quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Luiz Inácio falou...



DA SABATINA AO STF

Eu tive a oportunidade de, na manhã de hoje, acompanhar parte da sabatina a que fora sujeitado o Dr. José Antônio Dias Toffoli, candidato do consórcio governista à vaga no Supremo Tribunal Federal, recentemente aberta com o passamento do Ministro Menezes Direito. Confesso que me agradou muito do que vi.
Há muito que se sabe da inexistência de oposição no Brasil. O que temos são 3 ou 4 congressistas de boa retórica agindo como “senhoras de fricotes” que não sabem se colocar no seu lugar. Nunca estiveram do lado que não governa e mostraram que não sabem como é não governar.
Ainda assim, julgando-se fazer oposição ao governo de maior popularidade na história recente da República no Brasil, resolveram execrar o indicado governista à mais alta corte de justiça, com o fim de apoquentar e espezinhar quem o indicou.
Em alguns momentos chegou a ser vergonhosa a tentativa de alguns dos Senhores Senadores, mais especificamente do Sen. Álvaro Dias (PSDB-PR) de desqualificar o sabatinado, buscando-lhe impingir uma aura de incompetência que este, com muita elegância, soube contornar.
Talvez se diga que a sua pouca idade é um empecilho para que fosse empossado em um Tribunal ao qual compete resolver questões de cunho constitucional (e isso para não falarmos da infelicidade das questões que não são constitucionais, mas que ainda teimam em chegar à corte, o que brevemente se solucionará).
Talvez seja. Talvez não.
Onde é que está o marco etário que dirá quando a pessoa atingiu a maturidade diferente?
É depois dos 50? Depois dos 60? 61? 65? Por que não 64?
Certo é que nenhuma das tentativas de desqualificá-los merece maior consideração de seriedade.
Questionar a ausência de mestrado ou doutorado?
O bom juiz é o acadêmico ou o prático? Aquele preocupado com a teoria ou o que aplica a justiça?
Quantos são os acadêmicos que parecem saber muito, mas que no fim não se prestam a nada? Que se escondem por de trás de seus títulos para camuflar uma incompetência latente quando chamados à enfrentar o dia a dia mais urgente do direito?
Perfeita a resposta do futuro ministro quando diz que escolheu a advocacia como propósito de vida e nisso foi bem sucedido. De fato a advocacia é das funções mais nobres, a despeito de tudo quanto o chistichismo ousou impingi-la.
Um bom advogado defende teses e mais teses no seu quotidiano. Debruça-se sobre os anseios concretos de particulares ávidos que se lho colocam suas maiores aflições.
Não se quer desmerecer os que se entregam a pesquisa, mas não é justo e nem bom que se pense que só terá o conhecimento aquele que ostenta títulos. E exemplos são que não nos faltam...
Eu acredito que a vida por si só é uma grande pós-graduação (concessa venia ao Senador que se viu às urticárias quando assim se manifestou o Ministro Toffoli).
É mais do que urgente que caiam os convencionismos e surjam as afirmações que sejam efetivas.
Querer pautar uma negativa à indicação por uma pretensa reprovação em um concurso feito há 15 anos é no mínimo falta de bom senso. O concurso que é sonho de muitos, pode não ser o objetivo de tantos e até isso deve ser respeitado.
Mas hoje valeu por pelo menos uma coisa... assistir mais uma vez o grão-tucanato espernear a certeza de sua insignificância política, em mais um show de oportunismo “do cara”.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

RECEITA DE BOLO


VIVENDO A INOCÊNCIA DO AMOR

A final de contas, viver se baseia em que?

