sábado, 30 de novembro de 2013

Texto invertido: Escolha viver, não é tão difícil / Não é tão difícil, escolha viver...


Escolha viver.
Pra isso, apesar de tudo que houver de difícil,
Lembre-se que a história é tua e que
Vale a pena sonhar e realizar cada sonho,
Ousar viver tuas próprias certezas e pensar que
A limitação não pode te impedir
Ainda que tudo pareça inalcançável pra você.
É preciso buscar e não ter medo de tentar,
Ama o que sonha e realmente queira, pois
Pra conseguir o que verdadeiramente deseja
Não é tão difícil.








Obs.: a leitura pode ser feita de cima pra baixo e de baixo pra cima... rs

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Ser a escolha no amor

Dias atrás esqueci a tevê ligada e dormi. Já pela manhã, acordei ao som do programa da Fátima Bernardes que entre seus convidados tinha o escritor Fabrício Carpinejar. Naqueles primeiros instantes em que nos damos conta que acordar é inevitável, ouvia uma discussão entre os demais convidados quanto à viabilidade ou não de dois amigos iniciarem um relacionamento amoroso. A essa altura, o filósofo Carpinejar, tão merecidamente festejado nas redes sociais, disse não ver com bons olhos dois “antes amigos”, tornarem-se namorados e, para defender sua posição, afirmou que entendia que isso era antirromântico na medida em que a sensação que passava era a de que, por não terem arrumado coisa melhor num primeiro momento, olharam para si que sempre tiveram perto e resolveram que fossem – como consolação – o namorado um do outro. Assim mesmo, aceitando que fossem a segunda opção.
O comentário do escritor-apresentador-filósofo Carpinejar me acordou. A partir daquele momento me pus a pensar se ele tinha razão. Se o fato de serem amigos e depois namorados diminuía o valor da relação que iniciavam. Fiquei pensando se realmente fazia sentido se crer que o fato de terem sido amigos por tanto tempo os legavam a essa posição de “segunda opção”, escolha por falta de escolha e acho que eu acho que ele foi muito duro.
Desde que comecei a pensar nisso, fiquei tentando comparar o que significa ser a primeira ou a segunda escolha, no campo do amor, da atração, do tesão, da vontade, etc. Até que ponto há mérito ou demérito em alguma dessas posições, principalmente se levarmos em conta que todos nós em algum momento de nossas vidas desejamos e fomos desejados e que nem sempre tivemos quem queremos e nem fomos de quem nos quis. E mesmo porque essas escolhas não costumam ter critérios absolutos ou objetivos, mas dependem do momento, da carência ou da necessidade de gostar de “outro” alguém.
O que sei é que, pra mim, essa primeira escolha não tem muita coisa de positiva, não traz ganho. Isso porque a primeira escolha é aquela que se faz no afã, na emoção, na tentativa de antecipar um sonho que tem tudo pra não ser real. A primeira escolha é a fantasia ousando deixar de ser fábula para fazer história, mas sem saber escrever já que quase nunca vai além do engatinhar. A primeira escolha é a da certeza sem certeza do final feliz.
Já a segunda escolha tende a ser a da maturidade. Ela tem motivos. No mais das vezes, bons motivos. É a escolha que também pensa o depois, que não pensa no que arrebata e deixa saudade, mas no que vem pra ficar porque é bom que fique. Enquanto a primeira escolha é a de quem só quer jogar, a segunda é a de quem quer vencer esse jogo.
E nem se trata de momento que se escolhe, mas sim, do momento que se vive quando se escolhe. A primeira escolha sonha com o futuro que provavelmente não chegará e a segunda escolha com o futuro que fará(ão)... juntos! A primeira escolha é passional de um jeito estabanado, enquanto a segunda é escolha é mais segura e concreta; a primeira escolha é adolescente, a segunda escolha é adulta; a primeira escolha deseja, a segunda escolha faz; a primeira escolha sonha, a segunda escolha vive; na primeira escolha há fogo, mas só a segunda sabe causar incêndio, porque é a segunda que costuma saber o que faz...
No fim, o que vale é a sinceridade com que se escolhe até porque romântico não é escolher, mas viver de escolhas próprias. Isso é ser a escolha no amor: quem sabe o quer, mas também sabe ser querido, sem medo de nenhum dos papéis. É dar e receber o carinho que acumula, compartilhar o sonho que deseja e realizar a fantasia que faça sonhar. Romântico não é ser o primeiro, o segundo ou o terceiro, mas ser o último de um instante e o definitivo de todos os demais. Não é ser ou ter algo ou alguém a mais, mas ser e ter o tudo o que vem de quem se descobre imprescindível onde sequer se imaginava e, a partir daí, continuar sendo todo dia... um dia de cada vez.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Sou alegre porque sou triste

