segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012: MAIS UM ANO SE PASSOU - Que venha 2013


E como já virou tradição deste blog, dia 31 de dezembro é dia de fazer um balanço do ano que passou e projetar as promessas que não se realizarão no ano que há de vir.

Vou tentar manter um astral positivo e, pra isso, vou dizer que 2012 foi um ano mais pra bom do que pra ruim.

Logo de início, um réveillon divertido no bom e velho Vale do Sol para, ato contínuo, voar pro Rio de Janeiro e, em meio a tanta beleza e bons amigos, assistir ao Chico depois de 05 anos, pular ao som do monobloco num show e som catártico (e que pretendo repetir), além de passear pela orla mais bonita desse país.

Ainda de férias e gozei da São Paulo que gosto. Fui a shows, parques, trânsito, compras  e aonde mais quis ir sem querer revelar.

Eis que chega fevereiro e a satisfação de ser paraninfo da turma que tanto gostei. Fevereiro foi o mês que a minha vida se sentia na companhia de uma eterna Alvorada. Me fazia bem. Me fazia leve. Me fazia muito mais feliz do que eu sabia retribuir. E me fez muito melhor do que eu jamais soube fazer.

Março veio e trouxe com ele as primeiras contrariedades. Quis o que não pude ter. Tentei, insisti e, enquanto insistia já não sabia o porquê e, de tanto andar em dúvida, percebi que era hora de me entender. Análise! Vou ao divã (tá, lá é poltrona), mas fica a imagem. Ganho de presente a analista que me sabe doido, mas me trata como um “relativamente normal”.

Em Abril publico aqui no blog o texto que explodiu de acessos entre todos os textos daqui: Necessária Solidão. Àquele tempo achava inevitável meu destino de ser sozinho, mas mal sabia eu que o ano não tinha nem começado direito: ABRIL, MAIO e JUNHO mostraram que são os meses das novidades. Pessoas surgem, ressurgem, ocupam novos espaços, fazem-se companhias, confidentes, presentes. Redescubro-me a mim e até a intolerância de outros dias cede espaço para um espírito mais aberto e menos ranzinza (pelo menos eu acho).

Corinthians campeão da Libertadores. Ri. Gritei. Xinguei. Fui maloqueiro, sofredor, corinthiano graças a Deus.

A vida já não é tão cinza e descobre um mês de julho chegando com vontade. Não que tenha havido muitas mudanças. Ainda há pouco eu soube que seria “nome da turma” concludente e gostei da homenagem. Feliz, preparo-me para reencontrá-los no semestre que logo começaria. Ao mesmo tempo, descubro e me permito companhias comportadas e outras nem tão comportadinhas assim. Mas vivo. E vivendo vou me pensando feliz.

Agosto é o mês das surpresas é o mês de viver, verbo intransitivo e intransigente. O mês de julho, consequência dos meses bons de antes dele, me fez querer mais do que vinha tendo e eu fui. Tive. Quis mais e tentei. Foi o mês que menos escrevi, mas foi o mês em que mais me senti bem.

Ah, Setembro. Setembro foi o mês mais intenso de se sentir. Não digo viver porque, a impressão que tenho é que Setembro foi o mês de SOBREviver. Soube-me vivo nas risadas e nas dores. Foi o mês da aceitação e da recusa. Da revelação e do silêncio. Da verdade escondida atrás da mentira e da verdade duvida na história desdita. Setembro foi o mês do “diálogo do adeus” e trouxe o Outubro violento.

Batida. Silêncio. Medo. E uma mensagem recebida quando o barulho do mundo parecia insuficiente para encobrir o silêncio de si. A sensação de ser alguém para alguém no instante em que se pensava ninguém de ninguém. Vida! Troca. O bem daqui era bem de lá. Bons dias, boas tardes, boas noites. Tudo colaborava naquele tempo de decepções que matavam aos poucos e que, num instante de surpresa, provou o quanto a vida pode ser rara.

Novembro foi o mês das luzes. No mais alto de São Paulo, luzes e mais luzes brilhando aos pés de quem só tinha olhos para os olhos que lhe olhavam. O encontro improvável e com data de validade que ou era ali ou não seria mais. Dezembro não daria tempo. Não chegaria a tanto. Teria havido cura até lá.

Novembro foi também o mês da confirmação de certos rompimentos e o mês que permitiu o perdão de certos passados. Mesmo quando desagradável, serviu de lição e, enquanto o ano acabava, os sonhos que se sonhavam pareciam promessas que até tinham alguma razão.

Mas vem Dezembro e o que era certeza se faz improvável. O que era constante se faz estranhamente raro. Quem era muito parece pouco e quem nem era, de repente passa a ser tanto. Muitos que vinham sendo se fazem mais importantes, mas é o tempo da distância e é ela quem ganha. Um, dois, três dias e o espaço da vida é o mesmo do sono. Não se sabe do sol se brilha a manhã, nem das estrelas, se enfeitam as noites. (Mas o Corinthians ganhou o Mundial!)

Dezembro se faz o mês do nada. Não emociona pra mal, nem pra bem. Dezembro quer viciar o ano que foi muito. Dezembro é tão pouco que parece nada. É tão pouco que parece que o ano foi pouco, mas pensando bem, que bom que Dezembro está no fim. Ainda bem.

2012 chega ao fim e, ainda que seu fim não seja em quase nada diferente que seu começo, nele aprendi, não só dos outros, mas de mim. E mudei. Continuei a mudança que já anunciara vinda do ano acabado. Rompi comigo e também foi comigo que reconciliei. Penso que fui quem tinha que ter sido e tive quem merecia ter tido. Sei os que quero que me acompanhem em 2013. Ainda há muita estrada, há muito caminho e há que se trilhar.

Sejamos, pois, a nossa própria promessa, a nossa própria resolução. Nós não precisamos de marcos, mas de atitude; não precisamos de data, mas de ousadia. Não precisamos de simpatia, mas sim de serenidade. 2013 é o ano da minha, da tua, da nossa felicidade. E vamos à luta!

FELIZ 2013!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A Nossa SEDE(?) de amar


Muitos têm medo, enquanto outros ainda mantêm a esperança que muitos já perderam, mas sim, de tempos em tempos todos nós pensamos em amar. E, quando falamos de amor, falamos do verbo na sua inteireza. Reflexivo. Amar não é verbo que se conjugue no singular. Amar é verbo plural que não se basta no eu, mas é perfeito se nós.
Mas vivemos um mundo acelerado. Um mundo em que tudo é para agora. Temos pressa e esperar é parte de um passado que não nos pertence. E é tanta a nossa pressa que sabemos que queremos amar, mas sequer paramos pra pensar “o que é esse amar?”. Sabemos que é algo que queremos, mas mal sabemos como queremos e, se pensamos saber, não nos ocupamos do por que e às vezes, quando ele chega, o perdemos sem querer.
Temos pressa também em sermos amados antes de amar. Parece mais seguro. Deixamos que o outro se entregue e então medimos se vale a pena se(e quanto) entregar. Se não gostarmos, simplesmente nos afastamos, seguimos, deixamos pra lá. Se gostarmos, além de sermos amados, até podemos ousar amar.
Amar: equação ousada. O amante é a outra metade imprevisível de quem ama. Somam-se duas incógnitas e, ainda assim, espera-se achar o resultado correto. Mas eu posso errar e eu vou errar e vai dar tudo errado, porque não tem como dar certo e, então, é melhor nem começar a somar as variantes (nem bem as conheço!) e mais que depressa desisto de amar antes de amar e de me permitir ser amado (ainda que ser amado pareça – sem que seja – mais fácil do que amar).
E também não adianta pensar que dá para aprender a amar. Ou que, quanto mais se apaixonar, mais fácil vai ser se livrar, se acostumar ou, simplesmente, dispensar a ideia de amar. Não é verdade que amando o novo amor de agora sabe-se mais do que quando se amava o amor anterior e que,  assim, o amor que virá depois será melhor do que o amor que se tem agora. Mas são muitos os pensam assim e assim justificam não serem e nem terem ninguém.
Mas temos pressa de amar e vamos amando e vamos querendo e vamos nos dando... pouco. Parece tolo apostar no que não existe (algum dia existiu?) e por mais que queiramos, muitas vezes duvidamos que haja amor e passamos a achar que “a intimidade física prazerosa” já é uma conquista que basta.  Não por um acaso, o sexo de uma noite é chamado de “fazer amor”, talvez uma forma de atenuar qualquer tipo de culpa, a medida que nos mentimos ao crer que alcançamos o ideal que poderíamos querer para nós. Mas não é.
Aos poucos nos perdemos de nós mesmos e do mundo e pensamos que não nascemos para o amor ou que ele é algo que nunca nos pertencerá. Se não podemos amar, logo apostamos que a paixão se faça perfeita quando feita em verbo e que, ao se apaixonar, cada um descubra que é possível se dar sem se entregar e receber sem precisar aceitar. Mas tudo isso, sem perceber que, estando no mais raso de si, afoga-se no amor contido que não soube livrar.
Ora, pra que se contentar com o mais ou menos da vida se ela tem mais para dar? Não importa se dá medo ou se isso é realmente ousar. Se te chegar o amor que te ame, ame-o. Sorria, se ria. Paixão alimenta o corpo, mas não chega a alma. E, no fim, todos nós, nascemos para amar.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Abram-se as cortinas! (A vida vive e continua a viver!)


