado da forma que os outros me lembrarão? Ou deveria ter sido melhor, logo eu que gostaria da melhor lembrança quando se lembrarem de mim?
Se eu morresse amanhã, voltaria depois, acabaria pra sempre ou assistiria as vidas que gosto de um infinito de onde tudo vejo, só que ninguém me vê?
Que triste seria morrer amanhã...
Mas se eu morresse amanhã, alguém choraria o amor que não me disse ou lamentaria o amor que me recusou?
Haveria gratidão n’alguma vida que nessa vida se encontrou com minha vida agora sem vida? Terei eu feito algum bem?
Se eu morresse amanhã, o que realmente perderia além dos dias da pouca satisfação que parece ser regra nas muitas vidas?
Quão mal seria morrer amanhã?
Mas ainda assim, não pretendo morrer tão cedo, muito menos amanhã...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Eu te proponho...


"Já é a manhã de uma noite em que eu não dormi. O dia é frio. Suas cores são cinza. Enquanto caminho por centenas de pessoas apressadas na inquietude da cidade, noto milhões de rostos que carregam cada um sua história. Eles têm as suas como eu tenho a nossa.
Tento não pensar. Por um momento noto que o calor da respiração contrasta com o vento gelado da manhã fria e forma um vapor que saído dos lábios entreabertos na pressa de vários passos, sobe ao céu como as minhas várias súplicas de dor.
Ninguém se dá conta de ninguém. Há pressa por todos os lados. Todos caminham com a convicção de quem sabe onde pretende chegar e, por um momento, penso que sou o único que caminha sem destino.
Saí porque as paredes de casa me sufocavam. Durante a noite acompanhei cada minuto das muitas horas do relógio de parede do quarto de dormir. Tudo era incômodo. Mesmo a respiração me parecia mais pesada. E eu me sufocava no silêncio do meu próprio silêncio.
Na escuridão da noite, tudo o que ouvia era minha própria voz de censura e só o que enxergava era meu eu sem qualquer satisfação. Era tão pouco o meu apreço por mim, que já não me sabia. Já não era eu! Saí.
Agora vejo as pessoas carregadas de suas certezas. Todos os que vejo parecem não ter dores e nem dúvidas. Eu sei que eles as têm. Mas todos parecem disfarçar melhor do que eu. Ou talvez, simplesmente não se importem. Ou não as tenham como eu.
E mesmo quando não te penso, sei que estou pensando em você. Ainda quando te evito, sei que sou eu que te trago mesmo quando não quero que venha.
Em você acho todas minhas dúvidas e minhas piores certezas. Você é o meu erro mais certo. Você é a minha certeza do não, mas é também o sim que eu mais quero. Bendito seja o maldito dia em que te conheci.
Tudo diz que não pode ser. Teimoso, insisto em querer sim.
Eu não conto nosso tempo pelos dias em que te conheço. Eu conto nosso tempo pelos sorrisos que sorri por causa de você.
Não importa se os dias que se somam só contam meses e nem que a soma de nossas horas juntos sejam menos do que o total de um dia. A mim, não me importa nada que faça parecer menos o que, em mim (e pra mim) é muito. A mim, não importa nada que não seja você.
E nem procuro o que diminua a tua presença em mim.
Desde você eu desconheço o que é paz. É como se meu mundo fosse outro mundo e aos meus dias se tivesse revelado a razão para cada novo dia. Razão que se perde na falta de você.
Se a ideia era descobrir como seria, já sei que não gosto.
Cada um dia é menos um dia... menos para nós.
A tua falta é a agonia eterna que não vai passar. É a ausência que se fará presente em cada dia que se lamentará o silêncio do que deveria ter sido dito.
Mas eu calei.
Agora que me é proibido te ver, que me é proibido te falar, te tocar, saber de você e estar com você, tudo em mim é desespero e nada em mim faz sentido.
Abrir os olhos pela manhã é menos uma vitória. À noite eles insistem em não se fechar. Falta o sono onde sobra a vida. Quisera fosse o contrário.
Ah! Tanto pra dizer e eu calei.
Sei que de nada me adianta te dizer agora, só que te escrevo mesmo assim. Eu insisto e te escrevo, mesmo sabendo que você nada me dirá. Escrevo mesmo diante da certeza do teu silêncio.
Aqui, agora, te proponho o que te proporia se te houvesse pra mim. Não é uma certeza de agora. Já sei desde antes e se calei é porque fui fraco e achava que sempre haveria amanhã e, num amanhã desse amanhã, haveria a coragem que sempre me faltou.
Agora, tudo o que queria era a chance de te encontrar numa tarde de sol e te ver sorrir feliz por me ver. Te abraçar e sentir teu perfume. Me afastar o espaço pro beijo que me faz tanta falta e, depois do beijo, acarinhar teu rosto que ainda me sorri. E, então, te dizer da mudança da minha vida nascida do instante de você. Te faria saber como o meu mundo era vazio de você. Como você é a luz de uma vida que antes era só sombra e como você deu cores para o que antes era mais cinza do que essa manhã fria em que não consigo não pensar em você.
Nesse instante, teus olhos nos meus, meu sorriso sendo culpa do teu, eu te proporia mais e mais sorrisos todo dia. Te proporia uma vida cheia de alegrias e de uma felicidade que descobriríamos juntos, porque fruto de nós dois. Não te prometeria não sentir tristeza, mas te seria o conforto em cada dor, porque, naquele instante te proporia o amor que te sinto pra sempre e que é só teu.
Te proporia ser feliz a vida inteira e te faria feliz e seria feliz porque é você e sempre fui feliz quando me via feliz com você.
Eu te proporia uma vida de sonhos que não são sem graça. Sonhos de verdade, reais. Sonhos que seriam sonhados juntos e vividos mais juntos ainda.  E, então, eu te proporia um eterno recomeço. Um reencontro de todo dia. Um novo sorriso a cada manhã e um novo desejo em todo cair da noite.
Você me sorriria e com um beijo me diria, sim. E eu sorrio agora imaginando como seria se tudo isso terminasse com você pra mim.
...
Mas não. Calei. Agora me resto eu. Sozinho. Rodeado de milhares de pessoas, mas sozinho. Não há mais você pra mim. Não agora. Não neste mundo. Não nessa vida.
O amanhã não te trouxe. Ele te levou. E levou errado. Errou porque só te levou. Só você! Ele não tinha que ter me deixado aqui, sozinho, pra sentir tanta falta tua e com tanta dor. Mas você não volta. Você não vai voltar.
Já tenho medo de não me lembrar do teu sorriso.
Ah! Dor! E dói! Já não me há vida que me interesse sem tua vida. Não há cor e já não importa a luz. Não há música e nem há dia que não seja noite e nem noite que não pareça a eternidade do sofrimento de quem tem que fechar os olhos pra te ver, sabendo que jamais poderá te tocar.
Essa vida já não me basta. Dela não espero mais nada, senão que acabe.
Quero a próxima. E me espera! Vou cruzar quantos céus forem precisos. Desafiarei quantos deuses tentarem me impedir. Não aceito o fim de agora. Viajarei quantas vidas forem, mas te acharei numa nova vida, te encontrarei. Teu abraço será do meu abraço. Teu sorriso será do meu sorriso e teu beijo será o repouso da minha alma, como teu corpo o destino ideal do toque meu.
Então me espera! Seremos juntos e pra sempre... eu te proponho! "