Qual a razão desse quotidiano em que somos coadjuvantes e protagonistas em diversas sortes diferentes?
Seria a simples jornada vivida entre o “de onde viemos” e o “para onde vamos”?
Certo é que nascemos todos, todos amamos, depois de amarmos casamos e, dois dias depois, o amor encerrado, estamos prontos para a fase em que todos morremos.
Mas entre o infortúnio do casamento e o momento em que morremos ainda há muito do que ainda não vivemos.
O que será que falta se viver dentre o que se pode fazer desde que a um relacionamento a dois nos submetemos?
A despeito de todas e tantas vezes em que ouvimos os casados praguejarem sua sorte, p’ra cada dois descontentes há dez “contentes” querendo se “descontentizar “.
Quando sozinhos sentimos a obrigação de sermos gregários e querermos alguém que nos seja a companhia nas noites fria, o aconchego no momento de carência, a força na hora da fraqueza. Quando enfim temos quem queremos, como bem ensina a lei dos desejos, já não queremos mais não “quem”, mas “o que” outrora queríamos nós.
A solidão parece a melhor das pedidas para quem parece que nunca se vê sozinho ainda que em um dia de 24 horas esteja junto (e acordado!) em no máximo 04 dessas horas. E ainda assim, qualquer comentário, qualquer troca de olhar, qualquer dos quaisquer, torna-se insuportável aos olhos de quem sucumbido pela rotina.
Rotina... inimiga mais poderosa dos casais; assassina implacável de amores; conseqüência inevitável da vida em comum.
Surgida a rotina, aqueles que bem se querem passam a buscar em si as armas para que lutem contra ela em favor do amor que juram sentir. Como resultado soluções mais simples como a realização de novos programas, a busca do interesse aparentemente perdido, jantares, juras de amor, lembranças sutis ao longo do dia representadas por ligações românticas em busca daqueles momentos de início até as mais drásticas, de caráter sexual, em busca de fantasias e outras formas de apimentar a já tão combalida vida a dois. Querem, esforçam-se e até conseguem, mas o que é paliativo se faz finito na árdua luta contra o tempo.
Mas o que sobra então? Seria a decretação prematura (se prematura!) do fim a solução mais aconselhável em face dessa batalha que se mostra invencível?
Não seria! Mas antes, por que de não se admitir os ciclos da vida como inevitáveis que se mostram e aceitá-los como a conseqüência irremediável do convívio comum?
Por que temer a rotina que surge e que faz ver que o carinho é muito mais do que sexo e que o amor se mostra naquela necessidade de se estar junto, de reconhecer a necessidade daquela companhia como sendo a mais importante e por isso diária, mas sem que isso tenha que necessariamente deixar de significar os espaços de vida em que só entrará a individualidade daquele um que forma o dois?
Quando na vida se diz que ninguém é de ninguém é porque de fato não é mesmo. Nos emprestamos para fazer bem a quem sabemos nos faz bem também. E só.
Por tendência da nossa própria natureza é que impomos regras, prescrevemos sanções a esse relacionamento e damos caráter cerimonioso a tudo quanto diga respeito aos nossos atos.
Nos queixamos da atenção não recebida ou da voz mais alterada, sem que queiramos entender que tudo faz parte da necessidade nossa de nos sentirmos independentes de quem quer que seja.
E pior, egoisticamente, passamos a desejar sejamos nós únicos na vida dos que cremos nossos. Não romântica ou sexualmente, mas sim, em tudo. Não conseguimos imaginar que se conceba um programa em que não estejamos incluídos ou que vislumbre um futuro onde não estejamos nós... tolhemos os que gostamos até mesmo do seu direito de sonhar se neste sonho não estivermos nós. Mas com que direito?
Talvez se justifique o querer ser a razão única da vida, o objeto único do desejo, o destino certo do bem querer, mas que só se queira e não faça disso um objetivo, porque aí estaremos mais uma vez desrespeitando o ciclo da vida que, por tudo quanto já mostrou na sua história, torna-nos sujeitos às mais diferentes situações, algumas das quais à que se quer escolhemos nos impor.
Mas como se dizer que a vida a dois já não se faz mais objetivo de homens e mulheres dentro das suas mais diferentes razões? Oxalá fosse ela movida pela certeza de que independentemente do momento em que a palavra é dita ou que o gesto é interrompido, há ali muito mais do que o desejo físico e muito além do que o medo de se estar só. Há ali a certeza de se ter encontrado a alma que completará a metade ansiada de nossa alma; a vida que será companhia nos dias da nossa vida, mas com a necessária complacência e sabedoria de seus limites; o amor que mais que carnal, é divino; e que como divino, também fraterno para que eterno e do qual se saberá sempre o mais importante, mesmo naqueles momentos em que, na verdade, nem seria tão importante assim.

domingo, 27 de setembro de 2009

O HAVAÍ PASSOU POR AQUI

Horas e mais horas, gente... muita gente. A animação parecia ser regra nas dezenas de centenas de pessoas que se espremiam em um espaço miunço quando comparado às grandes proporções do ambiente em que se dava aquele encontro de vontades.