Sou alegre porque sou triste, mas não porque me falte algo. Algumas pessoas simplesmente são assim: tristes. Elas sabem ser alegres, gostam de se sentir alegres, às vezes até ousam acreditar em felicidade, mas, na sua essência, são assim. Tristes.
Mas não se trata de uma tristeza que faz querer chorar, que faz querer tirar a vida ou, pelo menos, desistir dela enquanto vive. Não. Aqui se diz de certa melancolia que dá o gosto necessário para a vida que se sonha.
Sim. Sou naturalmente triste e sou alegre por causa disso. Essa tristeza me faz ver e entender o mundo (ao menos meu mundo, do meu jeito), me faz entender (e viver) certas músicas e nem dar ouvido para outras tantas. Essa tristeza me faz escrever... me faz aprendiz de poeta, cronista inacabado, contista sem histórias, mas que faz histórias pra contar.
Sei que não nasci para ser irremediável e constantemente feliz. Nem o quero. Posso até fazer alguém feliz e esse alguém pode me fazer seu bem. Contudo, sou o limite de mim mesmo e a felicidade parece ir além do limite de mim. Porém, a conheço e, em seus momentos, sei reconhecê-la até mesmo em mim.
Ah, mas ser triste me faz melhor amante e me faz gostar ainda mais de amar. Por que? Porque sendo triste, sei perceber e sentir a alegria que só sabem os que amam. Naquele instante de amor, de carinho, de desejo, de devaneio ou torpor, sou tudo, menos triste. E isso, porque sou tudo o que ela me dá e que sei retribuir. Se problema há, é que, na minha tristeza alegria costuma se confundir com prazer e prazer não é tão fácil de achar.
Minha tristeza não é pessimismo. Eu ainda sonho, eu ainda amo, ainda busco algo a mais. A minha tristeza só não me deixa entender gente alegre. Essas, pra mim, não existem. São invenções de outras gentes tristes que não se entendem nem se aceitam como são. (Desculpe-me você que se pensa alegre. Talvez até seja. Sou apenas o eu que não te entende)
Não me queixo por ser triste. Ou o que mais dizem meus olhos que, portas da minh’alma, não se importam em ganhar brilho no instante anterior ao que voltam ao normal de si? Opacos. Vivos porque o corpo respira, mas sem vida quando o que veem é o mais do mesmo e o menos do que gostam de ver. Só que a vida dos meus olhos – que muitas vezes parece que nem vive – renasce a cada olhar. E também sabe se saber alegre, ainda que triste.
Apesar de tudo, serei sempre a metade de mim mesmo. A parte inacabada do que jamais virei a ser. E que por isso continuo e ouso me buscar. Mas sendo o que for – e serei! – guardarei as melhores coisas e delas lembrarei sorrindo e esse sorriso, apesar de eu ser triste, será sempre um sorriso verdadeiramente feliz.
No fim, sou triste porque sou eu, mas alegre por esse triste ser eu. Melancolia nem sempre é doença. No fundo, minha melancolia é o aleijume que me faz compensar o sentido prejudicado. Na falta do sentido de ser feliz, encontro-me no que me basta enquanto triste e que, sendo eu esse triste, faz-me alegre. É a minha tristeza que me ensina ser alegre e a gostar de ser assim...

