terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013: o ano novo e a oportunidade das novidades que fazemos por nós




Ter estabelecido o costume de escrever um texto de fim de ano aqui no blog desde o seu primeiro ano (2009), acabou sendo um hábito saudável, já que me exige passar em revista o ano que se encerra.
Sempre digo que não vejo virada de ano como uma oportunidade de mudança diferente do que qualquer outra virada de um dia para o outro. O tempo é nosso e a única certeza que nos traz é a de que não para e, se o dividimos em frações, é para um controle que se quer que conforte, mas que não oferece muito mais além da angústia de se saber que a soma de hoje é menos do que será na hora seguinte.
Tudo bem que olhar para trás pode fazer com que se perca o bom caminho que se anda (ou deveria se andar) pra frente mas, ainda assim, se nosso tempo é dividido, fracionado e contado da forma que é, é importante que avaliemos o que fizemos e o que, disso que fizemos, trará algum fruto bom para o que ainda viveremos. Ora, insistir no que não nos leva à diante, repetir o que nos tomou o tempo que não nos voltará e nem nos somará no resultado final da nossa vida, é lutar contra nós mesmos. Daí que me parece sem qualquer propósito que as pessoas comemorem o novo ano como uma nova oportunidade, sem que queiram ser a outra pessoa que lhes será melhor.
Ainda assim, penso que o saldo do meu ano de 2013 é mais do que positivo. Tive tristezas, alguns princípios de decepção no início do ano, mas que viraram alento no seu final. Senti falta de muita gente, reencontrei algumas no caminho e conheci outras que chacoalharam meus dias e mudaram radicalmente meu destino daqui pra frente... e da melhor forma possível.
Em 2013 ir à igreja virou regra e não mais a exceção dos últimos anos. E isso tem me feito bem e muito graças a uma viagem a São Paulo e a visita a uma amiga querida que encontrei na sua igreja. De volta pra Rondônia, logo no primeiro domingo e a vontade de ir à igreja de novo e nunca imaginaria que essa ida mudaria a minha vida. Lá encontraria quem me veria primeiro, saberia de mim e surgiria na minha vida com uma elegância quase nada discreta. Chegou "me lendo" e depois perguntando, perguntando, tentando conhecer. Depois foi deixando pra lá, meio que fugindo e fingindo não querer. Mas ao alcance de um chamado e de um primeiro oi - após a gentileza dela - que me fez querer saber dela o tanto que ela parecia - no início - querer saber de mim.
À essa altura o ano já tinha me levado pessoas e me trazido outras que foram importantes no cenário de um ano que no seu início parecia melancólico, mas que no seu meio já tinha muitas novidades. Liberdade, independência e experiências que me faziam escrever de forma apaixonada as paixões que eu criava, mas das quais sempre fugi. Vivia minhas histórias sem a profundidade que faz com que o tempo se acumule ao invés do fim inevitável de um começo que nunca passará para além. Mas cada visita recebida nesse instante do meu ano, foi  surpresa mais que bem-vinda a me fazer esse alguém pronto a olhar meu 2013 e saber que devo mais é agradecer.
Minha vida que se fazia uma bagunça de sentimentos em sentimentos, de muitos "gostar", muitos quereres e muitos sentir, entrava numa ordem feita por mim para ser de quem queria viver e tenho vivido e desde que surgiu (no último quarto do ano) tem me mostrado que o mais acertado de mim, foi me guardar para ser de verdade de quem não se furta de ser parar mim mais do que eu seria possível experimentar na vida com outro alguém. E que seja mais e para mais e muito mais.
Sou grato a Deus e à vida pelas pessoas que estiveram nos outros anos e ainda estão. Não mantenho por perto e nem dou importância para quem não me é importante. O que seria de mim sem minha analista que me mantém no meu eixo (que nem é tão centrado assim - graças a Deus!)? Ou sem quem me é queria já que me faz confidente e me escuta e torce também? Que bom que tenho essas que também me querem bem.
Sou grato a Deus e à vida pelas pessoas que conheci, pelo trabalho que mais do que emprego, é um trabalho que gosto e pela família que amo e que esse ano cresceu e no próximo continuará crescendo. Tudo vem sendo bom e não tem porque não melhorar já que, como diz a propaganda, se melhorar, melhora!
Um ano, então, se encerra para que outro se inicie e, a partir destes, as pessoas planejam, projetam e sonham, mas quando passa o tempo da festa e a vida volta a ser o que sempre foi, voltam-se as rotinas e tudo que se faria perde para o que será a repetição do que sempre foi. É certo isso? Talvez não, mas o mais importante é que a vida vive e não para de viver.
Ainda assim, as eras em que dividimos nossos dias são propícias a que pensemos e repensemos nossas vidas e o que temos feito ao longo dos instantes em que estamos vivendo. O que será, será e que se é pra ser surpresa, que seja a surpresa que vem daquilo que fazemos e que ousemos fazer então. Façamos... amor (e guerra se preciso), escolhas, o futuro nosso de cada um. Mas façamos, porque viver é fazer e fazer é viver... vivamos o 2014 para que seja melhor do que todos que passaram foram e todos os próximos sejam melhores ainda. FELIZ ANO NOVO!!!

domingo, 22 de dezembro de 2013

Esperançando...

Nada de simples esse sonho de agora
Em que me havia tudo que um dia me quis
Nele estava você mais do que linda,
Nele me havia a você que me fiz.

Não me passava de um sonho improvável
Fantasia que mal ouso contar, 
Mas é que no sonho o impossível é provável 
Até o instante em que nos faz acordar.

Não me vejo em teus olhos que não vêem a mim
E nem te busco além do muro de vidro que há
Mas vem a vida e resolve me dar
Esse sonho calado que insisto em sonhar.

Mas não me queixo de um sonho que, enfim,
Te traga tão linda e pertinho de mim.
E, quanto aos meus sonhos, que eu possa é sonhar 
"Esperançando" a certeza de que você me haverá.

(22/12/2013)

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Deus é uma opção (mas de alguns)

Ontem eu tive a oportunidade de assistir ao documentário “Sergio” sobre o diplomata brasileiro, Sérgio Vieira de Mello, morto após a explosão de um carro-bomba contra o prédio da sede da ONU no Iraque, onde atuava como chefe da missão e representante do Secretário-Geral Koffi Annan. A certa altura, ouve-se de dois oficiais das Forças Armadas norte-americanas que serviam no Iraque, que ambos encontraram o brasileiro com vida sob os escombros do prédio, preso na altura do peito para baixo. Durante o resgate, um dos oficiais convida Sérgio a que rezasse com ele e pedisse que Deus os ajudasse a tirá-lo daquela situação, momento em que ouviu dele, aspas ao oficial, citando o brasileiro: “Dane-se Deus. Foi Ele quem me colocou aqui. Não quero oração. Quero que primeiro tire os outros daqui”, além de outras prováveis ofensas a Deus e que o oficial não se sentiu confortável em relatá-las à câmera.
Fiquei imaginando a situação daquele homem. Segundo os seus socorredores, ele esteve lúcido o tempo todo. Enquanto a dor permitiu, conversava com os militares e pedia que cuidasse dos demais funcionários da organização que chefiava, tinha total conhecimento do que havia ocorrido e pelo que estava passando. Próximo de si, ouviu enquanto um colega de escritório tinha as duas pernas cerradas para que pudesse ser retirado de sob os escombros e, ainda que flertando com a morte, quando convidado a fazer uma oração – e ele tanto poderia morrer a qualquer momento, como de fato morreu – opta por não fazê-lo, não querendo se ocupar de um sentimento religioso, ainda que às portas da morte.
Diante dessa reação, os crentes de certas crenças podem até lamentar a decisão daquele homem, considerando que perdeu a chance de uma redenção junto a quem poderia dar um bom destino à sua alma após o fim de sua vida. Contudo, podemos lamentar, mas não censurar tal decisão. Ela é razoável e faz sentido. Deus é uma opção e, ainda que possa ser verdade, continua sendo uma opção e acredito que nem mesmo Ele acha que é diferente. Diante das circunstâncias da vida cada um opta pelo que bem entender. Uns optam em crer e busca-lo, outros optam por não crer e, portanto, não faria sentido algum se ocupar dEle, enquanto outros optam por crer nele e, apesar disso, não querê-lo para si. São todas opções. E são legítimas. São justas. E elas não fazem ninguém mais forte ou mais fraco. O fato de alguém dizer que não precisa de Deus não o torna mais especial, autossuficiente ou digno de admiração (nem de pena). Da mesma forma, os que acreditam em Deus, não são seres menos preparados, ou menos intelectualizados só porque colocam sua esperança numa força superior que lhes dá suas razões para crerem.
Por outro lado, temos que levar em conta o fato de que Sérgio estava certo: fora Deus quem o colocou naquela situação, esmagado por toda sorte de entulho porque um terrorista maluco estacionou um carro-bomba sob sua janela e o explodiu. Ou não é o que diz a Bíblia de que tudo ocorre porque Deus permite? A diferença vai de como entendemos o trabalhar de Deus e, se o considerarmos perfeito, poderemos dizer que seu principal objetivo é estabelecer um relacionamento com o homem, destinando-o a que se aproxime dEle mais e mais, uma vez que, sendo Deus amor e tendo para conosco a intenção de que passemos por esse mundo para gozarmos do melhor que nos tem preparado, temos um Deus que nos estende a mão o tempo todo, menos preocupado com nosso destino terreno e mais ocupado em nos preparar pelo que de melhor ainda nos virá.
Pois bem. Acontece que o nosso mundo é esse e ninguém pode ser culpado de gostar e fazer questão do único universo que conhece, nem das boas sensações que experimenta ou do bom futuro na vida que ainda sabe que vive. E se viver é feito de escolhas que temos que escolher, Deus também é opção que podemos ou não fazer. E até isso é escolher e não faz ninguém melhor, nem pior do que ninguém. Apenas diferente. E diferente também é bom... e o respeito mútuo é ainda melhor.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Nem bonito nem divino, mas profano: não há reza no que é feito pra gozar

