quarta-feira, 31 de julho de 2013

Perde quem te diz não (você vale a pena)

Nas últimas horas me peguei fazendo uma viagem ao passado. Meus pensamentos viajaram para outros tempos, reviram antigas histórias, assistiram um vídeo de uma vida que nem sempre é agradável fazer rodar. De repente comecei a me questionar sobre o quanto a vida da gente pode ser rápida em algumas mudanças. Comecei a ver quantas pessoas apareceram e fizeram parte de algum momento da minha história. Como ocuparam dias, noites, semanas e era bom... mas agora, muitas vezes, é menos do que nada. E daí fui grato. Fui grato pelo que já não é mais, mas ainda lembro, mesmo que do outro lado faça parecer ser errado lembrar. Fui grato por tudo aquilo que eu vivi, que eu escolhi, que eu estava ali disposto a fazer acontecer... e que aconteceu!
Claro que muitas pessoas que conviveram comigo tem todo o direito de terem mágoa por algo que fiz. Perfeito nunca fui, muito embora muitas vezes tenha querido parecer. Mas muitas se mantiveram por perto e, talvez, eu tenha algum mérito nisso. Nem que meu mérito tenha sido ser estranho (ou diferente).
Quanto a quem abriu mão de mim, hoje eu me permito pensar que foi pior pra quem se foi. Sim. Eu valho a pena, como, provavelmente, você que me lê também vale e como valia quem não está mais perto de mim. Não somos nós que perdemos quando alguém não nos diz o sim que queríamos ou, pior, quando esse alguém se esconde de nós e do que sentíamos (os dois). Quem perde é quem diz o não e não se permite conhecer a delícia do sim; quem perde é quem desiste ou quem não tenta ou quem tem medo ou quem tem outra prioridade. E, mesmo que esse alguém ganhe depois, não importa, ninguém que seja o outro pode ser melhor do que seríamos, porque só nós é que sabemos quem somos e o que faremos de quem entender a verdade que há no nosso coração.
Mas é ruim.
É ruim ser estranho a quem já foi próximo.
É ruim ter medo de ligar, ter medo de mandar uma mensagem no ‘whatsapp’ ou mesmo um oi no chat do facebook. É ruim chegar o aniversário e você não saber se é só mais um a mandar os parabéns no “mural” ou tem o direito de ser pessoal e poder, pelo menos, ouvir a voz que diz obrigado ou perceber o sorriso de quem você fez feliz.
É ruim você não saber se é tão inconveniente ao ponto de ter sempre a sensação de que todo OI que você recebe vem acompanhado de um “preciso ir”, “não posso falar”, “outra hora a gente conversa”. Você fica assustado. Aquela pessoa não era assim. Ela que te fazia bem agora te assusta. Você imagina um presente e, na mesma hora, acha que ela é capaz de devolver e você não entende nada, só entende que se é que foi, já não é mais...
Pior pra ela.
Você se mostrou. Ela te viu. Você lhe pediu. Ela negou.
Quem perde é quem diz não. E pode até ganhar, mas foi menos. E vai ter que aprender a se contentar com o pouco que é tudo que não é você.

O importante é sempre ter mais para mostrar? Você tem? Ela viu?

terça-feira, 30 de julho de 2013

No Alto da Torre te vejo. Cá do chão te busco

Postas distante do chão
Só o que te há é a janela que te mostra o mundo.
Fostes deste mundo sem que sejas
Mas agora, no mais alto,
Tu, perto do céu, és a bela que – no incerto – espera

Ninguém...
Aí do alto onde te vejo
Aqui debaixo de onde te busco
És quimera em muitos instantes reais.

Real.
Enclausuras a ti mesma
Esconde-se do mundo
Ouves o grito – alguém te chama!
Mas responder tu não respondes.
Como saberias se a voz que chama diz a verdade
Ou é a mesma voz que engana?

Leviandade.
Cansaste das mentiras que se vestem de verdade
E és cada vez mais, menos do que te sonhara.
Já não quer sonhar.
Mas haveria o que houvera se não fosse para ser?

Do inverno à primavera.
As flores que vês, vês da janela
Teus pés estão longe do chão, mas não porque voas.
Voar é como sonho e sonho tu já não sonhas.
Gostar tu não gostas,
(Mas logo tu que tanto gostas de gostar?)
Estás no alto!
Mais perto de ti são as nuvens que te vem à janela
Do que a grama que não tem conhecido o toque dos teus pés.

Calada...
Guardas teus sentimentos enquanto deseja que não houvessem
Silencia tua dor, mas não nega a falta do teu sorriso mais sincero
Da tua alegria incontida
Do teu querer inconsequente
Do teu sorrir... inconscientemente consciente.

