quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Pode ser mais. Mas sabe menos!

“Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu.”
(Como dizia o poeta – Vinícius de Moraes)

Como dizia o Poeta a vida existe para ser experimentada e não para ser analisada.
Vez ou outra me deparo com um ou outro que fica pensando mais do que agindo, esperando mais do que vivendo ou reclamando mais do que se divertindo.
A vida é séria, sem dúvida. Mas também tem que ter graça. Na vida é preciso sorrir, mas também chorar. É preciso amar e ser amado e, muitas vezes, nem é ao mesmo tempo. A vida está aí para ser vivida. Viva!
Muitas vezes, fico com a impressão de que há pessoas que vivem a vida como se estivessem do lado de fora dela. Como se a vida fosse uma experiência na qual ela – essa pessoa – é quem toma notas sabe-se lá para quem.
Essas pessoas muitas vezes levam a sério conceitos que, se hoje são, amanhã provavelmente deixarão de ser e, presas no universo de si mesmas, apaixonam-se tanto pelas suas próprias ideias e por seus próprios conceitos, que parecem desprezar todos os demais (não os conceitos, mas as pessoas).
A vida não é uma ciência. A vida é simples: simplesmente vida.
Gosto muito de um poema do Fernando Pessoa (quando ele foi Alberto Caeiro), em que ele inicia com a seguinte afirmação: “Há metafísica bastante em não pensar em nada” e depois segue dizendo que só pensaria no mundo se, por um acaso, viesse a adoecer.
É bem por aí. Se você está do lado de fora da vida, na condição de mero espectador, você não estará vivendo essa única vida que é a única que você pode ter certeza que terá, já que já a tem.
A vida não foi feita para ser racional e nem nós fomos feitos para nos protegermos da vida. Estamos aí e é o que temos para hoje. Se tivermos que chorar, choremos; quando sentirmos amor, amemos; saudade? Vá atrás. Mas viva. Seja. Faça. Não se pense acima dos demais. Somos todos nós mortais (com o perdão da rima infame).
Você que está do lado de fora da vida, olhe para si mesmo e lembre-se que os dias passam cada vez mais rápido. As 24 horas de antes, por mais que se queiram, não são as mesmas 24 horas de agora. Elas duram menos. E eu trago comigo uma impressão: quanto menos você vive, menos você tem para viver. Mas quanto mais você vive, mais você vai perceber que, no fim, vale a pena viver.
Não se leve tão a sério. Antes de você muitos foram ridículos, depois de você muitos continuarão a ser ridículos. E qual é o problema? O que é ridículo para um não é nada mais que, a alegria para o outro... pois Viva!

Um comentário:

Gleise Horn disse...

Caro William,

Você já elogiou bastante a minha escrita e eu sempre fico muito feliz com os teus comentários.
Não venho aqui comentar o teu texto por mera retribuição, já que tua grandeza de alma dispensa isso. Mas em relação ao que você disse no último comentário acerca de eu te deixar com vergonha de escrever, devo confessar que me sinto pior, porque você me deixa com vergonha de pensar, rs. Tuas ideias (além de bem expostas) são irretocáveis.
A vida põe a gente em xeque - dia após dia, mês a mês... ano a ano, os desafios são cada vez maiores e creio eu, que a saída está no pensamento livre, na independência de todas essas maquiagens baratas com as quais a gente pode se pintar (e provavelmente se borrar). É estranho e bom sentir vergonha, cair, levantar, ser HUMANO, DEMASIADAMENTE HUMANO.
O Fernando Pessoa, revestido de Alberto Caeiro, escreveu os versos que tem sido o alimento predileto da minha alma nos últimos tempos, mas pra concluir o meu comentário, vou me socorrer dele na voz o Álvaro de Campos , no famoso “Poema em Linha Reta”:
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana; Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia; Que contasse, não uma violência, mas uma covardia! Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam. Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil? Ó principes, meus irmãos!
***


E chega né? pior do que levar a vida tão a sério, e ficar levando a sério do jeito errado...
mas tá, há metafísica bastante em não pensar em nada, rs..
Um feliz fim de ano pra você e um 2012 repleto de união e prosperidade. :)