segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Adeus ano velho...


Olha só. E não é que já faz quase um ano que esse ano começou. E já vai terminar...
No início de 2010, nesse mesmo bat-blog escrevi que “O fato é que a virada do dia 31 de dezembro para o primeiro de janeiro em nada difere das outras 11 viradas que se notam de um mês para outro ao longo de todos os demais anos. Mas ainda assim, achamos importante, planejamos jantares, encontros, reencontros, situações que não se vivem ao longo do ano”.
Pois bem.
Ainda penso assim. Mas não há porque desconsiderar o simbolismo da data para todos nós. Porque de fato, não é o simples começo de um novo mês, mas o começo de um novo ano e por que não esperar um novo ano muito melhor do que o ano que se passou?
Não sei como foi o ano de 2010 pra cada um de vocês. Eu tenho bastante a me queixar. Tanta mega-sena acumulada e eu não ganhei nenhuma pra não ter que me preocupar com mais nada. Falta de sorte... vamos ver o que dá na da virada.
O ano de 2010, me parece, termina como começou e, infelizmente, com o PT ainda no poder.
Aliás, se eu fosse medir meu ano de 2011 pelo seu primeiro dia, diria que será péssimo, porque será péssimo saber que dia 1º a presidente-eleita não será mais eleita, mas será presidente pelo tempo que conseguir (será que dura 04 anos?).
Mas quero acreditar que 2011 será um ano de sorrisos. Se não do meu, de todos que tanto gosto (e que venho me perguntando se são tantos quanto os que gostam de mim e se são tantos assim rs).
Permitam-me, então, que eu parta da premissa de que o ano que começa pode ser começo de um “novo eu” de cada um de nós.
Dois mil e onze é 2 + 0 + 1 + 1 = 4. Não sei se isso significa alguma coisa. Numerólogos de plantão me digam depois. Sendo 4 melhor que 3 ou pior que 5, o que quero é saber de um ano esplêndido, em que não haja quem se vai, mas que sobre quem chega para alegrar os dias de quem espera ser feliz.
Que 2011 seja um ano em que os abraços se procurem, que os beijos sejam beijados, as mãos se entrelacem em carinhos e os olhos se encontrem na ternura de quem bem se quer, seja pro agora, seja pro infinito de um tempo que jamais será.
Que 2011 seja o ano da realização e da surpresa; da escolha e da inevitável renúncia; do perdão sempre pronto a perdoar e do sorriso aberto a inspirar outros sorrisos. Seja o encantamento com o novo e o reencontro com o passado; a esperança do bem e a certeza de um sucesso recorrente, que não se limite para o agora, mas recomece sempre que houver a necessidade de recomeçar.
Então, que venha 2011. Um ano bom para todos nós.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Quem me dera mudar


Os últimos dias têm sido de um assoberbamento tal que mal tenho tido tempo de pensar a vida... a minha vida.
Já faz tempo que a sensação de que mudanças são mais que necessárias tem tomado conta dos meus dias. É como se isso fosse essencial para que eu possa sentir que voltei (ou que estou voltando) a viver.
Já faz algum tempo que a impressão de que a vida é a arte de se reinventar me acompanha. Recriar caminhos, repensar escolhas, reviver alegrias, fazer feliz, fazer sonhar, nada disso deveria ser desafio, mas a recorrência de todos nós.
Mas mesmo assim não é.
Tendo a admirar quem se permite tomar decisões que muitas vezes soam radicais. Saem da sua zona de conforto, daquele cotidiano que inevitavelmente caminha para uma pasmaceira comum à grande maioria das pessoas e causa maior dos sorrisos tristes.
Aplaudo porque parecem diferentes num mundo em que muda-se pouco.
Mudar deveria ser muito mais natural do que o nosso medo de mudanças.
Mudar deveria ser a resposta da vida para tudo que não vai bem. Ou a insistência nossa no que patina e não sai do lugar não seria egoísmo de quem, por medo das mudanças, tenta fazer de tudo para não mudar?
Mas falar é tão mais fácil...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Melhor que seja melhor


Será que a vida de todo mundo dá voltas como tem dado a minha? Será que os outros também experimentam dessa sensação de não terem nenhuma resposta, no minuto seguinte de quando achavam já terem todas?
Confesso que na maior parte do tempo eu me delicio com o quanto ainda posso me surpreender com a vida. Sim, me parece que o momento em que perdemos a capacidade de nos surpreendermos é o momento em que a vida fica sem sentido. Eu adoro quando posso me surpreender.
Adoro quando o que hoje é real soa impossível dias atrás. A sensação do inusitado, a apreensão com o impensado, tudo isso me instiga a procurar na vida o que vem a seguir.
Muitas vezes planejamos um tempo que não chega, mas nos vem outro que nos encanta hoje, mais do que qualquer sonho tenha encantado antes. E como é bom se encantar; como é bom se deslumbrar com o que nos surge da maneira menos impensada, mas que se faz essencial para a felicidade de todos os outros dias, porque sem o impensado de antes, nada mais é sensato no agora.
Vivo um momento em que tudo que me parecia certo é cada vez menos o que quero e mais o que já foi. E por mais que assuste, muito do agora é o motivo atual do sorriso que cada dia é mais novo. E isso me é bom. É bom porque posso continuar crendo que o novo vale a pena. E ainda melhor, pelo que ainda me virá. E eu sei que virá...
Dá uma vontade de tentar fazer acontecer...

domingo, 31 de outubro de 2010

O Brasil que me envergonha


A sensação de tristeza que me acometeu com o resultado das eleições presidenciais foi semelhante a de assistir meu time perdendo uma final de campeonato. Foi inevitável a sensação de um vazio todo negro tomando conta do meu peito. Um vazio de quem teme a sorte do meu país.
Eu tenho todas as convicções possíveis de que Dilma Rousseff será desastrosa para o Brasil e, desde já, deixo aqui meu registro que, um dia, será profético.
Me sinto envergonhado pelo Brasil.
Envergonhado de um país que enxerga na figura de um homem o símbolo de sua esperança. Envergonhado de um país que enxerga essa esperança em um homem que se deitou com a corrupção, que se entregou ao achincalhe das instituições e ao descaso com a moralidade. Envergonhado de um país que vota numa mulher que até ontem era ninguém, porque esse mesmo homem – que se fez à custa de um discurso mentiroso e uma trajetória tortuosa e a cada novo dia menos digna de aplausos sinceros – indicou que votasse. Um país que não adota um critério objetivo para sua escolha, mas que se pauta na velha política populista que parece nunca soçobrar.
É vexaminoso fazer parte de um país que muitos querem “gigante pela própria natureza”, mas que se esforça para manter os seus todos dormindo, quietos, mendigantes da próxima esmola que lhes darão.
Pobre e triste Brasil, sempre lançado a quem pouco se preocupa consigo, mas muito mais com seus pares, todos eles cada dia mais ricos à custa da política suja que se assistiu ao longo dos últimos 8 anos.
Pobre Brasil que não percebeu a bem-aventurança que lhe chegaria ser livre de Lulas, Dilmas, Dirceus e Berzoinis... mas agora é refém de seu autoritarismo, de seu descaso com a democracia e de sua imoralidade.
Festejam os que sentem-se vitoriosos, mas é uma vitória que não deve durar. Não há qualquer possibilidade de sucesso de um governo que se inicia dissociado da verdade e desamparado da justiça.
Talvez mais fácil fosse deixar um país tão digno de vaias, mas o caminho mais fácil é a escolha dos fracos. Melhor é permanecer firme na luta contra esse PT que toma de assalto a república e ri do processo democrático; melhor é se fazer firme porque esse governo não tende a prosperar.
Mas por hora não dá pra não se deixar envergonhar desse povo que quis assim.
Aparentemente agora a Dilma é alguém, mas até esse Dia das Bruxas tão funesto em que “sabe-se lá porquê” resolveram lhe eleger não era ninguém. Espero que amanhã ela seja, simplesmente, a triste história de mais um erro desse triste Brasil.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A Esposa de Isaque


Eu não sei em outros meios, mas no meio evangélico, quando se tenta “educar” os jovens para a vida a dois, é bastante comum se dizer que a pessoa deve pedir a Deus que, no Seu tempo, lhe prepare o companheiro ou a companheira que seja da Sua vontade. É claro que com isso tentam conter os impulsos de moços e moças em busca de saciarem seus desejos mais íntimos, mas...
O exemplo preferido de 10 em cada 10 palestrantes desse tema (o casamento preparado por Deus) é o de Isaque – aquele mesmo filho de Abraão de quem Deus pediu o sacrifício – e sua esposa.
Não quero aqui me alongar nos detalhes bíblicos. Fiquemos com o fato de que o pai de Isaque mandou um empregado até a sua cidade natal para que lá encontrasse uma boa moça a ser desposada por seu filho e que, lá chegando, esse empregado enxergou em uma moça bastante generosa, a esposa para o filho de seu patrão. É dessa moça que quero falar: a esposa de Isaque, Rebecca.
Do que se sabe de Rebecca – cujo nome apropriadamente significa aquela que seduz – era das mulheres mais lindas de seu meio. De gentil trato, encanta todos quanto se ponham em sua presença, presenteando-lhes, ao seu tempo, com uma meiguice que se achava sempre presente no seu olhar ao mesmo tempo terno e forte.
Sabe-se da esposa de Isaque que era boa filha. Tinha bom testemunho de toda família. Filha devotada, carinhosa com seu pai, Betuel, amorosa com sua mãe Milca e fiel aos seus irmãos e irmãs.
O encantamento de Isaque se deu no primeiro momento em que se viram. A narrativa mostra que no que se viram tiveram a certeza de que havia um para mudar a vida do outro. Místicos fossem, saber-se-iam destinados a si desde o infinito de seu tempo de antes, quando foram partes de uma mesma alma.
Ela era linda. Sua beleza era o repouso perfeito dos olhos sempre encantados daquele que se lhe fez servo. Não haveria dia para os restos do dia de seu marido em que o pensamento dele não seria para ela. Adorava tê-la consigo, adorava tê-la para si. Tinha-a e dava-se. Tudo lhe queria. Tudo lhe faria. Ora, e o sorriso de Rebecca não lhe conseguiria tudo de Isaque? A história mostra que sim. Eram o encontro perfeito de um para com o outro. E desde o primeiro momento já se sabiam assim.
Isaque nunca perdeu o dom de se encantar. Assistia Rebecca mesmo quando ela não se sabia vista. Desejava-a mesmo quando a tinha. E mais lhe queria quando a acabava de ter. Ela era musa de seus sonhos. Era dona de sua voz.
O som da voz de sua esposa lhe era o canto mais sublime. Como a água às flores lhe trazia sentido para mais um dia... e Isaque prosperou. Prosperou porque tinha em sua esposa a inspiração para o dia que haveria de vir. Mesmo antes de beijá-la já sabia de seu beijo e por mais saber, mais queria e de tanto querer, tinha a certeza de que a beijaria o beijo que lhe guardou desde sempre. Isaque tinha em seus lábios o destino preciso dos lábios de Rebecca.
Lindas foram suas noites, sublimes suas manhãs... de amor fora sua história.
Isaque muito viveu e em nenhum de seus muitos dias deixou de pensar sua esposa com amor sublime e bem querer contente... aquela que une e seduz seria sempre a imagem adorada na sua lembrança cansada dos dias, mas jovem para o amor.
Isaque era para Rebecca o que queria que fosse ela para ele e, assim, os dois foram um...
Os dois (Isaque e sua esposa) são exemplos perfeitos já há muitas gerações. Um amor que se construiu na fé de um pai que saberia que Deus lhe daria a esposa ideal para o filho e de um filho que soube honrar a fé de seu pai.