Torre alta, murada.
Tua morada que te faz perto do céu.
És muralha cercada de ti para te cercares dos outros.
Distante.
Não foste posta, te postaste.
Não há escada que leve a ti.
A subida é o teu desejo
É o teu querer
O caminho é teu
Depende de ti.

No chão tocam os pés de quem te pede
De quem em vigília te vigia e te deseja
Te espera porque te sabe esperar.
Te espera desde de antes que te soubesse
E te sabe sem te saber...
Te esperava sem saber que te esperava
E te quer mesmo sem entender porque te quer...
As tranças...

Desce!
Ou deixa subir.
Te faça alcançar por quem te tem desejo.
Não há luz, não há vida, não há nada na torre que te guarda
Foi feita pra ti, mas não é teu lugar.
Foi feita pra ti, mas não tens que ficar.
Já saíste e se voltaste já não é mais hora.
Saia. Venha. Veja.

Eu
Eu que te vejo onde olho e quero te olhar onde te vejo.
Eu que mesmo no dia de chuva vejo o brilho do sol
Eu que ainda que seja a noite só sombra, acharei nos teus olhos mais brilho que a lua.
Eu que quero te tirar daí, mas que pra isso preciso subir pro alto que não tem escada,
Mas que subo.
Tenho que cruzar o caminho que não tem estrada.
Mas eu cruzo
Tenho que ouvir o barulho de quem não diz nada.
Mas eu ouço.

E tu, ouça-me também!
Ouça-me e deixa-me te ir se não te podes vir
Ouça-me e deixa-me te chegar pelo caminho que sei
Deixa-me te pegar a mão
Deixa-me te carinhar os cabelos
Deixa-me te fazer minha (faça-me teu)
Seja meu começo todo dia,
Seja meu recomeço a cada noite,
Seja minha

Saia. Venha. Veja. Nós.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

GENTE CHATA É CHATA (e aqui está cada dia mais cheio deles)

Certa vez vi alguém comparar as postagens no Facebook ou no twitter àquelas mensagens postas em garrafas lançadas ao mar. À época, achei a comparação pertinente. Lançava-se o pensamento e guardava consigo a expectativa daquela mensagem ser encontrada em algum tempo, algum momento ou até em algum lugar inusitado. Mas hoje vejo que não.
Quanto mais “convivo” neste mundo tão peculiar (já que preso em si mesmo) do Facebook, mais percebo que as pessoas (e o texto poderia vir em primeira pessoa tranquilamente) não guardam uma expectativa abstrata de atingirem alguém.
Não! A meu ver, o que querem é o louro e o aplauso concreto. Imediato. Instantâneo. Querem a fama traduzida em “curtidas”, comentários de quem concorda, compartilhamentos que os exaltem.
É, a partir daí, que se passa a ter os mal-humorados profissionais sempre prontos para espezinhar as postagens alheias ou a ridicularizar quem quer que seja, porque acham que assim serão engraçados (tal qual o valentão que pratica bullying na escola). Esses me parecem sempre os mais bobos. Aqueles que sofreram durante anos e agora, protegidos pelo escudo da tela para a qual olham, falam agora o que o medo sempre lhes fez calar.
Além desses temos também os reparadores, os devotos, os arautos, os zombadores... todos no afã de serem notados como pessoas que pensam, que sentem, e postos como se todos estivessem num grito angustiante e angustiado de serem queridos e serem notados.
Cada vez mais as “redes sociais” se veem repletas de vários vaidosos de suas próprias opiniões, defendendo-se dos que nem os atacaram e agindo como se a vida fosse uma eterna batalha sobre quem tem mais razão. Não contentes em terem sua própria opinião, as pessoas querem, a partir dela, sugestionar as opiniões dos outros. No mundo virtual todos se julgam verdadeiros formadores de opinião e levam isso a sério. Vestem a personagem até com certa cerimônia.
Aliás, o mundo virtual, que de sério não tem nada, acaba aparecendo como cenário de disputas vazias de pessoas orgulhosas de si mesmas, sempre prontas a tentarem fazer com que nos sintamos mal por não termos tido a sorte de termos nascido eles.
E assim sou eu, assim é você (até mesmo você que leu tudo isso pensando que você não é).