A pessoa mais inteligente não se preocuparia em analisar motivações ou tentar decifrar as intenções e quereres daqueles que juntos a tantos outros que se mostravam na mesma levada ao que prometia a noite, fosse lá o que isso fosse, se deixavam levar pelo som que se tocava.

Já os menos inteligentes, ao invés de se deixarem levar pela energia do momento “extravasante”, são aqueles que ali estão, mas que ficam a se ocupar em querer analisar o que assistem como se de nada participassem.

Por alguma razão – que certamente haverá quem explique – foram milhares os que convergiram sua noite a uma mesma reunião social (como aliás, sempre o é em várias das mais diversas reuniões).

De repente a floresta amazônica viu-se Honolulu. Todos os que se viam, viam-se travestidos naquilo que se habituou achar que seriam os nativos da terra do Obama.

Mas o que leva essas pessoas a estarem ali? A se prepararem para uma festa como se o resto de seus dias dependesse daquela noite? Ou, até aqueles que não levam tão a sério o momento, se quer a vislumbrarem a idéia de perderem a festa mais aguardada do ano nessa zona tida “da Mata”.

Há vários os que querem fazer crer que o homem é gregário por natureza e que, portanto, precisa se cercar de outros como ele para que viva a vida da maneira que a vida deve ser vivida.
O abuso do álcool parecendo ser regra onde as pessoas parecem querer esquecer a vida que levam, fazendo-se Don Quixotes e Dulcinéias, lutando contra os gigantes moinhos que lhes fazem guerreiros, querendo o encontro perfeito no final inevitável da noite que se quererá ao menos agradável.

Mas por que razão não se esquecer das mazelas da vida? Por que se deixar afetar pelos problemas dos países africanos ou da pobreza no nordeste brasileiro? Ou até mesmo dos problemas da educação das crianças no Brasil, quando se pode viver a vida que não é nossa numa festa feita para nós?

Mas e então: estamos para que sejamos e nos façamos aos outros? Ou só esperamos que os outros se façam e sejam por nós?

A final de contas: o que é festa? O que se quer com festas? Seríamos nós mesmos se não fossem as festas? Nas festas somos nós mesmos quando estamos por lá?

Eu não sei... sabe você?
Mas não foi por não gostar, porque chegou-se quase a ser bom... é mais mesmo por não se entender o que se busca em uma vida que se quer tão miserável quanto, no mais das vezes, feliz.
Mas a vida é muito menos festa do que muitas vezes insistimos querer...

sábado, 26 de setembro de 2009

Divagando o amanhã

E QUANDO CHEGAR NOSSO DIA
E quando chegar nosso dia, linda morena?
Estaremos os dois tão novos como somos novos já?
Seremos ainda a volúpia encarnada em dois corpos?
Desejosos das estrelas e espectadores do surgir do Sol?

E quando chegar nossa noite?
Dar-te-ei eu o prazer que ainda não conheces
Mas que só julgas conhecer?
E te viciarei em mim
Como hoje já me sei viciado em você?

E quando se consumar nosso querer?
Estaremos prontos para mais um encontro no minuto seguinte?
Ou não haverá seguinte onde não haverá final?
Seremos o exemplo perfeito do casal que sempre se quer
E que de se querer sempre se terá.