Nós vivemos o mundo através do nosso corpo, experimentamos a vida através dos nossos cinco sentidos, no gosto, no toque, no cheiro, no que vê, no que se fala e no que se ouve. Nosso corpo é o meio da nossa vida e o instrumento das nossas experimentações. Nosso corpo é nosso, como é nosso tudo o que sentimos e experimentamos através do nosso corpo. Talvez por isso não consiga ser contra ao aborto, a que duas pessoas do mesmo sexo se gostem, etc., mas isso é assunto pra outro dia.
Estou aqui me referindo ao sexo. Há séculos a igreja tenta tratar o sexo como algo santo. Eu até entendo que na necessidade de controlar o ímpeto dos seus seguidores, ela precise fazer proibições. Proibindo tudo talvez seja mais provável que façam menos do que fariam se tudo fosse permitido. Acontece que o sexo não é santo, sexo não é divino e o bom sexo, muitas vezes, nem bonito é (muito embora uma cena em coreografia bem feita é gostosa de assistir).
Sexo é carne, é sangue, é fogo, instinto, é cheiro e objetivo. Sexo é prazer é gozo, é escândalo, é tempestade, é vendaval. Sexo é mais agora que depois, mais desejo que razão (ainda que nele, o desejo seja toda razão).
Não sei se o sexo foi um presente de Deus para os homens. Se foi, muito obrigado. Agora, se foi mesmo, ninguém – normal – ganha o presente pra deixar guardado na caixa. Sexo foi feito pra gozar (sim, sim, trocadilho). É aquela coisa que, bem-feita, a gente pensa: “como fiquei tanto tempo sem isso?”. E, porque é bom, é que tentam proibir. Mas esquecem que o que é proibido pode ser melhor ainda.
Acho que Freud diria que grande parte dos problemas das pessoas está associada a sua vida sexual insatisfatória. E faz sentido. A grande maioria de nós somos sujeitados, desde sempre, a uma vida de castração. A alguns é proibido, inclusive, a fantasia que leva a curiosidade de querer aprender o que é isso que todo mundo faz, todo mundo deseja, todo mundo almeja, mas a maioria manda calar. A pessoa que se permite uma vida sexual mais liberal, logo recebe adjetivos pouco ou nada elogiosos, só porque faz o que muitos têm vontade, mas não conseguem ter a menor coragem e só não se ressentem por isso, porque fazem de conta que não se importam (mas se ressentem e nem percebem que aquele mau-humor que não passa seria bem resolvido com... a vocês sabem o que).
Eu vi um vídeo de uma psicóloga-sexóloga-cristã que dizia que sempre que tinha um orgasmo, orava agradecendo a Deus. Ah vá! Tudo bem, cada um com a sua fé. Mas se é que Deus criou mesmo um Adão e uma Eva para que crescessem e multiplicassem e, nesse ato, pôs-lhes a propensão ao prazer e encheu-lhes o corpo de zonas erógenas, tudo bem agradecê-lo. Só que não é pra tanto, né? É misturar demais as coisas. Deixa que o que é do corpo, é do corpo, é da carne. Sexo não é divino. É a profanação do corpo alheio em busca – se tudo der certo – do prazer que será dos dois. E quando esse prazer é de verdade, dá inveja até em quem vê a gente chegar rindo numa segunda-feira de manhã. Ou é por um acaso que esse alguém logo pergunta: a noite foi boa, hein?
E sexo é isso. É feito pra ser bom. E só. Não é feito pra ser mais ou menos, nem pra ser de noite, nem pra ser dia. É pra ser. Com vontade, de preferência. E, muitas vezes, essa vontade, é só questão de começar...
Freud explica? Ô se explica...

sábado, 30 de novembro de 2013

Texto invertido: Escolha viver, não é tão difícil / Não é tão difícil, escolha viver...


Escolha viver.
Pra isso, apesar de tudo que houver de difícil,
Lembre-se que a história é tua e que
Vale a pena sonhar e realizar cada sonho,
Ousar viver tuas próprias certezas e pensar que
A limitação não pode te impedir
Ainda que tudo pareça inalcançável pra você.
É preciso buscar e não ter medo de tentar,
Ama o que sonha e realmente queira, pois
Pra conseguir o que verdadeiramente deseja
Não é tão difícil.








Obs.: a leitura pode ser feita de cima pra baixo e de baixo pra cima... rs

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Ser a escolha no amor

Dias atrás esqueci a tevê ligada e dormi. Já pela manhã, acordei ao som do programa da Fátima Bernardes que entre seus convidados tinha o escritor Fabrício Carpinejar. Naqueles primeiros instantes em que nos damos conta que acordar é inevitável, ouvia uma discussão entre os demais convidados quanto à viabilidade ou não de dois amigos iniciarem um relacionamento amoroso. A essa altura, o filósofo Carpinejar, tão merecidamente festejado nas redes sociais, disse não ver com bons olhos dois “antes amigos”, tornarem-se namorados e, para defender sua posição, afirmou que entendia que isso era antirromântico na medida em que a sensação que passava era a de que, por não terem arrumado coisa melhor num primeiro momento, olharam para si que sempre tiveram perto e resolveram que fossem – como consolação – o namorado um do outro. Assim mesmo, aceitando que fossem a segunda opção.
O comentário do escritor-apresentador-filósofo Carpinejar me acordou. A partir daquele momento me pus a pensar se ele tinha razão. Se o fato de serem amigos e depois namorados diminuía o valor da relação que iniciavam. Fiquei pensando se realmente fazia sentido se crer que o fato de terem sido amigos por tanto tempo os legavam a essa posição de “segunda opção”, escolha por falta de escolha e acho que eu acho que ele foi muito duro.
Desde que comecei a pensar nisso, fiquei tentando comparar o que significa ser a primeira ou a segunda escolha, no campo do amor, da atração, do tesão, da vontade, etc. Até que ponto há mérito ou demérito em alguma dessas posições, principalmente se levarmos em conta que todos nós em algum momento de nossas vidas desejamos e fomos desejados e que nem sempre tivemos quem queremos e nem fomos de quem nos quis. E mesmo porque essas escolhas não costumam ter critérios absolutos ou objetivos, mas dependem do momento, da carência ou da necessidade de gostar de “outro” alguém.
O que sei é que, pra mim, essa primeira escolha não tem muita coisa de positiva, não traz ganho. Isso porque a primeira escolha é aquela que se faz no afã, na emoção, na tentativa de antecipar um sonho que tem tudo pra não ser real. A primeira escolha é a fantasia ousando deixar de ser fábula para fazer história, mas sem saber escrever já que quase nunca vai além do engatinhar. A primeira escolha é a da certeza sem certeza do final feliz.
Já a segunda escolha tende a ser a da maturidade. Ela tem motivos. No mais das vezes, bons motivos. É a escolha que também pensa o depois, que não pensa no que arrebata e deixa saudade, mas no que vem pra ficar porque é bom que fique. Enquanto a primeira escolha é a de quem só quer jogar, a segunda é a de quem quer vencer esse jogo.
E nem se trata de momento que se escolhe, mas sim, do momento que se vive quando se escolhe. A primeira escolha sonha com o futuro que provavelmente não chegará e a segunda escolha com o futuro que fará(ão)... juntos! A primeira escolha é passional de um jeito estabanado, enquanto a segunda é escolha é mais segura e concreta; a primeira escolha é adolescente, a segunda escolha é adulta; a primeira escolha deseja, a segunda escolha faz; a primeira escolha sonha, a segunda escolha vive; na primeira escolha há fogo, mas só a segunda sabe causar incêndio, porque é a segunda que costuma saber o que faz...
No fim, o que vale é a sinceridade com que se escolhe até porque romântico não é escolher, mas viver de escolhas próprias. Isso é ser a escolha no amor: quem sabe o quer, mas também sabe ser querido, sem medo de nenhum dos papéis. É dar e receber o carinho que acumula, compartilhar o sonho que deseja e realizar a fantasia que faça sonhar. Romântico não é ser o primeiro, o segundo ou o terceiro, mas ser o último de um instante e o definitivo de todos os demais. Não é ser ou ter algo ou alguém a mais, mas ser e ter o tudo o que vem de quem se descobre imprescindível onde sequer se imaginava e, a partir daí, continuar sendo todo dia... um dia de cada vez.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Sou alegre porque sou triste