Abram-se as cortinas!
- Mas a máscara do artista caiu!
Não é nada e ainda se fosse, não seria.
Somos todos mais do que a máscara que nos cobre.
Somos o coração que bate e alma que sente (e às vezes sofre).
Somos a soma das várias vidas da nossa vida
E existimos muito tempo em poucos anos.

Abram-se as cortinas!
Deixe que fale a voz que não interpreta
E que não diga o texto decorado
Mas a verdade sentida
Recém-descoberta como se fosse presente a coisa do passado.
Era um, era dois... eram vários os que queriam
Mas eram mais os que temeram querer.

Rápido! Abram-se as cortinas!
Não nos cubramos.
Sejamos inteiros!
Mostremo-nos nós
Aos outros e a nós mesmos!
E sejamos quem somos
Não somente quem seremos...

Fechem! Fechem! Fechem logo!
Mostramo-nos, mas não gostaram de quem viram.
Agora a turba se volta em fúria...
Mas há silêncio... nada dizem! Nada escuto!
Esperem! Estão indo embora.
Deram às costas e se vão indiferentes.
Não os atingimos, nem os agradamos.

Ofício mais ingrato é esse onde somos quem não somos
E, quando somos, somos quem jamais seremos.
Dizemos as palavras do coração,
Mas elas não nos saem da alma
E mesmo quando da alma são,
Sente-se menos que a batida à palma.
São verdades, mesmo quando as mentiras verdades são.

Mas é chegada a nova hora!
Há novo sol no horizonte.
Ouviram e não gostaram.
Riram-se, odiaram, mas já foram.
Abram-se as cortinas!
O tempo já é de outrora
E há novo amor para nós agora.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Quando o forte é o fraco


Um simples diálogo e tudo poderia ter se resolvido. Mas um diálogo honesto, de quem diz o que sente, de quem se mostra sem medo, com a intenção de fazer dar certo. Uma conversa franca em que cada um se revela como é e não como imagina que o outro quer que seja.
Os relacionamentos de hoje em dia estão cada vez mais enfraquecidos. Talvez reflexo dessa sociedade consumista em que o bom de agora é o obsoleto de amanhã, mas o que tenho visto é que as pessoas agem como se não valesse a pena insistir.
Julgam que tudo vale a pena (mas só) enquanto dura, não importa o quanto dure e, quando acaba, simplesmente acaba e que venha o próximo. O que passou fica de lição e o que virá será o que vier a ser, não importa bem o que esse ser seja. E, como resultado, investe-se cada vez menos onde se deveria investir cada vez mais.
E as pessoas vão ficando com medo umas das outras e não se mostram como são. Eu te avalio, você me avalia. Eu procuro qual seja o teu ideal e tento me fazer como se eu fosse quem você quer que eu seja e sendo quem, muitas vezes não sou, canso-me de ser quem você quer.
E o desgaste é inevitável...
Mas o pior é quando passamos a crer que dependemos do outro e fazemos isso com a mesma certeza com que deduzimos que esse outro não depende em nada de nós.
Quando nos sentimos fracos e comparamos nossas forças com o outro, vemos aquela pessoa bem resolvida, que tudo sabe, tudo enfrenta e tudo aguenta, enquanto nós, fracos, temerosos da dor e donos de todos os medos, acabamos nos inferiorizando ao nível de nossa baixa auto-estima e calamos. Muitas vezes, não satisfeitos em calar, endeusamos o outro e o colocamos num pedestal de onde sugerimos uma perfeição que ele não tem.
E somos injustos. Injustos porque muitas vezes aquele que parece tão forte, também é fraco e precisa do conforto de não precisar ser sempre forte. O conforto de ser humano e confessar seus medos, sua dor, sua angústia, seus anseios e mesmo seus sonhos mais absurdos.
Quando nos é tirado o direito de errar (e muitas vezes somos nós que o tiramos de nós mesmos), a vida fica pesada e tudo parece estar à flor da pele. Ficamos mais irritadiços. Nossa paciência é menor, porque, a certa altura, não conseguimos mais fingir. Se somos o outro, perdemos a paciência com aquele que não assume seus medos e nos sentimos ofendidos porque não sentimos a confiança de que não nos confessou a própria dor e tudo parece uma mentira que não deve se arrastar. O fim se aproxima porque não “ousaram” confessar.
Ser companheiro é não ter medo, nem vergonha. De nada vale estar junto se a vida andar separada. Intimidade não é nudez física, mas, principalmente de alma. Não é justo se terem e não se conhecerem, estarem, mas se temerem.
Não se presumam forte e fracos, mas se queiram sempre a metade que completará e se completará. Relações são sempre vias de mão dupla onde se dá e se recebe. Pode até ser que às vezes mais se receba do que se dê. Uma hora se receberá e se dará. Se dá, mas não recebe, então vá! Não compensa ser de quem não te é. Mas se são, sejam! Se está difícil, insista! Agora, se há duvida e não sabe, ao invés de já desistir, converse.
Pode ser que o forte seja o fraco, mas dois serão sempre mais fortes do que um. 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A história (do amor) de nós dois