sábado, 16 de novembro de 2013

Débito e Crédito no amor

Os relacionamentos parecem que duram cada vez menos. Duram pouco. Os de espírito mais livre, acostumados ao misto de furor e desestabilidade inquietante que o começo de toda paixão proporciona, devotos que se tornam do eterno começar de novo, diriam que durou o tempo que tinha pra durar. Que durou o tempo de ser bom. Por sua vez, os mais tradicionais, esses que pensam numa união que se justifica no tempo e nele encontram sua ratificação, diriam que o mundo está cada vez mais fugaz e que a consequência disso é frugalidade de tudo, desde relações de emprego até os relacionamentos.
Mas aqui falaremos de amor.
Sem dúvida há milhares de motivos capazes de encerrar um relacionamento. Muitos, quando começam, carregam a única perspectiva de se ver o que será. Não há uma intenção além do dia após dia. Vamos ficando, vamos estando, vamos vivendo; se der deu, se não der, vamos atrás do que dê. Simples assim. Mas vazio também. E por que não dizer “covarde”?
Só que ao mesmo tempo, há muitos relacionamentos que parecem estáveis, entre pessoas que parecem se fazer bem e que, quem olha de fora, diria que até faz sentido que estejam juntos e que, de repente, enfrenta um processo de desgaste que parece irrefreável, irremediável, inevitável e súbito. É quando o fim – que ninguém espera – chega!
E por que isso acontece?
Aqui vou tratar de apenas uma das razões. É o título desse texto: débito e crédito no amor. Sim, porque há muito disso. Uma das marcas do início da maioria dos relacionamentos é que mostremos o mais possível do nosso melhor. Quando queremos seduzir, encantar, fazer o outro enxergar vantagem em estar conosco, temos a tendência de esconder os nossos defeitos e ressaltarmos as nossas qualidades. A partir daí, criamos uma expectativa de sermos quem não somos. A pessoa compra a nossa propaganda, acredita na nossa personagem e, por um tempo que durará o que aguentarmos ou parece conveniente, seremos refém de quem nos fizemos.
Para corroborar a personagem que criamos, fazemos renúncias a nós mesmos. Note: quando após a fase da conquista, ainda assim nos sujeitamos a certas renúncias, num primeiro momento fazemos motivados pelo que de bom enxergamos na pessoa que está conosco. Só que esse bom se dá dentro do contexto temporal da “escolha”. Naquele momento há alguma reciprocidade: abro mão de mim, porque acho no outro o que me completa à sua forma, dentro de uma necessidade.
Quando o tempo passa e a situação de renúncia continua, a tendência é que deixemos de nos reconhecer em nós mesmos. Ora, o movimento da renúncia por mais natural que pareça, é antinatural. Ao renunciarmos, abrimos mão de sermos nós mesmos e, se não somos nós, somos estranhos a quem de mais importante: a gente. E é aí que começa a confusão.
Quando a pessoa passa a considerar que está deixando de ser ela mesma, começa a achar que faz um sacrifício em prol do outro. E, se ela faz um sacrifício, julga que passa a ter um crédito. Para que haja crédito, deve se ter um devedor. Quem é o devedor? A outra parte do relacionamento.
Como bom credor, essa pessoa passa a esperar que seu devedor (marido, esposa, noivo, namorada, etc.), pague voluntariamente a sua dívida. Então a pessoa fica quieta. Aguarda. Ansiosamente, mas aguarda. Só que ela passa a contabilizar os juros. “Já são tantos dias e nada”, ela pensa. O seu descontentamento vai ficando evidente. Tão evidente que, muitas vezes, ela sequer percebe que, do outro lado, a outra metade dessa relação também vem se achando credora de débitos que ela não paga.
Como ambos só se pensam credores e não se veem devedores, não buscam qualquer compensação. Pelo contrário. Vão acentuando o descontentamento no seu coração, até que a convivência vai ficando cada vez mais pesada, os ressentimentos vão crescendo, muitos se acentuam, o distanciamento vai parecendo natural e, quando se veem, além de não se reconhecerem em si, sentem-se estranhos um para o outro. É quando chega o fim.
Tudo poderia ter se resolvido com uma só conversa, com um simples diálogo onde os dois quisessem acertar, sem que um queira parecer mais forte e mais bem resolvido que o outro, porque isso só faz acentuar a necessidade de “disfarce”. Acima de tudo, sinceridade quanto ao que quer, quanto ao que deseja, quantos aos medos e quanto ao que sente falta.  Se você diz pra quem está contigo que não tem e que você gostaria que tivesse e ela, ainda assim, não faz e, ao mesmo tempo, ouve dela e, apesar disso, não muda, é hora de resolver e até, aí sim, terminar. Vocês não querem mais se acertar, mas apenas sujeitar um ao outro a seus caprichos.
Duas pessoas num relacionamento, sentindo-se credoras sempre e devedoras nunca, é mais comum do que parece. Acontece o tempo todo e sempre porque pensam fazer sacrifícios sozinhas e porque julgam que o outro tem que, inclusive, adivinhar pensamentos.
Daí eu crer que relacionamento não é sacrifício de um e de outro, mas vontade mútua de que os dois façam dar certo. Daí também que eu acredite na importância da conversa e do balanço. Se temos que caminhar juntos, precisamos ter certeza que andamos na mesma direção. As vezes um mais lentamente do que o outro, mas se somos dois, um se ajusta ao outro, mas desde que diga: “preciso de você!” e não que fique esperando que o outro veja fraco quem, muitas vezes, faz de conta que é forte.
O amor não é 0 a 0 nem 2 a 1, mas deve ser um eterno empate com muitos gols.