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012: MAIS UM ANO SE PASSOU - Que venha 2013


E como já virou tradição deste blog, dia 31 de dezembro é dia de fazer um balanço do ano que passou e projetar as promessas que não se realizarão no ano que há de vir.

Vou tentar manter um astral positivo e, pra isso, vou dizer que 2012 foi um ano mais pra bom do que pra ruim.

Logo de início, um réveillon divertido no bom e velho Vale do Sol para, ato contínuo, voar pro Rio de Janeiro e, em meio a tanta beleza e bons amigos, assistir ao Chico depois de 05 anos, pular ao som do monobloco num show e som catártico (e que pretendo repetir), além de passear pela orla mais bonita desse país.

Ainda de férias e gozei da São Paulo que gosto. Fui a shows, parques, trânsito, compras  e aonde mais quis ir sem querer revelar.

Eis que chega fevereiro e a satisfação de ser paraninfo da turma que tanto gostei. Fevereiro foi o mês que a minha vida se sentia na companhia de uma eterna Alvorada. Me fazia bem. Me fazia leve. Me fazia muito mais feliz do que eu sabia retribuir. E me fez muito melhor do que eu jamais soube fazer.

Março veio e trouxe com ele as primeiras contrariedades. Quis o que não pude ter. Tentei, insisti e, enquanto insistia já não sabia o porquê e, de tanto andar em dúvida, percebi que era hora de me entender. Análise! Vou ao divã (tá, lá é poltrona), mas fica a imagem. Ganho de presente a analista que me sabe doido, mas me trata como um “relativamente normal”.

Em Abril publico aqui no blog o texto que explodiu de acessos entre todos os textos daqui: Necessária Solidão. Àquele tempo achava inevitável meu destino de ser sozinho, mas mal sabia eu que o ano não tinha nem começado direito: ABRIL, MAIO e JUNHO mostraram que são os meses das novidades. Pessoas surgem, ressurgem, ocupam novos espaços, fazem-se companhias, confidentes, presentes. Redescubro-me a mim e até a intolerância de outros dias cede espaço para um espírito mais aberto e menos ranzinza (pelo menos eu acho).

Corinthians campeão da Libertadores. Ri. Gritei. Xinguei. Fui maloqueiro, sofredor, corinthiano graças a Deus.

A vida já não é tão cinza e descobre um mês de julho chegando com vontade. Não que tenha havido muitas mudanças. Ainda há pouco eu soube que seria “nome da turma” concludente e gostei da homenagem. Feliz, preparo-me para reencontrá-los no semestre que logo começaria. Ao mesmo tempo, descubro e me permito companhias comportadas e outras nem tão comportadinhas assim. Mas vivo. E vivendo vou me pensando feliz.

Agosto é o mês das surpresas é o mês de viver, verbo intransitivo e intransigente. O mês de julho, consequência dos meses bons de antes dele, me fez querer mais do que vinha tendo e eu fui. Tive. Quis mais e tentei. Foi o mês que menos escrevi, mas foi o mês em que mais me senti bem.

Ah, Setembro. Setembro foi o mês mais intenso de se sentir. Não digo viver porque, a impressão que tenho é que Setembro foi o mês de SOBREviver. Soube-me vivo nas risadas e nas dores. Foi o mês da aceitação e da recusa. Da revelação e do silêncio. Da verdade escondida atrás da mentira e da verdade duvida na história desdita. Setembro foi o mês do “diálogo do adeus” e trouxe o Outubro violento.

Batida. Silêncio. Medo. E uma mensagem recebida quando o barulho do mundo parecia insuficiente para encobrir o silêncio de si. A sensação de ser alguém para alguém no instante em que se pensava ninguém de ninguém. Vida! Troca. O bem daqui era bem de lá. Bons dias, boas tardes, boas noites. Tudo colaborava naquele tempo de decepções que matavam aos poucos e que, num instante de surpresa, provou o quanto a vida pode ser rara.

Novembro foi o mês das luzes. No mais alto de São Paulo, luzes e mais luzes brilhando aos pés de quem só tinha olhos para os olhos que lhe olhavam. O encontro improvável e com data de validade que ou era ali ou não seria mais. Dezembro não daria tempo. Não chegaria a tanto. Teria havido cura até lá.

Novembro foi também o mês da confirmação de certos rompimentos e o mês que permitiu o perdão de certos passados. Mesmo quando desagradável, serviu de lição e, enquanto o ano acabava, os sonhos que se sonhavam pareciam promessas que até tinham alguma razão.

Mas vem Dezembro e o que era certeza se faz improvável. O que era constante se faz estranhamente raro. Quem era muito parece pouco e quem nem era, de repente passa a ser tanto. Muitos que vinham sendo se fazem mais importantes, mas é o tempo da distância e é ela quem ganha. Um, dois, três dias e o espaço da vida é o mesmo do sono. Não se sabe do sol se brilha a manhã, nem das estrelas, se enfeitam as noites. (Mas o Corinthians ganhou o Mundial!)

Dezembro se faz o mês do nada. Não emociona pra mal, nem pra bem. Dezembro quer viciar o ano que foi muito. Dezembro é tão pouco que parece nada. É tão pouco que parece que o ano foi pouco, mas pensando bem, que bom que Dezembro está no fim. Ainda bem.

2012 chega ao fim e, ainda que seu fim não seja em quase nada diferente que seu começo, nele aprendi, não só dos outros, mas de mim. E mudei. Continuei a mudança que já anunciara vinda do ano acabado. Rompi comigo e também foi comigo que reconciliei. Penso que fui quem tinha que ter sido e tive quem merecia ter tido. Sei os que quero que me acompanhem em 2013. Ainda há muita estrada, há muito caminho e há que se trilhar.

