sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Do jeito mais difícil...

“Deixa estar para ver como é que fica”. Esse parece ser o principal lema da maioria das pessoas. Não importa o quão descontente elas estejam, é raro que pareçam inclinadas a mudar sua forma de ser.
Até mesmo eu fico tentando me provar o contrário do contrário quando, a bem da verdade, acho mesmo é que não existe mais ou menos na vida. Mais ou menos é o disfarce do ruim. A gente pode até ficar tão acostumado com o ruim que não faz nada pra melhorar, mas daí a querer convencer que “tirando o que tá ruim, tá bom”, corresponde àquela tentativa inútil de repetir uma mentira pra ver se ela se torna verdade.
O mundo está cheio de pessoas sorrindo um sorriso vazio. Você assiste lábios bem abertos num sorriso que tinha tudo pra ser bonito, mas que logo é traído pelos olhos que não são alegres como o sorriso quis supor.
Você vê casais que trocam beijos sem paixão, abraços sem afeto, carinho sem vontade, tudo como se fosse um script a ser cumprido em razão de uma satisfação de outros que não sejam aqueles que já nem sabem mais porque aceitam o menos.
Será que não está na hora de dizer chega? Será que não está na hora de se admitir que a hora nunca é errada quando é vivida, mas é sempre perdida quando se insiste em não viver, quando se insiste em não fazer o que se deseja, o que se quer, não fazer acontecer? Quanto tempo até que não haja mais tempo? Há tempo... sempre há tempo enquanto tempo houver.
A gente sabe o que quer. A gente sempre sabe o que quer. A gente sabe o que não quer. A gente sempre sabe o que não quer. Mas cumprindo à perfeição nosso papel de nossos piores adversários, achamos que nossas certezas sobre nós mesmos estão erradas e que há outro alguém muito mais capaz de nos entender, completar e compreender melhor do que nós que nos sabemos, nos conhecemos e dominamos o que pensamos, apesar disso ser justamente aquilo que mais calamos.
A esposa sabe que acabou. O marido sabe que não devia ter começado. O empregado sabe que merece mais e o sócio sabe que trabalha sozinho, mas todos permanecem unidos em nome de qualquer coisa que no fim é o medo. Não aguentamos mais, mas insistimos com o mesmo. Não queremos mais, mas continuamos com o mesmo. Já desistimos, mas não encerramos. Tememos.
O engraçado é que a vida da gente – e das gentes – nos ensina que ela sempre continua, não importa se acertamos, se erramos, se nos alegramos ou se nos arrependemos, mas mesmo assim, a gente tem medo. Medo de não ser a melhor decisão, de não alcançarmos uma melhor conquista ou de não encontrarmos um caminho melhor e então continuamos no caminho que não nos leva a lugar nenhum, vivendo uma vida que, a  cada escolha que não reflete nossa real ambição, só faz perder vida.
E daí morremos. Morremos cheios de arrependimentos inúteis por não termos feito o que desejávamos sob a desculpa fajuta de termos vivido exatamente o que podíamos, mas sem que tivéssemos alcançado nada daquilo que nos queríamos.

Mudar não parece ser fácil, mas acostumar a viver mal é viver do jeito mais difícil. 

Um comentário:

Dani Bernardo disse...

Perfeito! Mais uma vez você consegue revelar o íntimo da alma humana.