Só que a vida, essa se vive do lado de fora daqui. Vamos pra lá?

sábado, 13 de julho de 2013

Uma carta apaixonada de um amor não correspondido

Monde de rêves, dez/1912

Ma chèrie,
De tout os românticos de monde eu devo ser o que mais tem medo do romantismo. O que me assusta não é o medo de que você me faça mal, e isso porque esse bem que você me faz, há tempos que eu não sentia, e me veio na hora certa, na hora que eu realmente mais precisava.
Escrevo-te esta carta em letras trêmulas de nervoso. Sinto que devo te explicar tudo o que você representa pra mim, mas é que eu não sei fazer isso de uma forma ordenada. Acho que, até por isso que o fato de estar a todo esse tempo sem ver-te tem me causado angústia.
Saiba que contigo me sei sendo de verdade, sem personagem, sem defesas, sem máscaras... e é sem defesa porque eu realmente não sinto que preciso me defender de você ou do que sinto por você.
À medida que eu te sonho, que eu te escrevo, que eu te penso, à medida que eu olho pro futuro e imagino uma vida feliz ao teu lado, muito do meu sorriso é te enxergar ali. E percebo que, de certa forma, você foi minha cura da minha própria melancolia.
E isso é cruel com você. É uma responsabilidade que você não me pediu.
Ah! Ma belle... quando eu penso que desejo alguém a quem eu gostaria de fazer feliz, pela delícia e pelo prazer de descobrir o que é a felicidade, o mais natural é pensar em você (ainda que tão impossível e improvável).
Mas te espero na esperança de você.
Ah, mon amour, quando eu penso num sorriso que eu quero que sorria por minha causa, é o teu sorriso que eu quero sorrindo; quando eu penso numa tarde como a de hoje, em que tudo que eu precisaria era um abraço e nada mais, seria o teu abraço que me faria feliz.
Ma bien-aimée, se todos esses pensamentos me ocorrem, não é porque você me deu esperanças. Você não deu. Mas porque você foi você e eu gostei da você que você é.
Se fosse escolher alguém pra descobrir sobre, para aprender sobre e para conhecer, seria você (tout ce que vous).
Se te digo que sou louco (um louco consciente), é porque eu sei que você é o sonho que eu estou sonhando e se Eu é que estou sonhando, a “você” que eu penso é a minha e não você, porque você eu não conheço. Gostaria de conhecer, mas não me vejo tendo essa chance. (triste)
É très duro me mostrar assim. Eu conheço esse meu jeito "de sonhar" e sempre o guardo pra mim. Mas eu confio em você. (Je te fais confiance)
Eu sei o quanto é pesado ler isso que você está lendo e que você deve estar assustada Mas a verdade é que eu ouço uma música bonita e penso em você; assisto uma cena feliz e quem está lá? Você! Olho à minha volta e ninguém me interessa porque, hoje, ninguém é você
e o que eu quero agora é conhecer o conforto de um abraço em que o meu peito bata no ritmo do teu ou a delícia de um beijo teu que beije o mesmo beijo meu.
Oh, Ma plus beau l'amour, quero você como eu quis poucas pessoas na vida
(se é que já tive essa intensidade de querer antes) e se eu quero ser quem você precisa, eu preciso estar pronto pra ser de você, sem te assustar.
Ma chèrie, eu gosto de gostar de você e, por mais inseguro que eu esteja depois de tudo que te fiz saber, me dá certo alívio te dizer que, dos meus sonhos mais loucos, o mais lindo é você.
Je t'aimerai... toujours.
Richard.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Uma mente sem lembranças