Meus lábios te arrepiarão a pele
E encontrarão o teu quê de mais puro
A saciar a sede de quem te devotará
Nos beijos o querer mais urgente
E te fará no gesto, profundo e mais quente
O prazer que ainda não sentes.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Texto de meu pai

Mantendo o momento reflexão, compartilho um texto de meu pai, Wilson Gama, onde narra suas reflexões sobre como a experiência faz com que se enxergue tudo... DIFERENTE... vale a pena ler...




DIFERENÇAS

Longos anos passaram
Ontem, a incerteza do amanhã,
Hoje, que certeza?
Hoje é o amanhã de ontem
Mas o amanhã, o que será?
O certo é que o ontem passou
Não mais voltará
A chance perdida não se devolverá
O que não foi feito, não foi feito por quê ?
Por medo? Receio? Covardia? Temor?
Ou não foi feito porque não foi, assim, sem motivo?
Que diferença faz?
Não foi e pronto!
A chance perdida, a frase não dita, o pensamento contrário, a irresignação,
Tudo não foi feito e não mais se fará
De quem é a culpa ?
Culpa de quê ?
Pela covardia?
Pelo medo?
Pelo temor?
Pelo receio?
O culpado é um só:
Ninguém!
Ninguém mandou ser covarde
Ninguém mandou ter medo
Ninguém mandou ter temor
Covardia por não dizer
Medo de pensar o contrário
Temor de pensar sozinho
De assumir o seu livre arbítrio
Faltou coragem pra ser simplesmente você...
Você que diz o que pensa
Você que sente o seu sentimento
Você que escolhe sozinho
Você que só importa a você...
Por que ser diferente?
O diferente é o igual diferente...
O diferente pensa igual aos outros
O diferente deseja igual aos outros
O diferente é curioso igual aos outros
O diferente sofre igual aos outros
O diferente se indigna igual aos outros...
Onde está a diferença ?
A diferença não há
Ele pensa que é diferente, sabendo que não é
Consome-se por saber que não é diferente e por viver como se o fosse...
Mas, quem é o melhor ou o pior?
Ninguém é melhor ou pior,
É apenas....diferente....

Wilson Soares Gama



VIDA... linda, alegre e triste vida




AH! A VIDA...


Se a arte mostra a vida como ela é, basta apreciarmos a arte que vemos para que concluamos que não há arte no mundo capaz de mostrar a vida como, de fato, a vida é.
Não há roteiro de cinema, não há peça de teatro, não há folhetim novelesco, dança ou ficção que sintetizem nas poucas horas em que se mostra, se apresentam ou se lêem, as várias vidas que são vividas em uma única vida.
Nem se é possível imaginar que houvesse criatividade no mundo a ponto de traçar os diferentes destinos, das diferentes pessoas que vivem em diferentes lugares.
Você acorda pela manhã e não imagina que até o fim do dia poderá passar por você o amor da sua vida e você não lhe dirá sequer bom dia.
Você faz planos para um futuro longo, sem contar que a qualquer momento surgirá quem te virará o mundo em um segundo e fará com que teu certo seja imediatamente o errado.
Vive anos para encontrar o que dará sentido a tudo que você já viveu e fará supérfluo muito do que já é passado.
Em um cruzamento de sinal ou no corredor de um shopping, em um balcão de bar ou na mesa de um restaurante, o novo futuro pode estar perto, mas por não combinar com o presente, o futuro só se mostrará amanhã.
Parece a história de muitos filmes e de várias novelas? Eles copiam aquilo que é a vida, mas diferente: neles o autor desenha o caminho dos personagens que se cruzam como se uma grande cidade não passasse de um pequeno bairro em que todos participam de um mesmo meio, não importa se suburbanos, pobres ou ricos.
A beleza da vida naquilo que ela tem de mais belo é que ninguém desenha nada e por mais que se tente planejar cada passo, essa mesma vida resolve complicar de um tudo para que o que se tenha seja o imprevisto de um dia porvir.
E que não se diga que viver não é preciso, porque viver por si só é delicioso... as dúvidas fazem do futuro um anseio assustador. Claro que há os que apostam no sobrenatural como regente da boa sorte, mas até esses usam desse medo para que tudo se faça mais interessante.
E, se já não bastasse, a vida é curta e finita. Tende sempre a acabar na melhor parte.
É preciso então que se reúnam as forças para que toda a vida seja feita das melhores partes: a alegria do reencontro, a delícia de um novo beijo... a calma de um amor intenso.
Vida tão bonita quando não vivida sozinha, mas entregue ao objetivo maior de se viver essa vida como ela é: a eterna busca pela felicidade querida, apesar de muitas vezes sofrida, mas na certeza de que é ela a nossa única vida.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Poetando...