Sonhos e Fantasias




Um dos filmes mais sensacionais que já assisti é “A vida de David Galé”. No início desse filme, o protagonista, um professor universitário, em meio a uma aula, indica aos alunos uma série de conceitos sobre a felicidade. Entre esses conceitos, citando de Pascal a Lacan, ele lança a máxima de que “só somos verdadeiramente felizes quando sonhamos acordados com a felicidade futura”.
Confesso que essa frase me impactou. E forte. Ela me exigiu uma necessária e inevitável reflexão. Acredito que deve ter mais de cinco anos que assisti a esse filme.
E por que eu me refiro ao filme?
Recentemente, em meio a uma rotina de conversa cada vez mais prazerosa, ao analisarmos nossos próprios comportamentos, concluímos que todos nós tínhamos a mesma mania de viajar com a imaginação. E é delicioso sonhar. Sonhar a vida real, sonhar a vida absurda... sonhar um sonho de amor, um sonho de riquezas, um sonho de fantasia...
Ah, as fantasias. Fantasio o tempo inteiro e a medida que me relaciono às outras pessoas percebo que não só eu e é quando me pego pensando na frase do filme: só somos verdadeiramente felizes quando sonhamos acordados com a felicidade futura.
E é verdade. Quando olhamos lá na frente e nos vemos felizes, não importa como, não importa com quem, sentimos uma felicidade que é daquele dia que talvez não chegue, mas no dia que já nos chegou. E mesmo que o sonho seja tão frágil quanto um biquíni de chantilly que se desfaz nas águas da cachoeira, é importante que se sonhe. Nos sonhos somos reis, heróis, infalíveis em tudo... nos sonhos nós somos felizes.
Sonhar não implica em deixar de viver. Antes, o sonho é o prenúncio da realidade que nos chegará. Não devemos sonhar se não for para querer fazer do sonho a realidade de amanhã. Sejamos, pois, sonhadores em tudo, sem medo de sonhar.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Paixão x Amor


Os que amam devem invejar os que se apaixonam.
Tenho pra mim que o amor é um sentimento superestimado. Não é tudo isso. Os romances, filmes e canções nos levam a acreditar que o amor é o sentimento a ser almejado, mas sejamos francos: os nossos melhores momentos são os apaixonados.
Quando apaixonados os dias ficam mais azuis, as nuvens mais brancas, os jardins mais verdes, porque tudo ganha um colorido mais intenso.
Quando apaixonados as canções fazem sentido mesmo quando não há sentido algum.
Enquanto o amor acomoda, a paixão faz com que se deseje cada vez mais.
Quando apaixonados até acordar pela manhã é mais prazeroso na certeza de até o fim do dia encontrar quem nos desperta a paixão.
O sorriso do apaixonado é mais bonito. Sua inspiração é latente. Seu encantamento é constante. Sua alegria é presente e suas palavras mais doces.
À bem da verdade, acredito que o amor que se escreve, se canta e se louva é, na verdade, a paixão. Essa sim é arrebatadora.
A paixão inspira muito mais que o amor, ou os melhores dias de um relacionamento não são os primeiros? Aqueles dias em que um simples tocar de corpos faz sair faísca, em que um beijo é pouco e muitos beijos ainda são poucos.
Apaixonar-se é querer quem já se tem, para que tendo, se queira ainda mais.
É sorrir sem maiores motivos. É sorrir porque sente paixão.
A paixão faz sonhar (e às vezes sonhar acordado mesmo).
Aquela cara boba de quem viu passarinho azul não existe nos rostos de quem ama. Ela é exclusiva dos apaixonados.
Quem ama quer a estabilidade de um relacionamento que muitas vezes dura mais do que deveria durar, já os que se apaixonam lançam-se na incerteza do que será, mais preocupados com o bom de agora.
E por favor, não reduzamos a paixão a um estágio preliminar do amor. Eles andam separados.
A paixão é legal, diverte. Se ela evolui, ela não poderia ser pra se tornar amor. O amor, por sua vez, é manso, é suave... companheiro. Aliás, é bem possível amar e se apaixonar. Um é um, outro é outro. E olha que são vários os que amam, mas não sabem mais o que é paixão. Triste...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A noite sem você...

E a noite passa e com ela seu silêncio.
Silêncio esse em que penso em você.
E quando te penso o silêncio faz barulho
No peito meu, amante eterno de você.
E te levo comigo no caminho que sigo
E sigo um caminho que me leva a você.
Se me diz não, ainda espero o sim
O sim que me vem e que só quero de você.
E sempre querendo e querendo você
Tão linda e serena e sorrindo... e assim
Sei que terei você...
Terei você só pra mim.

domingo, 26 de setembro de 2010

NINE


Como tenho escrito pouco aqui e esse fim de semana (de inutilidade total) fui à locadora e peguei seis dos meus filmes preferidos, resolvi escrever um pouco de cada um deles à medida que os vou assistindo.
Não. Os filmes que assisto definitivamente não são de ação, com explosões enormes e sangue jorrando para todos os lados. Filmes assim não acrescentam nada e me parecem entretenimento vazio para alma e espírito. Entretenimento assim nunca me interessa.
Gosto de filmes com diálogos interessantes. Daqueles que eu possa achar que talvez dissesse, mas que no fundo me ressinto de não ter a chance e nem o dom de dizer. Em suma, qualquer comédia romântica inteligente – aquela dos diálogos cheios de vários sentidos – me fascina e me faz querer reviver toda sorte de paixões.
Vou começar, então, pelo primeiro filme da tarde: NINE.
NINE é um musical de cada vez mais rara beleza na Hollywood atual, mais preocupada com filmes em que se abusa da tecnologia em detrimento das interpretações que absorvem uma platéia outrora desejosa de viver o que a tela sugere.
É verdade – e já me queixei disso em post menos recente – que Hollywood deixou de apostas em filmes musicais. Por sorte, nós, os apaixonados pelo gênero, vez ou outra somos brindados com um ou outro gracioso musical. Sim, não faz muito tempo tivemos Mamma Mia! que também me deleitou e me fez esquecer da vida, dos problemas e todo o resto pelas quase duas horas de divertidíssima atuação de um elenco pouco ortodoxo para o que se propôs em músicas não menos ortodoxas já que do ABBA (?), mas que funcionaram perfeitamente. Aliás, que elenco encabeçado pela mais-que-perfeita Meryl Streep não funcionaria? E olha que ainda havia Colin Firth, Pierce “James Bond” Brosnan e a impagável Christine Baranski... mas que Mamma Mia fique para outro dia, agora o que interessa é NINE e a história de um famoso diretor italiano em crise de criatividade, de meia-idade, de casamento e com as várias amantes ao longo de toda sua vida e que agora parecem querer lhe revisitar.
Para quem gosta de reparar nos detalhes, a direção, seja a de arte, seja a de fotografia, é perfeita. As cores que saltam da tela em um cenário intimista quando entre 04 paredes e maravilhoso quando explora as belezas da lindíssima Itália, são um show a parte. E o elenco. Ah! o elenco... é estelar e espetacular.
O diretor é interpretado por aquele que está seguramente entre os 05 maiores atores da sua geração: Daniel Day-Lewis. Qualquer um que goste de cinema já se encantou com alguma de suas atuações em filmes como Meu Pé esquerdo, Em nome do Pai, O último Moicano ou os mais recentes, Gangues de Nova Iorque e Sangue Negro. A sua atuação como um diretor de cinema italiano e em crise, conduzindo e liderando todo o filme é deslumbrante “Eu desejo mais, devo me contentar com menos e me pergunto: de que vale algo bom se não for em excesso? Uma limitação que lamento profundamente é só ter conhecido um de mim mesmo...”.
E por ele que logo na terceira cena surge uma deliciosa (em todos os sentidos) Penélope Cruz numa performance sensualíssima e que rouba todo o filme para si. “Quem não está vestindo nada? Eu não estou. Quem tem medo de beijar os dedos do teu pé? Eu não. Precios que você me aperte aqui, aqui e aqui”. Penélope é dessas atrizes que não precisam de grandes papéis. Qualquer papel para ela é grande. Ela é quem cresce e se faz perfeita em tudo que faz (Vicky Cristina Barcelona é grande prova disso, para não falar nos vários “Almodóvar” que ela fez).
Penélope é a amante desse diretor, seu personagem, Carla, uma italiana casada, mas apaixonada pelo amante e que se sujeita a qualquer dos seus caprichos, muito embora quisesse mesmo ser Luisa, a esposa, interpretada pela graciosa Marion Cotillard, que parece ter um caso de amor com a câmera, tamanha a cumplicidade entre elas “Me mostre como você encara tudo. Então vamos lá. Faça bom proveito. Quer minha alma? Faça bom proveito, porque não tenho mais nada, não me resta nada para dar”.
Para que então surja Fergie.
Fergie é um caso a parte para todos os homens que adoram as mulheres. A sensualidade que ela esbanja não se vê em muitas por todo o show bizz. Fergie é perfeita para o papel da musa dos tempos de infância da personagem principal. Nas lembranças do diretor, é ela quem o ensina ser um bom amante, numa performance musical que inevitavelmente te faz perguntar porque que todas as mulheres não são Fergie(licious). A medida que se move com a sensualidade da serpente, ensina o jovem Guido tudo que uma mulher pode querer, seja as doces palavras que ela gosta de ouvir à forma como ela quer ser tocada: “peço que seja ousado, sentimental. Pode até me dar um tapinha, mas seja ousado e indiferente e quando me apertar que seja onde a carne é fraca... colha a flor antes que você perca a chance”.
Se as suas musas já não fossem tantas, surgem ainda a maravilhosa Kate Hudson, deixando bem claro, numa dança repleta de ousadia, sedução e bom humor, o tamanho do seu desejo pelo já meu herói, Guido Contini, nome e sobrenome da nossa personagem principal. Em uma conversa regada a vodca e tendo à mostra uma insinuante cinta-liga, ela não se furta em sugerir suas mais perversas intenções “Eu estava pensando se há um limite para o que você possa mostrar nos teus filmes” “O que você gostaria de ver que ainda não te mostrei?”
Para que, enfim, sejamos apresentados aquela que é a maior musa do nosso diretor. Sua atriz preferida. A prima-dona de toda sua obra: Claudia Jensen, interpretada por uma das atrizes mais lindas que já passaram pela capital do cinema: Ms. Nicole Kidman. “de um modo inesperado você foi meu amigo, talvez tenha durado um dia, talvez tenha durado uma hora, mas de alguma forma isso nunca terá fim.”
São poucos os minutos em que a ex-senhora Tom Cruise nos brinda com sua presença magnífica, mas cada segundo fez com que eu perguntasse a Deus o que Ele tem contra mim.
Enfim, o filme é um show de sensualidade? Sim, é.
Mas tudo isso dentro de um enredo muito bem trabalhado pelo elenco maravilhoso que ainda se completa pela talentosíssima Judi Dench e pela eterna Sophia Loren.
Os diálogos são perfeitos e, muitas vezes, vemos na aflição experimentada por Guido, um pouco da desilusão que vivemos cada um de nós que queremos amar, mas erramos sempre com quem nos é mais importante, até que mesmo esse alguém, cansa de nos perdoar. Nele vemos o potencial de destruir os sonhos das pessoas, mas, principalmente, como é fácil esquecermos de quem somos nós e que "que uma escolha errada ao longo no caminho, pode fazer com que todas as outras sejam erradas também e com isso a gente acaba longe do caminho e se perca." O filme é preciso quando mostra que ao nos perdemos, não há quem possa nos ajudar a encontrar nosso caminho, pois isso só cabe a nós mesmos, no momento em que percebemos a necessidade da gente se reencontrar. O final caminha para uma inevitável redenção, mostrada de uma forma bastante singela e cheia de uma excelente música, aliás, a marca de todo o filme.