Sou alegre porque sou triste, mas não porque me falte algo. Algumas pessoas simplesmente são assim: tristes. Elas sabem ser alegres, gostam de se sentir alegres, às vezes até ousam acreditar em felicidade, mas, na sua essência, são assim. Tristes.
Mas não se trata de uma tristeza que faz querer chorar, que faz querer tirar a vida ou, pelo menos, desistir dela enquanto vive. Não. Aqui se diz de certa melancolia que dá o gosto necessário para a vida que se sonha.
Sim. Sou naturalmente triste e sou alegre por causa disso. Essa tristeza me faz ver e entender o mundo (ao menos meu mundo, do meu jeito), me faz entender (e viver) certas músicas e nem dar ouvido para outras tantas. Essa tristeza me faz escrever... me faz aprendiz de poeta, cronista inacabado, contista sem histórias, mas que faz histórias pra contar.
Sei que não nasci para ser irremediável e constantemente feliz. Nem o quero. Posso até fazer alguém feliz e esse alguém pode me fazer seu bem. Contudo, sou o limite de mim mesmo e a felicidade parece ir além do limite de mim. Porém, a conheço e, em seus momentos, sei reconhecê-la até mesmo em mim.
Ah, mas ser triste me faz melhor amante e me faz gostar ainda mais de amar. Por que? Porque sendo triste, sei perceber e sentir a alegria que só sabem os que amam. Naquele instante de amor, de carinho, de desejo, de devaneio ou torpor, sou tudo, menos triste. E isso, porque sou tudo o que ela me dá e que sei retribuir. Se problema há, é que, na minha tristeza alegria costuma se confundir com prazer e prazer não é tão fácil de achar.
Minha tristeza não é pessimismo. Eu ainda sonho, eu ainda amo, ainda busco algo a mais. A minha tristeza só não me deixa entender gente alegre. Essas, pra mim, não existem. São invenções de outras gentes tristes que não se entendem nem se aceitam como são. (Desculpe-me você que se pensa alegre. Talvez até seja. Sou apenas o eu que não te entende)
Não me queixo por ser triste. Ou o que mais dizem meus olhos que, portas da minh’alma, não se importam em ganhar brilho no instante anterior ao que voltam ao normal de si? Opacos. Vivos porque o corpo respira, mas sem vida quando o que veem é o mais do mesmo e o menos do que gostam de ver. Só que a vida dos meus olhos – que muitas vezes parece que nem vive – renasce a cada olhar. E também sabe se saber alegre, ainda que triste.
Apesar de tudo, serei sempre a metade de mim mesmo. A parte inacabada do que jamais virei a ser. E que por isso continuo e ouso me buscar. Mas sendo o que for – e serei! – guardarei as melhores coisas e delas lembrarei sorrindo e esse sorriso, apesar de eu ser triste, será sempre um sorriso verdadeiramente feliz.
No fim, sou triste porque sou eu, mas alegre por esse triste ser eu. Melancolia nem sempre é doença. No fundo, minha melancolia é o aleijume que me faz compensar o sentido prejudicado. Na falta do sentido de ser feliz, encontro-me no que me basta enquanto triste e que, sendo eu esse triste, faz-me alegre. É a minha tristeza que me ensina ser alegre e a gostar de ser assim...

sábado, 16 de novembro de 2013

Débito e Crédito no amor

Os relacionamentos parecem que duram cada vez menos. Duram pouco. Os de espírito mais livre, acostumados ao misto de furor e desestabilidade inquietante que o começo de toda paixão proporciona, devotos que se tornam do eterno começar de novo, diriam que durou o tempo que tinha pra durar. Que durou o tempo de ser bom. Por sua vez, os mais tradicionais, esses que pensam numa união que se justifica no tempo e nele encontram sua ratificação, diriam que o mundo está cada vez mais fugaz e que a consequência disso é frugalidade de tudo, desde relações de emprego até os relacionamentos.
Mas aqui falaremos de amor.
Sem dúvida há milhares de motivos capazes de encerrar um relacionamento. Muitos, quando começam, carregam a única perspectiva de se ver o que será. Não há uma intenção além do dia após dia. Vamos ficando, vamos estando, vamos vivendo; se der deu, se não der, vamos atrás do que dê. Simples assim. Mas vazio também. E por que não dizer “covarde”?
Só que ao mesmo tempo, há muitos relacionamentos que parecem estáveis, entre pessoas que parecem se fazer bem e que, quem olha de fora, diria que até faz sentido que estejam juntos e que, de repente, enfrenta um processo de desgaste que parece irrefreável, irremediável, inevitável e súbito. É quando o fim – que ninguém espera – chega!
E por que isso acontece?
Aqui vou tratar de apenas uma das razões. É o título desse texto: débito e crédito no amor. Sim, porque há muito disso. Uma das marcas do início da maioria dos relacionamentos é que mostremos o mais possível do nosso melhor. Quando queremos seduzir, encantar, fazer o outro enxergar vantagem em estar conosco, temos a tendência de esconder os nossos defeitos e ressaltarmos as nossas qualidades. A partir daí, criamos uma expectativa de sermos quem não somos. A pessoa compra a nossa propaganda, acredita na nossa personagem e, por um tempo que durará o que aguentarmos ou parece conveniente, seremos refém de quem nos fizemos.
Para corroborar a personagem que criamos, fazemos renúncias a nós mesmos. Note: quando após a fase da conquista, ainda assim nos sujeitamos a certas renúncias, num primeiro momento fazemos motivados pelo que de bom enxergamos na pessoa que está conosco. Só que esse bom se dá dentro do contexto temporal da “escolha”. Naquele momento há alguma reciprocidade: abro mão de mim, porque acho no outro o que me completa à sua forma, dentro de uma necessidade.
Quando o tempo passa e a situação de renúncia continua, a tendência é que deixemos de nos reconhecer em nós mesmos. Ora, o movimento da renúncia por mais natural que pareça, é antinatural. Ao renunciarmos, abrimos mão de sermos nós mesmos e, se não somos nós, somos estranhos a quem de mais importante: a gente. E é aí que começa a confusão.
Quando a pessoa passa a considerar que está deixando de ser ela mesma, começa a achar que faz um sacrifício em prol do outro. E, se ela faz um sacrifício, julga que passa a ter um crédito. Para que haja crédito, deve se ter um devedor. Quem é o devedor? A outra parte do relacionamento.
Como bom credor, essa pessoa passa a esperar que seu devedor (marido, esposa, noivo, namorada, etc.), pague voluntariamente a sua dívida. Então a pessoa fica quieta. Aguarda. Ansiosamente, mas aguarda. Só que ela passa a contabilizar os juros. “Já são tantos dias e nada”, ela pensa. O seu descontentamento vai ficando evidente. Tão evidente que, muitas vezes, ela sequer percebe que, do outro lado, a outra metade dessa relação também vem se achando credora de débitos que ela não paga.
Como ambos só se pensam credores e não se veem devedores, não buscam qualquer compensação. Pelo contrário. Vão acentuando o descontentamento no seu coração, até que a convivência vai ficando cada vez mais pesada, os ressentimentos vão crescendo, muitos se acentuam, o distanciamento vai parecendo natural e, quando se veem, além de não se reconhecerem em si, sentem-se estranhos um para o outro. É quando chega o fim.
Tudo poderia ter se resolvido com uma só conversa, com um simples diálogo onde os dois quisessem acertar, sem que um queira parecer mais forte e mais bem resolvido que o outro, porque isso só faz acentuar a necessidade de “disfarce”. Acima de tudo, sinceridade quanto ao que quer, quanto ao que deseja, quantos aos medos e quanto ao que sente falta.  Se você diz pra quem está contigo que não tem e que você gostaria que tivesse e ela, ainda assim, não faz e, ao mesmo tempo, ouve dela e, apesar disso, não muda, é hora de resolver e até, aí sim, terminar. Vocês não querem mais se acertar, mas apenas sujeitar um ao outro a seus caprichos.
Duas pessoas num relacionamento, sentindo-se credoras sempre e devedoras nunca, é mais comum do que parece. Acontece o tempo todo e sempre porque pensam fazer sacrifícios sozinhas e porque julgam que o outro tem que, inclusive, adivinhar pensamentos.
Daí eu crer que relacionamento não é sacrifício de um e de outro, mas vontade mútua de que os dois façam dar certo. Daí também que eu acredite na importância da conversa e do balanço. Se temos que caminhar juntos, precisamos ter certeza que andamos na mesma direção. As vezes um mais lentamente do que o outro, mas se somos dois, um se ajusta ao outro, mas desde que diga: “preciso de você!” e não que fique esperando que o outro veja fraco quem, muitas vezes, faz de conta que é forte.
O amor não é 0 a 0 nem 2 a 1, mas deve ser um eterno empate com muitos gols.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Até que ponto?

