terça-feira, 10 de junho de 2014

O sexo da Xuxa e o seu (ou nada melhor do que se assumir quem é)

É isso! No último sábado no programa "Altas Horas" a Xuxa finalmente se manifestou a respeito do filme "Amor Estranho Amor (1982)" de Walter Hugo Khouri, estrelado por Vera Fischer, Tarcísio Meira, Mauro Mendonça, Íris Bruzzi, Matilde Mastrangi e com uma participação dela em seu primeiro filme. 
Pelo que consta do enredo do filme, cujas cópias (quase todas) Xuxa consegue manter em seu poder, em fins da década de 1930, um menino de 13 anos é abandonado às portas de um prostíbulo onde sua mãe atende. Nesse prostíbulo, passa a conviver com diferentes garotas de programa, inclusive com uma jovem de 15 anos (Xuxa) que teve sua falsa virgindade leiloada. Em represália à forma como foi tratada pela mãe do garota, a personagem de Xuxa, resolve seduzi-lo em sua tenra idade. 
Penso que talvez a Xuxa tenha demorado até demais para se manifestar sobre esse filme que ela conseguiu até proibir de ser veiculado e, certamente, teve suas razões de fazê-lo. Contudo, condená-la por uma cena feita há 32 anos atrás, quando ela tinha 18 anos e interpretava uma garota de 15, é querer fazer fama na fama alheia. 
O deputado pastor que tentou lhe ofender na Câmara foi ridículo. E isso para manter o nível de respeito. 
Qual o erro da Xuxa? Ela não abusou de um menor, ela interpretou uma personagem num filme no qual ela nem era a personagem principal e filme esse que, todos que assistiram - eu só vi a cena em questão - dizem que é muito bom..
Claro que há aqueles que demonizam o sexo, que acham que erotizar a vida quando se lhe mostra como ela é e a pornografia são a mesma coisa. Nada mais absurdo.
"-Ahhh, mas ela até pousou nua..."
A nudez está presente desde o Éden (para aqueles que acreditam nele), pelo menos enquanto mito. A nudez é festejada como a perfeição, mas não a perfeição estética, e sim, a perfeição do espírito livre das amarras impostas pelos que não entendem que a vida é viver. A nudez é a natureza e as duas juntas, são Deus. Ou não? Quem mandou cobrir a nudez? Quem determinou que o corpo que nos mostra fosse o oculto de todo o mais?
Já quanto ao sexo, talvez seja o que há de mais presente no mundo (não por um acaso já somos mais de 7 bilhões de pessoas). Não sei por que razão as pessoas são mal resolvidas nesse assunto e se mostram sempre prontas a se ofender com quem não é. Acho justo que queiram manter suas vidas sexuais na privacidade de si mesmas, mas daí a doutrinarem e condenarem quem se permite ser livre sexualmente, julgando o que faz ou deixa de fazer, é de uma mesquinharia própria do ser humano.
Agora, existe uma forma corrente de se iniciar uma vida sexual? Ou não é verdade que durante muito tempo - e até hoje - é comum que um pai, um tio ou um amigo mais velho contrate uma profissional para que inicie o mancebo na arte da satisfação da carne? Quantas pessoas tiveram suas vidas sexuais iniciadas aos 13 ou aos 14 anos e quantas outras que já passaram dos 30 e ainda hoje não sabem porque o mundo continua se povoando (e à toda velocidade)? 
O nosso mundo é hipócrita. A pessoa reclama de permissividade, de licenciosidade, mas dá-se e refestela-se noites a dentro, das mais diferentes formas (vis para umas, prazerosas para outras). Impõem-se seus limites para si mesmas, mas não contentes, os querem impostos a todos os demais. Não sabem por que o outro gosta do que gosta, mas já o condena por gostar diferente do que ela gosta e tudo isso sob o manto de quem se acha melhor do que o outro porque mais decente, mesmo que tenha suas próprias indecências.
Mas o pior é que condenam a Xuxa como se ela, de fato, tivesse sido quem iniciara o rapaz nas artes do sexo. Condenam a Xuxa como se o filme fosse de verdade quando, na verdade, o que o cinema faz é retratar a vida e não a vida imitar a arte. E daí começo a achar que não é tão mentira quando um artista de novela diz que é agredido na rua.
Como se quer que o cinema retrate a sociedade, a vida, fazendo de conta que homens trabalham para serem honrados e não para impressionarem as mulheres? Ou que mulheres se pintam para receberem flores e bilhetes, e não para seduzirem? Como esperam ser levados a sério quando defendem que um filme beatifique todas as pessoas quando, na sua maioria, são dotadas de toda uma sorte de desejos e vontades só capazes de serem satisfeitas no encontro da carne que lhe receberá por sua? Isso é a vida desde o primeiro instante do mundo... a simbiose feita na vontade de "se completar ou de ser completado"...
As pessoas deveriam se ocupar mais dos seus gozos e menos da tentativa inútil de castração alheia. Mas ninguém quer ser castrado sozinho e, pra muitos, gozar nem deve ser tão bom assim...
É isso, Xuxa, se assuma! Se assuma e não se incomode com quem só sabe se recalcar...

Um comentário:

Carla Peron disse...

Parabéns pelo texto William.
Também penso que o mundo está cercado de muita hipocrisia.
Abraços