Depois de quase nove anos, voltei a assistir ao filme “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”. Nessa história, imersos num relacionamento que caminha para um fim melancólico, ambas as personagens – um após o outro – resolvem se submeter a um procedimento médico capaz de apagar de suas memórias as lembranças de que estiveram juntos um dia até que, no meio do procedimento, a personagem Joel (Jim Carrey) se arrepende e tenta, de dentro de sua mente, evitar que se apaguem totalmente as lembranças daquela mulher (Kate Winslet) que, ao longo da visitação de suas lembranças, ele descobriu ainda amar.
Enquanto (re)assistia ao filme, comecei a refletir sobre como seria se houvesse mesmo a possibilidade de apagarmos toda e qualquer memória que nos causasse dor e sofrimento. Comecei a imaginar como seria poder esquecer aquele amor que não foi correspondido, ou a morte (e a vida) insuportável e insuperável daquela pessoa (ou um bicho) importante. Como seria a vida se, ao invés de evitarmos lembrar, pudéssemos simplesmente fazer com que aquele momento cuja consequência só nos causa dor nunca  “tivesse acontecido”?
E achei a ideia perturbadora.
Apagar uma lembrança, apagar uma fase da nossa vida (seja um ano, seja um mês, uma semana ou apenas um encontro) é como o suicídio de uma parte de nós. No meu caso, seria me matar em partes. Abrir mão da vida que é minha. Sim, porque mesmo sendo o passado, o passado é o presente que, realizado, chama-se “EU”. Eu sou a consequência de tudo que vivi, de tudo que experimentei, de tudo que perdi e de tudo que ganhei. Eu sou a consequência dos meus êxitos e dos meus fracassos, das minhas conquistas e das minhas derrotas, dos amores que amei, dos amores que me amaram e até dos vários amores que amei sem que tivesse sido amado.
Eu também sou a consequência de quem esteve comigo uma tarde, uma noite, um amanhecer. Sou o que me fizeram cada um dos encontros, dos desencontros e dos reencontros pelo tempo em que eu venho sendo esse EU que se transforma a todo instante... até o último instante. Daí entender que me esquecer de uma parte da minha vida é me esquecer e me afastar de uma parte de mim. Ora, não posso me querer longe de quem eu seja. O que posso querer é vir a ser sempre melhor do que jamais serei!
Ora, esquecer a dor se é ela que nos faz saber que podemos prosseguir apesar dela? Esquecer a tristeza mesmo quando ela nos faz valorizar o que é ser feliz? Esquecer um amor quando é a soma da experiência que muitas vezes nos faz saber quais erros cometeremos de novo e quais não? Não. Nós somos o acúmulo dessa nossa única vida. São nossos dias somados uns aos outros que nos definem. As escolhas que fizemos nos definem. Os rompimentos que tivemos coragem de fazer e os rompimentos que fizeram conosco mesmo quando não queríamos são o que nos definem (e são também o que nos definem a nossa própria vida para nós).
Uma mente sem lembranças é semelhante a uma vida sem vida. Ela não serve de nada. Não é útil. É vazia de sentido e, ainda que possa parecer um campo perfeito para novos sonhos, novas coragens, novas personalidades, ela acaba sendo uma busca eterna por aquilo que tentamos deixar de ser só porque não conseguimos nos aceitar.
Então, sou contra esquecer. Não devemos esquecer nada, mas sim, seguir a despeito do que tenha sido ruim. Se precisar superar um trauma e uma dor, superaremos e partiremos para a próxima etapa, consciente de que até pode vir a doer, mas mais consciente de que, se passamos por uma, passaremos por outra se for preciso. Até que não seja preciso...

terça-feira, 9 de julho de 2013

O amor é mesmo Fundamental? (Sim! E é impossível ser feliz sozinho...)

Essa semana me deparei com uma frase da Fernanda Mello. Nessa frase ela dizia que “amar virou coisa de gente corajosa”. E mais uma vez a Fernanda acertou. Nos dias atuais só quem é muito corajoso tem se atrevido a amar (e alguns precisam de coragem para se atrever até a quererem amar).
De minha parte, amar é sinônimo de felicidade e a felicidade não é uma estrada que se atravessa sozinho. Cada dia eu concordo mais com Tom Jobim quando canta que fundamental, mesmo, é o amor e que é impossível ser feliz sozinho.
Acredito do fundo do meu coração que todos merecem achar a paz e a felicidade, ao mesmo tempo que, a mim, o que me parece é que todos os querem por igual, até porque, a reclamação que mais ouço e leio, seja de homens, seja de mulheres é a de que o difícil é encontrar alguém.
Pra mim, o que acontece é que as pessoas andam tão machucadas pelo mundo atual, que parecem desistir. Andam se sentindo tão negligenciadas pelo mundo exterior, tão abandonadas por aquela sensação de alegria, que se escondem dentro de si mesmas, achando que se primeiro se cuidarem de si, aí sim, estarão prontas para se permitirem estarem (e não se entregarem) para o outro.
Mas não. O risco que corremos é o de, por causa de um ou de uma idiota, não nos estragarmos para quem nos mereça, nem nos estragarmos para quem está ali, só esperando a chance de nos fazer feliz e nos dando a chance de fazê-los felizes também. Por causa de um “não”, viramos às costas a todos os “sim” da vida e fugimos assustados para baixo da nossa cama, revirando-nos numa dor que não tem que ser nossa... ninguém merece o nosso sofrimento.
Esse papo de que a gente precisa primeiro ficar bem com a gente mesmo e, só depois, partir pra outra, é conversa. Balela de gente medrosa que por medo de sofrer prefere não se apaixonar.
Tudo bem que a gente é gente e gente tem medo. É normal. Mas não é bom. O problema é que, ao fim de uma relação, ao tempo seguinte de uma experiência ruim, a dor passa a ser a lembrança mais recente que a daquele começo gostoso (e que é sempre gostoso!) do início de se apaixonar.
Basta que nos apeguemos à nossa própria experiência de saber que o fim de um amor não é o fim de uma vida e que se um sonho não vai seguir até que se realize, basta que voltemos a sonhar e comecemos outros. Sonhar acordado com a felicidade também é uma forma de ser feliz.
Não precisamos lembrar de como éramos felizes com aquele/aquela que não souberam ou não entenderam a sorte de nos ter. Não precisamos lembrá-los doces. Olhemos para eles como os que não tiveram a chance de aproveitar a nossa melhor fase e prossigamos sem medo pra ela. Vamos à diante. Sorriremos e seremos felizes.
E, cá entre nós: se você fizer o que é importante pra você, mesmo que pensando também no outro, a consequência será aquilo que for melhor pra você, ainda que, muitas vezes, o melhor seja esse outro (estúpido?) bem longe de você.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Amigos: se foram, serão! (e a importância de se viver sabendo o que – e com quem – se viveu)