QUERO QUE TEU DESEJO AFLORE

Quero fazer que teu desejo aflore
E que ao desejar, tua pele arrepie
E que ao arrepio da tua pele, venha a lembrança de mim
E ao pensar em mim, haja o desejo de nós

Quero tua mente viajando no desconhecido que se fará íntimo
Do íntimo que será bom
Do bom que será de novo
Do de novo que se fará eterno
Do eterno que se repetirá...

E da reprise que será ainda melhor
E do melhor que se fará sublime
E do sublime que dará prazer
Um prazer que te será o maior.

Pensamento meu no Twitter

Em semana de Clássico Majestoso, fica uma pequena homenagem ao Freguês, a final, é ele quem tem sempre razão... Vai Corinthians!!!




Escravos de Jó: uma das músicas mais gay desde que alguém resolveu inventar as músicas gay


PS.: a propósito: http://twitter.com/WillGrilli




AH! MULHER... a mais perfeita das criações... divina!

A MULHER

Ah! o prazer de se amar uma mulher... não sei quantos são os que no mundo realmente conhecem desse prazer, mas minha presunção me autoriza a me colocar dentre os que acreditam saber pelo menos em tese como faze-lo.
A mulher foi feita pra ser adorada, amada, pra receber nossa devoção, nosso carinho, nossa vida posta às suas mãos e digo isso com a convicção de quem tem certeza do que diz.
Não sei o porquê de uns tempos pra cá terem convencionado que os grandes gestos de amor eram obrigações femininas e que o homem haveria de ser tão somente o grande conquistador de corações e protagonista maior das desventuras amorosas de moças ávidas por amar.
Na verdade vivemos uma época em que querem nos fazer crer que o romantismo está fora de moda. As “novas cabeças” querem fazer crer que homens e mulheres são realmente iguais e que portanto, seu relacionamento deixa de ter deveres e obrigações, para ser uma sociedade onde ambos arcam em partes iguais com os ônus e com os bônus. Praticamente uma negociata.
Mas não. Estão completamente enganados. A mulher está muito acima do homem. Na verdade, a mulher está naquele espaço que separa o homem de Deus. É a perfeição quase perfeita, mais próxima da real perfeição.
Perfeição que se vê na sua beleza, na sua leveza quando anda, sempre em sintonia com o vento e que faz sintonia até com o olhar nem tão atento; que está na sua forma de tocar, de mexer, de olhar, falar e ser.
Ah! a mulher, a mulher emana pureza.
A pureza da mulher não está na marca vermelha do lençol de depois, mas em cada poro que exala a fragrância doce de seu perfume por cada centímetro da sua pele lisa e boa, em cada resposta do seu corpo a cada instante de prazer e, principalmente, na essência da sua alma.
A alma perfeita da mulher: que é forte ao mesmo tempo em que é frágil e que sabe se entregar, mesmo quando disposta a se guardar.
Ora, a moda que deve imperar não é a do romantismo puro e simples, despropositado. Atos românticos devem ter um propósito, mas esse propósito deve ser nobre. É como o sacrifício que o fiel faz ao seu deus. Mais do que prova de afeição é um ato de devoção que só ela merece.
Assim como tem a mulher o direito de se lhe pedir mais e maiores bajulações, porque bem-aventurado é o homem que pode usar dos seus seios pra descanso e deleite, e do seu colo pra desfruto ou dos seus beijos para acalanto da alma fervida de desejos.
O homem é o mero coadjuvante na história que o presenteou com sua atriz principal. Seu destino só existe em função de ser decidido pela que é menos sua do que ele é dela.
Ah... a mulher e sua beleza que retratada nos quadros, despida de roupas faz com que se mostra como a origem de tudo, certo é que causa nos homens as mais insanas reações. Foi por uma mulher que reinos inteiros foram à guerra, que cabeças foram postas em bandejas, que homens mataram e tantos outros homens morreram.
E ainda assim querem igualar homens e mulheres.
Mas mais uma vez digo não. A mulher está acima e quando conhece o seu poder sabe que não lhe existe o chão, mas que para si, apenas o céu é verdadeiro limite. O mesmo céu de onde veio caída como um anjo sob a desculpa de que viera do lado do homem.
As flores só existem para serem dadas às mulheres e para lhes enfeitarem os cabelos, sempre recebidas com uma jura de amor; a lua e as estrelas da noite não têm outra função que não serem o cenário pra que surja a mulher e sua beleza; a música não existe por outro motivo que não pra embalar os passos com que a mulher aprisiona a alma do homem; assim como a cama, onde a noite ela ama, é o santuário onde se adora e namora a deusa que ao homem aprisiona, mas que com graça lhe concede a sua graça.
A mulher deve ser adorada e suas vontades e caprichos satisfeitos; deve ser amada e deve se saber amada; à mulher que se ama deve se dizer “TE AMO” porque é a verdade e porque não é feio nem antiquado; o corpo da mulher deve ser aquecido por beijos e conhecido pelo amante em simples toques que despertem o ápice da sua reação; a mulher deve ser levada pelo seu homem às alturas, porque lá é o seu lugar; porque foi de lá que ela veio.
A beleza da mulher existe que é pra ser cantada e notada; seus cabelos lhes caem compridos pelo corpo que é para serem admirados, sejam eles lisos, pretos, loiros, encaracolado; a sua pele macia e seu cheiro envolvente e empolgante para serem a chama do amor que depois que acesa só aumenta sua força e se faz grande a medida que ela cresce junto do seu amante.
E eis que então, homem e mulher cumprindo seu destino reinarão por terra, céus e mar e a mulher-deusa com o homem mortal fará o que deles se espera: viverão a vida pra amar.