Sejamos, pois, a nossa própria promessa, a nossa própria resolução. Nós não precisamos de marcos, mas de atitude; não precisamos de data, mas de ousadia. Não precisamos de simpatia, mas sim de serenidade. 2013 é o ano da minha, da tua, da nossa felicidade. E vamos à luta!

FELIZ 2013!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A Nossa SEDE(?) de amar


Muitos têm medo, enquanto outros ainda mantêm a esperança que muitos já perderam, mas sim, de tempos em tempos todos nós pensamos em amar. E, quando falamos de amor, falamos do verbo na sua inteireza. Reflexivo. Amar não é verbo que se conjugue no singular. Amar é verbo plural que não se basta no eu, mas é perfeito se nós.
Mas vivemos um mundo acelerado. Um mundo em que tudo é para agora. Temos pressa e esperar é parte de um passado que não nos pertence. E é tanta a nossa pressa que sabemos que queremos amar, mas sequer paramos pra pensar “o que é esse amar?”. Sabemos que é algo que queremos, mas mal sabemos como queremos e, se pensamos saber, não nos ocupamos do por que e às vezes, quando ele chega, o perdemos sem querer.
Temos pressa também em sermos amados antes de amar. Parece mais seguro. Deixamos que o outro se entregue e então medimos se vale a pena se(e quanto) entregar. Se não gostarmos, simplesmente nos afastamos, seguimos, deixamos pra lá. Se gostarmos, além de sermos amados, até podemos ousar amar.
Amar: equação ousada. O amante é a outra metade imprevisível de quem ama. Somam-se duas incógnitas e, ainda assim, espera-se achar o resultado correto. Mas eu posso errar e eu vou errar e vai dar tudo errado, porque não tem como dar certo e, então, é melhor nem começar a somar as variantes (nem bem as conheço!) e mais que depressa desisto de amar antes de amar e de me permitir ser amado (ainda que ser amado pareça – sem que seja – mais fácil do que amar).
E também não adianta pensar que dá para aprender a amar. Ou que, quanto mais se apaixonar, mais fácil vai ser se livrar, se acostumar ou, simplesmente, dispensar a ideia de amar. Não é verdade que amando o novo amor de agora sabe-se mais do que quando se amava o amor anterior e que,  assim, o amor que virá depois será melhor do que o amor que se tem agora. Mas são muitos os pensam assim e assim justificam não serem e nem terem ninguém.
Mas temos pressa de amar e vamos amando e vamos querendo e vamos nos dando... pouco. Parece tolo apostar no que não existe (algum dia existiu?) e por mais que queiramos, muitas vezes duvidamos que haja amor e passamos a achar que “a intimidade física prazerosa” já é uma conquista que basta.  Não por um acaso, o sexo de uma noite é chamado de “fazer amor”, talvez uma forma de atenuar qualquer tipo de culpa, a medida que nos mentimos ao crer que alcançamos o ideal que poderíamos querer para nós. Mas não é.
Aos poucos nos perdemos de nós mesmos e do mundo e pensamos que não nascemos para o amor ou que ele é algo que nunca nos pertencerá. Se não podemos amar, logo apostamos que a paixão se faça perfeita quando feita em verbo e que, ao se apaixonar, cada um descubra que é possível se dar sem se entregar e receber sem precisar aceitar. Mas tudo isso, sem perceber que, estando no mais raso de si, afoga-se no amor contido que não soube livrar.
Ora, pra que se contentar com o mais ou menos da vida se ela tem mais para dar? Não importa se dá medo ou se isso é realmente ousar. Se te chegar o amor que te ame, ame-o. Sorria, se ria. Paixão alimenta o corpo, mas não chega a alma. E, no fim, todos nós, nascemos para amar.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Abram-se as cortinas! (A vida vive e continua a viver!)


Abram-se as cortinas!
- Mas a máscara do artista caiu!
Não é nada e ainda se fosse, não seria.
Somos todos mais do que a máscara que nos cobre.
Somos o coração que bate e alma que sente (e às vezes sofre).
Somos a soma das várias vidas da nossa vida
E existimos muito tempo em poucos anos.

Abram-se as cortinas!
Deixe que fale a voz que não interpreta
E que não diga o texto decorado
Mas a verdade sentida
Recém-descoberta como se fosse presente a coisa do passado.
Era um, era dois... eram vários os que queriam
Mas eram mais os que temeram querer.

Rápido! Abram-se as cortinas!
Não nos cubramos.
Sejamos inteiros!
Mostremo-nos nós
Aos outros e a nós mesmos!
E sejamos quem somos
Não somente quem seremos...

Fechem! Fechem! Fechem logo!
Mostramo-nos, mas não gostaram de quem viram.
Agora a turba se volta em fúria...
Mas há silêncio... nada dizem! Nada escuto!
Esperem! Estão indo embora.
Deram às costas e se vão indiferentes.
Não os atingimos, nem os agradamos.

Ofício mais ingrato é esse onde somos quem não somos
E, quando somos, somos quem jamais seremos.
Dizemos as palavras do coração,
Mas elas não nos saem da alma
E mesmo quando da alma são,
Sente-se menos que a batida à palma.
São verdades, mesmo quando as mentiras verdades são.

Mas é chegada a nova hora!
Há novo sol no horizonte.
Ouviram e não gostaram.
Riram-se, odiaram, mas já foram.
Abram-se as cortinas!
O tempo já é de outrora
E há novo amor para nós agora.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Quando o forte é o fraco