E é quando eu me pego pensando nas várias vezes que alguém diz: 'ah, sei lá como que tá. Eu sei que peso o que é bom e o que é ruim e continuo porque, apesar de tudo, o saldo fica mais pro bom'. E daí eu pergunto: qual é a vantagem? Até que ponto vale a pena ficar com o mais ou menos porque ele é um pouquinho mais do que menos? Até que ponto vale se alimentar das eternas ausências como forma de compensar o que falta no momento de agora? Se faz falta, deixa o que não satisfaz e vá atrás do que te faça melhor do que está agora.
Só que de repente a gente se pega optando por viver menos (em qualidade de vida), querer menos, ousar menos e, sem que a gente note, já nos fizemos reféns das nossas próprias escolhas, de sonhos que foram sonhados em outras épocas e que, por desatenção, viraram verdades até hoje. Nos tornamos reféns de nós mesmos e das expectativas que queremos atender (e nunca são apenas as nossas).
Tudo isso é absurdo. Sim, porque é absurdo sermos reféns das nossas próprias escolhas, na medida em que o controle da nossa vida é nosso e quem a vive – se ela vive! – somos nós.
A partir daí, até que ponto viver o parcial é melhor? Até que ponto fazer parte de um grupo ou de um instante é realmente mais eficiente do que estar sozinho? Quanto vale a pena querer ser aceito e, em nome disso, deixar de se aceitar?  Quanto vale a pena insistir no que não há, no que já foi, no que nem foi ou nem será?
Olhamos o passado que nos sonhamos e estamos presos a ele. E, muitas vezes, ele não tem mais nada a ver com o nosso presente. Mas ele está ali, sempre pronto a prejudicar o nosso futuro.
Presos no mais ou menos, contentes nos nossos descontentamentos, deixamos de buscar e querer e contar e aproveitar o que for arrebatador! Pode ser que até que não chegue, mas vale a pena buscar. Queiramos a melhor risada, o melhor beijo, o melhor abraço. Queiramos o amor mais quente, o prazer mais forte, o grito descontrolado de quem pede. De quem pede mais. Sempre mais! Nunca menos. Menos jamais.
Mas ao invés disso, muitos de nós teimamos em continuar crendo no que teimamos achar que nos é importante, e então, não entendemos a falta de vida que, invariavelmente, sentimos.
Isso é tudo porque é menos a atenção que temos prestado em nós do que a importância que damos para todos outros que não são nós e para tudo aquilo que, de verdade, nem queremos mais pra nós.
Até que ponto vale a pena?

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A Família é projeto de Deus! - E por que eu penso que a novela é a ferramenta que tenta destruir a família

Eu sempre tive uma tendência a torcer o nariz para certas afirmações. Sempre tentei distanciar o máximo possível o que é terreno do que é divino. O que é simplesmente da natureza do homem daquilo que faz parte de uma batalha travada num campo espiritual. O que é realmente importante pra Deus, daquilo que nós distorcemos na tentativa de humaniza-lo.
A partir daí, sempre desgostei de afirmações do tipo de que a televisão está aí como ferramenta do diabo a fim de destruir a família, essa sim, importantíssima para Deus e seu projeto para o homem. Mas agora vejo que é verdade. A família é projeto de Deus e, dada sua importância, e ela vem sendo atacada corriqueiramente e de uma forma cada vez mais escancarada.
Ora, a família faz parte do plano de Deus para o homem, sendo nela que se molda o caráter, nela que o homem encontra abrigo da dor, força e razão pra seguir em frente, bem como, desenvolve sua espiritualidade, uma vez que se pense que a família deva ser o primeiro ponto de reunião das pessoas que querem - devem e precisam - adorar a Deus.
A família vem sendo atacada rotineiramente na televisão e vejo isso nessa atual novela das 21h em que o patriarca trai a esposa sistematicamente até o ponto de fazer com que ela crie a filha dele com uma amante; faz o filho gay casar com a garota de programa que antes lhe atendia e que estava grávida dele, fazendo o filho acreditar que é pai do próprio irmão. E, depois de tudo isso, ainda troca a esposa de anos - a quem traía - pela secretária.
Esse filho, que tenta destruir o pai em nome da presidência de um hospital, já jogou a própria sobrinha recém-nascida na caçamba de lixo e anos depois ajudou a sequestrá-la, deixou a irmã para morrer de hemorragia no banheiro de um bar e tentou incriminá-la por tráfico internacional. E isso, só dentro de uma família.
Na outra, a mãe incentiva a filha a não ficar com quem ama, mas sim, dar um golpe da barriga em algum milionário.
Em outro momento, o marido recém-casado trai a esposa em plena lua-de-mel e o que essa resolve fazer? Sai dando pra quem tiver vontade de pegar até que, apaixonada por um colega de trabalho, não pode ver o cara passando que já tem que arrancar as roupas onde estiverem...
Outra "amiga" vai morar com um casal de amigOs, só pra furar o olho de um com outro e engravidar dele... não bastasse, agora a filha namora um cara que já foi namorado da própria mãe.
E isso, sem contar o escarcéu que fizeram porque uma enfermeira tinha na casa dos 30 anos e ainda era virgem, como se isso fosse um problema, um defeito ou um crime...
É preciso que reflitamos, sim, sobre que tipo de mensagem estamos deixando entrar em nossos lares. Já passa da hora em que devemos nos preocupar mais com o que Deus tem achado daquilo que temos achado dEle. E, então, vivermos mais pra Ele e por Ele do que pra nós.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A beleza da nudez do corpo da mulher


"As coisas que mais gosto: mulher, mulher, mulher 
(com prioridade da minha)..." 
Vinícius de Moraes


Há beleza na nudez da mulher. É uma beleza natural, não agressiva. Uma beleza sutil, incapaz de ofender quaisquer que sejam os olhos que a veem. As formas são delicadas, em curvas que são como caminhos – perigosos caminhos – que tanto quanto queremos, precisamos percorrê-los.
A nudez do corpo da mulher é como um mesmo caminho com vários portões de saída e cujo destino não é tão óbvio quanto se pensa. O corpo dá mulher são vários destinos independentes, todos eles prazerosos pra quem entende que melhor do que a chegada é a viagem completa pelo que seja mais do que interessante. 
Ah, quando a porta por onde se sai e se começa esse caminho vai por aquele lindo umbiguinho escondidinho como um prenúncio de novas descobertas, pelo qual podemos ir ao norte ou ao sul com a mesma reverência de quem entra num templo, mas com menos silêncio (sim, porque o amor pede palavras, sons, ruídos e, eventualmente, gritos que só se admitem abafados em beijos). Não se pensa em chegada. Cuida-se de partidas, de caminhos que vão e voltam por uma pele que se arrepia e mostra que gosta –  assim, com um T separando o verbo que se gozTa de conjugar se T não houvesse.
Ah, quando a porta por onde se sai e se começa esse caminho vai por aquela nuca toda nua pros beijos que despertam uma mulher que ousa quando tocada e que pede por mais toques e suspira com mais beijos e desejos que se quer, se tem, se espera e prova. O corpo mostra que gosta, a voz mostra que gosta, a boca mostra que gosta, as mãos – ousadas – mostram que gosta. É bom que goste quando essas mesmas mãos abrem novos caminhos para novos beijos, tão ousados ou mais que as mãos por aquele corpo que é todo desejo, que acusa desejo...
Ah, e quando a porta por onde se sai e se começa são os pés? Ângulo novo. Sobe-se mais resoluto do que o fiel que busca o céu. Conhece bem o caminho do paraíso. Para alguns o da perdição... mas para todos os que sabem o que buscam, é a primeira provocação capaz de fazer ferver ainda mais um corpo prestes à sua própria ebulição. As mãos vão antes, por onde os lábios subirão, se deterão, provarão o que é o próprio de quem se entrega e continuarão em busca de toda beleza – e pureza – que nelas há.
Seus olhos são doces, seus lábios são mais. Os lábios da mulher levam do santo ao profano e levam de volta ao céu. Seu colo é repouso de lábios e de olhos e seus seios, dos mais variados, são o que há de mais perfeito em toda criação. Suas pernas são como todo o universo: misterioso em seus propósitos, distante, mas capazes de, quando em volta de nós mesmos, nos fazerem mais próximos de sermos como o Deus que dá vida.
Mas se engana quem pensa que a beleza da mulher está só no que se toca quando se toca por poder tocar. Não. Mais do que tudo, a beleza da nudez da mulher é para ser contemplada, adorada com uma devoção que num primeiro momento é quase calada: primeiro se admira com os olhos, toca-lhe com os olhos, louva-a com os olhos e com um sorriso que tem que se abrir em todos que entendem o privilégio de se depararem com a nudez natural de uma mulher. E isso porque é essa beleza da mulher que lhe aproxima das deusas a quem só se serve, sem que se questione e por quem se pede no coração silente, mas também contente.
O mundo não é plano e não é reto. O universo é feito em curvas e não numa linha ou num plano. Curvas que lembram a mulher. Mulher que precisa ter curvas. Curvas que enchem os olhos, curvas por onde passam e correm as mãos. Curvas de uma mulher que nas suas formas (tão bem pensadas e esculpidas) é sempre digna da nossa total adoração.

