quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Lembranças de minha infância


Lembranças de minha infância

O trem de minha infância
É o que guardo na lembrança
Um tic-tac à mesma hora
Se afastando contra a aurora.

Ao som do trem, grande ainda me vejo
Garoto pequeno e risonho
Pronto pra no meio do seu sonho
Sonhar com o trem que já não vejo.

O trem desperta minha lembrança
Faz meu mundo recordar
De mim criança na varanda
Vendo o trem a viajar.

E no barulho desse trem
Qual relógio que não se atrasa
Sentir querer, por um momento,
Tornar de volta à minha casa.

2 comentários:

Prof. Romulo Giacome O Fernandes disse...

Willian
belíssimo texto sobre a infância e suas lembranças; esta, espaço reservado da alma humana às inquietações, é o refúgio solícito do espírito em momentos de intempéries; Manuel Bandeira em suas evocações do Recife, buscou a plenitude da infância na descrição clara e nítida do momento, não perdendo nenhuma gota daquele instante; o próprio cinema retratou a infância como momento mágico, no belíssimo filme "O eterno brilho de uma mente sem lembranças". De todos os locais reservados à nossa contemplação imagética, a infância é a que nos transmite maior proteção.
Parabéns pelo texto.

Gleise disse...

William, vc é advogado, professor, músico e um bom amigo, mas acima disso tudo: poeta.