Um simples diálogo e tudo poderia ter se resolvido. Mas um diálogo honesto, de quem diz o que sente, de quem se mostra sem medo, com a intenção de fazer dar certo. Uma conversa franca em que cada um se revela como é e não como imagina que o outro quer que seja.
Os relacionamentos de hoje em dia estão cada vez mais enfraquecidos. Talvez reflexo dessa sociedade consumista em que o bom de agora é o obsoleto de amanhã, mas o que tenho visto é que as pessoas agem como se não valesse a pena insistir.
Julgam que tudo vale a pena (mas só) enquanto dura, não importa o quanto dure e, quando acaba, simplesmente acaba e que venha o próximo. O que passou fica de lição e o que virá será o que vier a ser, não importa bem o que esse ser seja. E, como resultado, investe-se cada vez menos onde se deveria investir cada vez mais.
E as pessoas vão ficando com medo umas das outras e não se mostram como são. Eu te avalio, você me avalia. Eu procuro qual seja o teu ideal e tento me fazer como se eu fosse quem você quer que eu seja e sendo quem, muitas vezes não sou, canso-me de ser quem você quer.
E o desgaste é inevitável...
Mas o pior é quando passamos a crer que dependemos do outro e fazemos isso com a mesma certeza com que deduzimos que esse outro não depende em nada de nós.
Quando nos sentimos fracos e comparamos nossas forças com o outro, vemos aquela pessoa bem resolvida, que tudo sabe, tudo enfrenta e tudo aguenta, enquanto nós, fracos, temerosos da dor e donos de todos os medos, acabamos nos inferiorizando ao nível de nossa baixa auto-estima e calamos. Muitas vezes, não satisfeitos em calar, endeusamos o outro e o colocamos num pedestal de onde sugerimos uma perfeição que ele não tem.
E somos injustos. Injustos porque muitas vezes aquele que parece tão forte, também é fraco e precisa do conforto de não precisar ser sempre forte. O conforto de ser humano e confessar seus medos, sua dor, sua angústia, seus anseios e mesmo seus sonhos mais absurdos.
Quando nos é tirado o direito de errar (e muitas vezes somos nós que o tiramos de nós mesmos), a vida fica pesada e tudo parece estar à flor da pele. Ficamos mais irritadiços. Nossa paciência é menor, porque, a certa altura, não conseguimos mais fingir. Se somos o outro, perdemos a paciência com aquele que não assume seus medos e nos sentimos ofendidos porque não sentimos a confiança de que não nos confessou a própria dor e tudo parece uma mentira que não deve se arrastar. O fim se aproxima porque não “ousaram” confessar.
Ser companheiro é não ter medo, nem vergonha. De nada vale estar junto se a vida andar separada. Intimidade não é nudez física, mas, principalmente de alma. Não é justo se terem e não se conhecerem, estarem, mas se temerem.
Não se presumam forte e fracos, mas se queiram sempre a metade que completará e se completará. Relações são sempre vias de mão dupla onde se dá e se recebe. Pode até ser que às vezes mais se receba do que se dê. Uma hora se receberá e se dará. Se dá, mas não recebe, então vá! Não compensa ser de quem não te é. Mas se são, sejam! Se está difícil, insista! Agora, se há duvida e não sabe, ao invés de já desistir, converse.
Pode ser que o forte seja o fraco, mas dois serão sempre mais fortes do que um. 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A história (do amor) de nós dois