Mulher, mulher, mulher...

sábado, 19 de outubro de 2013

Cem anos de Vinicius de Moraes

E no dia de hoje se celebra o centenário do nascimento do mais apaixonado dos maiores poetas da língua portuguesa. São os 100 anos do homem que não teve medo de amar, de amar de novo e amar o novo (ou a nova). Aniversário do homem que amou eternamente enquanto durou o amor e que escreveu esse amor como até hoje poucos nessas muitas eras: VINICIUS DE MORAES.
Vinicius é, sem dúvida, digno de todas as boas notas e louros e louvores à sua grandeza enquanto homem; homem das letras, das músicas... Vinicius falou, cantou, pensou, sentiu e viveu o amor. Amou suas mulheres (09 esposas); amou seus amigos; amou a poesia. Vinícius amou; simplesmente amou.
Vinicius é – assim, no presente, porque os grandes morrem, mas permanecem vivos – o melhor "mau" exemplo a se seguir: apegou-se, antes de tudo, a si mesmo. Não parecia passar vontade e nem temia seus excessos de quereres e experimentações. Vinicius não vivia amores pela metade, nem se permitia apenas sonhar acordado com o que podia ser real. Antes, era o amante inquieto pela urgência de amar (certamente, até mais do que ser amado). Vinicius ia quando o amor chamava e ficava enquanto havia chama no amor (amor que não era imortal). Mas Vinicius é. Em algum momento, todos nós já citamos Vinicius (infinito enquanto dure; por toda a minha vida; por causa do amor; pra viver um grande amor; filhos por que tê-los?; chega de saudade...).
Vinicius não está entre nós, mas está sempre entre nós. Se seu corpo não sobreviveu ao cigarro, ao whisky, ao excesso de humanidade que nele era tanta, seu amor tão amado o faz mais vivo do que muitos sobreviventes que não se dão, não amam, não choram e nem rasgam o seu coração.
Vinicius viveu a sua urgência de amar e dela fez sua poesia e sua canção. Vinicius ensinou que a felicidade até tem fim, mas é linda e sutil como a gota do orvalho (e é também uma coisa louca); Vinicius ensinou que, ainda assim, é melhor ser alegre do que ser triste. Vinicius que foi o branco mais preto e fez bonito pelo nome do Brasil, sempre cantando a beleza que passava ao caminho do mar do Rio (que é Brasil). Ou o descanso de uma tarde em Itapuã, que também é Brasil.
Ah, Vinicius, quem dera se todos fossem assim feito você. Quem dera eu fosse só um pouco um pouco de você. Você que tinha em si a coragem de ser - pra valer - aquilo que – disfarçadamente ou não – somos todos nós. Pra onde quer que você esteja, Vinicius velho: saravá!

Chega de pessimismo: viva você! (vai dar certo)

As pessoas andam pessimistas. Cada vez mais as pessoas duvidam da felicidade – e eu já nem ouso me referir à felicidade enquanto um estado de espírito recorrente. As pessoas parecem já duvidar até da possibilidade da simples felicidade experimentada num instante em que tudo parece bem ou bom.
É triste, mas é isso. Ao que parece a grande maioria de todos simplesmente desistiu. As pessoas não contam mais com a felicidade como um objetivo a ser alcançado. Lavaram as mãos. Jogaram a toalha. Agora, se vão à luta, o fazem em busca de alguma outra forma de satisfação. E é aí que fazem tudo errado, metem os pés pelas mãos.
Quando as pessoas começam a achar que nasceram para ter a vida que não querem (ou que são quem falharam ser), são tomadas por um sentimento que encobre o que pode haver de bom. Nem tudo dá errado, mas nessa fase parece que tudo dá errado. Deixam de olhar para o que têm e lamentam tudo aquilo que – muitas vezes – não têm porque, de verdade, não querem. Se quisessem, teriam.
Perdem-se em tantos quereres que acabam perdidas de si. Ficam presas numa vontade, numa fantasia, numa mentira que é só causa de insatisfação. E o resultado disso? Mais pessimismo! – o que, trocadilhos à parte, é péssimo.
E começam a mentir pra si mesmas. Escolhem exclusivamente o agora. Abusam do carpe diem. Vivem loucamente como se não houvesse o amanhã porque sonhar o depois, se vendo triste, é ser triste duas vezes e por antecipação. E daí, pra dizerem que não são sozinhas, buscam o sexo sem compromisso, o álcool sem controle, festas e mais festas sob o som de uma música que cala qualquer pensamento com o objetivo de que as pessoas não olhem para si e reflitam o quão pobre de si mesmas são. Elas querem preencher o vazio da falta de uma companhia, mas parece que nem consideraram a ideia de – efetivamente – terem uma companhia.
A maioria das pessoas não quer, realmente, por exemplo, transar pelo simples prazer do sexo. Eu não quero, você talvez também não queira. Você quer carinho, você quer ternura, quer beijos antes, durante e depois. Quer um prazer completo que venha do encontro de outra alma que se enamore de você até mais do que os corpos se desejam um ao outro. Mas muitas vezes, como desistiu de ser feliz, acha que não encontrará o sexo que, mais do que transa, seja um encontro de amor. E então transa! Um hoje, outro amanhã, talvez até repita algum por uns dias, mas não passa de transa e, se tiver sorte, orgasmo (que até te deixa leve, só que leveza não é felicidade se, no outro dia, tua vida ainda é vazia).
Você não quer, realmente, ser uma mulher profissionalmente bem-sucedida, inteligente, independente e que vive sozinha. Mas daí você pensa que a vida a dois anda tão difícil, começa a achar que os homens querem mulheres fúteis, dessas que acham que a vida é malhar perna e glúteo capazes de tudo e sem qualquer inibição e, por pensar que não te quererão quando você quiser, faz de conta que é você que não quer ninguém e nem percebe quando ao teu lado está alguém que quer mudar tua vida pra uma nova vida melhor do que a que você sempre sonhou. Mas é que você cala, porque tem medo de sonhar. E fica se lamentando calada e mentindo pra si mesma dizendo que tudo está sendo como você pensava que deveria ser. Você até escolheu assim. Mas por um motivo que te enganou.
Não se prenda aos “nãos” da vida por medo de que não te venham “sins”. Não tenha medo de tentar de novo porque não conseguiu até agora. Não tenha medo de chorar quando o contrário do choro é riso. Apegue-se no que pode dar certo. Permita-se. Se entregue a uma vida que seja 100% você: você com vontade de você sendo quem você quiser ser.
Não se amarre ao passado e nem sujeite teu futuro ao sonho de um tempo que não virá. A vida anda pra frente e é pra lá que se deve olhar. Não lamente a sorte que não é tua e nem se esconda do presente, esse sim, teu. Faça! Vá! Corra... pros braços que te querem, pra vida que te espera, pro futuro que já é. Queira o novo, mesmo que seja querer o que já se tem de novo e de novo. É possível amar e re-amar um amor que sempre se deve renovar.
Querer, pensar, sofrer, lembrar... tudo é escolha, inclusive deixar de viver (e ser você) por medo do que pode vir a ser continuar. Mas não tema! Viva! Só que viva você...

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Quando o tempo conta errado

A nossa noção de tempo está diretamente ligada à separação que fazemos dele em anos, meses, dias, horas, minutos e segundos. E a partir disso, muitos de nós temos por hábito medirmos o valor das nossas histórias pelo tempo de sua duração, bem como, consideramos a intensidade de sentimentos dentro do que parece ser “temporalmente” razoável para parecer verdade, para “poder ser” verdade.
E daí, entendemos que o que é de verdade é o que dura, é aquilo que enfrenta a resistência desse tempo tão cruel, desse tempo que parece querer por à prova a vontade, a resistência mesmo, a intenção e a intensidade dos que estão juntos enquanto se querem.
Não por acaso, é comum as pessoas falarem que não deu certo o relacionamento que durou muitos anos e alcançou seu fim, ou mesmo, desmerecerem envolvimentos porque são recentes: “mas vocês mal se conhecem, não podem estar se gostando tanto”, “ficaram juntos sete anos, que pena que não deu certo”. Essa são frases comuns de se ouvir em certas situações.
Mas muitas vezes o tempo conta errado. O tempo conta errado na medida em que tudo se faz e se sente no instante em que acontece, e daí não importa se em três horas, três dias, três semanas, três anos que sejam, tudo parece uma coisa só, três horas são como três anos que a gente nem sentiu passar.
Chega-se a um ponto em que impressão que se tem é que tudo existe desde antes, desde sempre. Todo o envolvimento faz sentido desde quando sempre é. E parece que não foi quando começou, ao ponto de você mal conseguir dizer qual foi o começo. O que você sente é que simplesmente tem sido e que bom que tem sido.
Nesse ponto, o leitor ou a leitora mais cética (ou racional) poderia dizer: “é porque no começo tudo são flores, tudo fica mais fácil”. E se você pensa assim, eu te pergunto: quantas relações você começou e você terminou? Em quantas você até se sentia bem durante o momento de estar junto, mas não enxergava razão nem no antes e no depois. Em algumas? E quantas foram aquelas que simplesmente faziam sentido mesmo quando não era pra fazer?
Há um ponto na vida da gente que separa o que já tivemos daquilo que nós temos certeza que queremos ter. Experimentamos uma novidade, uma sensação, um êxtase que é diferente de todos os outros: parece mais puro, mais compromissado, mais tudo o que nenhum outro – por melhor que fosse – jamais foi. E quando é assim, é porque é diferente.
E não importa que seja só o começo se a nossa vontade é que não tenha fim. Se o nosso desejo é que todo dia seja o primeiro dia, todo ele acumulado de um sentimento que não se conta com o tempo, mas apesar do tempo. Porque o tempo conta errado, quando ele diz que é pouco pra um sentimento que é tanto.
E a gente sente. E a gente gosta. E a gente é feliz por todo tempo, seja o tempo que for (mas que seja como está sendo. E será...)

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Reconstrução


Se há vida, há momento de ser feliz. Não apenas momento de estar, mas sim, momento de ser feliz. É claro que a felicidade eterna seria um desfavor, uma desvantagem. Fôssemos sempre felizes e não saberíamos identificar a felicidade. Mas é bom que a felicidade seja os momentos que são mais.