______, __ de abril de um ano qualquer.

Alguns dias são bem piores do que os outros. Não que eu achasse natural a ideia de vê-la sozinha, mas nunca pensei que fosse me doer tanto. 
Sempre fui um homem comum. Meus sonhos eram comuns. Meus dias eram comuns. Meus quereres não eram diferentes de outros quereres comuns. Até que amei e fui amado como amei. Muito. Tanto. E pelo tempo que durou.
Foi há muito tempo. Eu a vi sem que ela me visse. Eram centenas de pessoas, mas meus olhos só existiam para ela. A pele clara e os cabelos que não divergiam. Fios que corriam para além dos ombros. Ela caminhava com pressa, grave, urgente. Mas ainda assim seus passos eram como música. Enquanto caminhava, ela corria sua mão direita pelos cabelos e os jogava para trás, da esquerda para a direita, enquanto outra mão carregava uma pasta contra o corpo dela que usava um vestido leve e florido de primavera que combinava bem com aquela manhã. 
Ela estava linda. Nada do que havia visto me preparara para a visão da mulher que mudaria a vida do homem que nunca quisera nada, mas agora via nela, o tudo que lhe queria. Lábios rosados e olhos que lembravam o encontro do céu com o mar. Os óculos que usava lhe davam um ar sério, mas eu sabia que bastaria o seu sorriso e o mundo sorriria também. Dali em diante ela era todo o meu sonho. E ela foi.
Já tinha ouvido falar em amor à primeira vista. Nunca duvidei, mas também nunca acreditei. Certamente, nunca imaginei que aconteceria comigo. Não, comigo não.
De repente eu estava ali, parado numa plataforma. Pessoas e mais pessoas passavam por mim e não me notavam. Eram vultos de quem não me interessava. O mundo não existia e o que via era que ela caminhava enquanto eu mal conseguia me mexer. Enquanto o mundo à minha volta parecia ter pressa, seus passos pareciam quase parados. A luz estava ao seu redor e de tudo que eu via, era só ela que eu via. O mundo ao seu redor era ofuscado pela luz que vinha dela.
Sinto um empurrão. Alguém dos que vinham (e eu não via) acertou-me com o ombro nas costas e já era tarde quando tentei impedir que junto de mim, eu derrubasse um outro alguém comigo. Alguns segundos até que eu entendesse o que houvera e mal acreditei quando, sob meu corpo, olhando-me com os olhos lindos e assustados, estava ela. 
Fiquei feito bobo. Olhava sem me dar conta que estávamos - eu sobre ela - no meio de uma plataforma em que as pessoas passavam e seguiam rumo às suas vidas.
Foram alguns segundos, até que, mais do que depressa, me levanto desconsertado e a ajudo a levantar. Tomo-lhe a mão, me desculpo, pergunto se está tudo bem, penso ter visto um sorriso que não vi e, quando vimos as folhas que com a queda, se soltaram da pasta que levava, abaixamos ao mesmo tempo para juntá-las.
Ainda envergonhado, me desculpo sem  parar e sem olhar para ela, mais preocupado em ajudar a recolher a bagunça que foi culpa minha. É, então, a primeira vez que escuto sua voz. Ela diz que está bem. Os papéis já estão todos nas minhas mãos e quando finalmente consigo olhar em sua direção, é o mesmo instante em que ela olha na minha. Ela sorri. Ficamos nos olhando por um tempo que pareia desde sempre e que não deveria acabar.
Seu sorriso logo traz o meu e nos levantamos. Ela me diz seu nome, eu lhe digo o meu e, sem que houvesse motivo para isso, esqueço meu caminho e sigo o seu.
Lado a lado com ela, falamos sobre tudo, sem dizermos quase nada. Aliás, ela caminhava. Eu me sentia como a flutuar.
Quando ela finalmente me pergunta aonde vou, a resposta me foge. Meus olhos são a agonia de quem não quer ir. O assombro de quem teme o momento que não vai voltar. Naquele instante, eu realmente não sabia para onde ir. E nem sabia o que dizer. Ela me olhava e sorria. E, dessas coisas que só se entendem os corações dos que amam, o seu sorriso aprovou o meu silêncio. Eu a beijei. 
O mundo vivia a minha volta e minh'alma voltava a viver em mim. 
Já tinha beijado muitas outras garotas. Já tinha estado com outras mulheres. Mas, naquele instante, era minha primeira vez. Era a primeira vez que beijava o beijo que tinha paixão. A primeira vez em que beijava quem amava e amava quem me beijava e, quando enfim nos olhamos, eu via o amor em seus olhos.
Não sou uma pessoa religiosa, mas me lembrei das várias vezes que li sobre a imortalidade da alma. Já estávamos juntos há meses, mas parecíamos que nos conhecíamos há muitas vidas. Eu não me sentia como se conhecesse esse alguém que me fazia tão bem, mas era como se a reconhecesse desde sempre. Como se sua alma fosse a outra metade da minha, vindas as duas de onde elas eram infinitas. 
Nela eu via tudo o que nem eu sabia que queria. Ela era linda. Isso eu já disse. Mas era mais do que isso. Bem mais do que isso. Conversávamos por horas. Ela me entendia quando eu achava que ninguém o pudesse fazer. Eu a entendia quando ela achava que ninguém o pudesse fazer. Ela tinha sonhos - todos os sonhos - e se tinha medo de sonhar, eu segurava sua mão e dizia que sonharia cada sonho junto com ela, porque valia a pena sonhar. (Realizamos muitos dos nossos sonhos que sonhamos os dois).
Eu também tinha meus sonhos e meus medos, mas ela nunca me deixou desistir de nenhum, nem nunca disse que eu não iria conseguir. Mesmo naqueles que me pareciam mais difíceis, ela tinha um jeito só dela de me mostrar que se dependia só de mim, não tinha porque eu achar que não conseguiria e assim fomos fazendo, vivendo, conseguindo e, principalmente, nos amando.
E tudo parecia improvável. Quem conhecia nossa história e sabia quem éramos antes da manhã na plataforma, diria que essa era uma história que não poderia acontecer. Nossos mundos eram diferentes, nossas rotinas, horários. Torcíamos para times diferentes e enquanto uma família era do norte, a outra era do sul. Mas nos amávamos e o amor parecia valer a pena. Ele valeu a pena.
Lembro-me exatamente das palavras que lhe disse quando pedi que se casasse comigo. Fiquei dias pensando onde seria, como seria e o que diria. Ensaiei, planejei, escrevi. Pensei em tudo que se vê nos filmes. Anel em taça de champanhe, em mousse de chocolate. Violino tocando na mesa durante um jantar à luz de velas num restaurante chique. Seria qualquer um desses. Mas não foi.
Um dia, que até então era um dia desses qualquer, nós passeávamos por um parque. Era um sábado pela manhã. Havia famílias em seu convescote de um lado, atletas de ocasião se exercitando de outro. Pais que brincavam com os filhos e amigos que riam entre si.
Após caminharmos um pouco, mãos dadas sempre e sorrisos mais ainda, sentamos num dos bancos do parque. Ela estava linda. Seu cabelos presos num simples, mas perfeito rabo de cavalo, vestida de uma blusa de um rosa que era quase branco. Em mim, a certeza de que não cansaria nunca de olhar aquela mulher. Ficamos em silêncio algum tempo e ela notando um calor diferente nos meus olhos, logo percebe que algo se passava em minha mente. Um meio-sorriso presente nos meus lábios lhe trouxe um sorriso tenso aos seus como quem se pergunta o que viria a seguir. Na mesma hora, após um beijo, tirei-lhe os óculos escuros que lhe cobriam os olhos claros. Ela me olhava impassível e ao mesmo tempo tímida e tensa. Havia uma intensidade diferente nos nossos jeitos de olhar.  
"Eu ainda não sei como vivi o tempo que vivi sem você. Na verdade, não vivi. Tudo o que foi antes de você era mero preparo para que você me viesse. Sim, porque você me veio como um presente que não se espera, mas que faz toda a diferença. Não fui eu que te busquei. Mas agora... agora eu sei que não suportaria um só dia se você fosse embora. Não suportaria um só dia sem você. Teu sorriso é o que me faz sorrir e sem teu riso não me haverá mais sorriso. Teu amor é o que me faz vivo e sem teu amor eu não saberia mais viver. Não há ideia que me seja mais terrível do que a ideia de mim sem nós e por isso eu preciso pedir - não só hoje, mas todo dia - que você seja pra sempre minha. Eu sei que não posso te prometer ser perfeito, nem posso te prometer uma vida sem dificuldade ou mesmo sem tristeza ou alguma dor. Mas eu preciso te pedir para ser minha e, quando você me disser sim, eu vou estar te prometendo te amar para sempre o amor que você quiser e que será sempre mais. Eu vou ser para sempre teu amigo e teu amante e, se te houver dor, a tua dor será minha até que eu tire toda ela de você. Sempre que você tiver medo, eu vou te segurar as mãos e se você não conseguir caminhar, vou te tomar nos braços e serei teus passos, porque eu não quero só ser teu par, quero ser tua vida, parte de você, como te quero sendo minha vida e parte de mim. Vou te amar toda vida e nas próximas depois de todas as outras e, só não vou começar agora, porque te amo desde antes de te conhecer. Me deixa ser teu presente como você foi e é de mim. Minha vida é feita de dias, mas quem dá sentido a todos eles é você e é por isso e muito mais que eu quero me casar com você. E eu não consigo parar de falar e acho que essa é a hora em que você me faz ficar quieto com um beijo e que aceita sim, ser tudo isso e mais pra mim."
Enquanto eu falava, seus lábios sorriam e seus olhos choravam a felicidade de sua alma. Ela me deu o beijo que eu queria e o sim que eu precisava. Não houve violino, vinho, champanhe, restaurante... não houve anel. Mas havia o amor que foi nosso pelo tempo que fomos nós.
E como fomos felizes! Nossa família foi linda. Três filhos felizes. Lindos e geniosos como a mãe. Fortes. Tivemos uma vida feliz. Até mais feliz do que eu imaginava que a vida podia ser. Ela era tudo para mim e, em mim, eu via que eu era tudo para ela.
Os médicos disseram que eu não estarei aqui por mais muito tempo. Vejo a dor nos olhos dela e o quanto ela se esforça para ser forte pra mim. Dói deixá-la tão antes do que queria, mas sei que ela ficará bem. 
Se eu escrevo é porque vejo que os jovens desse tempo duvidam do quanto pode durar uma história de amor e não apostam mais nisso de amar. Mas eu apostei, amei, vivi e enquanto vivi fui feliz. Provavelmente, você que lê sobreviveu a mim (que escrevi), mas, se puder deixar um pedido - um último pedido de quem já vai - eu te peço o que pedirei: encontre o amor e ame o teu amor como, minha vida, felizmente, eu também amei.      

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

AMAR: Tem que valer a pena ou vale simplesmente amar?


Certa vez, enquanto se correspondia com uma paciente que se tornara sua amiga, Freud disse-lhe: o problema é que – sou um velho – você não acha que valha a pena me amar.
Essa frase curta de Freud traz em si uma consideração muito séria: por que amamos? Amamos porque vale a pena amar ou amamos pelo simples prazer de amar?
De uma forma, aparentemente melancólica, Freud, no alto de seus 77 anos afirmava para sua amiga (a poetiza Hilda Doolittle), que não havia motivo para alguém se apegar a um outro alguém que duraria tão pouco. Era quase como se ele afirmasse que as pessoas costumam crer que um sentimento se mede pelo tempo de sua duração e não pela intensidade com que ele se sente. Mas a intensidade muitas vezes assusta...
E eis que vem a questão: o que é “valer a pena” quando se fala em amar? Até porque, se eu penso que amar tem que valer a pena, preciso, além de enxergar essa compensação no outro, perguntar a mim mesmo se “me amar” valeria a pena para a mulher que me amasse.
Mas a tendência é que nos ocupamos de procurar esse “valer a pena” no outro e esquecermos da parte que nos cabe a nós. E daí o amor passa a se mostrar na sua forma egoísta e, ao menos para mim, egoísmo não combina com amor. Pelo contrário. Egoísmo é o mal que mata o amor aos poucos, separa os amantes um do outro. O egoísta pensa em si e, por egoísta que é, não ama o outro como o outro pede para ser amado, mas apenas se sente no direito de exigir que a vida que se vive seja a vida que ele –  egoísta – resolveu viver. E sem acordos.
Amar é troca. Amar é compartilhar, é viver para ambos e não para si. É ser do outro mesmo antes do outro ser de você. É sentir porque sente e não porque é conveniente.
Só que temos outros problemas quando pensamos no amor e se ele tem que valer a pena.
Nem sempre o amor com que se ama o outro é o amor com que esse outro quer ser amado. Cada um de nós sabe o que podemos oferecer, mas somos apenas nós quem sabemos o que queremos que nos seja oferecido. E, quando não nos sentimos prontos para retribuir um sentimento que nos parece tanto diante daquilo que sabemos haver (ou não haver) em nós, nos assustamos – não sem razão – e os medos de magoar e ser magoado começam a indicar que não vale a pena amar. E nem deixar que nos amem, porque achamos não merecer o amor que ousaram nos amar. E fugimos do sentimento que não sabemos corresponder.
(não alimentar um sentimento é diferente de sufoca-lo).
Amar e ser amado é a equação perfeita. Querer e ser querido é o que melhor há e, por isso, nos devemos permitir ter. E não será o tempo da duração desse sentimento que vai dizer se valeu a pena. O poeta já dizia que tudo vale a pena a depender do tamanho da nossa alma. Há amores de verão que ficam para sempre e amores de estações dos quais se lembram pouco. Mas foram amor do jeito que cada um sabe amar.
Mas no final é amor e se é amor, vamos tratar de aceitar e amar. Porque, até onde sei, vale, sim, a pena amar. 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Uma noite pra recordar...