______, __ de abril de um ano qualquer.

Alguns dias são bem piores do que os outros. Não que eu achasse natural a ideia de vê-la sozinha, mas nunca pensei que fosse me doer tanto. 
Sempre fui um homem comum. Meus sonhos eram comuns. Meus dias eram comuns. Meus quereres não eram diferentes de outros quereres comuns. Até que amei e fui amado como amei. Muito. Tanto. E pelo tempo que durou.
Foi há muito tempo. Eu a vi sem que ela me visse. Eram centenas de pessoas, mas meus olhos só existiam para ela. A pele clara e os cabelos que não divergiam. Fios que corriam para além dos ombros. Ela caminhava com pressa, grave, urgente. Mas ainda assim seus passos eram como música. Enquanto caminhava, ela corria sua mão direita pelos cabelos e os jogava para trás, da esquerda para a direita, enquanto outra mão carregava uma pasta contra o corpo dela que usava um vestido leve e florido de primavera que combinava bem com aquela manhã. 
Ela estava linda. Nada do que havia visto me preparara para a visão da mulher que mudaria a vida do homem que nunca quisera nada, mas agora via nela, o tudo que lhe queria. Lábios rosados e olhos que lembravam o encontro do céu com o mar. Os óculos que usava lhe davam um ar sério, mas eu sabia que bastaria o seu sorriso e o mundo sorriria também. Dali em diante ela era todo o meu sonho. E ela foi.
Já tinha ouvido falar em amor à primeira vista. Nunca duvidei, mas também nunca acreditei. Certamente, nunca imaginei que aconteceria comigo. Não, comigo não.
De repente eu estava ali, parado numa plataforma. Pessoas e mais pessoas passavam por mim e não me notavam. Eram vultos de quem não me interessava. O mundo não existia e o que via era que ela caminhava enquanto eu mal conseguia me mexer. Enquanto o mundo à minha volta parecia ter pressa, seus passos pareciam quase parados. A luz estava ao seu redor e de tudo que eu via, era só ela que eu via. O mundo ao seu redor era ofuscado pela luz que vinha dela.
Sinto um empurrão. Alguém dos que vinham (e eu não via) acertou-me com o ombro nas costas e já era tarde quando tentei impedir que junto de mim, eu derrubasse um outro alguém comigo. Alguns segundos até que eu entendesse o que houvera e mal acreditei quando, sob meu corpo, olhando-me com os olhos lindos e assustados, estava ela. 
Fiquei feito bobo. Olhava sem me dar conta que estávamos - eu sobre ela - no meio de uma plataforma em que as pessoas passavam e seguiam rumo às suas vidas.
Foram alguns segundos, até que, mais do que depressa, me levanto desconsertado e a ajudo a levantar. Tomo-lhe a mão, me desculpo, pergunto se está tudo bem, penso ter visto um sorriso que não vi e, quando vimos as folhas que com a queda, se soltaram da pasta que levava, abaixamos ao mesmo tempo para juntá-las.
Ainda envergonhado, me desculpo sem  parar e sem olhar para ela, mais preocupado em ajudar a recolher a bagunça que foi culpa minha. É, então, a primeira vez que escuto sua voz. Ela diz que está bem. Os papéis já estão todos nas minhas mãos e quando finalmente consigo olhar em sua direção, é o mesmo instante em que ela olha na minha. Ela sorri. Ficamos nos olhando por um tempo que pareia desde sempre e que não deveria acabar.
Seu sorriso logo traz o meu e nos levantamos. Ela me diz seu nome, eu lhe digo o meu e, sem que houvesse motivo para isso, esqueço meu caminho e sigo o seu.
Lado a lado com ela, falamos sobre tudo, sem dizermos quase nada. Aliás, ela caminhava. Eu me sentia como a flutuar.
Quando ela finalmente me pergunta aonde vou, a resposta me foge. Meus olhos são a agonia de quem não quer ir. O assombro de quem teme o momento que não vai voltar. Naquele instante, eu realmente não sabia para onde ir. E nem sabia o que dizer. Ela me olhava e sorria. E, dessas coisas que só se entendem os corações dos que amam, o seu sorriso aprovou o meu silêncio. Eu a beijei. 
O mundo vivia a minha volta e minh'alma voltava a viver em mim. 
Já tinha beijado muitas outras garotas. Já tinha estado com outras mulheres. Mas, naquele instante, era minha primeira vez. Era a primeira vez que beijava o beijo que tinha paixão. A primeira vez em que beijava quem amava e amava quem me beijava e, quando enfim nos olhamos, eu via o amor em seus olhos.
Não sou uma pessoa religiosa, mas me lembrei das várias vezes que li sobre a imortalidade da alma. Já estávamos juntos há meses, mas parecíamos que nos conhecíamos há muitas vidas. Eu não me sentia como se conhecesse esse alguém que me fazia tão bem, mas era como se a reconhecesse desde sempre. Como se sua alma fosse a outra metade da minha, vindas as duas de onde elas eram infinitas. 
Nela eu via tudo o que nem eu sabia que queria. Ela era linda. Isso eu já disse. Mas era mais do que isso. Bem mais do que isso. Conversávamos por horas. Ela me entendia quando eu achava que ninguém o pudesse fazer. Eu a entendia quando ela achava que ninguém o pudesse fazer. Ela tinha sonhos - todos os sonhos - e se tinha medo de sonhar, eu segurava sua mão e dizia que sonharia cada sonho junto com ela, porque valia a pena sonhar. (Realizamos muitos dos nossos sonhos que sonhamos os dois).
Eu também tinha meus sonhos e meus medos, mas ela nunca me deixou desistir de nenhum, nem nunca disse que eu não iria conseguir. Mesmo naqueles que me pareciam mais difíceis, ela tinha um jeito só dela de me mostrar que se dependia só de mim, não tinha porque eu achar que não conseguiria e assim fomos fazendo, vivendo, conseguindo e, principalmente, nos amando.
E tudo parecia improvável. Quem conhecia nossa história e sabia quem éramos antes da manhã na plataforma, diria que essa era uma história que não poderia acontecer. Nossos mundos eram diferentes, nossas rotinas, horários. Torcíamos para times diferentes e enquanto uma família era do norte, a outra era do sul. Mas nos amávamos e o amor parecia valer a pena. Ele valeu a pena.
Lembro-me exatamente das palavras que lhe disse quando pedi que se casasse comigo. Fiquei dias pensando onde seria, como seria e o que diria. Ensaiei, planejei, escrevi. Pensei em tudo que se vê nos filmes. Anel em taça de champanhe, em mousse de chocolate. Violino tocando na mesa durante um jantar à luz de velas num restaurante chique. Seria qualquer um desses. Mas não foi.
Um dia, que até então era um dia desses qualquer, nós passeávamos por um parque. Era um sábado pela manhã. Havia famílias em seu convescote de um lado, atletas de ocasião se exercitando de outro. Pais que brincavam com os filhos e amigos que riam entre si.
Após caminharmos um pouco, mãos dadas sempre e sorrisos mais ainda, sentamos num dos bancos do parque. Ela estava linda. Seu cabelos presos num simples, mas perfeito rabo de cavalo, vestida de uma blusa de um rosa que era quase branco. Em mim, a certeza de que não cansaria nunca de olhar aquela mulher. Ficamos em silêncio algum tempo e ela notando um calor diferente nos meus olhos, logo percebe que algo se passava em minha mente. Um meio-sorriso presente nos meus lábios lhe trouxe um sorriso tenso aos seus como quem se pergunta o que viria a seguir. Na mesma hora, após um beijo, tirei-lhe os óculos escuros que lhe cobriam os olhos claros. Ela me olhava impassível e ao mesmo tempo tímida e tensa. Havia uma intensidade diferente nos nossos jeitos de olhar.  
"Eu ainda não sei como vivi o tempo que vivi sem você. Na verdade, não vivi. Tudo o que foi antes de você era mero preparo para que você me viesse. Sim, porque você me veio como um presente que não se espera, mas que faz toda a diferença. Não fui eu que te busquei. Mas agora... agora eu sei que não suportaria um só dia se você fosse embora. Não suportaria um só dia sem você. Teu sorriso é o que me faz sorrir e sem teu riso não me haverá mais sorriso. Teu amor é o que me faz vivo e sem teu amor eu não saberia mais viver. Não há ideia que me seja mais terrível do que a ideia de mim sem nós e por isso eu preciso pedir - não só hoje, mas todo dia - que você seja pra sempre minha. Eu sei que não posso te prometer ser perfeito, nem posso te prometer uma vida sem dificuldade ou mesmo sem tristeza ou alguma dor. Mas eu preciso te pedir para ser minha e, quando você me disser sim, eu vou estar te prometendo te amar para sempre o amor que você quiser e que será sempre mais. Eu vou ser para sempre teu amigo e teu amante e, se te houver dor, a tua dor será minha até que eu tire toda ela de você. Sempre que você tiver medo, eu vou te segurar as mãos e se você não conseguir caminhar, vou te tomar nos braços e serei teus passos, porque eu não quero só ser teu par, quero ser tua vida, parte de você, como te quero sendo minha vida e parte de mim. Vou te amar toda vida e nas próximas depois de todas as outras e, só não vou começar agora, porque te amo desde antes de te conhecer. Me deixa ser teu presente como você foi e é de mim. Minha vida é feita de dias, mas quem dá sentido a todos eles é você e é por isso e muito mais que eu quero me casar com você. E eu não consigo parar de falar e acho que essa é a hora em que você me faz ficar quieto com um beijo e que aceita sim, ser tudo isso e mais pra mim."
Enquanto eu falava, seus lábios sorriam e seus olhos choravam a felicidade de sua alma. Ela me deu o beijo que eu queria e o sim que eu precisava. Não houve violino, vinho, champanhe, restaurante... não houve anel. Mas havia o amor que foi nosso pelo tempo que fomos nós.
E como fomos felizes! Nossa família foi linda. Três filhos felizes. Lindos e geniosos como a mãe. Fortes. Tivemos uma vida feliz. Até mais feliz do que eu imaginava que a vida podia ser. Ela era tudo para mim e, em mim, eu via que eu era tudo para ela.
Os médicos disseram que eu não estarei aqui por mais muito tempo. Vejo a dor nos olhos dela e o quanto ela se esforça para ser forte pra mim. Dói deixá-la tão antes do que queria, mas sei que ela ficará bem. 
Se eu escrevo é porque vejo que os jovens desse tempo duvidam do quanto pode durar uma história de amor e não apostam mais nisso de amar. Mas eu apostei, amei, vivi e enquanto vivi fui feliz. Provavelmente, você que lê sobreviveu a mim (que escrevi), mas, se puder deixar um pedido - um último pedido de quem já vai - eu te peço o que pedirei: encontre o amor e ame o teu amor como, minha vida, felizmente, eu também amei.      