Ao longo da nossa vida vamos experimentando encontros, novas descobertas, surpresas e sorrisos. Melhor que tudo isso se dê no instante imediatamente posterior àquele em que tudo parecia sem graça, sem alegria, sem cor, sem vida.
Ainda ao longo da nossa vida, iremos encontrar pessoas que nos levarão pra cima, que nos farão querer que sejamos melhores, mais abertos ao novo e que nos mostrarão quem somos de uma forma que nem mesmo a gente lembrava que podia ser. Essas pessoas tomarão nossos dias de assalto com a sutileza de quem não espanta, mas traz consigo a delícia que se repete sempre a mais no encontro seguinte. E a gente espera que esse encontro chegue logo que diz tchau.
E nem sempre é uma questão mágica que faz com que as saibamos especiais desde o primeiro instante de quando as conhecemos. Pelo contrário. Muitas vezes subestimamos o papel que elas – essas novas pessoas novas – terão na nossa vida, nos nossos caminhos futuros, e isso por culpa de estarmos distraídos nesse presente que parece propor tanto e nada ao mesmo tempo.
Mas daí a gente descobre. Descobre que pensava querer quem não era ela e que agora que você sabe que é ela que você quer, sequer se ocupa de tentar querer quem nem dava conta de você. As prioridades mudam, o sorriso que é importante agora faz mais sentido e o teu sorriso que também te agrada, sorri por causa de outro alguém (alguém que vale a pena desde o início). A tua vida que parecia destinada a não ser mais tua, cumpre o seu destino e se faz vida tua sendo de outra que te chega nova, pra ser sempre o renovo em cada estação. Começa na primavera, mas você não teme o inverno, porque sabe que entre os dois pode ser – e será – sempre verão... quente!
Tuas certezas já eram. Agora são outras. Você que gosta de gostar agora gosta diferente. Gosta de gostar de quem gosta e gosta de você. Encontra uma metade que parece mais de 2/3 de você. É uma parte importante da tua vida que, ainda tua, divide-se com a vida de quem se quer (seja quando pensa, seja quando lembra, quando deseja, quando espera, quando tem. E você tem, sente que tem, gosta de quem tem...).
Aos poucos (e às vezes até mesmo de uma vez, num espaço de dias que parecem meses dentro de um mês que nem parece passar direito), você se descobre, se redescobre e depois se perde de você. Mas há quem te ache, quem te veja, quem te saiba, quem te busca e quem te põe em pé. E tudo isso é uma pessoa só. E você gosta... dela.
Sim. Aos poucos você vai deixando mil e uma histórias pra trás e se concentra no que virá a frente. Não há medo ou dor que te impeçam. Todo o antes era o ensaio pro concerto de agora. E daí esse conserto que é teu é que faz o concerto que é de vós. As histórias de antes não são mais do que lembranças menos vivas. O Sentimento de agora é mais do que as histórias para quem o futuro disse não. O momento de agora é especial. É vívido. É vivido. E te fez bem essa reconstrução.
E tudo isso é só o começo...

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Aí é que o dia não passa (até a hora de ele voar)

Sabe quando o momento é bom e a hora passa voando? Geralmente estamos com quem a gente gosta, fazendo o que dá prazer, aproveitando um instante que vale a pena. É sempre bom. Tão bom que a gente até quer que o tempo pare, que a hora não passe, que a Terra não rode... sei lá. A gente quer aquele instante por mais tempo, outros instantes.
Mas esse tempo passa e nesse tempo o momento acaba. Só que esse momento que acaba é tão bom, tão diferente de tudo, ao mesmo tempo em que faz tanto sentido, que a gente fica contando o tempo pra que chegue logo o novo momento desse momento tão bom. E a gente sabe que ele vai vir porque a primeira vez foi boa, a segunda foi melhor, a terceira valeu ainda mais a pena, a quarta te fez sorrir por horas, a quinta confirma a certeza que já se tinha e daí você quer mais – e sem achar que quer demais.
É aí que o dia não passa.
Todo o resto do dia é mero pretexto das horas e dos dias para o instante que a gente realmente quer. E esse tempo custa a passar. Não que a gente não goste do resto de nossas vidas. A gente até gosta e sabe que é importante, sabe que tudo tem seu tempo e, principalmente, sabe que se esse momento fosse a todo o momento, tiraria o encanto – que é tanto – desse momento que é o melhor dos momentos. Mas gosta de querer que o dia enrole menos no momento em que não, para durar mais o momento do sim.
Então, que corra o dia, que o Sol dure menos, que a noite renda mais: mais horas pra mais carinho, mais carinho por mais tempo, mais tempo pra mais sim, menos tempo pra lamentar o não. Que possamos ser, estar e gostar pelo tempo que se renova e faz querer o de novo do que ainda nem acabou, sem que o lamento pelo pouco, ofusque a alegria pelo muito que sempre é o (re)encontro de quem se quer.
Querer mais não é pecado, é divino! E quando tudo parece que muda e a gente descobre o que nem pensava que seria bom, a gente cuida pra que tenha. Se a gente tem, é bom que queira ter e, querer quem se tem, é o querer que mais vale a pena. E se é então que o tempo voa, nem tem problema, porque até pode até parecer que o dia não passa, mas a nossa hora logo chega de novo. E ela sempre vai chegar.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Um sorriso que faz sorrir...

... e eu nem estou falando de qualquer sorriso, não. É de um certo sorriso desses que chega como quem não quer nada, até meio tímido. Um sorriso cheio de curiosidade, mas que é tão bonito. Um sorriso que fecha os olhos pra sorrir e é todo cheio de graça. Ah, se um simples sorriso nos faz sorrir, é um sorriso que não é simples. É especial. Também é especial sorrir só de lembrar de um sorriso. É para poucos. Como sorrir por assistir um sorriso é só para alguns. É sorte. Sorte de quem vê (ou de quem dá motivo pra sorrir).
Sim, todos gostamos de sorrir. Mas o normal é ter motivo pra isso. E se o sorriso vem, a gente sorri mesmo querendo negar a intenção ou inventando uma outra razão que não a própria razão que nos faz sorrir...
Sorriso que sorri com o rosto inteiro, desses sorrisos que a gente entende porque a pessoa vale a pena. Sorriso que a gente quer com a gente.
Pensa no sorriso que vale o teu sorriso. Lembra do sorriso que te estremece desde dentro e que só de lembrar teu corpo responde e teu lábio sorri. Quantas e quantas foram as vezes em que você se pegou pensando o quanto faria ou o que faria só para que aquele sorriso sorrisse na direção de você?
Sorriso que faz sorrir... é um sorriso diferente de outros sorrisos. E ele existe. Ele aparece quase sempre quando a gente está distraído e nos pega de surpresa (de surpresa!). A gente não espera, a gente quase nem nota, mas daí tudo dá certo e pronto, aquele sorriso sorri e o nosso sorriso sorri também.
De repente você se lembra desse sorriso mesmo quando ele está longe de poder sorrir pra você. Aquele sorriso te interessa, te é importante, te é querido no sentido de você desejar que as horas corram só para que ele apareça (de verdade ou na fantasia que já vai tomando conta de você e faz com que ele vá chegando, mesmo sem vir, vá se abrindo, mesmo sem mostrar, esteja perto, mesmo que à distâncias de você).
Esse sorriso é feito em lábios tão bonitos que parecem desenhados para completar a outra metade do beijo dos lábios seus. É um sorriso que é quase um convite para beijos, mais beijos e até mais.
Você quer esse sorriso nos teus dias e sonha com ele nas tuas noites.
E daí percebe que não é o sorriso que te faz sorrir, mas quem te sorri é que te faz bem (mesmo que de inícios não parecesse). Te faz querer mais... dela. E os devaneios deixam de se contentar com o sorriso. Logo os dentes mordem os lábios e isso te faz querer, te faz ir além, pensar além, querer além, buscar mais, ter mais, tentar ainda mais por tudo que era – e só lá atrás que era – só um sorriso que hoje é tudo menos “só”. Até porque é bem melhor sorrir junto, um por causa do outro. Já sorriu hoje? Fez alguém sorrir? Eu acho que já...

domingo, 1 de setembro de 2013

Ela, a mulher (em receita pra mim)

Como seria? Vamos lá: 
Que o senso de humor seja diabolicamente divino.
Que se faça entender por bem sem que precise dizer por mal.
E que seja atrevida!
Que leia, que cante e que sua voz encante!
Que goste de Chico, conheça Caetano e não tenha dúvida de quem é melhor.
Ouça Elis, curta Madonna, goste de The Corrs, mas relaxe mesmo quando em Bethânia.
Que seja astuta!
Que seja ousada (“um pouco” tarada)...
Que a cor dos olhos seja naturalmente diferente da cor dos seus cabelos.
Que perto de 1,70m e saiba ser elegante sobre saltos.
Que certos momentos seja louca, mas saiba ser normal.
Que em outros momentos seja normal, mas também saiba ser louca.
Que o sorriso contagie!
Que tenha referências 'pop', flerte com os olhos e conheça Fred Astaire.
Que goste de Fred Astaire...
Saiba o valor do clássico (no cinema, na música, nos livros e, principalmente, no futebol).
Tenha saboneteiras (aprendi com Vinícius que "uma mulher sem saboneteiras é como um rio sem pontes").
Que implique com doçura, um ciúme bonitinho que em nada lembre loucura.
Diga o pensa, mas sempre tendo nos lábios mais coração do que a razão perdida na dor, na tristeza e no rancor que faz falar o que depois lamenta.
Que os olhos só peguem menos fogo que o corpo... quente ("mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior a 37 graus centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras do primeiro grau" – Ah, Vinícius, você sabia das coisas!)
A tatuagem é uma surpresa agradável: um caminho interessante, um trilho por onde correrão os lábios ávidos pelo suspiro que lhe virá.
Ria e se ria... me ria.
Saiba beber.
Saiba receber e ser bem-vinda (como na música do Juca) e que confie em si e se saiba muito.
E que seja mais!