sábado, 25 de setembro de 2010

Vida...


Não quero falar de mim, quero falar do conhecido da filha de uma amiga da irmã da cunhada do vizinho da filha de amiga da depiladora da mulher do meu tio. Por razões óbvias não darei o nome do rapaz, mas acho que podemos usá-lo como exemplo nesse texto que não se sabe o que será.
O rapaz está aí com seus vinte e poucos anos, fim de faculdade, vida pela frente, mas perspectivas zero de felicidade. Dizem que qualquer segundo de conversa com ele é um convite eterno ao suicídio dos sonhos. Ele afirma e demonstra não ter nenhum.
E por que isso? Porque estamos todos – não só ele, mas eu e você também – sendo convidados a esquecermos as delícias de sonhar, para que nos entreguemos a realidade de uma vida cada dia mais abjeta, pois cruel e dura.
A cada dia cresce a impressão de que a maioria espera que a vida seja vivida de acordo com uma cartilha pré-estabelecida sabe-se lá por quem. Uma vida que se resumiria em nascer, estudar, arrumar um emprego público qualquer, casamento, filhos, aposentadoria razoável à espera do inevitável fim de todos nós.
E quem disse que tem que ser assim?
Afora o nascimento e o momento da morte, quem estabeleceu o que a pessoa deve ou não deve fazer? Até pelas minhas predileções, entendo que estudar deveria ser tão essencial à vida quando seu início e seu derradeiro, mas todo o resto são escolhas, escolhas que nos fazem conseqüências de nós mesmos, seja quando erramos, seja quando acreditamos que acabamos de acertar.
Até sonhamos com a vida perfeita, mas as vicissitudes sempre nos alcançarão. Mas e daí? Temos medo de não superarmos os problemas? O medo não combina com a vida, essa sim, um eterno desafio.
A estabilidade de um emprego não é a certeza de uma vida de satisfação, assim como, a insegurança de se prover por si próprio não significa a insatisfação pela falta de maiores certezas.
O segredo está em nos atirarmos na vida mesmo sem a certeza do bom final. Mesmo, porque, o bom final só depende de mim e de você.

domingo, 12 de setembro de 2010

O que Kant diria para o Lula

"
"Um governo fundado no princípio da benevolência para com o povo, como é o caso do governo de um pai em face dos filhos, ou seja, um governo paternalista (imperium paternale), no qual os súditos, como filhos menores que não podem distinguir entre o que lhes é útil ou prejudicial, são obrigados a se comportar passivamente, para esperar que o chefe do Estado julgue de que modo eles devem ser felizes, esse governo é o pior despotismo que se possa imaginar."


"Kant, Imannuel. Sopra il detto comune: 'Questo può essere giusto in teoria, ma non vale per la pratica'(1793)". (No ditado popular: 'Isso pode ser certo na teoria, mas não vale na prática')

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

domingo, 29 de agosto de 2010

Pobre Brasil pobre


Não consigo não me assustar com os resultados de cada nova pesquisa sobre intenção de voto para as eleições presidenciais desse ano.
O crescimento vertiginoso da candidata do esculhambador geral da República – e aqui se pede vênia ao grande José Simão – exige a constatação das mais tristes e revoltantes: o brasileiro é ridículo.
Não consigo deixar de imaginar – e essa é uma imagem cada vez mais forte na minha mente – o todo poderoso imperador do Brasil, sob sua opulenta barba grisalha, sua fala rouca sibilante e seu dedo mindinho ausente, sentado a se refestelar em churrascos regados a pinga na Granja do Torto e rindo do Brasil. Imagino-o jocoso sob gargalhadas afirmando que se ele mandasse que os brasileiros pulassem em uma perna só de hora em hora, ao menos 90 milhões deles fariam. Sim, porque é o que se vê acontecendo nessa corrida presidencial. O povo brasileiro vota em alguém pelo simples fato do chefe do Executivo determinar que o faça.
É assustador como o brasileiro se presta a votar em uma pessoa que ele não sabe quem é. O que nós, brasileiros, sabemos dessa senhora Dilma Roussef, além de se tratar de uma ex-terrorista, saqueadora de bancos e homicida - inclusive em atentado à bomba – em nome de uma batalha extremada contra a ordem vigente em fins dos anos 60?
Essa senhora surgiu para o cenário nacional há menos de 05 anos. Mesmo se antes era Ministra das Minas e Energia, é fato que atinge alguma notoriedade somente no período pós-mensalão: sim, Mensalão! – aquele escândalo de corrupção que teve no presidente e seus assessores mais próximos seus mentores.
A candidata do Partido dos Trabalhadores – que no seu aspecto nacional é outra excrescência da nossa política, das mais mentirosas e nefastas enganando seus militantes locais e, quer-se crer, bem intencionados – é uma ilustre desconhecida do grande público. Ninguém tem um motivo para votar nela, que não seja a indicação do cacique maior da bando que vem se aproveitando do país nos últimos tempos. Simplesmente, ninguém a conhece e isso, porque ela não é dada a se conhecer. Não há o que ela possa mostrar. Não há o que ela saiba dizer.
Sequer ela era a primeira opção daquele que lhe dirige apoio. Mas sem dúvida da a ele a certeza de que tem o povo brasileiro sob seu total controle, povo esse que se vende pela esmola de um assistencialismo vil.
Danuza Leão escreveu muito bem certa vez e abrirei aspas a ela: "Mas de Dilma não tenho medo; tenho pavor. Antes de ser candidata, nunca se viu a ministra dar um só sorriso, em nenhuma circunstância. Depois que começou a correr o Brasil com o presidente, apesar do seu grave problema de saúde, Dilma não para de rir, como se a vida tivesse se tornado um paraíso. Mas essa simpatia tardia nãoconvenceu. Ela é dura mesmo. Dilma personifica, para mim, aquele pai autoritário de quem os filhos morrem de medo, aquela diretora de escola que, quando se era chamada em seu gabinete, se ia quase fazendo pipi nas calças, de tanto medo. Não existe em Dilma um só traço de meiguice, doçura, ternura."
É óbvio que no candidato José Serra se vê uma situação oposta no que diz respeito ao seu preparo. Não que morra de amores pelo candidato, mas na simples avaliação de ambas as biografias, é mais do que óbvio que nele se vê quem preparado para um bom governo.
José Serra é aquele que se sabe de onde vem e sabe o que se fez. Tem o que dizer e mais ainda o que mostrar. Mas o texto não se presta a defender ou a fazer campanha a um candidato contra o outro.
Esse texto é parte da indignação contra um povo estúpido. De uma estupidez que beira a idiotice. Um povo que se contenta em receber uma ordem sem refleti-la; uma indicação sem avalia-la. O voto no Brasil é pobre. O pensamento no Brasil é raro. Por fim, somos todos vítimas de uma maioria medíocre que se contentará sempre com o papel de mendigos da máquina pública, com seus chapéus esfarrapados e prontos para contribuir com o “apequenamento” do país.
Tenho medo de um país governado por essa mulher. Dilma presidente será a pior coisa que poderá acontecer a esse país.