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

AMAR: Tem que valer a pena ou vale simplesmente amar?


Certa vez, enquanto se correspondia com uma paciente que se tornara sua amiga, Freud disse-lhe: o problema é que – sou um velho – você não acha que valha a pena me amar.
Essa frase curta de Freud traz em si uma consideração muito séria: por que amamos? Amamos porque vale a pena amar ou amamos pelo simples prazer de amar?
De uma forma, aparentemente melancólica, Freud, no alto de seus 77 anos afirmava para sua amiga (a poetiza Hilda Doolittle), que não havia motivo para alguém se apegar a um outro alguém que duraria tão pouco. Era quase como se ele afirmasse que as pessoas costumam crer que um sentimento se mede pelo tempo de sua duração e não pela intensidade com que ele se sente. Mas a intensidade muitas vezes assusta...
E eis que vem a questão: o que é “valer a pena” quando se fala em amar? Até porque, se eu penso que amar tem que valer a pena, preciso, além de enxergar essa compensação no outro, perguntar a mim mesmo se “me amar” valeria a pena para a mulher que me amasse.
Mas a tendência é que nos ocupamos de procurar esse “valer a pena” no outro e esquecermos da parte que nos cabe a nós. E daí o amor passa a se mostrar na sua forma egoísta e, ao menos para mim, egoísmo não combina com amor. Pelo contrário. Egoísmo é o mal que mata o amor aos poucos, separa os amantes um do outro. O egoísta pensa em si e, por egoísta que é, não ama o outro como o outro pede para ser amado, mas apenas se sente no direito de exigir que a vida que se vive seja a vida que ele –  egoísta – resolveu viver. E sem acordos.
Amar é troca. Amar é compartilhar, é viver para ambos e não para si. É ser do outro mesmo antes do outro ser de você. É sentir porque sente e não porque é conveniente.
Só que temos outros problemas quando pensamos no amor e se ele tem que valer a pena.
Nem sempre o amor com que se ama o outro é o amor com que esse outro quer ser amado. Cada um de nós sabe o que podemos oferecer, mas somos apenas nós quem sabemos o que queremos que nos seja oferecido. E, quando não nos sentimos prontos para retribuir um sentimento que nos parece tanto diante daquilo que sabemos haver (ou não haver) em nós, nos assustamos – não sem razão – e os medos de magoar e ser magoado começam a indicar que não vale a pena amar. E nem deixar que nos amem, porque achamos não merecer o amor que ousaram nos amar. E fugimos do sentimento que não sabemos corresponder.
(não alimentar um sentimento é diferente de sufoca-lo).
Amar e ser amado é a equação perfeita. Querer e ser querido é o que melhor há e, por isso, nos devemos permitir ter. E não será o tempo da duração desse sentimento que vai dizer se valeu a pena. O poeta já dizia que tudo vale a pena a depender do tamanho da nossa alma. Há amores de verão que ficam para sempre e amores de estações dos quais se lembram pouco. Mas foram amor do jeito que cada um sabe amar.
Mas no final é amor e se é amor, vamos tratar de aceitar e amar. Porque, até onde sei, vale, sim, a pena amar. 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Uma noite pra recordar...


Vou propor que antes de você continuar lendo, pare alguns segundos e tente lembrar qual foi a tua melhor noite. Lembrou? Agora eu te pergunto: o que fez dessa noite a melhor? O que houve de tão especial? Que momento foi esse que é digno de ficar na memória não importa quanto tempo tenha passado?
A resposta depende do que é importante para cada um: para quem valoriza o sentimento, a melhor noite vai ser aquela cheia de carinhos. Já quem valoriza o prazer, talvez se recorde de uma noite em que o êxtase iluminaria uma cidade. Outros, mais afetuosos, talvez se lembrem daquela reunião familiar em que todos estavam contando histórias ao redor de uma mesa bem servida de amor.
Mas nos lembramos e, se lembramos, é porque foi bom. Nos lembramos e sorrimos porque vale a pena recordar.
“Bom vinho, luzes e estrelas.” Gosto dessa receita de noite mais que perfeita. 
Música de fundo. Olhos claros que, lindos, brilham mais do que as luzes e as estrelas. Um sorriso que faz sorrir e as horas que passam como se fossem simples minutos. Essa é a minha noite para recordar.
Ela passa e, de repente, é chegada a hora de ir e a única “obrigação” que você sente é a de que haja a próxima vez e que essa próxima vez seja tão boa quanto a primeira, porque querer que seja melhor do que o melhor que ela foi parece demais.
E você se lembra da noite e sorri.
Você se lembra da noite e a certeza que tem é a de que não faria nada de diferente. Nem uma palavra. Nem um movimento. Nada!
Você se lembra das palavras ditas, das músicas tocadas, dos casais inusitados ao redor. Você lembra como era gostoso rir e fazer rir naquele instante de dois que se pareciam ser desde sempre, mas eram mesmo a partir de agora.
Teu peito irradia uma alegria que só você é capaz de saber e, quem sabe, teus olhos de denunciar. É de verdade! É real!
O lugar é lindo, mas, pra você, o momento é mais (e ela ainda mais!). Vocês estão onde é tão alto, que as luzes das estrelas se confundem com as luzes da cidade, ao tempo em que a sensação que você tem é a de que luz nenhuma brilha mais do que o sorriso que se sorri com lábios, olhos e coração, enquanto a sua frente você tem a melhor testemunha do melhor instante de você.
As horas passam e não adianta querer que elas parem. Não pararão. Elas continuarão girando nos ponteiros e correm porque o passar do tempo é da vida e, naquele instante em que tudo é bom, você percebe que a vida também pode ser. Está sendo... será!
Que bom que há noites assim pra recordar...