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

À primeira vista: depois do primeiro olhar

Agora que já não estás, posso te dizer o que calei. Queria que soubesses mais do que te fiz saber (e isso foi mais do que você quis saber). Calei porque os dias diriam, as semanas passariam, os meses seriam tantos e fariam os anos mais. Mas não foi. Era pra ter sido. Mas se fosse, seria. Não foi. Mas o que passou não apaga quem vejo que você é.
É... às vezes a gente precisa fechar os olhos pra enxergar quem não está (mais) à diante. E daí a memória (a boa memória) é a maior aliada do bem da nossa alma. Olhos fechados e te vejo de novo e de novo e de novo. E gosto toda vez.  Lembro primeiro de te ver andar na minha direção e foram 06 passos que apagaram tudo o que havia em volta. Só havia você. “Oi, prazer...”. Prazer. Meu peito se dividia entre o nervoso, o ansioso e o feliz. Bobo... Depois sou eu que vou até você. Mas o que eu digo? Eu digo? Digo o que? Por que? Mas eu... eu me queria perto... eu me queria perto de você. Por quanto tempo? Quando seria de novo? Só tinha o agora daquela hora. Respiro fundo. Esqueço que eu sou eu e todos os medos daquele eu que por enquanto não seria. Mas no fundo era... vergonha.
E eu te via. Sem que eu quisesse olhar muito, mas querendo olhar bem mais. Tentava te fotografar na minha retina. Te fazer a arte principal da minha galeria mais cara. Você... você feita em formas tão bonitas, tão suaves, tão gentis aos olhos. Meus olhos...
Te quis no meu passado. Por um instante... por um instante não queria que aquele fosse o primeiro dia (noite). Me peguei lamentando cada um dos dias em que não havia você. Mas o passado lamentado não muda. Preferi desejar que ainda haja mais dias em que me haja você. Haverá você pra mim?
Te via... não era difícil entender o fascínio que não era só dos meus olhos, mas de mim inteiro. Era você. Você que tem a beleza que em instantes transforma segundos em semanas. Tudo parece fazer mais sentido sabendo agora que, de real, há você.
Invejei teus olhos que olhavam a tudo, mas pareciam nem dar conta de mim. Eu estava ali. Intruso? Talvez um pouco. Daí você me olhava numa expressão que eu não traduzia e nem ousaria arriscar uma resposta que me fizesse errar. Até que você sorria e teu sorriso era gentil. Havia carinho? Que bom seria... Desde antes desse que foi o primeiro dia, teu sorriso se fez muita razão da minha própria poesia. Mas disso você já sabe. Não entende, mas sabe. Desconfia, mas sabe. Receia, mas sabe...
Agora eu não preciso mais te sonhar. Mas você é presença mais que bem-vinda em cada sonho. Já nem tento mais evitar te pensar. Disso eu já desisto. O ponteiro dos minutos roda todo o relógio e a cada volta aqui está você, onde não te olho, mas te vejo.
Sim. Você é de verdade e nem é mais “só” a “minha” verdade. E que bom. Seja e continue sendo. Não sei se fui eu que vim até aqui. Não sei se foi a vida que me trouxe até aqui. Não sei se eu fui até você ou se a vida te trouxe num caminho como que um presente para quem pedia pela novidade que lhe faria bem. O que sei é que gosto de te saber (mesmo que de pouco em pouco, com você observando mais do que falando). O que sei é que não quero simplesmente chegar num ponto em que tudo para. Quero todo o caminho. Quero o caminho inteiro. Todo o trajeto a ser percorrido por quem quer fazer e ser o melhor pra você, conhecendo, recebendo e fazendo merecer o melhor de você.
Você é tanto. É tão mais do que a maioria. É tão mais do que minha lembrança alcança dentre tudo o que já vi, vivi, experimentei e conheci.  Você é tanto que mesmo que eu te escreva mais e mais palavras pra te tentar fazer saber o quanto vejo quando te vejo, não haveria palavra que fosse plena e perfeitamente capaz de me fazer entender...
Mas você encanta! Me encanta... e que bom que é você.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A gente entende tudo na saudade


"Ela tinha viajado. Há dias estava longe. Parecia que fazia meses que não a via. Eles se falavam. Se sabiam. Conversavam numa intensidade que fazia mais o tanto que se queriam. E um dia ela perguntou se estava tudo bem. Uma pergunta tão simples, mas que lhe doeu os ouvidos, o peito... a saudade. E ele só conseguiu dizer com os lábios o que gritava dentro de si. 

- Como estaria tudo bem? De que jeito eu estaria bem se você está longe, se meus olhos não te veem e se meus braços não te abraçam? Bem de que jeito se meus ouvidos não ouvem tua voz dita diretamente pra mim, perto de mim ou se minha boca não beija o teu beijo, metade mais que perfeita de mim? Meu bem é teu e está em você. É a parte de mim que você me leva e a vida minha que você me traz. Então fica o tempo que tiver que ficar, mas volta depressa pra mim.

- Nossa, que lindo! - disse ela numa voz que era toda contentamento e paixão.

- Lindo, meu bem? Não. Não é lindo. Lindo é sorrir feito bobo só de me pegar pensando em você. É sentir a alma mais leve e o coração mais gentil só porque se sabe ocupado pelo amor que é todo você. Lindo é te fazer feliz. Lindo é ser feliz com você, por ser de você... que faz tanta falta.

Na mesma hora os lábios dela sorriram e seus olhos choraram. Ela era feliz. Era feita feliz. Fazia feliz. E já estava na hora de voltar...

sábado, 10 de agosto de 2013

A Arte da Conquista

Não consigo alugar filmes por mero entretenimento. Tenho por hábito ficar muito tempo na locadora procurando “aquele” filme que tenha o que me acrescentar. Até por isso, é raro que eu alugue filmes com bombas, explosões, armas... muito embora haja aqueles dias em que é isso que você quer. Pensar pouco e se sentir preso na ação que tira o fôlego. Mas esses dias são raros. Prefiro mesmo filmes que me provoquem e me façam pensar; filmes que me insiram na realidade dos personagens ou que me façam colocá-los na minha.
Foi exatamente isso que vi nesse filme tão forte: “A Arte da Conquista”, filme independente, indicado ao Grande Júri do Festival de Sundance. Com um ótimo elenco e com uma direção de fotografia que mesclava o ágil, o discreto e sútil que, muitas vezes, lembrava a de um documentário acompanhando a vida de um jovem rapaz (George), artisticamente inquieto e provocativo que, no último ano da “high school” acredita que, pelo do fato de que inevitavelmente todos vamos morrer, tudo o mais na vida se torna irrelevante. Por essa razão não tem amigos, não faz tarefas, não interage socialmente. Ele mesmo se auto define “misantropo”.
Até que ele conhece a menina – interpreta pela linda Emma Roberts, sobrinha da “linda mulher” Julia – que balança seu universo. Ela o faz querer ser diferente. Faz com que ele saia da sua armadura e socialize com seus amigos, colegas de sala que sempre o viam e não o entendiam e que passam a gostar dele. O mundo dele ganha um novo significado, mas ele não consegue se sentir habituado aquilo. O mundo dela – que ele tanto quer que seja dele – é estranho pra ele. É como se ele não pertencesse àquele lugar. E ele se cala. Todos vêm o seu interesse, mas ele nega. Todos sabem o que ele quer, mas ele evita.
A história corre, ele perde a moça, sofre, chora, para. Literalmente para. Uma única música no “repete” do som por dias. Não há aulas, não há rua, mas apenas o espaço limitado de um quarto representando um mundo que se faz pequeno e opressor agora que perdeu seu sentido e sua graça. Até que acontecimentos e desafios exigem que ele siga a diante. Só depende dele. E tudo volta a andar.
O que chama a atenção no filme é o diálogo carregado de significados. É daqueles filmes que me lembram muito a sensação que tinha durante as duas primeiras temporadas de “Dawson’s Creek”. Diálogos elaboradíssimos que eu adoraria ter tido com as pessoas que tinham 17/18 anos quando eu também tinha, mas que, no mundo real, a gente mal consegue ter aos 28, o que dirá aos 18. Mas havia provocação em tudo. A provocação que, na verdade, é a cada um de nós espectadores.
Entendo que não é um filme fácil de se gostar, mas tenho certeza de que é impossível ser indiferente à sua proposta. Se de um lado é fato que, como dito na primeira cena, “vivemos e morremos sozinhos, o resto é ilusão”, por outro lado, também é fato que vivemos de modo que nesse percurso, sejamos mais do que a solidão de nós mesmos e é por isso que sentimos dor, é por isso que ficamos triste, que choramos e que procuramos desesperadamente o que justifique o sorriso.