Bem-vindo e boa viagem

Para dar um ar de seriedade a este blog que, na verdade, não se quer sério, segue um texto antigo com viés jurídico só para disfarçar...




O DIREITO DE ERRAR POR ÚLTIMO



Ruy Barbosa ao discorrer sobre a importância do Supremo Tribunal Federal, casa da qual era o patrono, permitiu-se um comentário que muitas vezes tomado por despretensioso, quando melhor analisado ganha contornos de uma seriedade ímpar, como sérias sempre foram as manifestações desse grande baiano. Disse ele: “O STF é tão importante, que pode se dar ao luxo de errar por último”.
De fato, por ser a cúpula máxima do Poder Judiciário, cabe-lhe ser o último a se manifestar nas questões que lhe são postas à jurisdição, não havendo quem o diga o direito em correção do seu julgamento.
A seriedade dessa questão de se errar por último é grande, principalmente se levarmos em conta que dentro da formação organizacional da Justiça no Brasil, em todas as suas esferas e instâncias, nem sempre uma causa litigiosa alcança a judicância dos Tribunais superiores, sendo vários os processos que se encerram no âmbito dos Tribunais de Justiça ou até mesmo nos juízos de primeira instância.
A realidade que acompanha os Tribunais de Justiça, quando determinado processo alcança o duplo grau de jurisdição, é a de se pensar que a sociedade pode ao menos descansar tranquilamente, haja vista que aquela lide não ficará a mercê do julgamento de uma única inteligência.
No entanto, quando pensamos na primeira fase de um processo comum, sendo julgado pela justiça comum, estamos pensando num Direito que será “dito” de acordo com o convencimento de uma só pessoa, que humana, está sujeita ao erro como cada um de nós.
A triste realidade dos nossos dias é uma prática cada vez mais efetiva nos gabinetes e salas de audiência espalhados pelas comarcas do nosso país, onde os magistrados vestidos com sua toga negra – símbolo máximo da sua intocabilidade – revestem-se de uma excelência tal que, distanciados dos seus jurisdicionados (e tantas e tantas vezes da verdade de que são humanos) se permitem crer na infalibilidade do seu julgamento, pautados muitas vezes numa estima por si mesmos, típica dos que se acostumam com as bajulações e subserviências dos que se colocam a sua volta, ávidos pelo próximo espirro, para que lhe desejem “saúde”.
Mas não é a moral psicológica dos que dizem a justiça em primeira instancia que quer se discutir, mas sim, a sujeição às falhas de julgamento, a que estão (e a sociedade também está) sempre sujeitos.
Falar o Direito e ser justo está longe de ser a mesma coisa.
Dizer o Direito pode se entender como a simples subsunção da norma ao fato que motiva a pretensão ou a sanção.
Ser justo por sua vez, é alcançar uma posição divina, ainda que muitas vezes a própria justiça divina (para os que nela acreditam) deixa a desejar como justiça.