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Isso me mata aos poucos


“A lágrima negra fez rolar
dos seus olhos cheios de dor”



Se não há amor, não há vida! Onde não há vida, há morte!
E o coração sangra ao ritmo de mil e uma canções de tristeza.
Quantas são as vidas que vivem se sentindo presas à dor inevitável?
À dor de ser a vida que são: reduzidas ao nada que sempre serão?

O colo está vazio na espera eterna de quem lhe venha ocupar.
O copo está vazio do líquido nefasto de quem bebe para não acordar.
Esquecer? É inútil! É mera tentativa vã de quem ainda tem coração que bate.
Ritmo cada vez mais lento, descompassado, mas atento à espera do som da sétima
                                                                                           que anuncia o fim.

O abraço que tinha os braços abertos foi rejeitado.
Ao mesmo tempo, o amor que se havia (e era real) foi obrigado a morrer sufocado de si.
Por si e pelo outro, alguém renunciou o que desde sempre havia para ser.
Mas se houvesse mesmo que ser, teria sido.
Se não foi, é porque nunca será.

Ah! Malditas sejam as noites escuras e frias em solidão.
A companhia da vida ainda é a dor.
A morte é o alento da vida: mas ela custa chegar!
Pede-se, então, clemência aos dias.
Eles se riem e as horas continuam a passar.

Mais um dia! Menos um dia! Quantos mais dias até acabar?

Não! Não! Não!
Não há dor que se justifique na vida
E nem haverá vida se imerso em dor.
Mas dói.
E de tanto que dói, ainda assim, desatina a doer.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

A vida surpreende.. Ah! se surpreende.



A vida surpreende. Ah! se surpreende. Um lugar comum sobre ela: em um momento você pensa ter todas as respostas, mas ela vem e muda todas as perguntas.
Mas nem sempre é assim. Fica tudo mais gostoso quando a vida, ao invés de mudar as perguntas, vem com tudo e o que ela muda mesmo são todas as nossas respostas.
Quem antes era importante, passa a ser apenas “uma lembrança” (e isso, quando esse alguém nos foi muito em algum dia). Já naqueles casos em que talvez tenha sido muito menos do que pensávamos que era ou mesmo em que nem tenha sequer chegado a ser o tanto que teríamos permitido, esse alguém não passa de uma simples passagem de uma vida de muitas passagens.
De repente, quando menos nos damos conta, nosso dia se faz cheio de uma outra e diferente (e muita vezes melhor!)alegria. É outro o bom dia que dá cor ao nosso dia; é outro o sorriso capaz de nos fazer sorrir. E isso é bom.
E é isso que faz a vida tão boa, tão rara: sorrisos que trazem sorrisos, olhos que trazem brilhos em outros olhos, lembranças que inspiram sonhos e sonhos que fazem sentir prazer em sonhar. Acordamos e esperamos o primeiro minuto que fará todos os outros pararem ao mesmo tempo em que parecem passar tão depressa e, mesmo quando parece que estamos parados e que o agora é o contrário de tudo que parece poder ser ainda melhor, nos sentimos vivos porque sorrimos ao invés de chorar.
Ah! A delícia da liberdade de sorrir quando não há mais dor.
O sorriso de hoje não é nem pior e nem melhor do que o de antes. Mas ele é o único que é de verdade, porque é o que sorrimos agora! E que bom que sorrimos... Sorrir por causa de nós mesmos é uma ótima forma de sorrir, mas ter quem nos faça sorrir por causa de si (que num instante parece metade ideal de quem somos nós) é ainda melhor. E, então, estamos sorrindo esse sorriso que gostamos de sorrir.
Eu sorrio; tu sorris e se eles sorriem bom pra eles que sorriem como sorrimos nós.
Ciclos...
Os rompimentos que fazemos com as nossas muitas vidas e suas mais diferentes fases assustam. Alguns são tão impensáveis dias antes que nem nós entendemos como chegamos “aqui”. Mas chegamos, estamos e prosseguiremos e é quando olhamos pra frente e deixamos que o passado cuide do que ficou, que a vida vem e nos surpreende. Ah! Se surpreende... e como surpreende...

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Nosso destino é ser igual?


Então, a vida da gente é uma repetição da vida dos outros?
Será que viver é esse ciclo repetitivo onde o que eu faço é o que outros já fizeram?
A vida é mesmo um museu de grandes novidades, como diria o grande Cazuza?
Ou não será verdade que quase todos parecem ter as mesmas angústias, as mesmas dúvidas, os mesmos receios e necessidades semelhantes?
Somos mesmo todos iguais? Somos todos iguais desde quando? Somos desde sempre iguais em quase tudo? Ou fomos convencidos a termos as mesmas dúvidas e os mesmos quereres para que, cada vez mais iguais, não se reparem nos “erros” de quem seja diferente?
Nascer, crescer, trabalhar, casar, ter filhos, criar filhos, trabalhar, morrer (não necessariamente nessa ordem de meio). Sabemos nosso começo e nosso fim, temos um espaço pra preencher, mas, invariavelmente, acabamos preenchendo todos de um mesmo jeito, cada um com as suas prioridades. É como se já tenham traçado nossos caminhos. A escolha que dizem que temos é limitada por uma série de fatores que nos são impostos e, no mais das vezes, aceitamos. Assumimos como sendo bons, como sendo certos.
Andamos nas ruas e, se nos ocuparmos de olharmos para fora de nós, veremos rostos marcados pelo cansaço e pela dor de pessoas que não são elas próprias, mas sim, o resultado de um roteiro que lhes traçaram ainda antes de existirem. Muitas vezes não fazem o que gostam, mas sim, o que precisam. Toleram o dia de hoje em nome do pagamento de amanhã e até esse parecerá pouco diante do sacrifício que, no mais das vezes, é muito.
Olhamos casais e vemos que estão juntos pelo hábito de estarem juntos. Não se fazem mais felizes (talvez nunca tenham se feito felizes), mas as circunstâncias indicam que seu lugar é ao lado daquele estranho que ele conhece há tantos anos. O esposo olha pra esposa e não vê alguém para amar, cuidar e respeitar, mas sim, a castradora de seus sonhos de outrora. Aquela que impede sua felicidade agora, porque ele está preso num compromisso do qual, muitas vezes, ela também quer sair.
Por sua vez, a esposa, independente financeiramente, não consegue entender que aquele homem que lhe seria o companheiro, nunca lhe foi. Antes, quisera ser o senhor da vontade de ambos, não conseguindo aceitar que ela, ser pensante e que sente, também tem vontades e também as quer realizadas. Vivem uma guerra de vontades que, ao invés de aproximá-los, termina por lhes afastar de uma forma irremediável.
A esposa tolera o esposo que por sua vez suporta a esposa e ambos não veem que ainda há tempo de serem felizes numa vida diferente de agora.
Nascer, crescer, trabalhar, casar, ter filhos, criar filhos, trabalhar, morrer. Não. Não fugiremos desse destino. Esse é o maktub mais certo que há. Como faremos isso só depende de nós. A dor é optativa. Sente-se uma vez, mas continuar sentindo é uma opção de quem já desistiu do melhor que a vida pode oferecer.
Eu sei que lendo essas linhas pode se pensar que viver é uma merda. Talvez, às vezes até seja. Desde que você opte por não fazer, por não se mexer. Por patinar no mesmo lugar em nome de medos que te impedem de se sentir vivo.
Tua primeira escolha deve ser você. Todos que te amam, te querem bem ou até precisam de você, não estarão bem se você não estiver. A dor do pai será sempre a dor do filho; a dor do filho trará dor ao pai. O bom amigo se ressente na tristeza de seu amigo e o marido de verdade se ocupa da lágrima da mulher. A boa esposa é a razão do sorriso do marido e quando não são, não há mais porque se ser, nem continuar sendo.
O tempo é já e é só ele que temos. Ninguém vive sozinho e nisso somos novamente iguais.
Nascer, crescer, trabalhar, casar, ter filhos, criar filhos, trabalhar, morrer. Mas, acima de tudo, VIVER!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Diálogo do adeus ao que pouco (ou nunca! e talvez nada) existiu