sábado, 28 de agosto de 2010

Adeuses


Tenho me percebido em uma fase de reflexões.
Olhar pra trás faz com que me assuste com os tantos erros que cometi nesses anos passados. Invariavelmente percebo que meu jeito de ser faz com que meu relacionamento com a maior parte das pessoas tenha prazo de validade.
Digo isso, porque são várias as pessoas que fizeram parte da minha vida – e muitas vezes de uma forma bastante intensa – que com o passar dos anos se fizeram (e fazem!) estranhas a mim, mesmo que presentes em certas rotinas.
O saudosismo me parece inevitável quando os olhos voltam 05 anos, 05 meses ou mesmo 05 dias e vejo que o que era já não é, quando o que poderia ser (mesmo com base no que foi) me parece tão mais interessante.
Ora, qual será o erro que me faz perder aquilo que sempre dei valor? Será que é pouco o quanto sei demonstrar o afeto e o apreço por quem sempre me fez sorrir um sorriso mais cheio de alegria? Ou será que na intensidade que me proponho vou tão além que o que digo ser sentimento, soa mais uma mera invenção?
Sei que nunca foi ideal de uma vida me sentir como um objeto que alguém põe em uma caixa e joga fora porque não serve mais.
Sei que vive em mim um eterno bem querer por quem venha desprezar o que fui – e mesmo aqueles que nunca mais serão!
Nunca enxerguei nas novas companhias a substituição das que se foram. Não vejo as pessoas que me fizeram bem como passíveis de não me serem mais ninguém, ou se forem, sejam menos do que um dia significaram.
Não falo de amor, de paixão e nem de nada que se defina mais em palavras que em sentimentos. Falo daquele encontro em que o que se sabe é o que não se disse, mas se percebeu. Sei que para o que me propus, não haverá momento em que me chamem ao socorro, que não socorrerei os que me precisarem e isso porque pra mim mesmo o antes se faz presente no agora e no todo sempre de depois de amanhã.
Pudesse optar e não diria adeus, mas são mais os adeuses que me dizem... que mal haverá em mim?
Mais do que nunca me sinto menos do que sou... e talvez seja!
Novas pessoas que ocupam o espaço das que passaram... é o que acontece, mas não serve pra mim. O novo de hoje... não...

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O imprevísivel




Quando menos se espera, o que já não era volta a ser e o que se quis, é o presente do que se tem e o futuro do que se espera.
Confesso que por mais que me assuste, gosto da imprevisibilidade da vida e de como uma vida pode mudar (ou acabar) no curto tempo de um olho que pisca.
Até insistimos em planejar nossa vida. Sim, não podemos nos fazer conseqüência do acaso mais fatalista diante da nossa própria inação. Precisamos, diante das conseqüências previsíveis de nossas escolhas, sermos os que preparados para o diferente do antes ou até do durante, quanto mais do depois.
A vida tem tudo pra ser muito mais linda quando o acaso é mais do bom que se pode provar.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Voltando...


Não é nada agradável querer escrever alguma coisa pra postar no blog e não encontrar nada sobre o que escrever.
Há momentos em que a inspiração parece abundar; momentos em que tudo parece ser assunto para um texto, uma reflexão, uma piada, etc. Certamente não tem sido assim pra mim. Passei o mês de julho inteiro pra escrever apenas uma poesia e mais nada que fosse digno de se colocar aqui no blog.
Tudo bem que meu mês de julho foi bastante movimentado. Ao longo do mês me dividi entre Rondônia, Minas, Rio de Janeiro e São Paulo. Provavelmente tivesse muito para falar desses dias, mas tudo que teria sentido se dito quando próximo ao que vivido.
Por exemplo, ter ido ao Rio assistir ao espetáculo Alucinadas foi uma experiência agradabilíssima. O espetáculo de sketches de humor muito bem boladas e defendidas por duas atrizes de enorme talento (Renata Castro Barbosa e Lu Fregolente) já iniciava com tudo com a deliciosa música composta por Leoni e cantada por ele, Hebert Vianna, Léo Jaime e Roberto Frejat (confira o vídeo abaixo).
Nessa empreitada fomos Fabrício, Elias, Marcão, André, Diana e eu. Os seis lá no teatro Leblon onde, em seqüência, assistimos o segundo horário da segunda mostra de Stand-up Comedy, com apresentações hilárias de Marcos Vera e Cláudio Torres Gonzaga e que teve na platéia dois dos “maiores atores” de todos os tempos: Raul Gazola e Ricardo (Cigano Igor) Macchi.
Nessa viagem ao Rio ainda tivemos a nossa caminhada alcoológica (ainda não entendi muito bem porque ela recebeu esse nome) e o jogo Alemanha e Espanha assistido direto da Arena Fifa Fan Fest em Copacabana.
A parte mais importante da viagem sem dúvida foi o casamento da Mariana com o Bernardo, mas ainda tem o excelente show do Oscar Filho (o Pequeno Pônei do CQC) em São Paulo em que os noivos me deram o prazer de sua companhia em 75min de muitas risadas.
Sobre tudo isso ainda escrevo aqui um dia... ou quem sabe amanhã ou depois de amanhã.



sexta-feira, 16 de julho de 2010

A perfeição de quem se quer...




És mais perfeita que a canção de amor mais bonita.
Mais bonita que a paisagem de vista mais intensa.
Mais intensa que o momento mais sublime.
E mais sublime que a companhia mais brilhante,

És mais brilhante que a estrela mais divina
E mais divina que o prazer mais esperado
Esperada como espero há tanto tempo
Tempo tanto que não sei sequer passado

sábado, 26 de junho de 2010

01 ano sem Michael Jackson


Ontem, dia 25 de junho, fez um ano da morte de Michael Jackson (e dia 24/06, onze anos da do meu avô). Foram poucas as vezes no mundo em que um fato causou tamanha comoção mundial. Afora momentos de tragédias climáticas ou terroristas que causaram a morte de milhares, não me recordo de outro momento em que o mundo inteiro se uniu em torno de um mesmo fato.
Não há muito mais a se falar sobre Michael Jackson que não tenha sido dito nos 42 anos de carreira que ele teve até sua morte prematura. A personagem Michael Jackson acabou se fazendo alvo de muitas controvérsias que findaram por afetar de forma tão definitiva a pessoa Michael Joseph Jackson.
A história de abusos na sua infância. As inseguranças com a mudança da sua imagem de “menininho-bonitinho-que-encantava-a-América” para aquela imagem típica de adolescente cheio de espinhas e desengonçado e que foi o princípio das várias intervenções cirúrgicas. Seus hábitos estranhos e controversos... Neverland, Lisa Marie, máscaras, etc... tudo pareceu contribuir para criar uma aura toda estranha envolta daquele que foi, sem dúvida, um dos maiores gênios da música no século XX.
Sim, porque acima de tudo e tudo que ele era, ele era um gênio. Suas músicas, suas performances, sua presença... tudo nele, na sua imagem, na forma como se mostrava, era contagiante. Ninguém fica indiferente a uma música da Michael Jackson.
A sua morte, como a maioria das mortes, me entristeceu muito. Sempre fui muito fã de Michael Jackson e torcia para que sua turnê “This is It” fosse um grande sucesso e, vindo ao Brasil, eu tivesse a chance de assisti-lo.
A história mostrou que não aconteceu. Se é que as pessoas tem seus dias contados nessa Terra, ele cumpriu os seus. Mas uma parte de mim ainda acha que ele foi antes da hora que devia ir...
A minha música preferida dele é, sem dúvida, Billie Jean, mas uma das mensagens mais marcantes que ele deixou foi a lindíssima música “Heal the World”. Como eu tento, tento, tento e nunca consigo colocar o vídeo aqui, vou deixar a letra dela linhas abaixo para compartilhar um pouco da genialidade do mito Michael Jackson, se houve alguma música ou trecho de música dele que você goste, escreva nos comentários para que todos possamos brindar o brilhantismo de suas composições...
Salve, Michael.
Tem um lugar em seu coração
E eu sei que é amor
E esse lugar poderia ser
Muito mais brilhante que amanhã
E se você realmente tentar
Verá que não tem motivos pra chorar
Nesse lugar você vai sentir
Que não há dor ou mágoa
Tem jeitos de chegar lá
Se você se importa o suficiente com os vivos
Abra um espaço
Faça um lugar melhor

Salve o mundo
Faça dele um lugar melhor
Pra você e para mim
E toda a raça humana
Tem pessoas morrendo
Se você se importa o suficiente com os vivos
Faça do mundo um lugar melhor
Para você e para mim
...
Nós podíamos voar tão alto
Nunca deixar nossos espíritos morrerem
Em meu coração, sinto que somos todos irmãos
Crie um mundo sem medo
Juntos choramos lágrimas de felicidade
Veja as nações transformarem suas espadas em arados

Jogo 3... o compadrio


Então, né... o Brasil (a seleção brasileira ou o combinado dos amigos do Dunga, como queiram) entrou em campo hoje. Gostaria de poder falar de toda a partida, mas confesso que dormi por volta dos 20 minutos do segundo tempo, então não tenho muito o que dizer.
Não escondo de ninguém que essa Copa não me empolga. O único jogo em que me senti torcedor foi Estados Unidos e Argélia. Cheguei a comemorar o gol que fez justiça a todas as injustiças das quais os norte-americanos vinham sendo vítimas.
Mas vamos ao jogo de hoje. Em primeiro lugar o consenso que parece ser geral: foi horrível. O primeiro tempo começou interessante. O time de Portugal se pelou de medo do Brasil, jogou com todos os jogadores atrás da linha da bola, com exceção do Cristiano (que ainda precisa comer muito feijão com arroz para ser Ronaldo) que tentava ganhar na velocidade da zaga brasileira. E ainda assim, o Brasil fez uma blitz no meio campo que não deixava os gajos atravessarem.
Assistindo o jogo em seus primeiros momentos, tinha a impressão que o Brasil conseguiria uma vitória convincente e por um placar elástico, muito embora não jogasse pela esquerda nem uma vez. Mas também, convenhamos: o Michel Bastos ainda não chegou na África, hein? É um jogador nulo. É como se não existisse.
Mesma coisa o Júlio Baptista. Ninguém esperava que ele fosse um Kaká que mesmo com uma perna só joga mais que “La Besta”. Mas o cara não conseguia fazer nada. Incrivelmente o melhor jogador do Brasil era a outra besta, o Felipe Melo. Mas se o Pepe não quebra ele, ele quebraria alguém e seria expulso. Droga, o Dunga poderia bancar a expulsão dele como fez com o Kaká, mas aparentemente o Felipe Melo é mais importante pro Dunga do que o Kaká. Resultado, sai Felipe Melo e entra Josué(?!) Sim, Josué, a consagração do jogador mediano.
Nilmar tentava e Luis Fabiano não existia. Enquanto isso o Cristiano procurava ver sua imagem no telão para ver se o penteado não tinha sido desfeito.
Os times se destacavam... no quesito cartão amarelo. A seleção brasileira que de início até me convencia que ia arrebentar com o time da padaria, se perdeu. Gilberto Silva jogava tal e qual o bom e velho Gilberto Silva, ou seja, errava passes de 5 metros. Destaques apenas para Julio César e Lúcio, soberbos para o que se propunha, porque até o excelente Juan estava louco para entregar hoje.
Um pouco depois da defesa do Júlio César no chute do Raul Meirelles eu dormi. Consegui ver Espanha e Chile e o Chile é o time da segunda (em todos os sentidos). Brasil passa fácil, mas quando pegar a Holanda, se estiver jogando esse futebolzinho, volta pra casa nas quartas de novo e, se tivermos sorte, não ouviremos nunca mais falar do Dunga.
E só pra deixar claro pro pessoal da campanha “Dia sem Globo”, eu não aderi. (rsrs)

Qual a graça de saber o futuro?


