sábado, 26 de junho de 2010

Como 2 e 2 são 5


Era uma noite como outra qualquer. A rotina não se mudava. O que faziam cada qual no seu papel convencionado é o que fariam no momento em que tudo estava por mudar. Não havia um para outro, antes eram cada um por si.
A forma como a os cabelos caíam por sobre os olhos talvez já dissesse algo, talvez nunca dissesse nada. Diferente do sorriso do outro que na sua forma singela se abria de um jeito intenso, mas meigo ou no leve passar das mãos pelas pontas douradas de um cabelo comprido.
Como todo início eram o improvável de um para o outro; já no meio eram indispensável um para o outro. Chegado o fim, bom... o que é o fim?
Não foi do dia pra noite em que o que era estranho se fez divino. Talvez tenha sido da noite pro dia... tardes inteiras, manhãs que não eram frias. Foi o tempo em que o jogo proposto se fez mais do que sério e o que era gostoso se fez lindo, o que era lindo foi se fazendo maravilhoso.
Ambos seguiam seu curso; os dias suas horas, as semanas se dividiam nos seus meses, a Terra rodava e o universo se expandia. Já não havia tempo, mas apenas o furtivo que se vivia mais em sentimentos que em palavras...
A dor do adeus. A perda da pureza. O confronto ao leviano e a tristeza do que se supôs indiferença. Por tudo se passou. O longo silêncio, a ausência presente de quem não se queria fazer ver, mas era visto; não queria se fazer sentir, mas era sentido... até tentou esquecer, mas era a todo tempo lembrado.
Eram um e se fizeram dois num encontro que não foi de vidas, mas foi de almas. Eram momentos em que tudo que não eram eles era demais. Não havia mais nada, não havia que haver mais nada.
O que se fez só lhes sabem eles. E a distância imposta é o preço que pagam dentro da culpa que cada um tem. Um ao outro, magoaram-se os dois. Mas conhecem-se a si para que se dêem ao ombro que os confortará no momento de dor.
Não havendo físico, haverá o que é maior... haverá a simples certeza que ao oposto do que se pensará no agora, se lhes virá um ardoroso depois.

Um comentário:

Gleise Horn disse...

"...o amor não tem pressa, ele pode esperar, em silêncio, num fundo de armário, na posta restante.. milênios, milênios no ar..."
Que lindo texto. Li, reli, tresli e cantarolei o Chico. Bjs.