- E como você imaginou que seria?
- Diferente... diferente de tudo. Eu sorriria por causa do teu sorriso que se abriria por causa de mim. Não haveria problema impossível de se enfrentar e o fim pareceria uma ideia absurda. Quando eu chegasse cansado, o teu abraço me daria força e, se de repente eu viesse a chorar, o teu carinho é que me faria feliz.
- Mas você fala como se a vida fosse só o que é bom, como se tudo fosse fácil e nada fosse difícil, como se não fôssemos ter problemas, tristezas, como se pudesse ter certeza de que tudo seria perfeito...
- Não. A vida não é mesmo só o que é bom. Mas você sempre foi. Quando eu pensava nessa loucura de nós dois era como se ao teu lado eu pudesse me sentir invencível. Era como se... como se por ser você já valesse a pena. Pra te fazer feliz, pra você se orgulhar de mim. Quando ficasse difícil você seria o principal motivo para conseguir mesmo assim, porque chegou um momento em que não consegui mais pensar em mim onde não houvesse a minha metade que me fazia vivo e só me via e me sentia vivo quando me via com você... sou muito louco, né?
- Se você é, eu também sou. Mas tenta me entender. Não se trata só de experimentar o que se sente. Há vidas, histórias, instantes, momentos em jogo. É difícil... eu sei quem eu sou, assim, desse jeito de agora. Mudar tudo, mes...mesmo com você, me assusta, porque eu... eu deixaria de ser essa aqui que se olha no espelho, se vê triste, se vê só, mas já se acostumou. Por mais que eu pense mais do que deva, por mais que eu sinta o que não deveria sentir e por mais que tudo que eu queira seja com você, o fato é que eu... eu não sei quem seria essa mulher que serei eu. Eu seria feliz e ser feliz não parece alguém que seja eu. Desisti desse tipo de felicidade...
- Bobagem. Sei que assim como eu, você se sente feliz só de saber que eu logo chegarei no meio do teu dia. Sei que eu surjo e você sente uma felicidade que é verdadeira e, quando eu apareço, teu dia se ilumina. Eu sei porque é assim comigo quando me surge você. Tudo que eu espero no meu dia desde o primeiro minuto em que ele começa é que ele me traga você.
- Nããão. Não pode ser assim. Você nem me conhece. Não teve tempo de saber dos meus defeitos, das minhas manias, de quem eu sou quando ninguém me olha. Do que eu faço e você não vai gostar. Você tem a parte de mim que te mostro. E só. Você quer o teu ideal de mim e eu não posso ser comparada a imagem que você faz de mim. Não dá pra eu sair de onde estou para correr o risco de não ser quem você quer que eu seja. Tudo isso é loucura. É carência. É bobagem, é bobeira.
- Mas não me interessa. Me chame de louco, de inconsequente. Eu quero você e ponto. Quero descobrir quem você é enquanto estou com você. Se é que você não é quem eu penso, pior pro que eu penso que perdeu tempo de não te saber exatamente como você é.
- É fácil falar...
- Não é. Eu tinha jurado pra mim mesmo calar qualquer voz que me fizesse querer alguém desse jeito que quero você, mas quando deito e o silêncio da noite é único som que me cerca, ele sussurra tua voz. Se não consigo dormir e saio à varanda e olho as estrelas, elas me mostram teus olhos. Se tento fugir da imagem do teu rosto e fecho meus olhos, sinto como se a brisa me trouxesse o perfume de você. O dia me lembra você e a noite me faz sentir tua falta. Sentir falta de quem não tenho... e só sinto isso com você.
- Lindo! Mil vezes lindo! Seja o que você me diz. Seja o que você nos sonha. Seja tudo que penso de nós. É lindo, mas tem que morrer aqui. Não vai dar certo. Não é certo! Talvez numa outra vida, num outro momento, uma outra história. Eu quero o que não posso querer. Você quer o que talvez nem saiba bem o que seja, mas uma parte de mim só vê tristeza nessa história feliz. E triste eu já sou assim e me acostumei assim... quando você sair e bater a porta uma parte de mim vai dormir sem querer se acordada. Enquanto dorme, vai sonhar os momentos que não viveremos e vai viver todo esse amor que os dois sonhamos. Eu vou chorar e cada lágrima vai ser só uma parte de uma dor que não era pra vir de ti e eu não vou ficar bem. Mas vou te proteger de mim. Te proteger de uma história em que basta que um perca, basta que um sofra... basta! Saia daqui. Meus olhos não são tão fortes e eu não quero que me veja chorar. Teus olhos estão tristes e meu peito dói quando vejo que a mesma força que faço, você faz contra as lágrimas dos olhos teus. Não vou conhecer teu beijo e nem posso precisar do teu abraço. Mas vá. Vá e se puder me esqueça...  Agora, se me lembrar, me lembre com o mesmo amor que me faz te pedir pra partir.