Por mais que a vida pareça parar, essa é só a realidade de agora e, se o filme ensina algo – e eu digo, assistam! – é que a vida não acaba enquanto se está vivo e, se ela não vai acabar agora, vale a pena sair do quarto, da casa, da prisão de si mesmo, e ir viver.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Estou cheio de mim

Estou cheio de mim!
E isso é bom
Estou cheio de mim
E já se foi o tempo em que era ruim.
Estou cheio de mim
Mas não cansado.
Estou cheio de um contentamento de mim próprio.
Cheio da vida que se me pede que viva
Cheio de um querer que dê certo o que eu faça
Cheio de saúde e de vontade... de amar.
De amar a mim mesmo,
E aos outros,
E a uma,
E a tantas... amar
Cheio de mim, comando meu caminho
Cheio de mim, faço meu o meu querer
E é por cheio de mim que entendo
Essa toada imprecisa chamada viver.
E o que vale amar?
À natureza e ao que está nela?
Ao sol e à vida que ele faz como deus?
E por que não ao próprio Deus?
Ou amar só se deve se também se souber amado?
No fim – ou nesse início – amo do meu jeito de amar
Amo como posso e não como sei.
Porque amar é aprender todo dia
Um novo amor diferente de cada amor que amei.
Há quem ache pouco
Há quem ache exagerado
Há quem ache até calado
E há quem ache que é um amor que fala demais também.
Mas se fala é porque sente tanto que até se culpa
Quando alguém, porque doente,
Dele recebe, diz não, mal quer e nem se desculpa
Se uma lágrima sentida faz rolar no chão.
Mas estou cheio de mim
E cheio de mim me ocupo do sim e me rio do não.
Espero o amor que só encontre, ame e não se perca
E nem me permito apressá-lo assim.
Antes, sigo vivendo 
Sendo feliz além de “cheio de mim”.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A noite não é mesmo para dormir

Dormir à noite deveria ser mais fácil. E nem sou dos que concordam que a noite seja boa pra pensar. O escuro e o silêncio deixam tudo mais bucólico. Inclusive os pensamentos. Não gosto do que penso nessas horas. A reflexão é inútil e a projeção pode ser infeliz. Mal consigo me dar conta das minhas próprias ideias e me percebo querendo adivinhar o que esta por trás de que não entendo ou mesmo de quem nem conheço. Procuro culpas onde (talvez) não há culpas, mas eu, tão acostumado a me culpar por tudo, assumo-me errado até quando quero acertar.
Por um segundo invejo os egoístas. Os conheço bem. Lembro-me da tarde se segunda em que oficialmente me fizeram um deles: "de todos os egoístas que conheci no mundo, você é o maior de todos eles". Esses se importam só consigo, ocupam-se só de si. Se é que se lamentam, logo esquecem e vão para o que vem a seguir. Não se apegam. São frios. Impenetráveis e despreocupados. No fundo têm medo. A rejeição dói e então, se não preciso ser aceito e se não tento ser aceito, não sou rejeitado. Sou só de mim e não me digo não.
Ah! Quantas vezes descuidado dos outros, cuidei só de mim? Mas não me gostava. Agora me conheço, mas parece que eram mais as que gostavam de quem eu era quando eu não gostava de ninguém que não fosse eu. Parece que hoje não notam – não consigo me fazer notar! – que aquele que parecia forte é que era o fraco, enquanto esse que parece fraco é o que aprendeu a ser forte. Ele (eu?) se expressa porque tem o peito, a alma e a mente cheios de palavras e as palavras cheias de um sentimento que é todo um pouco do tudo que ele é. Se caladas sufocam, angustiam, fazem mal. Quando ditas, lhe sugerem um fôlego a mais de vida.
Mas ele (talvez eu?) não é mais sua própria construção. É de verdade. Consegue ser visto por vários olhos, mas não pede por todos. Foi o tempo em que o objetivo eram muitos. Agora são só dois de uma só. Não precisa acumular o que não soma, mas só perde. Quer a soma que multiplica e é só o que pede. Pede?
Eu o conheci (a mim?). Bem. Se atreveu a querer uma, mesmo podendo escolhe tantas... Quase morreu.
...
São todos os que fazem contra o outro aquilo que lhes doeu que fizessem contra si?
Não deveria ser. Quem já sofreu uma vez, deveria pensar duas vezes antes de fazer sofrer.
Mas se até a vida é inconstante, por que não cada um de nós? Por que não seríamos um ontem, outro hoje e um diferente amanhã? Pra que daríamos o conforto de uma satisfação? Se eu não entendi o outro, não deixarei ninguém me entender. Ou talvez eu deixa e quem me vê e que não entende que meu silêncio é o não que eu penso que, não dito, não quer magoar.
Te sorri ontem. Te virei a cara hoje. Fui grosseiro pra que você nem imagine que exista um amanhã. E quem saiba assim você entenda que é se diz que sou tanto, você é pouco pra mim.
Mas deve ser coisa da noite que é calada, bucólica, amarga e nada feliz.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

A história que une dois em sua história

Há mudanças que parecem lentas. Elas fazem a vida parecer mais lenta, talvez culpa do mundo em que tudo parece correr cada vez mais rápido. Há certa insanidade na vida vivida num ritmo qualquer. Não há ritmo exato. Há momento, há escolhas, atitudes, respostas e silêncios que são respostas. Em que nos pautamos? Em quem nos pautamos? Pelo que nos pautamos? Por que nos pautamos? Ao longo das nossas escolhas, esperamos a coincidência de propósitos.
Sim. Alguém que provavelmente era mais esperto do que eu e você, nos vocacionou para uma vida que parece não poder ser sozinha. Somos para quem sejamos. Não eu para mim, mas eu para outra em quem, tenho que crer, se lhe despertará o mesmo sentimento que houver em mim.
E daí tenho me feito espectador. De mim e de outros. Não que isso seja bom. Talvez seja a atitude mais errada. Quando você assiste, você pouco faz. Quando você pouco faz, você pouco vive. Mas vejo que tem muitas vidas que parecem andar juntas por aí. Cada uma é carregada de uma história que fez com que dois que tinham tudo para serem estranhos num mundo tão cheio de gente, descobrissem-se em meio a essa multidão e se fizessem diferentes de todos os semelhantes.
É. Confesso que fico mesmo imaginando a história que une dois em sua história...
Nessas horas me sinto quase um derrotado. O fim de quase todas as minhas histórias me esvazia e as faz parecer terem sido vazias de tudo. Talvez por isso tenha começado a escrever. Quando escrevo, coloco o fim que quero, invento o motivo que me interessa e cada palavra dita é a verdade de cada um que disse e ouviu. Porque, enquanto cada história que foi minha, depois de passada, parecia nunca ter sido mais do que nada, cada história que é minha, porque eu criei, fiz e terminei, continuava ecoando pelo tempo do meu tempo. Daí a fantasia e a ideia de fantasiar (muitas vezes o pouco ou nada provável)...
Mas voltemos aos encontros.
Há quem saia à noite para ser e ser visto; tentar, ser tentado e conseguir. Conhecem-se numa noite de festa, riem-se um ao outro, olham-se, sentem uma afinidade que cresce (talvez incentivada pela bebida que corre), até que o instante os aproxima, o momento convida e o beijo acontece.
Dali trocam telefones, mensagens, se gostam, fazem bem e mantém o bem querer que, dia após dia, todo dia e cada dia faz com que os anos se somem enquanto são seus e de mais ninguém.
Outros se conhecem na escola, na faculdade, no cursinho, no trabalho. Conversam, marcam de se ver. Ainda não se conhecem, mas já se imaginam. Não sabem muito de si, mas pelo menos se dispõe a aprender. Ousam. Tentam. Vivem a vida que não para de viver. E se deixam surpreender. Não esperam mais do que devem esperar, ainda que esperem o que pareça preciso.
E há aqueles que simplesmente esperam. Esperam porque cansaram de escolher ou cansaram de ser escolhidos por quem não escolheram. Esperam porque olham à sua volta e ninguém que veem lhes completa. Esperam porque cansaram. Simplesmente cansaram. Cansaram do percurso tão conhecido e já não sentem nem o direito de esperar que lhes surpreenda. E quase desistem.
São esses que esperam que a vida faça por eles o que eles não souberam fazer.
São esses que esperam que, distraídos e cuidando de si – depois de tanta angústia, tanta dor, tanta falta de risada por sonhos desfeitos, qual quimeras mal ajambradas cujo alicerce foi feito em nuvens – de repente sintam a paixão, o amor ou como quiserem chamar, lhes atingindo a cabeça como o raio que traz o novo (ou uma pedrada que vem sabe-se lá de onde). Para esses, quem já está não interessa, e talvez isso seja mesquinho, soberbo, por vezes pretensioso, mas eles não gostam do mundo que têm e querem o direito de gozar novo mundo.
Talvez seja seu momento de irem embora. Talvez o outro mundo não esteja na mudança que vem de dentro pra fora, mas sim – como sempre pareceu inevitável – de fora pra dentro. Mas isso não é fugir? Não sabem... antes sabiam tudo, agora não sabem nada. Mas pedem. Não se conformam com quem inventou que um só não basta para si consigo. E querem. Mas já não conseguem tentar. Então esperam...