Vou propor que antes de você continuar lendo, pare alguns segundos e tente lembrar qual foi a tua melhor noite. Lembrou? Agora eu te pergunto: o que fez dessa noite a melhor? O que houve de tão especial? Que momento foi esse que é digno de ficar na memória não importa quanto tempo tenha passado?
A resposta depende do que é importante para cada um: para quem valoriza o sentimento, a melhor noite vai ser aquela cheia de carinhos. Já quem valoriza o prazer, talvez se recorde de uma noite em que o êxtase iluminaria uma cidade. Outros, mais afetuosos, talvez se lembrem daquela reunião familiar em que todos estavam contando histórias ao redor de uma mesa bem servida de amor.
Mas nos lembramos e, se lembramos, é porque foi bom. Nos lembramos e sorrimos porque vale a pena recordar.
“Bom vinho, luzes e estrelas.” Gosto dessa receita de noite mais que perfeita. 
Música de fundo. Olhos claros que, lindos, brilham mais do que as luzes e as estrelas. Um sorriso que faz sorrir e as horas que passam como se fossem simples minutos. Essa é a minha noite para recordar.
Ela passa e, de repente, é chegada a hora de ir e a única “obrigação” que você sente é a de que haja a próxima vez e que essa próxima vez seja tão boa quanto a primeira, porque querer que seja melhor do que o melhor que ela foi parece demais.
E você se lembra da noite e sorri.
Você se lembra da noite e a certeza que tem é a de que não faria nada de diferente. Nem uma palavra. Nem um movimento. Nada!
Você se lembra das palavras ditas, das músicas tocadas, dos casais inusitados ao redor. Você lembra como era gostoso rir e fazer rir naquele instante de dois que se pareciam ser desde sempre, mas eram mesmo a partir de agora.
Teu peito irradia uma alegria que só você é capaz de saber e, quem sabe, teus olhos de denunciar. É de verdade! É real!
O lugar é lindo, mas, pra você, o momento é mais (e ela ainda mais!). Vocês estão onde é tão alto, que as luzes das estrelas se confundem com as luzes da cidade, ao tempo em que a sensação que você tem é a de que luz nenhuma brilha mais do que o sorriso que se sorri com lábios, olhos e coração, enquanto a sua frente você tem a melhor testemunha do melhor instante de você.
As horas passam e não adianta querer que elas parem. Não pararão. Elas continuarão girando nos ponteiros e correm porque o passar do tempo é da vida e, naquele instante em que tudo é bom, você percebe que a vida também pode ser. Está sendo... será!
Que bom que há noites assim pra recordar...

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Isso me mata aos poucos


“A lágrima negra fez rolar
dos seus olhos cheios de dor”



Se não há amor, não há vida! Onde não há vida, há morte!
E o coração sangra ao ritmo de mil e uma canções de tristeza.
Quantas são as vidas que vivem se sentindo presas à dor inevitável?
À dor de ser a vida que são: reduzidas ao nada que sempre serão?

O colo está vazio na espera eterna de quem lhe venha ocupar.
O copo está vazio do líquido nefasto de quem bebe para não acordar.
Esquecer? É inútil! É mera tentativa vã de quem ainda tem coração que bate.
Ritmo cada vez mais lento, descompassado, mas atento à espera do som da sétima
                                                                                           que anuncia o fim.

O abraço que tinha os braços abertos foi rejeitado.
Ao mesmo tempo, o amor que se havia (e era real) foi obrigado a morrer sufocado de si.
Por si e pelo outro, alguém renunciou o que desde sempre havia para ser.
Mas se houvesse mesmo que ser, teria sido.
Se não foi, é porque nunca será.

Ah! Malditas sejam as noites escuras e frias em solidão.
A companhia da vida ainda é a dor.
A morte é o alento da vida: mas ela custa chegar!
Pede-se, então, clemência aos dias.
Eles se riem e as horas continuam a passar.

Mais um dia! Menos um dia! Quantos mais dias até acabar?

Não! Não! Não!
Não há dor que se justifique na vida
E nem haverá vida se imerso em dor.
Mas dói.
E de tanto que dói, ainda assim, desatina a doer.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

A vida surpreende.. Ah! se surpreende.



A vida surpreende. Ah! se surpreende. Um lugar comum sobre ela: em um momento você pensa ter todas as respostas, mas ela vem e muda todas as perguntas.
Mas nem sempre é assim. Fica tudo mais gostoso quando a vida, ao invés de mudar as perguntas, vem com tudo e o que ela muda mesmo são todas as nossas respostas.
Quem antes era importante, passa a ser apenas “uma lembrança” (e isso, quando esse alguém nos foi muito em algum dia). Já naqueles casos em que talvez tenha sido muito menos do que pensávamos que era ou mesmo em que nem tenha sequer chegado a ser o tanto que teríamos permitido, esse alguém não passa de uma simples passagem de uma vida de muitas passagens.
De repente, quando menos nos damos conta, nosso dia se faz cheio de uma outra e diferente (e muita vezes melhor!)alegria. É outro o bom dia que dá cor ao nosso dia; é outro o sorriso capaz de nos fazer sorrir. E isso é bom.
E é isso que faz a vida tão boa, tão rara: sorrisos que trazem sorrisos, olhos que trazem brilhos em outros olhos, lembranças que inspiram sonhos e sonhos que fazem sentir prazer em sonhar. Acordamos e esperamos o primeiro minuto que fará todos os outros pararem ao mesmo tempo em que parecem passar tão depressa e, mesmo quando parece que estamos parados e que o agora é o contrário de tudo que parece poder ser ainda melhor, nos sentimos vivos porque sorrimos ao invés de chorar.
Ah! A delícia da liberdade de sorrir quando não há mais dor.
O sorriso de hoje não é nem pior e nem melhor do que o de antes. Mas ele é o único que é de verdade, porque é o que sorrimos agora! E que bom que sorrimos... Sorrir por causa de nós mesmos é uma ótima forma de sorrir, mas ter quem nos faça sorrir por causa de si (que num instante parece metade ideal de quem somos nós) é ainda melhor. E, então, estamos sorrindo esse sorriso que gostamos de sorrir.
Eu sorrio; tu sorris e se eles sorriem bom pra eles que sorriem como sorrimos nós.
Ciclos...
Os rompimentos que fazemos com as nossas muitas vidas e suas mais diferentes fases assustam. Alguns são tão impensáveis dias antes que nem nós entendemos como chegamos “aqui”. Mas chegamos, estamos e prosseguiremos e é quando olhamos pra frente e deixamos que o passado cuide do que ficou, que a vida vem e nos surpreende. Ah! Se surpreende... e como surpreende...

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Nosso destino é ser igual?


Então, a vida da gente é uma repetição da vida dos outros?
Será que viver é esse ciclo repetitivo onde o que eu faço é o que outros já fizeram?
A vida é mesmo um museu de grandes novidades, como diria o grande Cazuza?
Ou não será verdade que quase todos parecem ter as mesmas angústias, as mesmas dúvidas, os mesmos receios e necessidades semelhantes?
Somos mesmo todos iguais? Somos todos iguais desde quando? Somos desde sempre iguais em quase tudo? Ou fomos convencidos a termos as mesmas dúvidas e os mesmos quereres para que, cada vez mais iguais, não se reparem nos “erros” de quem seja diferente?
Nascer, crescer, trabalhar, casar, ter filhos, criar filhos, trabalhar, morrer (não necessariamente nessa ordem de meio). Sabemos nosso começo e nosso fim, temos um espaço pra preencher, mas, invariavelmente, acabamos preenchendo todos de um mesmo jeito, cada um com as suas prioridades. É como se já tenham traçado nossos caminhos. A escolha que dizem que temos é limitada por uma série de fatores que nos são impostos e, no mais das vezes, aceitamos. Assumimos como sendo bons, como sendo certos.
Andamos nas ruas e, se nos ocuparmos de olharmos para fora de nós, veremos rostos marcados pelo cansaço e pela dor de pessoas que não são elas próprias, mas sim, o resultado de um roteiro que lhes traçaram ainda antes de existirem. Muitas vezes não fazem o que gostam, mas sim, o que precisam. Toleram o dia de hoje em nome do pagamento de amanhã e até esse parecerá pouco diante do sacrifício que, no mais das vezes, é muito.
Olhamos casais e vemos que estão juntos pelo hábito de estarem juntos. Não se fazem mais felizes (talvez nunca tenham se feito felizes), mas as circunstâncias indicam que seu lugar é ao lado daquele estranho que ele conhece há tantos anos. O esposo olha pra esposa e não vê alguém para amar, cuidar e respeitar, mas sim, a castradora de seus sonhos de outrora. Aquela que impede sua felicidade agora, porque ele está preso num compromisso do qual, muitas vezes, ela também quer sair.
Por sua vez, a esposa, independente financeiramente, não consegue entender que aquele homem que lhe seria o companheiro, nunca lhe foi. Antes, quisera ser o senhor da vontade de ambos, não conseguindo aceitar que ela, ser pensante e que sente, também tem vontades e também as quer realizadas. Vivem uma guerra de vontades que, ao invés de aproximá-los, termina por lhes afastar de uma forma irremediável.
A esposa tolera o esposo que por sua vez suporta a esposa e ambos não veem que ainda há tempo de serem felizes numa vida diferente de agora.
Nascer, crescer, trabalhar, casar, ter filhos, criar filhos, trabalhar, morrer. Não. Não fugiremos desse destino. Esse é o maktub mais certo que há. Como faremos isso só depende de nós. A dor é optativa. Sente-se uma vez, mas continuar sentindo é uma opção de quem já desistiu do melhor que a vida pode oferecer.
Eu sei que lendo essas linhas pode se pensar que viver é uma merda. Talvez, às vezes até seja. Desde que você opte por não fazer, por não se mexer. Por patinar no mesmo lugar em nome de medos que te impedem de se sentir vivo.
Tua primeira escolha deve ser você. Todos que te amam, te querem bem ou até precisam de você, não estarão bem se você não estiver. A dor do pai será sempre a dor do filho; a dor do filho trará dor ao pai. O bom amigo se ressente na tristeza de seu amigo e o marido de verdade se ocupa da lágrima da mulher. A boa esposa é a razão do sorriso do marido e quando não são, não há mais porque se ser, nem continuar sendo.
O tempo é já e é só ele que temos. Ninguém vive sozinho e nisso somos novamente iguais.
Nascer, crescer, trabalhar, casar, ter filhos, criar filhos, trabalhar, morrer. Mas, acima de tudo, VIVER!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Diálogo do adeus ao que pouco (ou nunca! e talvez nada) existiu