A premeditação tiraria toda a graça da vida. Aliás, é no mínimo curiosa essa tendência de certas pessoas que, ansiosas pelo futuro, buscam no que é místico o que lhes reservará o porvir.
A graça da vida está na sua imprevisão. Está em você começar um dia, uma semana, uma fase da vida, qualquer coisa, sem a menor certeza do que te bom se virá... e de ruim também.
É como você levantar da cama sem saber que até o fim daquele dia a pessoa que mudará tua vida cruzará o teu caminho pela primeira vez. Ou que te chegará uma proposta que você não esperava ou se realizará um sonho que já há tempos você não sonhava mais.
A imprevisão da vida faz com que nos deparemos com pessoas que se até ontem não nos diziam nada, amanhã já nos serão indispensáveis por toda uma vida. Inevitavelmente pensaremos que o tempo em que não tivemos a companhia que tanto nos agrada foi um tempo perdido em que não se viveu, mas se sobreviveu à espera da satisfação da companhia mais que presente.
Para qualquer é um é fácil fechar os olhos e ver com a alma a imagem que falta na ausência sentida de um amor; na tristeza lancinante de uma partida; na angústia doída de um adeus ou mesmo na inquietante demora de um novo olá. São sentimentos que os que vivem já sentiram e os que chegam sentirão.
Essa perspectiva toda que surge de que de uma hora pra outra surja o novo que fará o antigo sem sentido, ou que lhe dará sentido ainda maior, se mostra como o gostoso da vida. Para que conhecermos o futuro e perdermos as surpresas? Deixemos que o que tiver que acontecer aconteça sem que nos percamos de nós, dos nossos e do que ainda não nos são, mas serão.
Não nos inquietemos com o amanhã, mas antes, nos deleitemos no hoje, acreditando – porque isso é bom – que logo ali adiante está pronto pra nos surpreender.

Como 2 e 2 são 5


Era uma noite como outra qualquer. A rotina não se mudava. O que faziam cada qual no seu papel convencionado é o que fariam no momento em que tudo estava por mudar. Não havia um para outro, antes eram cada um por si.
A forma como a os cabelos caíam por sobre os olhos talvez já dissesse algo, talvez nunca dissesse nada. Diferente do sorriso do outro que na sua forma singela se abria de um jeito intenso, mas meigo ou no leve passar das mãos pelas pontas douradas de um cabelo comprido.
Como todo início eram o improvável de um para o outro; já no meio eram indispensável um para o outro. Chegado o fim, bom... o que é o fim?
Não foi do dia pra noite em que o que era estranho se fez divino. Talvez tenha sido da noite pro dia... tardes inteiras, manhãs que não eram frias. Foi o tempo em que o jogo proposto se fez mais do que sério e o que era gostoso se fez lindo, o que era lindo foi se fazendo maravilhoso.
Ambos seguiam seu curso; os dias suas horas, as semanas se dividiam nos seus meses, a Terra rodava e o universo se expandia. Já não havia tempo, mas apenas o furtivo que se vivia mais em sentimentos que em palavras...
A dor do adeus. A perda da pureza. O confronto ao leviano e a tristeza do que se supôs indiferença. Por tudo se passou. O longo silêncio, a ausência presente de quem não se queria fazer ver, mas era visto; não queria se fazer sentir, mas era sentido... até tentou esquecer, mas era a todo tempo lembrado.
Eram um e se fizeram dois num encontro que não foi de vidas, mas foi de almas. Eram momentos em que tudo que não eram eles era demais. Não havia mais nada, não havia que haver mais nada.
O que se fez só lhes sabem eles. E a distância imposta é o preço que pagam dentro da culpa que cada um tem. Um ao outro, magoaram-se os dois. Mas conhecem-se a si para que se dêem ao ombro que os confortará no momento de dor.
Não havendo físico, haverá o que é maior... haverá a simples certeza que ao oposto do que se pensará no agora, se lhes virá um ardoroso depois.

domingo, 20 de junho de 2010

O Brasil na Copa... Jogo número 2



Tá bom, tá bom... fizeram gol, ganharam outra, estão classificados para próxima fase (mesmo com Felipe Melo jogando e com o Dunga no banco). Então tá... sorria quem achar que é caso para sorrir; alegre-se quem achar que é caso para se alegrar. Só não venham me dizer que o time joga bem, porque não está. Seleção Brasileira com mais cara de Alemanha igual essa eu nunca vi... jogar no erro do adversário sem impor seu ritmo é pra acabar.
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Post Scriptum: Acabei de ver no youtube o vídeo em que o deprimente técnico da seleção brasileira xingou o competente jornalista Alex Escobar, chamando-do de "um merda e um puta de um cagão" em plena coletiva de imprensa.
É uma excrecência que esse cidadão que se diz representante de um país e que prega tanto patriotismo, no momento em que lhe são conferidos os microfones para falar em nome da seleção que dirige dê tamanha demonstração de rancor, despreparo e falta de educação.
Ora, a medida que aceita assumir o encargo de dirigir o selecionado de jogadores que nasceram no Brasil (e nao a seleção brasileira) ele deveria estar pronto para lidar com os que discordam dele e, havendo o que rebater, que o faça com a razoabilidade que se espera de qualquer pessoa com o mínimo de decência e inteligência, que é o que ele nunca fez...
Dunga, faça-nos um favor: cala a boca!

terça-feira, 15 de junho de 2010

O Brasil na Copa... um país que vai parar


Logo o Brasil (time dos amigos do Dunga) vai entrar em campo. Como acontece de 04 em 04 anos o Brasil (país) vai parar para assistir. Mas uma coisa está sendo dita pelos quatro cantos: não há a empolgação de outras copas. Antigamente, a essa altura, as ruas estavam pintadas, os muros tinham bandeiras, as camisas eram amarelas; adolescentes coloriam seus aparelhos, mulheres pintavam suas unhas... hoje não se vê nada disso.
Há quem queira colocar a culpa no Dunga. Eu ponho. Nunca a seleção brasileira foi tão antipática. A começar pelo treinador. O maior mérito do Dunga foi o de afastar o brasileiro da seleção. As outras seleções eram simpáticas. Nelas você tinha seus ídolos. Você torcia por jogadores que normalmente não tinha a chance de torcer. Nessa você não tem por quem torcer.
Lembro quando em 93 o Parreira convocou o Romário. Basta buscar na memória aquele dia e lembrar da capa da Folha de São Paulo que trazia uma foto do Baixinho fazendo embaixadas e sendo chamado de salvação da seleção. E foi. Depois daquele jogo contra o Uruguai eu me tornei “romarista”.
Depois, nessa geração mais recente, os brasileiros viveram a mesma sensação com o Ronaldo – hoje jogador do Todo Poderoso – a quem todos tinha o prazer de torcer pelo garoto “Ronaldinho”.
Os que tiveram mais sorte que eu, viram ainda uma seleção fantástica que tinha Zico, Sócrates, Falcão, Júnior, Éder, Oscar e até o Serginho, infelizmente no lugar do Careca. Você tinha numa mesma seleção ídolos do Corinthians, Flamengo, São Paulo, Atlético-MG, Internacional, e por aí vai. E todos craques.
Nos anos 70 o desfile de craques não era menor, se é que não era maior. Pelé, Rivellino, Jairzinho, Adhemir, Nelinho, Carlos Alberto, Tostão, Gerson, Leão, Zé Maria, Dinamite, Luis Pereira e tenho certeza que todo mundo pode lembrar mais um.
Andemos pra trás e acharemos tantos outros.
Mas daí eu pergunto: quem são os da seleção de hoje que são unanimidades nesse time escolhido pelo Dunga? Uma seleção repleta de reservas nos seus clubes é um acinte à história do futebol brasileiro. Quem é Felipe Melo (e acho que ele é expulso no 1º tempo hoje)? Quem é Elano (um volante muito mais ou menos e que vai ser o armador (?) do Brasil)? O próprio Kaká com aquele jeito bambi de bom moço não agrada muito, não. É bonzinho demais pro futebol, muito corretinho... muito chato.
Nessa seleção temos jogadores de times como Wolfsburg, Galatassaray, Lyon, Panathinaikos, Tottenhan e Santos. Só times pequenos. É inconcebível.
Mas o Brasil entra em campo e junto com ele, todos nós. Sim, porque nessas horas o extinto de torcedor fala mais alto. Todos xingaremos quando o “Fabuloso” fora de forma não conseguir fazer aquele gol cara a cara ou quando o Robinho pedalar e cair da bicicleta ou mesmo quando o Elano mandar uma falta na entrada da área pra lá do Cabo da Boa Esperança.
Então, contemos todos com o Júlio César, o melhor jogador dessa seleção. Agora, convenhamos: ter o goleiro como melhor jogador do Brasil é algo que “nunca antes na história desse país”.

