terça-feira, 22 de maio de 2012

Eu acreditei na Xuxa!


Esse texto é uma resposta ao texto do blog "O Percepcionista" do prof. Bernardo Penna, quando ele pergunta em seu texto "Você acreditou na Xuxa?". (http://opercepcionista.blogspot.com.br/2012/05/voce-acreditou-na-xuxa.html#comment-form)

Vamos às minhas impressões. 

É óbvio que não se pode acreditar em tudo que se vê na TV, seja a emissora que foi, mas me parece que está havendo uma inversão.
Leio os comentários e "percebo" que muitos são movidos por uma antipatia à própria Xuxa.
Sim. EU ACREDITEI na Xuxa quando ela disse que sofreu abuso.
Não. Eu não acreditei na forma como ela relatou sua experiência.
Bons redatores existem aos montes e, com certeza, aqueles depoimentos não foram gravados em um único take. É certo que ela foi ajudada na hora de contar essa história, que suavizaram a versão, que destacaram um ponto aqui e outro ali e que, sim, ela tentou demonstrar uma emoção que os olhos negavam.
Mas daí achar que não havia verdade?
Trazer à baila o episódio do filme "Amor, estranho amor" como sinônimo de incoerência me parece um tanto mesquinho. Ali havia a Maria da Graça Meneghel, no auge dos seus 16 anos (o filme foi filmado em 1979), contracenando com um menino de 12 anos que, se estava ali, foi sob a autorização dos pais. Mais importante: a Xuxa não encarnava, sequer, personagem principal do filme, papeis esses que couberam ao Tarcísio Meira, à Vera Fischer e à Matilde Mastrangi, esses sim, nomes conhecidos.
Por que a Xuxa teria que dar nomes aos abusadores? Para que fizessem uma devassa ainda maior na sua vida? A exposição que ela fez já foi suficiente pra fomentar a discussão e se teve viés comercial por conta da audiência, e daí? Que diferença faz? Ela tinha que falar qual tipo de abuso ela sofreu? Ora, não basta ter sofrido abuso? Sob seu âmbito privado, ela aborda o que e como acha que deve abordar e, como figura pública, faz bem em preservar o que julga conveniente.
Lembro-me sempre de uma frase do Léo Jaime que, falando sobre o twitter, disse: "Tem gente que te segue no twitter só para te odiar bem de pertinho". Noto que há um certo prazer no brasileiro de atirar pedra nos famosos vivos para depois endeusá-los quando mortos.
E se o Senna foi mesmo o grande amor da vida dela? Ninguém tem condição de dizer que não foi. Ninguém conhece a intensidade do amor de ninguém e, por isso, não é capaz de julgar. Quantas e quantas pessoas perdem seus amores para o tempo, para a morte, para escolhas diferentes e, anos mais tarde percebem que não fizeram a melhor escolha, mas que é com essa escolha que elas têm que lidar.
E outra, a Xuxa não precisa de outro nome para promover seu nome. Quantos nomes são mais conhecidos do que o seu nesse país?
Me parece muito fácil criticar a Xuxa, a Globo, etc. O que me parece estranho é a tentativa que muitos vêm adotando de tentar desmistifica-la. Depois da Hebe não há apresentadora que atinja a importância dela na TV.
Ela tem méritos. Chegou onde chegou porque soube chegar. Teve carisma e, aproveitada como foi, teve senso se oportunidade.
Se ela reservou um andar inteiro do hospital, o que que tem? O Luciano Huck fez a mesma coisa pela Angélica e, se eles fizeram/fazem é porque tem dinheiro pra isso. Ou daqui a pouco vamos dizer que eles deveriam usar o dinheiro pra dar melhores condições de vida para os outros? Pra isso eles constituíram suas respectivas fundações.
Se ela sabe fazer dinheiro do dinheiro e de sua imagem, ótimo pra ela. Não acho que ela mentiu. Ela pode ter seguido um roteiro, mas ela é a XUXA e não precisava disso só para que falassem dela.
Não vejo o porquê de não lhe dar crédito.

2 comentários:

Anônimo disse...

Olá William Ricardo, confesso que me fez questionar sobre minha opinião a respeito do caso Xuxa. Concordando ou não, você gerou aquilo que todos os textos jornalísticos deveriam gerar: a reflexão. Parabéns pelo texto.

Anônimo disse...

Concordo com vc, William. Ela precisava desabafar. E teve seu lado bom: mostrar que é algo que pode acontecer com qualquer um, inclusive com a Xuxa. A maldade do ser humano é algo assustador. Da mesma forma que alguns odeiam pobres, outros também odeiam ricos. Seja pobre, seja rico, ninguém merece ser abusado sexualmente.

Ana Clara Cunha