- E como você imaginou que seria?
- Diferente... diferente de tudo. Eu sorriria por causa do teu sorriso que se abriria por causa de mim. Não haveria problema impossível de se enfrentar e o fim pareceria uma ideia absurda. Quando eu chegasse cansado, o teu abraço me daria força e, se de repente eu viesse a chorar, o teu carinho é que me faria feliz.
- Mas você fala como se a vida fosse só o que é bom, como se tudo fosse fácil e nada fosse difícil, como se não fôssemos ter problemas, tristezas, como se pudesse ter certeza de que tudo seria perfeito...
- Não. A vida não é mesmo só o que é bom. Mas você sempre foi. Quando eu pensava nessa loucura de nós dois era como se ao teu lado eu pudesse me sentir invencível. Era como se... como se por ser você já valesse a pena. Pra te fazer feliz, pra você se orgulhar de mim. Quando ficasse difícil você seria o principal motivo para conseguir mesmo assim, porque chegou um momento em que não consegui mais pensar em mim onde não houvesse a minha metade que me fazia vivo e só me via e me sentia vivo quando me via com você... sou muito louco, né?
- Se você é, eu também sou. Mas tenta me entender. Não se trata só de experimentar o que se sente. Há vidas, histórias, instantes, momentos em jogo. É difícil... eu sei quem eu sou, assim, desse jeito de agora. Mudar tudo, mes...mesmo com você, me assusta, porque eu... eu deixaria de ser essa aqui que se olha no espelho, se vê triste, se vê só, mas já se acostumou. Por mais que eu pense mais do que deva, por mais que eu sinta o que não deveria sentir e por mais que tudo que eu queira seja com você, o fato é que eu... eu não sei quem seria essa mulher que serei eu. Eu seria feliz e ser feliz não parece alguém que seja eu. Desisti desse tipo de felicidade...
- Bobagem. Sei que assim como eu, você se sente feliz só de saber que eu logo chegarei no meio do teu dia. Sei que eu surjo e você sente uma felicidade que é verdadeira e, quando eu apareço, teu dia se ilumina. Eu sei porque é assim comigo quando me surge você. Tudo que eu espero no meu dia desde o primeiro minuto em que ele começa é que ele me traga você.
- Nããão. Não pode ser assim. Você nem me conhece. Não teve tempo de saber dos meus defeitos, das minhas manias, de quem eu sou quando ninguém me olha. Do que eu faço e você não vai gostar. Você tem a parte de mim que te mostro. E só. Você quer o teu ideal de mim e eu não posso ser comparada a imagem que você faz de mim. Não dá pra eu sair de onde estou para correr o risco de não ser quem você quer que eu seja. Tudo isso é loucura. É carência. É bobagem, é bobeira.
- Mas não me interessa. Me chame de louco, de inconsequente. Eu quero você e ponto. Quero descobrir quem você é enquanto estou com você. Se é que você não é quem eu penso, pior pro que eu penso que perdeu tempo de não te saber exatamente como você é.
- É fácil falar...
- Não é. Eu tinha jurado pra mim mesmo calar qualquer voz que me fizesse querer alguém desse jeito que quero você, mas quando deito e o silêncio da noite é único som que me cerca, ele sussurra tua voz. Se não consigo dormir e saio à varanda e olho as estrelas, elas me mostram teus olhos. Se tento fugir da imagem do teu rosto e fecho meus olhos, sinto como se a brisa me trouxesse o perfume de você. O dia me lembra você e a noite me faz sentir tua falta. Sentir falta de quem não tenho... e só sinto isso com você.
- Lindo! Mil vezes lindo! Seja o que você me diz. Seja o que você nos sonha. Seja tudo que penso de nós. É lindo, mas tem que morrer aqui. Não vai dar certo. Não é certo! Talvez numa outra vida, num outro momento, uma outra história. Eu quero o que não posso querer. Você quer o que talvez nem saiba bem o que seja, mas uma parte de mim só vê tristeza nessa história feliz. E triste eu já sou assim e me acostumei assim... quando você sair e bater a porta uma parte de mim vai dormir sem querer se acordada. Enquanto dorme, vai sonhar os momentos que não viveremos e vai viver todo esse amor que os dois sonhamos. Eu vou chorar e cada lágrima vai ser só uma parte de uma dor que não era pra vir de ti e eu não vou ficar bem. Mas vou te proteger de mim. Te proteger de uma história em que basta que um perca, basta que um sofra... basta! Saia daqui. Meus olhos não são tão fortes e eu não quero que me veja chorar. Teus olhos estão tristes e meu peito dói quando vejo que a mesma força que faço, você faz contra as lágrimas dos olhos teus. Não vou conhecer teu beijo e nem posso precisar do teu abraço. Mas vá. Vá e se puder me esqueça...  Agora, se me lembrar, me lembre com o mesmo amor que me faz te pedir pra partir.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Tempo do Meu tempo nesses tempos


Como as estrelas que brilham lindas na noite que se faz escura,
E dão beleza (e cor) ao que antes era medo e escuridão
Tu és quem enche de brilho mil vidas e à vida triste traz sentido e razão.

Como o som que desfaz o silêncio,
Tens em ti a presença mais doce e um encanto tão bom
Que a simples lembrança tua leva embora a solidão.

E mesmo que teu jeito menina disfarce tua força mulher
És tanto mais que tantos e tantas e muitos,
Que tens em ti a força de seres quem quiser.

De longe de onde posso, te vejo!
E de te ver o pouco que cuido, te gosto!

Ah! Aproximar-me de ti é temer que o encanto que já é grande
Distraia-me e seja só a tua imagem que me fique
Olhe eu para onde olhar quando não houver você.

Por tua causa sou quase como o louco!
Cismo o sonho atrevido que te sonha
E sonho, (re)sonho e, acordado, insisto em te voltar a sonhar.

És meu encontro acontecido sem ter sido
E o adeus que me recuso acenar.

És o tempo do meu tempo feito tempo pelo teu tempo
O início da minha loucura e o instante do meu bom senso.
És querer que me faz bem
E o fim que me recuso aceitar. 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Homens, Mulheres, Amor, Sexo... O Mundo já foi mais romântico.