sábado, 5 de junho de 2010

Contrapondo contrapontos


O que mais vem me preocupando é essa aparente postura de parcela do povo brasileiro que vem enxergando no presidente uma pessoa quase infalível. Essa parcela da população que tem se mostrado sempre pronta a defender todos os arroubos absolutistas de um presidente que na sua política populista cada vez mais “joga pra galera”.
Prova disso é o fato das políticas de Estado estarem se confundindo com a ideologia defendida pelos membros do governo.
É inadmissível que se queira pautar a política externa do país com base nessa ideologia ultrapassada de enfrentamento ao "imperialismo americano" onde – e desculpem-me os que não enxergam a falibilidade da "estratégia" do Chefe do Governo quando nas suas atribuições de Chefe de Estado – desde os primeiros momentos o governante brasileiro demonstra seu desprezo especial aos EUA. Ou não é um claro sinal de demarcação de posição os seus elogios e suas relações a Fidel, Chavez, Morales e agora essa lamentável aproximação com o presidente Mahmoud Ahmadinejad.
O Brasil tenta marcar sua posição atuando em flagrante oposição aos interesses da maior parte do G-8 mostrando-se e colocando-se como alternativa a um resto de mundo que não se sustenta e que, em nome da sua própria sobrevivência, não escolherá o Brasil em detrimento dos demais Estados realmente importantes.
A importância do Brasil está no tamanho de seu mercado consumidor e nas suas reservas naturais. Os confetes que se lançam sobre o presidente e sua política por terem aparecido na CNN um pouco mais de vezes do que o normal é a maior prova de que o brasileiro se contenta com pouco. Basta que se fale bem do Brasil e estaremos todos sorrindo satisfeitos. Ora, o mundo sabe disso. Sabe que bastará sempre dar ao Brasil alguma função e o Brasil manterá sua “significância” nos debates sérios. E daí vem a posição de país que discursa na abertura da Assembléia geral da ONU (mero prêmio de consolação por terem deixado o Brasil de fora do Conselho de Segurança, mesmo tendo sido um dos primeiros países a se aliarem aos aliados na Segunda Guerra Mundial).
É claro que os ânimos se exaltarão e daqui às eleições só tendem a piorar. O país divide-se entre os que apóiam esse governo cada vez mais absurdamente corrupto e populista e aqueles que desejam ver a corja do mensalão, dos sanguessugas e tantos outros devidamente desalojados do poder.
Aparentemente são vários os que querem que esse governo continue. Isso preocupa. Eles começam a mostrar suas unhas. Preparam-se para tomar de assalto o Brasil. Do populismo para o autoritarismo é um caminho que eles estão dispostos a traçar.
Espero que não sejam legitimados por nós mesmos.

Epitáfios...


Escrevendo ou não escrevendo, acordado ou dormindo, vivendo ou não vivendo, o mundo continua seu giro, o tempo correndo e a vida matando. Talvez aquilo que façamos ou deixamos de fazer seja o que nos define na vida que vivemos ou que, pensamos, ainda poderemos viver.
Mas qual será o nosso epitáfio? Sim, em algum momento precisaremos de um. Se não formos nós a nos darmos aos outros a última frase que se nos atribuiremos, certamente outros nos atribuirão aquilo que pensam tenhamos sido nós.
Confesso que penso bastante na morte, o que não deixa de ser incoerente. Enquanto pensa-se na morte deixa-se de viver a vida que, por sua vez, não deve ser pensada, mas deve ser vivida.
A morte se experimentará uma única vez e, de preferência, daqui a muito tempo. O grande Mário Lago já há muito anunciava seu acordo com a morte, ela não procuraria por ele e ele não iria atrás dela; um dia se encontrariam.
Não sou dos que imaginam a morte como um recomeço, mas reconheço que não é menos absurdo do que acreditá-la como um portal para a vida eterna, em pleno regozijo celestial. (mas nessa eu acredito). São várias as teorias sobre o que se sucede ao inevitável, mas não há quem possa ter qualquer certeza...
Acho bom que se acredite em alguma coisa. Dá mais sentido para as vidas que não encontram sentido nenhum. Eu mesmo não sei qual o sentido da minha. Quais as experimentações que a justificaram. Quais as renúncias que se mostraram certas e as escolhas de que me arrependerei. Mas não me furto de pensar que ali na frente está o que me será certo, ignorando completamente o que me virá depois do acerto, mas torcendo para que sejam novos acertos de uma vida que se fará longa.
Se será feliz não posso dizer. Estejam os que gosto comigo e daremos um jeito. Surjam os novos e me entendam e talvez eu tenha sorte.
Mas é certo que mesmo na solidão dá pra se achar algum tipo de prazer...
Meu epitáfio? Ainda não sei, mas estou trabalhando nele. E o teu?

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Como será o amanhã



Certo poeta comparou a vida a uma gangorra. Ela sobe e desce. Para que uns estejam por cima, outros invariavelmente os verão de baixo. O poema é lindo e recomendo para algum momento de vocês. O nome é A Gangorra. O poeta é Gióia Júnior.
Assim como uma gangorra, a vida é também cíclica. É engraçado como alternamos momentos em que parece que tudo caminha em grande velocidade para um destino que nos será o resultado dos nossos sonhos e das nossas vontades e, de repente, parece que tudo parou. Parece que a gente não faz mais nada e que, daquilo que tenta fazer, não tem resultado nenhum.
Por conta dessa última temporada de LOST em que se está dando bastante ênfase ao reflexo no espelho, tenho procurado enxergar-me a mim mesmo. Procuro buscar no meu reflexo pouco agradável o eu que parece dormitar em minh’alma a esperar o momento seu.
Mas qual será esse "momento seu" que na verdade é o momento meu?
Constantemente assombro-me com meu descompromisso com os objetivos que eu mesmo traço. Aliás, tema bastante propício para uma segunda-feira de manhã. A segunda-feira – mais até que o dia 31 de dezembro – é o dia oficial de se iniciar o nosso novo modus vivendi. Só que ultimamente o meu não está superando a sua fronteira com a terça.
E daí me olho novamente no espelho e tento entender onde se esconde a vontade de inovar. A vontade trazer algo novo para a vida, porque sim, a vida vivida de forma repetida, por cômoda que é, faz com que se esqueça que ainda há muito por vir e viver.
E não se trata de não valorizar o que se teve até ontem e o que se tem ainda hoje. Mas é fato que tudo isso é a história do que será futuro e que esse futuro só nos virá - e vindo nos valerá de algo - se desejarmos o que ainda não temos (sim, porque o que já temos não nos poderá ser objeto de qualquer desejo em por vir).
Agora me parece que está tudo parado. Ontem talvez a vida me parecesse o corre-corre frenético de quem na pressa sabe onde quer chegar. Hoje estou atado a uma sorte que parece ser a que escolhi, mas que não reconheço nos sonhos do ontem que, em nada se parece com o que me virá amanhã.
Ainda bem...
E você?

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Mais uma do Lula... AFF!


Aos que não concordarão com o texto faço questão de frisar que naquilo que tange à política interna do presidente Lula, tenho em mim certa indulgência a medida que o pobre come e a inflação não sobe. É a política internacional que acho uma catástrofe, desde a insistência com a cadeira no Conselho de Segurança, até o acordo com o Irã, mas vamos lá.
Há sempre um sentimento de grande contentamento quando o Brasil ganha algum destaque que seja no cenário internacional.
Talvez, mais do que qualquer coisa, seja esse um dos motivos pelo qual o país é tão entusiasmado pela Copa do Mundo. É o momento – de novo, talvez o único – em que o Brasil se mostra como grande potência mundial.
Provavelmente dito sentimento seja fruto do tal complexo de vira-lata sagazmente observado por Nelson Rodrigues. Fato é que todos sentimos uma ponta de orgulho quando um nacional se destaca e ergue o nome do Brasil.
Aparentemente, a julgar pelas primeiras manifestações, dito sentimento parece querer surgir com a assinatura do dito acordo nuclear entre Brasil, Irã e Turquia, no qual Irã se compromete a enviar 1.200 quilos de seu urânio enriquecido a 3,5%, em troca de 120 quilos de urânio enriquecido a 20% na Rússia ou França.
Mas qual a real relevância da medida? Arrisco a resposta: nenhuma.
Sejamos francos: essa medida é como o ato do devedor inadimplente que substitui o título vencido por um novo título sob nova promessa de pagamento futuro que não tem a intenção de adimplir. Ou dá para confiar em um país como o Irã, governado por um facínora que se manteve no poder por meio de fraude às eleições nacionais? Um país que tem como marca de seu governo o fundamentalismo religioso que há anos jura vingança contra o mundo ocidental?
O governo Lula conseguiu no máximo algumas manchetes, mas a própria repercussão internacional demonstra que não foram as mais positivas. Não há liderança que aplauda a iniciativa do Brasil, antes, há os EUA chamando-nos de ingênuos, alemães e israelenses dizendo que o acordo é irrelevante e uma União Européia que insiste na assinatura de um ato unilateral do Irã de comprometimento com a Agência Internacional de Energia Atômica, o que, até agora, não fez.
Para mim fica claro que o presidente Ahmadinejad criou toda essa fantasia para provocar os Estados Unidos e a Europa, fazendo do Brasil o seu “pato” para um belo “Golpe de Mestre”.
No fim das contas, essa medida terá efeito igual ao aperto de mãos que Bill Clinton patrocinou entre Rabin e Yasser Arafat: efeito nenhum.
Mais uma vez o Brasil anda na contramão. Enquanto EUA, União Européia e Japão defendem uma realidade, vem o presidente Lula, aquele mesmo amigo do “El loco” Chaves e defende o outro lado.
Desculpem-me os que pensam o contrário, mas para mim essa é mais uma bela bola fora de um governo trágico em matéria de política internacional.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Quando somos tudo em vão


A inutilidade do que se sente
Faz-se presente no desconserto de quem
Pretendendo o incerto não sabido
Aventura-se no descuido indevido
E busca no ontem mais infame
O porquê de um presente sozinho
Quando mais destacado é o princípio
Do que outrora (ou agora!) se fez descaminho.

