quarta-feira, 13 de agosto de 2014

A morte me fascina (justamente por não saber o que nela há)

Desde a primeira vez que assisti "Ghost", há muitos, muitos anos atrás, tenho uma certa fascinação pelo instante seguinte ao momento da morte. A cena da alma do Sam (Patrick Swayze) perseguindo seu assassino sem se dar conta que atrás dele estava seu corpo sem vida nos braços da Molly (Demi Moore) sempre foi muito impactante na minha memória.
Ao longo dos anos, sempre que sei que alguém morreu, fico me perguntando se há ou como será um "outro lado" e se a morte seria simplesmente como uma porta que atravessamos.
Ao saber do infarto do Zé Wilker e do Luciano do Valle, fiquei imaginando: será que ficaram surpresos quando "acordaram" numa outra vida? Ou será que até agora eles não sabem que morreram?
Quando penso nas overdoses do Phillip Seymour Hoffman, do Corey Monteith, do Heat Leadger ou da Whitney Houston, fico pensando: será que eles despertaram "sãos" do outro lado, viram-se inertes por uma dose excessiva de drogas que se aplicaram?
E o Paul Walker (ou até mesmo o James Dean)? Como será que foi morrer queimado e, "saído" do corpo que lhe carregava a alma, saber que ele não seria mais quem ele sempre foi.
Lembro que quando o Maurice Gibb morreu na mesa de operações, pensei: de que forma será que ele soube que estava morto e não cantaria mais com seus irmãos do Bee Gees?
Ao saber do suicídio do Robin Williams fiquei imaginando como será que foi pra ele morrer e, de repente, descobrir que a morte poderia ser o fim da dor da vida, mas não o fim de alguma consequência pelo que se viveu.
Ao saber da morte chocante do Eduardo Campos fiquei imaginando como foi o instante seguinte ao que ele se encontra com Deus, ou com um deus, ou com Jesus, não sei... quem nos espera? quem nos avisa? quem nos conforta?
E da mesma forma tantas e tantas pessoas que gostamos e nos deixam e, se é que há, precisam atravessar pra esse outro lado e lá achar que lhes guie para onde tenham que ir, experimentar o que lhes resta experimentar.
E daí eu lembro do Goulart de Andrade no Roda Viva da Cultura dizendo que esteve morto por um tempo ao sofrer uma parada cardíaca e que não tinha nada do outro lado...
Enfim... a experiência da morte me fascina e me desperta uma grande curiosidade. Mas penso que seria melhor se eu soubesse me fascinar assim pela vida que ainda "me há". 

Um comentário:

Carla Peron disse...

Forte mas real, muitos se perguntam como será.
Eu não me fascino com a morte, talvez por eu ser um tanto céptica.
Mas a vida me fascina cada vez que vejo, conheço ou vivo algo novo e que me alegra.
Abraços.