O mundo está menos romântico. O pragmatismo tem tomado conta do mundo. Cada vez mais me parece que as pessoas fazem o que é necessário, deixando de lado o ideal, o bom. As vontades são objetivas e as intenções cada vez mais egoístas. “Faço porque preciso”. “Faço porque devo”. As decisões são tomadas como se sua única consequência fosse o instante de agora, como se não refletissem o depois que virá. Estamos mais egoístas.
Nas nossas relações parecemos mais dispostos a tolerar o outro dentro de sua utilidade do que gostar com uma sinceridade que justifique a satisfação de sua companhia. E à medida que somos egoístas, sentimos o egoísmo do outro e estabelece-se uma dinâmica em que as pessoas vão se protegendo da indiferença umas das outras, distanciando-se do que é de verdade, e contentando-se com o fugaz, na expectativa de que assim machuque menos. Mas machuca mais.
O mundo está menos romântico. Daqui a pouco falarei do romantismo nas relações de homens e mulheres, mas aqui, nesse primeiro momento, romantismo me surge em sentido amplo. E o mundo está menos romântico.
As pessoas não desfrutam dos momentos. Antes, superam esses momentos. Não olham mais o pôr ou o nascer do sol, apenas veem que já é a noite ou já é a manhã de um dia/noite que não perceberam passar.
Os casais, por sua vez, conversam menos uns com os outros porque as tevês em cômodos distintos os livram do silêncio constrangedor ou da obrigação sacra de se bastarem e as essas pessoas, ao invés de se verem, conversam com as fotos umas das outras por detrás das telas dos computadores.
Estamos próximos de muitos, mas cada vez mais distantes de todos.
E onde vejo esse maior mal é nos relacionamentos de homens e mulheres.
Por alguma razão que, provavelmente, é culpa de nós homens, o sexo também está ficando pragmático. Parece estar perdendo seu encanto. É mais um ato como outro qualquer. 
Hoje, transa-se para saber se gosta. A impressão que se tem é que se banalizou de tal forma que, se antes o sexo era consequência de gostar, hoje, gostar é consequência de se transar. E isso parece bom, mas, ao mesmo tempo, não é.
Tenho visto casais que se formam na cama. Para saber se combinam, não importa se gostam das mesmas coisas, como também, parece não importar se sua companhia faz bem um para com o outro, se riem quando estão juntos, se sentem falta quando estão longe. O que querem saber é se o sexo é bom.
Talvez eu também padeça de falta de romantismo já que não chego ao ponto de achar que o sexo só é bom com quem se ama. Pelo contrário. Sei bem que o sexo pode ser bom quando feito com vontade, desejo, paixão. Isso não se acha só com amor. Mas trago comigo a certeza de que ele é infinitamente melhor quando consequência e não causa. Ele é verdadeiramente bom quando consequência da intimidade, do bem querer, do gostar, do conhecer e querer continuar conhecendo. Quando o desejo nasce disso, ele é genuíno e o sexo passa a ser o próximo passo dentro de um acontecimento natural. 
Não tem jeito. Sexo por necessidade é a mesma coisa que sexo por obrigação. E nada que é obrigação é legal. Não dá pra ser tão bom assim.
Hoje em dia, sedução parece ser artigo de museu. Coisa de filme antigo. E, quando se pensa em sedução, ainda confunde-se tudo.
Seduzir não é vestir uma lingerie nova ou insinuar que conhece todas as técnicas do kama sutra que a NOVA publicou no último mês. Sedução também não é abrir a porta do carro mais caro ou vestir a roupa e usar o relógio mais em alta. Não é arrepiar o cabelo ou deixar o vestido subir quando você dança até o chão. 
Sedução é se tornar interessante todo dia e a cada dia. Sedução é como a dança dos 7 véus em que a cada instante se revela um pouco sem que se mostre tudo. Sedução é o mistério revelado sempre com mais um a revelar. Isso torna tudo mais interessante.
Antigamente se valorizava a sutileza do flerte. A sedução (olha ela aqui de novo) era algo leve, gostoso, que fazia sorrir. A intenção do sexo movia pensamentos. Só que o sexo era o meio e não o fim.
Hoje sexo é o princípio. Dependendo de como for, chega a ser o meio. E, em pouco tempo, também o fim. E quanto nós perdemos em nome de “ter uma transa”?
E nos iludimos também! Corremos o risco de achar (e muitas vezes achamos) que o mundo se baseia nessa satisfação sexual e que já estamos no lucro se estamos transando. Sentimos vazio e acabamos buscando transas em quantidade, enquanto a vida vai perdendo em qualidade. E nos machucamos uns aos outros. Mas mais a nós mesmos que até temos companhia, mas sentimos solidão (e que forma ruim de solidão).
E sim, grande parte disso é culpa de nós homens. Quantas e tantas mulheres se sentiram tão usadas por homens que não entendem a delícia que é conhecer e reconhecer (e continuar conhecendo) uma mulher e, desgostosas por tudo, resolveram agir com os outros agiram com elas? Quantas mulheres por se sentirem usadas passaram a querer usar? E daí, o que era para ser o encontro de dois, passa ser a disputa entre vários e, ao invés de serem felizes, vão se prendendo na solidão de si. E o sexo, que era pra ser sublime, passa a ser somente bom (quando muito).
E daí nasce a geração Sex and City. Transa-se, veste-se e vai-se embora. Não há sequer espaço para os carinhos de depois. 
Mundo, mundo... triste mundo. Tristes nós.
Mas penso que ainda dá tempo de resgatar o romantismo entre homens e mulheres. O romantismo entre nós e a vida. Entre a vida e o mundo. Entre o antes, o agora e o depois. Não é possível que o mundo esteja irremediável. Mas não podemos vulgarizar o viver. A vida é nossa e não tem porque vivermos contra nós. Somos semelhantes e queremos muito parecido. Temos medo da dor e, para não sermos magoados, magoamos. Para não nos aproximarmos dos outros, afastamos quem quer se aproximar de nós. E ficamos sozinhos. Mas ninguém quer sozinho, nem sentir dor, nem fazer doer...

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Let's do It! Let's fall in love...


Uma, duas, três vezes ou mais. Se você conseguiu amar uma vez e já se deu por satisfeito, ótimo. Mas se amou, acabou e agora está aí, sem saber o que fazer, decida logo: ame! Permita-se amar e deixe que te amem de volta. Vamos nos apaixonar.
A vida até pode ser uma só, mas não é por isso que você tem que achar que o amor também é um e só. Pelo contrário: é justamente por só ter uma vida que você tem que experimentar amores e mais amores e tantos amores. É por viver uma só vida que você tem que saber das delícias de amar e ser amado nessa única vida.
Não. Não estou dizendo para você largar o amor que tem e ir atrás de outro. Se o amor que te ama é o mesmo amor que você ama e o encontro desses amores é bom, invista nele! Continue! Faça-o ainda melhor.
 O que quero dizer é que ninguém merece o “mais ou menos” na vida. Ninguém merece o morno. A vida deve ser sentida na sua inteireza. Ou é tudo ou é nada. O que for menos do que isso é pouco perto do muito que todos nós merecemos.
Ninguém tem que ir pra cama para um amor mais ou menos. Ou dar um beijo que, na verdade é meio beijo. Que o beijo seja um beijo de boca inteira e o sexo seja de derrubar paredes, porque a vida é uma só!
Sim. É importante, sim! Já dizia “Santa Rita de Sampa”: Amor sem sexo é amizade e amizade é bom, mas amizade não é paixão e a paixão é melhor.
Vai. Olha pra tua vida. Você sente hoje o mesmo frisson que já experimentou anos atrás? Sente o desejo de ser tocado ou de tocar como já sentira antes? Você se sente entregue a alguém na mesma proporção que esse alguém se entrega a você? O desejo que você sente é o mesmo que você desperta ou vocês são apenas duas vidas que se encontram de vez em quando?
A resposta, tanto quanto a vida, é tua, só tua. É você quem tem que saber.
De minha parte, sei que é bom querer e melhor ainda quando se é querido por quem se quer. É esperar que corram as horas ou passem os dias para que o teu abraço se complete no abraço que é a metade exata do teu. É querer que o sol se torne logo em lua e que apenas a noite segrede os segredos (de liquidificador?) de casais que se enamoram com prazer, volúpia, com intensa e completa satisfação.
Não há o que justifique uma vida mais ou menos. Não há o que te exija não viver a própria vida. Ouse! Faça! Realize! Torne a fazer! Recomece ou comece o novo! Não viva pela metade, não sinta só um pouco e nem se entregue menos do que o muito que é bom.
Abrace quem te faz querer abraçar. Beije quem te faz querer beijar. Não perca seu tempo com o que ainda é quando já deveria ter deixado de ser. Se já não está bom agora, nada te garante que vai estar bom mais pra frente. Agora, a gente sabe que todo começo é bom. (recomecemos?).
A prioridade deve ser sempre viver. A nossa responsabilidade deve ser sempre viver. E o principal de nós mesmos deve ser sempre estar vivo e se sentir vivo. Enquanto for bom, que seja. Quando estiver ruim, que acabe.
Não seja a causa e a consequência da falta de ser e se sentir, inteiramente, você. Entregue-se a vida e seja dela e não lute mais do que o razoável. Se está ruim agora, termine. Se terminar, recomece. Chore se precisar, mas sorria pra valer. Isso, pra mim, é viver!.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Recomeçar


Chega uma hora que é inevitável: você percebe que fez tudo o que podia fazer e que ao seu modo tentou o quanto podia tentar, mas, simplesmente, não dá. Tudo aquilo em que você investiu, cada sonho que você sonhou, cada projeto, tudo parece cada vez mais distante na história de você e, a única coisa que você consegue concluir é que acabou. Acabaram-se os planos, acabaram-se os motivos, acabaram-se os dias que você esperava mas que ainda nem chegaram a nascer.
E não é porque você não tentou. Acontece que, na vida, assim como tudo tem um começo, é normal que tudo tenha um fim.
Mesmo aquilo que hoje pensamos que é pra sempre, dura só até o dia seguinte de hoje ou até que ache, no dia seguinte, o seu último hoje. Os nossos melhores sonhos, nossos melhores desejos, nossos melhores planos, duram. Simplesmente duram. Duram até que acabem. E acabar é normal.
Não digo com isso que não vale a pena investir ou que não se deve sonhar, planejar, querer, etc. Deve-se sim. É bom. O que quero dizer é que o fato de uma hora ou outra acabar não é motivo para não se começar. Vai dar certo! Enquanto tiver que dar certo, vai dar certo e, quando não der mais e acabar, começa-se de novo. Recomeça-se.
Por que temer o novo? Por que temer recomeçar? Por que nos agarramos com força ao passado se é pra frente que se anda? Por que nos preocupamos com o tempo investido?
Trago em mim a certeza de que não é certo pensar que acabar hoje é ter jogado fora o tempo que passou, porque se o tempo que temos é o tempo que vivemos, tudo o que fizemos foi viver e viver é começar, acabar, talvez sofrer e, secadas as lágrimas, recomeçar. E as histórias de superação são sempre mais interessantes...
O que temos e fizemos não nos pertence de forma absoluta, mas é nosso enquanto queremos ou, se não depende apenas de nós, é nosso enquanto somos queridos ao mesmo tempo em que queremos. Nada que passe disso é saudável ou normal.
Assim como não é saudável esperarmos no outro o nosso sim e o nosso não. O outro tem a vida dele, nós temos a nossa e ninguém pode decidir por ninguém. Então não espere. Não espere a ninguém. Ninguém esperará você. Se você esperar o outro, quando menos perceber, ele estará lá na frente mostrando que superou você.
Vive la vie! Commencer! Réincarnés par vous!
A vida não nos exige tanto. Ela quer ser vivida e apenas nos obriga a fazer por onde alcançar e merecer o que queremos e, quando alcançarmos, buscarmos outra razão para continuar. Viver é conquistar todo dia uma nova razão para sorrir, um novo motivo para abrir os olhos, respirar, fazer e conseguir. Se acabou, só nos resta recomeçar.
Até que ponto é justo conosco nos agarrarmos ao egoísmo que nasce no nosso medo do novo? Quantas e quantas vezes não temos escolha e por isso nos é imposto recomeçar? Ora, se recomeçar é possível quando não se tem escolha, por que nós mesmos não optamos por recomeçar?
A vida é uma só, mas não é por isso que deve se basear numa só escolha. Se não deu certo, supere e tente outra vez. Não desista e nem tenha medo. Sentir dor é normal. Se você não sentir essa, vai sentir outra. Mas ter dó de si mesmo não vai te levar a lugar nenhum. Não há tempo para lamentar por si, quando, se você não vive, só você perde, mas quando você prossegue e vai adiante, sofre só quem ficou pra trás e deixou de viver. Autocomiseração é démodée, seja forte e seja útil pra você: vá! Levante! Recomece e lute! Comece, recomece e faça tudo outra vez... Vá viver! 