AVISO AOS NAVEGANTES

O Trovante volta com tudo e não está prosa.
Depois de dois meses em que só foram postados 04 textos, vem reinaugurar sua atividades com 03 novos textos falando sobre os deputados-torcedores, Dilma Roussef e a pífia seleção do Dunga.
Outros certamente virão, talvez hoje mesmo.
E O Trovante quer a sua opinião.
Sugira temas para os próximos textos para ajudar o blogueiro em seus tempos de sem inspiração.
Divirtam-se

Seleção ridícula

Comecei a escrever o texto antes da convocação mas não consegui terminar a tempo. Vou transcrever o que vinha escrevendo e continuo o texto já conhecendo a lista de convocados.
Não faltam nem 05 minutos para que o Dunga irrite todo o Brasil com a sua lista de convocados para a Copa de 2010. É impressionante a teimosia desse senhor que parece não entender que a Copa é um evento que mexe com as diferentes emoções dos brasileiros.
Em nome da sua “coerência” vira as costas para os anseios populares e desconsidera que a seleção é um patrimônio do Brasil, pertence ao brasileiro. Muito mais importante que ser campeão é que na copa se jogue um futebol bonito.
Presume-se que as seleções reunirão seus melhores jogadores e que, nessa reunião dos melhores jogadores se assistirá o melhor futebol.
Mas a seleção do Dunga, essa que ele vem convocando e que, provavelmente convocará daqui a pouco está longe de ser integrada pelos melhores jogadores que tem um país como o Brasil. E não só no que diz respeito à dupla do Santos que eu, acredito, será bem aproveitada como dupla. Não adianta levar só um e deixar o outro.

Fui só até aí. Agora o Brasil já conhece a lista e é minha hora de cornetar o Dunga, aliás, meu esporte preferido para os próximos 02 meses.
Em 1998 eu fiquei chateado quando o Zagallo não levou o Raí e depois permitiu que o Zico cortasse o Romário (que fez falta após o “incidente Ronaldo”).
Em 2002 fiquei estupefato com a não ida do Romário à Copa do Japão.
Mas é certo que em nenhum desses anos eu me senti tão frustrado quanto com a confirmação dos nomes desse entojo que é o técnico do Brasil. Não me lembro de uma seleção de nome tão fracos como essa. Em comparação, mesmo a seleção de 90 – que entrou pra história como uma das piores e tinha o Dunga como símbolo – era tão ruim.
Que respeito impõe uma seleção que tem Felipe Melo, Gilberto Silva, Josué, Robinho, Júlio Baptista, Doni, Kleberson, Grafite, Michel Bastos e Elano? Eu nunca vi uma seleção brasileira sem um craque. Quer dizer, acabamos de nos deparar com uma. É fato. O Brasil não tem um jogador capaz de desequilibrar um jogo. Capaz de chamar a responsabilidade.
Sejamos francos, Kaká não serve para ser chamado craque. A maior prova disso é que foi completamente ofuscado pelo Cristiano Ronaldo no Real Madrid. Ele não tem a habilidade do drible, é pura velocidade e só. Não há um jogador que encha os olhos nas suas atuações, exceção que se faz, talvez, ao Júlio Cesar e, quando o goleiro é o craque, é bastante preocupante.
Ronadinho Gaúcho tinha lugar nesse time. Roberto Carlos tinha lugar nesse time. Adriano ainda tinha lugar nesse time. Afinal, se o Michel Bastos, o Josué e o Elano tem, qualquer um pode ter. Principalmente os pirralhos da Vila que estão jogando muito e que poderiam dar ao futebol brasileiro a alegria que dele se espera.
Eu não tenho condição de torcer pra um time desses. É uma vergonha para um país com a história do Brasil em Copas do Mundo se fazer representar por jogadores tão medianos.
O Brasil vencer com essa seleção é um desserviço ao futebol, como foi quando a seleção de 82 perdeu pra Itália.
No texto que não acabou eu dizia que a Seleção é um patrimônio do brasileiro. A qualquer custo e a qualquer modo o brasileiro torce para que o seu time de coração seja campeão. A seleção é onde o brasileiro comum busca a sua realização. São 04 anos de espera para se sentir o maior do mundo por ter os melhores do mundo.
A copa é para nos alegrarmos com o Brasil, secarmos os argentinos e ficar com medo da França. Mas com essa seleção na dá. Que o destino do Dunga seja o mesmo do Lazaroni. Quem? Ah, você não conhecesse esse nome? Ainda bem pra você...

A DILMA NÃO É O LULA


A DILMA NÃO É O LULA...
... resta saber se isso é bom ou ruim. Pra ela, porque pra mim ou pra você não faz a menor diferença já que ela não vai ganhar a eleição.
Não sei se ainda há espaço para a dúvida, mas em todo caso, sendo o voto secreto nada me impede de declarar para quem eu não voto. Pasmem: não voto para a Dilma Rousseff. E antes que me critiquem, não se trata de misoginia ou androcentrismo, tampouco machismo. Pelo contrário. Minhas razões são práticas e vão além do título desse texto. Porque a Dilma não ser o Lula poderia até ser algo bom, mas o fato é que a mulher é um desastre.
Vejamos. Iniciada sua campanha a cerca de um ano atrás, na sua abarrotada agenda de inaugurações das obras do PAC (o PAC 1, que mesmo sem acabar já deu lugar ao PAC 2 – nada como ano eleitoral), visitando o simpático Estado de Roraima, a futura candidata a derrotada, ignorou vorazmente o conselho e os avisos do Professor Fabrício Fernandes Andrade e saudou seus interlocutores com um: é bom estar em Rondônia, esse Estado que cresce tanto. Dilma, o Fabrício já avisou: Rondônia não é Roraima, minha filha. O silencio e as vaias que se seguiram atestam quão desastrosa foi a visita.
Mas vamos seguir, porque na semana que passou ela se superou: o seu departamento de marketing (o mesmo que está tentando transformar a ex-guerrilheira/terrorista em uma senhora-evangélica-dirigente-de-círculo-de-oração-da-ordem-das-beatas-e-das-carmelitas-doadora-principal-das-casas-andre-luis-quase-um-misto-de-madre-teresa-e-dalai-lama) teve a brilhante idéia de entrevistar a Dilma, lançando notas sobre a sua origem e sua formação intelectual – sim, antes de sair atirando bombas por Minas Gerais.
Pois bem. Falando sobre o que lhe marcou a juventude, reclinou-se sobre o chavão de que o cinema novo de Glauber Rocha a influenciou, principalmente quando assistiu a Vidas Secas que mostrava os retirantes saindo do Nordeste e vindo para o Brasil.
Vem cá,Dilma? Quando você for presidente do Brasil (Deus nos livre) o Nordeste, esse país vizinho (?) de praias tão bonitas, será bem vindo no teu governo como é a Venezuela no do teu mentor? E pior, hein, é o único lugar que você tava ganhando disparada, mas acho que depois dessa... nem o Lula faria pior e olha que nosso Presidente quando fala de improviso faz o Franklin Martins dobrar a sua dose de anti-ácido diária.
Não fosse só isso, a mulher é uma ex-guerrilheira com histórico de atos terroristas nas costas. Sua posição e sua dureza a fazem mais Stalin que Trótski; mais Tito que Lech. Não por um acaso, ainda ministra das Minas e Energias no primeiro mandato, era chamada por seus colegas com a delicada alcunha de “Tiazinha” (quantas lembrança, hein Suzana?). Mas no caso da Dilma, certamente não eram suas curvas, sua “Tiazinha” era porque trabalha com o chicote nas mãos, açoitando a moral de seus subordinados.
E para que os argumentos não se façam em estrito no campo pessoal, há que se dizer que a senhora candidata não oferece nada de novo para o país, pelo contrário, coloca-se na posição de quem pretende continuar o que já foi feito; sugere o continuísmo de uma política capitaneada por aqueles que demonstraram enorme desrespeito pela democracia e pelo povo brasileiro, a medida que trataram seu momento de poder como um trampolim a seus interesses mais escusos. A Dilma é mais do mais do mesmo.
É o tipo de pessoa sem a menor experiência na administração de um governo – que em nada se assemelha a administração de um país e para aqueles que me disserem que o Lula também não tinha quando foi eleito eu só repito o mantra que é mais do que óbvio e que espero que não te façam confundir: A Dilma não é o Lula... e nunca será!

Para tudo que eu quero descer!


Parece que o Brasil é mesmo o país da piada pronta. E para isso, basta olhar pra Brasília. O descaratismo dos ilustres representantes do povo brasileiro alcançou um nível como ”nunca antes na história desse país”. Não sei se é conseqüência do descaso com a moralidade que vem tomando conta do governo Lula desde o primeiro mandato, seja com mensalão, sanguessugas, Duda Mendonça, Palocci e quebras de sigilo, CPIs, CPIs e mais CPIs a culminar no envolvimento do Senhor Secretário Nacional de Justiça (?) com a máfia chinesa que atua no Brasil.
Agora, em pleno ano eleitoral, o povo brasileiro é mais uma vez chamado de trouxa quando o líder, sim, eu disse Líder, do governo na Câmara vem aos microfones com a proposta estapafúrdia de se conceder um recesso extraordinário para que os engajados deputados possam acompanhar a Copa do Mundo (Ai que saudade de quando as notícias absurdas eram de Severino, João Paulo, Edmar “do castelo” Moreira e do seu mordomo-relator-lixador Sérgio Moraes).
O ilustre deputado (sim, o líder da corja) simplesmente afirma que não haverá quem os faça ir a Brasília para votações.
É o típico momento “para tudo que eu quero descer”.
Como assim não vão a Brasília? Como assim recesso? O eleitor também não trabalhará? O país inteiro parará ou só os picaretas, quer dizer, os congressistas – mesmo porque, uma casa presidida por José Sarney não tem mais qualquer escrúpulo que lhe reste para que não se junte nesse movimento.
A idéia é ainda mais absurda quando a gente pensa que estamos em ano de eleição. Pra começar, todos nós sabemos que a partir do segundo semestre inicia-se o chamado recesso branco. Empenhados em se reelegerem, os deputados e senadores comparecem as sessões uma semana em agosto, uma semana em setembro e, após as eleições, apenas os vitoriosos regressam para se rejubilar na estupidez do povo brasileiro.
Sim. Estupidez. Quem se arrisca a apostar que o “idiossincrático” Deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) não será reeleito pelos companheiros? Que não tentará levar a diante sua ambição de se tornar presidente da Casa do povo e, em conseqüência, tornar-se o terceiro na linha de sucessão presidencial?
E o povo brasileiro assiste passivamente esse carnaval de absurdos. Esse é o momento de espernear. De deixar claro que quem os obriga a ir votar é o próprio povo brasileiro. Não reeleger nenhum desses estelionatários do dinheiro público que se locupletam às custas da passividade de um povo brasileiro que parece, cada vez mais, “só ocupado em nascer e morrer”.
Não sei se é mais absurdo que lamentável. Mas sei que é os dois.