Na verdade conceituar o ser justo no coloca numa situação tão incômoda e complicada quanto a que se viu Mênom quando Sócrates lhe pedia para explicar o que seria a virtude.
A bem do ser, todos parecemos saber o que é ser justo ou virtuoso, mas peço uma reflexão: saberíamos conceituar a virtude ou a justiça ou apenas temos certas idéias do que é virtuoso ou justo?
E será que os nossos juízes, do alto que se colocam em relação às partes que se lhe apresentam, saberiam o que é ser justo? Considerariam a si mesmos justos?
Provavelmente diriam que são justos por pautarem suas decisões na lei e a lei, enquanto contrato social assinado pelos cidadãos que compõe e nação ou a sociedade, deve ser considerada justa;
Os juízes julgam a partir de um ordenamento jurídico abarrotado por normas e mais normas e que lhe é posto pelo Estado que, por mais que tente será sempre incapaz de prever todas as situações possíveis.
Pois bem.
É claro, porém, que sempre há uma preparação técnica para os que ingressam na magistratura, todos longe de serem néscios das letras da lei ou da realidade da sociedade, de modo que seus acertos serão sempre maiores que os seus erros.
Podem dizer também que uma preocupação demasiada em não cometer erros, engessaria o convencimento do juiz, que deverá se sentir livre para decidir, sem se ater a eventuais conseqüências que se pensadas como um fatalismo inevitável trará uma vacilação no julgar que colocará o julgador numa posição desconfortável, quando este deveria se sentir sempre apto a cumprir sua função.
Longe de se querer juízes incapazes de aplicar a lei, o presente texto vem acompanhado de uma pretensão de refletir a questão como esses aplicadores da lei trabalham a forma que realizam essa aplicação.
Convencem-se de que são “a Justiça personificada”, mas não apenas pessoas que dizem um Direito subjetivo, passivo das mais diversas interpretações; acreditam que ao sentenciarem, estão aplicando o que é justo ao aplicar o Direito ou até mesmo que estão aplicando aquele Direito porque é justo.
Justa e virtuosa deve ser a atuação do juiz; a sua imparcialidade e a lisura com que lida com a vida das pessoas que lhe é posta à apreciação. Para que então ele diga o Direito, apenas e tão-somente o Direito, ante toda a sua experimentação.
O Direito de errar deve ser reconhecido ao magistrado e pelo magistrado. Valendo-nos da frase do nosso jurista maior, o mesmo que a medida que se afastava da Tribuna do Tribunal de Haia era acompanhado por olhares atônitos que reverenciavam a sua sabedoria, não é apenas o STF quem tem o direito de errar. Este tem o direito de fazê-lo por último, mas é preciso que todos os demais integrantes do terceiro poder da República, reconheçam desse Direito de errar, de saber que dizem um Direito que conhecem, dentro da experiência que têm, mas que como homens e não deuses, não estão em condições de afirmar o que realmente é a Justiça.
Esta, muito acima da inteligência de cada um de nós.

William Ricardo Grilli Gama
23/09/2007