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Viver é verbo (intransitivo e intransigente)


Vá! O tempo é agora e ele dura menos do que você gostaria. Então vá! Faça! Ouse!
A vida é para ser vivida e não lamentada.
Todos sonham. Todos querem. Todos desejam. Todos buscam. Mas quantos fazem? Quantos estão dispostos a saírem da inércia de si mesmos e chegarem até o destino que fantasiam para si. Quantos são os que têm coragem de arriscar e se lançarem a essa vida sinuosa, cheia de incertezas em que, muitas vezes, parece mais fácil perder do que ganhar?
Tenho pra mim que os que entendem o quanto antes que a vitória é consequência de uma luta que todos temos condições de lutar, são os que percebem que viver não é “ir atrás” do sonho, mas sim, “realizar cada querer que se quer de verdade”.
Só que a vida não premia o comodismo. O acomodado é o derrotado sem luta. A própria vida se ocupa de fazê-lo medíocre aos seus olhos e aos olhos dos outros e ele se engana ao se afirmar feliz. Ninguém é feliz quando está parado. A vida é feita para ser útil, porque ela feita para ser vivida. Viver é verbo e mesmo o verbo parar é consequência de uma ação.
Quer conseguir? Mexa-se!
O lugar comum mais comum de todos os livros de auto ajuda é que somos do tamanho dos nossos sonhos e os responsáveis pelo tamanho dos nossos desafios. Não deixa de ser verdade. Já dizia o samba enredo: “Sonhar não custa nada! Nosso sonho é tão real!”. A realidade do teu sonho depende da tua vontade.
Quantas e tantas vezes você lamentou tua sorte? Quantas e tantas vezes se perguntou por que alguns parecem predestinados ao sucesso enquanto você tem a impressão de que nada do que faz dá certo, nada do que faz é bom?
Mas o que você realmente fez? Você fez mais do que sonhar ou parou na fase do sonho? Quais são as atitudes que legitimam teu querer? Preparou-se para o sucesso que você se sonha? Preparou-se para a luta que é viver? O ringue está armado desde o instante em que você viu a primeira luz. Só falta você subir. Mas você tem medo...
As melhores conquistas são dos mais ousados. Isso é fato! O homem só chegou ao céu porque não teve medo de voar e, principalmente, não teve medo de cair. E, se é que teve medo, a vontade de conseguir era mais forte que o medo de falhar.
Se não deu certo na primeira, tente na segunda. Se a segunda não foi boa, continue tentando. Se você realmente quer, não vale a pena parar quando o que importa é conseguir. Quando se quer, se tem (mas desde que faça!). A nossa maior força está em nós mesmos. Somos os deuses das nossas conquistas. Os donos de nós mesmos, donos, inclusive das nossas vontades.
Se dorme demais, acorde!
Se está deitado há muito tempo, levante!
Se tem lido pouco, abra o livro e só feche-o quando terminar!
Mude!
Está parado? Ande!
Está andando? Corra!
Mas mude!
Feche teus olhos. Pensa teus sonhos. Veja onde estás agora e aonde ainda quer chegar. Para estar onde se vê, o que você precisa é fazer. E por que ainda não fez? Te falta tempo? Arrume! Se organize! Durma menos e viva mais! Não sei de você, mas você sabe.
Não arrume desculpas que te façam perder antes de lutar, que te façam morto antes mesmo de viver. Viver é verbo: intransitivo e intransigente.
Não se contente com o que há agora, porque ainda há mais para depois. Prepara-te para o que virá e faça-se a si mesmo na posição de conseguir. Seja sábio!
Principalmente: seja sempre para si e por si e não pelos outros e para os outros. No fim da vida, a satisfação que você tem que prestar é para si mesmo e para a vida que te foi dada e que você deixou de viver.
Vá viver! Não se lamente da vida quando a tua vida é você. Mesmo quando a vida parece nos surpreender com um desvio inesperado no nosso caminho, somos nós que continuamos no controle e decidimos qual o novo caminho para o mesmo destino. Não há um final escrito para ninguém. Somos a página em branco da história de nossa vida e cada linha dela é escrita por nós. A minha por mim, a tua por ti. E mais ninguém.

domingo, 29 de julho de 2012

Quando a nossa mudança é o outro

Tempo e vida (7)[1]Não adianta negar. Já aconteceu comigo, com você, com teu vizinho e com aquele parente distante que a gente só lembra quando vê a foto no álbum de família: em algum momento das nossas vidas mudamos todos os nosso planos por causa de alguém.
Ter coragem de mudar é sempre algo positivo. Não se pode dizer que não é bom. A grande questão é: por que estamos mudando? O que é que nos motiva nessa vontade de sermos diferente do que pensamos que iríamos ser?
Nossas vontades são inconstantes e nossos planos nunca são absolutos, mas nossa vida se baseia nas decisões que tomamos e nossos caminhos se fazem na medida dos passos que nos permitimos andar. Logo, se somos nós que fazemos para nós, nossa mudança não pode ser por causa do outro.
Mas nem sempre é assim que acontece. Quantas e tantas vezes mudamos tudo o que queremos (queríamos) para o futuro em nome do presente de então? Do nada nos pegamos ignorando a verdade de que a satisfação que se sente no agora é frágil e enganadora. Nos fazemos levianos com nós mesmos na medida em que apostamos nosso tempo no pouco que temos agora, muitas vezes certos de que é o melhor do que jamais iremos ter e, quando o tempo passa e a verdade vem, notamos que o que parecia “para sempre” não tinha mais do que a brevidade de um sonho bom.
Uma coisa que sempre achei injusta na vida é a necessidade de definirmos no fim da adolescência aquilo que acreditamos que será o nosso futuro. Nem terminamos o Ensino Médio e já temos que nos lançar num curso Superior específico. De uma certa forma, quando preenchemos o formulário de inscrição do vestibular, estamos pós-datando o cheque a ser compensado ao longo do nosso futuro. E isso é cruel.
A crueldade dessa etapa da vida está no fato desse período ser o período em que temos certeza que temos uma certeza (e o tempo mostrará que nunca tivemos certeza nenhuma). Quando saímos da adolescência somos todos intransigentes. Peremptórios. Pensamos ter todas as respostas e carregamos a convicção de que nos conhecemos melhor do que ninguém jamais nos conhecerá. Mas a verdade é que sabemos menos do que nos permitimos pensar.
Ainda adolescentes descobrimos uma vida de instantes complexos. Descobrimos que sentimentos não são ficção e que a ficção tem muito de vida real. O primeiro amor parece ser destinado a ser o amor do resto de nossas vidas. As pequenas glórias parecem o prenúncio de toda sorte de vitórias e isso nos faz confiantes de um sucesso a que estamos predestinados e, se não contarmos com a ajuda de quem sabe da vida mais do que o nada que sabemos, nos sufocamos na nossa própria arrogância.
E se você está se perguntando o porquê de eu estar falando em adolescência nesse texto, saiba que é porque, ao menos no amor, somos todos eternos adolescentes.
Quando amamos parece que o tempo parou e que esse amor nos fez outro. Amamos e o sonho de ontem já não sobrevive ao sentimento de hoje. Se antes nosso caminho era pra esquerda, quando amamos nosso caminho segue o caminho do outro (muito mais importante que o nosso, tão insignificante por ser só nosso). E é aqui que a mudança começa a ser preocupante.
Se mudamos nossa vida, sonhos e quereres por causa do outro, mudamos pelo motivo errado e, no instante em que nada der certo – e muito provavelmente não dará – será a esse outro que culparemos.
No começo desse mesmo amor, somos invariavelmente mais altruístas. Ficamos tão encantados com a delícia de sentir amor que pensamos ser mais importante o que fazemos pelo outro e muitas vezes nem esperamos nada em troca e nem pensamos se o outro está disposto a mudar. Mas não importa.
A verdadeira mudança tem que vir acompanhada de um verdadeiro motivo. Muda-se para ser melhor e ser melhor não é agradar o outro ou viver como se só houvesse um agora que não traz consequências depois. Mudar é crescer e crescer exige rompimentos: a menina que cresce se separa da boneca e o menino do carrinho; as roupas da infância não vestem corpos crescidos e os colos que abrigavam, já não afastam o mal do mundo.
Crescer é romper com o passado, ser cruel com o presente e se preparar para o futuro, sendo nós mesmos a mudança que queremos para o nosso próprio mundo.
Mudar pelo outro é colocar a responsabilidade da nossa vida nas mãos e nos sonhos de alguém que não vive e nem pode viver nossa vida. Ele não tem responsabilidade para conosco e nós não temos o direito de exigir dele o que só depende de nós.
Seja lá o que fizermos e escolhermos, que seja sempre primeiro por nós e para nós. Não de uma forma egoísta. Mas, só saberemos, enfim ser dois, quando soubermos – de verdade – quem somos quando somos um.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Vamos construir?