Não acredito em quem diz que o passado ficou pra trás. É injusto e muitas vezes me soa mesquinho. Claro que a vida se vive para frente. Vive-se hoje e ao hoje se segue o amanhã e é bom que seja assim. Mas nós vivemos a vida que vivemos hoje desde ontem e o passado é parcela mais do que importante de tudo o que experimentamos.
Um dia depois do outro e nós vamos acumulando experiências e encontros. Na escola, na rua, na igreja, academia, faculdade... não importa aonde vamos e nem onde estivemos, estamos sempre encontrando alguém. Essa nova pessoa soma-se a todas as outras pessoas que já conhecemos. Algumas ficam em nossa vida pra sempre, outras duram um tempo e se vão a iluminar outros tantos a quem quererão bem também.
Essas novas pessoas podem ser aquelas que precisamos pro nosso momento de agora. Podem ser aquelas de quem nem temos o direito de esperar muito, mas que amanhã serão quem nos socorrerá na angústia e na dor. A novidade de hoje, quem sabe, pode ser o amor de amanhã e por aí vai. Mas também há aquelas que fazem valer a pena olharmos para trás e lembrarmos onde e quando elas estiveram e, de repente, poder se dar conta de que, se olharmos ao lado elas ainda estão e, quando pensamos o amanhã, conseguimos saber que elas estarão lá.
Essas pessoas são o nosso pacto com nós mesmos. Elas nos lembram as pessoas que fomos e, se ainda estão conosco, permitem que creiamos que valeu a pena termos sido esse que fomos. Cativamos quem não nos abandonou.
Há poucos dias tive uma noite agradável na companhia de uma amiga que tenho na vida há mais de 12 anos e, muito embora não nos convivamos sempre, sabemos quem somos e gostamos de ser. É bom e, naquela noite, era especial olhar pra ela e saber que tanto tempo passou e ainda podemos dizer: é bom estar com você!
E quantas são essas pessoas? Quantas são as pessoas que nos importam há tanto tempo e convivem conosco há tanto tempo? Quantas são as pessoas que lembramos desde mais novos e que sabemos que o tempo passou, mas que, quando juntos, era como se voltássemos aos tempos de começo?
Mas quem é importante pra você? Sim, porque ao longo das nossas vidas nós encontramos inúmeras pessoas. Cada uma ao seu modo e no seu tempo, representam um instante, um momento ou até mais na nossa vida.
O último episódio de LOST é, pra mim, um dos mais perfeitos fins de um programa que já assisti. Quando, ao fim, o personagem principal finalmente chega à igreja é recebido por seu e se dá conta de, também ele, estava morto e ali ele encontraria todos os seus amigos que estiveram com ele naquela ilha e que também haviam morrido. Na medida em que aquela personagem não entende nada, seu pai então lhe explica que ali onde eles estavam é um lugar em que todos eles “construíram” juntos para se encontrarem um ao outro, e isso porque a parte mais importante da vida de cada um deles tinha sido o momento que passaram juntos e, era por isso que, naquela “situação” todos estavam ali e ele diz: “ninguém vive a vida sozinho. Você precisou deles e eles precisaram de você. Para relembrar e para prosseguir.”
E é então que esse me parece o principal segredo. As pessoas que viveram nossa vida conosco (e as que ainda vivem), nos dão e de nós recebem o que precisam para relembrar e para prosseguir. O que não podemos esquecer nunca, mesmo prosseguindo e conhecendo quem seja novo ou mesmo prosseguindo tendo ao lado quem já caminha conosco há tanto, é a delícia e do prazer de olhar pra trás e relembrar tudo que valeu a pena com quem fez da nossa alma tudo, menos pequena.
Vamos relembrar?