domingo, 11 de abril de 2010

Observações "presidenciais"


Há que se deixar que passe em branco a crescente megalomania do Excelentíssimo Senhor Presidente da República?
Não é raro que vejamos nosso Presidente – de quem a biografia é certamente espetacular e o destino parece fadado ao sucesso – ter arroubos de estima por si e por suas medidas cada vez mais totalitaristas.
Ao longo desses 08 anos nosso Presidente deixou de “não saber de nada” para ter opiniões sobre tudo e, convenhamos, a cada momento em que abre a boca pra falar alguma coisa a tragédia só não é maior porque já não são tantos os que o levam a sério.
Quando bem treinado, nosso Presidente é o sonho de qualquer marqueteiro político. Há empatia; há a figura próxima do brasileiro comum; o ar alegre e despojado do líder máximo que faz parecer que poderíamos ser eu ou você.
Nosso Presidente tinha e teria tudo para entrar pra história como o maior estadista que já passou pelo Brasil e, seguramente, se tornar uma figura mitológica como já o são Franklin D. Roosevelt, Churchil, Kennedy e outros que caminham venturosos pela história.
Mas não o foi. Perdeu sua chance e, ao que parece, ainda sem se dar conta disso, vai enterrando a boa imagem que parecia desfrutar, inclusive, internacionalmente.
E são dois os fatos que mais me assoberbam.
O primeiro deles é o fato de alguém que só é o que foi demonstrar um descaso com a Democracia como faz o Sr. Luiz Inácio. O atento lentor pode estar se perguntando: como ele tem esse descaso afirmado se está tão empenhado no jogo de eleger sua sucessora? Ora, basta que vejamos as desastrosas afirmações sobre o regime cubano e seus presos políticos. Para não se falar das sujeições que se permite ao Chaves.
O Presidente de um país como o Brasil não pode se sujeitar a ser tão amigo de ditadores; aliado de regimes de exceção. Pior ainda é quando os defende como quem manda um recado velado às demais potências mundiais que não aceitam o descaso democrático – por assim dizer.
O outro ponto – e este está cada vez mais evidente – é o descaso do chefe do Poder Executivo pelos próximos meses, em relação ao Poder Judiciário.
O Excelentíssimo Senhor Presidente parece rasgar o artigo 2º da Constituição Federal (aquele que fala da separação dos Poderes, mas que esclarece que são harmônicos). Lula parece acreditar que sua alta popularidade lhe dá legitimidade para se colocar acima da própria lei. Desmerece o Poder Judiciário a ponto de, essa semana, em solenidade do PCdoB, afirmar que não há que aceitar que a cada eleição os juízes digam o que pode ser feito e o que não pode e que cabe aos Partidos se imporem como partidos e dirigirem suas campanhas como bem entenderem. Afora isso, são inúmeras as multas impostas pela justiça pois, advertido de seu comportamento ilegal, o Presidente deu de ombros e saiu inaugurando obras inacabadas dando viés eleitoreiro e – completamente impessoal – à União.
É momento do Brasil aprender que a Democracia é importante e o respeito às instituições democráticas é essencial para esse processo. Uma democracia conquistada com lutas e sangue precisa ser defendida até mesmo dos personagens que construíram essa história. Populismo não é purismo. Faz mal para o futuro, não socorre o Brasil.
Não podemos correr o risco de permitir que descompromissados com a história de uma República sólida, dividida em Poderes harmônicos, independentes e devidamente respeitados por si, se perpetuem no Poder. O momento do adeus se aproxima. Que possamos todos estar com nossos braços erguidos e mãos espalmadas, da esquerda para a direita constantemente até que os de hoje virem suas costas no adeus, rumo ao esquecimento do amanhã.
Será que serraremos esses laços?

domingo, 28 de março de 2010

Música que gosto - Marina (Dorival Caymmi)


Faz tempo que venho querendo escrever sobre músicas que gosto, mas a proximidade do gosto com que gosto me inibe no medo de não saber me fazer entender.
Queria crer que a música falasse por si só... mas não fala. Mas vamos lá.
Vou começar com a música que mais tenho ouvido e cantarolado nos últimos dias, não necessariamente a música que mais gosto dentre as que mais gosto.
A música chama MARINA e seu autor e intérprete é o grande Dorival Caymmi. Caymmi dispensa maiores apresentações. A ele reverenciaram os grandes gênios; por ele se curvou Hollywood e nele se conheceu as belezas e encantos da Bahia.
Sua voz grave lhe fez descoberto cantando serenatas nas janelas alegres da Salvador que já não existe mais e logo lhe abriram as portas do mundo. E as suas composições, ah! As suas composições. Caymmi cantou os encantos do mar, narrou as agruras dos negros, ensinou o que a baiana tem e com seu jeito suave, ar de malandragem e sorriso galante, nos brindou com a obra a que me quero referir.
Em Marina temos uma melodia triste e uma letra zangada. Nela, o apaixonado cantor quer fazer com que sua amada – Marina – entenda que não precisa se enfeitar para ser linda. Já é “bonita com o que Deus lhe deu”.
E por mais apaixonado que seja por sua musa, assume que não sabe perdoar. Entretanto, ele mesmo assume que já desculpou tanta coisa, mostrando-se refém do sentimento que sente. Provavelmente o momento do perdão se aproxima, mas por enquanto, dela, ele está de mal...


Marina morena Marina você se pintou
Marina você faça tudo
Mas faça o favor
Não pinte este rosto que eu gosto
Que eu gosto e que é só meu
Marina você já é bonita
Com o que Deus lhe deuMe aborreci, me zanguei
Já não posso falar
E quando eu me zango, Marina
Não sei perdoar
Eu já desculpei tanta coisa
Você não arrajava outro igual
Desculpe Marina, morena
Mas eu tô de mal, de mal com você.

segunda-feira, 22 de março de 2010

9° Período - Direito Agrário. Divirtam-se...

Mantendo a tradição, às vésperas das avaliações bimestrais, façamos alguns apontamentos do que se viu da matéria até aqui.
O tema é Direito Agrário e, sobre ele não se pode esquecer que sua história no Brasil se inicia a partir de uma emenda à Constituição de 1946. Não obstante, é imprescindível que a estudemos a partir da História da Propriedade no Brasil. Sob essa óptica, verificamos ao tempo da colonização do Brasil, a adoção, por parte da coroa, do Regime das Sesmarias, introduzido em Portugal em 1375. Nesse regime, os “sesmeiros” tinham o domínio útil da terra, mas não a sua propriedade, sendo obrigação sua manter a terra produtiva com a plantation da cana-de-açúcar, bem como pagar altos tributos, sob pena de cair em comisso.
Não obstante as Constituições republicanas – principalmente a de 1934 – trazerem em seu bojo uma tênue lembrança do que viria a ser o Direito Agrário conforme conhecemos, somente às vésperas do golpe militar de 1964, com uma emenda à CF/46 (emenda essa que falava pela primeira vez de desapropriação para fins de reforma agrária pelo não cumprimento da função social da propriedade) e, como conseqüência, com a elaboração do Estatuto da Terra, foi que o Direito Agrário iniciou no Brasil.
O Direito Agrário nada mais é que um conjunto de Direitos e normas de Direito Público e privado que visa disciplinar as relações emergentes da atividade agrária com base na função social da propriedade, fazendo-se em ramo autônomo do Direito que agrega diferentes institutos com o fim de alcançar a segurança alimentar.
E é sempre interessante que lembremos que a Segurança Alimentar nada mais é do que a auto-suficiência do Estado na produção de alimentos, ou seja, é o Estado produzir tudo quanto sua sociedade consuma.
Nesse sentido, faz-se ainda mais imperiosa a observância da função social da propriedade. Sabe-se que a Constituição Federal em seu artigo 187 é bastante específica quanto a sua exigência de que, para que a propriedade cumpra sua função social precisa preencher 04 requisitos simultaneamente, quais sejam: ser produtiva, mas respeitando o meio-ambiente e os regramentos trabalhistas (sociais), bem como, havendo a boa convivência entre os trabalhadores da terra e os proprietários destas.
À propriedade que não cumpre a sua função social resta a desapropriação por interesse social com fins à tão discutida Reforma Agrária (preparem-se para que falemos muito nelas pelas semanas que ainda nos virão). Para tanto temos o INCRA – Instituto Nacional da Reforma Agrária, criado com esta finalidade. Evidentemente que, para fins de desapropriação de imóvel rural precisamos definir o que seja imóvel rural.
A conceituação de imóvel rural pode seguir duas linhas. Podemos definir o que será imóvel rural a partir da conceituação tributarista (utilizada, por exemplo, para fins de ITR), na qual o imóvel rural é aquele que está situado na zona rural, conforme se fizer constar nos regramentos municipais e no CTN. Entretanto, para fins de reforma agrária, o que nos importa é a destinação que é dada ao imóvel e não a sua localização, de modo que, prestando-se a atividade agrária ou agropecuária, não importa onde esteja localizado.
E esse imóvel rural, não nos esqueçamos, tem diferentes classificações conforme seu tamanho. O Estatuto da Terra em dado momento nos sugeriu a classificação em Minifúndio, Latifúndio, Propriedade Familiar e Empresa-Rural. Sabemos, contudo, que o Estatuto da Terra tem importância meramente conceitual, haja vista que obsoleto com os anos passados e com o fato dos regramentos agrários terem sido objeto do texto constitucional. Assim, temos que a classificação será em Pequena, Média e Grande Propriedade, à medida que vão de 01 a mais de 600 módulos-fiscais.
Há muito mais que se falar sobre Direito Agrário? Evidente que sim. Na AT muito mais haverá do que o falado até aqui? Claro... Estará difícil? Depende... e, por favor, leiam o texto, mas não façam cola dele (de novo), porque ainda falta Política Agrícola, Processo de Desapropriação, Aquisição de Terras por estrangeiros, Desapropriação Judicial, etc... etc... etc...
Mas, em todo caso, divirtam-se porque está acabando...