Vivemos tempos em que tudo é para já. Tempos em que o imediatismo impera nas pessoas e os quereres são cada vez menos um projeto e muito mais um desejo. Tempos em que “desafio” não passa de uma palavra e projetos parecem mera perda de tempo.
O mundo está todo ele mais rápido. A velocidade nas comunicações, a diminuição das fronteiras, o alcance de toda e qualquer informação, tudo isso faz com que tenhamos pressa. Não por um acaso, o que mais se escuta nos dias atuais é “estou numa correria”. Mas a pressa é de que? De obter tudo e ainda querer mais?
A ânsia por conquistar mais impede que se desfrute o que já conseguimos e que, no mais dass vezes, nem é tão pouco assim. É só essa a nossa mania de insatisfação que faz com que colecionemos frustrações.
O fato é que estamos cada vez mais ansiosos e ansiedade demais faz mal. Não sabemos mais esperar. Não queremos e nos recusamos a esperar e se a espera é necessária, nos irritamos num “zas traz“.
Tem faltado paciência. E a culpa é de quem?
A vida não tem um roteiro e nem uma única definição. A vida é um dia de cada vez até que se acumulem todos eles. Mas ela passa; ela acaba. No fim das contas qual terá sido o saldo do que deixamos: Os amores que tivemos ou as mulheres que conquistamos? O trabalho que fizemos ou as farras que farreamos? O esforço recompensado ou os dias e noites desperdiçados qual cigarra no verão?
Ah, a vida. Na vida nós não somos meras personagens de nós mesmos, mas sim, os próprios autores dessa nossa história que – correm os dias – se confunde com outras e novas histórias. No livro da vida não nos permitiram escrever o começo e não nos é permitido escrever o final, mas nos foi dado bastante espaço pra preencher.  
O que me parece é que as pessoas estão cada vez mais preguiçosas para escrever, sem inspiração para uma história interessante e, no livro da vida, se falta inspiração, falta vida; no livro da vida, quem não escreve já não sabe viver.
Sim, porque não adianta se esperar que a vida aconteça à tua revelia e sem que você tenha que merecer. Quem sabe faz, quem quer dá um jeito de conseguir. Mas nesse mundo imediatista e cheio de ansiedade, a dificuldade parece estar em saber exatamente o que se quer.
Vivemos imersos em tantas dúvidas que não parece fazer sentido dispensarmos energia em algo que não nos bastará amanhã. E pensamos isso mesmo quando evitamos considerar as perspectivas do amanhã. Queremos viver o agora, conseguir o agora, experimentar e ter agora, muitas vezes abrindo mão da própria previdência.
Quando se vive, se quer, se experimenta e se tem só o agora, corre-se o risco de estar descartando o amanhã.
É clássico o verso onde o rock-star diz não conseguir ter satisfaction e talvez não tenha porque não sabe onde procurar. A satisfação está em nós mesmos. A satisfação está em se saber que fizemos o melhor que podíamos. Está nas conquistas do que sonhamos e pelas quais lutamos.
Descubra-se! Seja sincero contigo. Não tenha medo de querer se você está disposto a conseguir. O sacrifício de hoje se justifica no sucesso de amanhã e a vida premia esforços. O sacrifício não é eterno, não é para sempre, ele dura o tempo necessário, nem mais, nem menos. Mas você tem que saber esperar.
Conheça alguém. Pegue sua mão. Descubra seus gostos e deixa que ela descubra os teus. Invista. Construa. As pessoas não são descartáveis, então para que trata-las assim? Pode ser estranho no começo, talvez difícil e muitas vezes tão trabalhoso que não se vê muito sentido, mas quando você menos esperar, terá um companheiro, uma companheira ainda melhor do que você jamais sonhou.
Os Contos de Fadas, as novelas, os filmes e os romances não estão errados. Mas eles só mostram uma pequena fração do que é a vida. Não existe mágica, não existe destino e nem a felicidade para sempre. Na vida que nos compete, sempre há o capítulo seguinte e ninguém os escreverá melhor do que nós mesmos.
A vida não acontece por si, ela se constrói. Nada vem pronto, mas tudo pode ser feito e só depende de nós.
E então, vamos construir?

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Amor com afeto e afeto sem amor

L’amour, hum hum, j’em veux pas
(Eu não quero o amor)
J’préfère de temps em temps
(Prefiro de tempos em tempos)
Je prefere le goût du vent
(Eu prefiro o gosto do vento)
Le goût  étrange et doux de la peau de mes amants
(O gosto estranho e suave da pele dos meus amantes)
Mais l’amou, hum hum, pas vraiment!
(Mas o amor, hum hum, de jeito nenhum)
(Carla Bruni)




“Espero para ver se você vem
Não te troco nessa vida por ninguém
Porque eu te amo... eu te quero bem!
Acontece que na vida gente tem
Que ser feliz por ser amado por alguém
Porque eu te amo, eu te adoro, meu amor
(...)
Grito ao mundo inteiro
Não quero dinheiro
Eu só quero amar.” (Tim Maia)



Duas canções. As duas falam de amor. Em uma se quer amar, enquanto na outra, dispensa-se o amor. E daí eis que me pergunto: queremos amor? Sabemos amar?
Aqui se falará do amor que une duas pessoas, carnal, terreno, profano e divino.
Se procurarmos nas músicas, nas poesias (e até mesmo nas prosas) encontraremos toda forma de amor. Poetas apaixonados enxergam nas cores do mundo a mesma vibração de seu peito, todo ele cheio de um sentimento de vida que descobriu nos braços de ontem e que redescobrirá no ciclo do novo (e, no mais das vezes, diferente) abraço de amanhã.
Por sua vez, compositores cantarão dores de um amor finito, cuja herança, a solidão, é a companhia inevitável de uma dor que fazem questão de rimar com esse mesmo amor do poeta feliz.
Nos filmes e livros amores impossíveis são sempre possíveis, talvez porque o amor seja sempre possível. Não sei. Não se trata disso. A pergunta é sabemos amar? Queremos amar? Estamos prontos para amar?
Essa última pergunta me lembra de uma terceira música. Guilherme Arantes. E nela ele começa dizendo que tudo que queria um dia para ele, tinha visto na sua musa desde o começo, num momento em que a paz existiu e ele se sentia renascido.
Mas será que amar é isso? Será que amar é renascer e daí se afirmar que cada novo amor, uma nova vida e que, portanto, o novo amor só vem se sepultamos o amor que já morreu?
Certamente ser amado não é (ou pelo menos não deveria ser) o primeiro requisito para se amar ou mesmo um motivo determinante para isso. Fosse assim, não teríamos tantas e tantas histórias de amor não correspondido.
Então, o que é preciso para amar? E pergunto ainda: Basta amar para estar junto?
Você que me lê e tem alguém: por que você está junto de quem você está junto?
Você que me lê e não tem ninguém: o que você precisa pra ter alguém de quem estar junto?
Você que me lê e tem muitos alguéns: o que você pensa que está fazendo?
Talvez os primeiros digam que estão juntos porque amam ou porque a pessoa com quem estão lhes faz bem (para não dizer daqueles que estão só esperando algo melhor). Por sua vez, os da segunda pergunta diriam que esperam aquele alguém que balance seu mundo, que seja companheiro e que desperte o melhor de si. Para que, enfim, os terceiros não saibam dar uma resposta que sirva como boa justificativa para que não sejam de ninguém, ao mesmo tempo em que são de todo mundo e acham que o mundo é seu também.
Para Tom Jobim, fundamental mesmo era o amor, sendo impossível viver feliz sozinho.
E daí eu venho e afirmo: é possível viver um amor sozinho. É possível amar sozinho. Não sei por quantos dias, por quantos meses ou anos. Mas o amor não depende de troca para existir. O afeto sim.
Penso que se há uma causa justa para que duas pessoas se façam juntas uma da outra é a troca de afeto. E o afeto é um elemento importante do amor. É o se sentir amado, desejado, bem quisto. É se sentir parte de um projeto de vida em que os sonhos são positivos. Afeto é a troca de beijos e de carinhos. É o que mantém acesa a chama do amor dita por Vinícius.
Todos nós conhecemos casais que “se sentem presos” em relações que julgam não satisfatórias, ou se queixam das indiferenças do outro às suas necessidades, mas que, quando indagados do por que se mantém na relação, tergiversam e dão uma desculpa qualquer.
Provavelmente eles mesmos não saibam, mas o que os mantém junto é o amor. Um amor que sobrevive apesar da falta de afeto. Mas um amor que deixa de ser essencialmente carnal, pra se tornar um amor fraterno de quem sabe que vai sentir a falta da chatice do outro ou mesmo daquela presença tão ausente.
Mas enquanto a alma pede amor, o corpo quer afeto e essa é uma equação delicada de se acertar. Mas que, ao menos, não haja traumas e nem dores, mas sim, a coragem de não desistir de amar e de querer e de ser amado e ser querido. Sempre! O amor não morre pra nunca mais nascer e o afeto não acaba para nunca mais voltar.
Seja pelo de hoje, seja pelo que virá amanhã, ainda vale muito apena amar e se deixar levar.