sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Quando não se tem idéias...

Esse texto foi graças a idéia da Regi que também não tinha idéia



A folha em branco





A folha em branco é uma grande aventura.
A folha em branco é a possibilidade do tudo. Ainda que no seu corpo não haja nada.
É na folha em branco que se pode criar heróis, vilões, mocinhos, mocinhas, amantes, bobões...
A folha em branco é a vida que ainda não aconteceu.
Mas e quando se quer escrever, mas não há nada que se consiga escrever? Não há nada em que se consiga pensar?
É mais ou menos como eu me sinto agora. Queria tanto me sentir em condições de dizer alguma coisa, mas assalta-me a certeza sinistra de que na verdade não sei de nada. Não me surge nada. E na minha folha onde poderia haver tudo, até agora não há rigorosamente nada.
Uso então suas linhas – também brancas – para traduzir os pensamentos que penso nesse momento em que escrever me é difícil.
- O que penso eu? Será que sou tão livre em mim mesmo a ponto de tornar público meus medos que me fazem conseqüência errante do que sou?
Queria escrever que sou feliz e não sei o que é ser triste. Queria escrever que me sinto alegre em toda manhã de sol e disposto ainda que em manhã de chuva. Mas não... a realidade não poderia ser mais inversa.
Mas tenho que me congratular com a vida que levo (ou que talvez me leve) já que encontro na vida muito mais do que muitas vezes mereça – ainda que me tenha em alta conta!
Então escrevo uma homenagem aos amigos que tanto gosto e às companhias que tanto prezo. São eles (são vocês) que tem o dom de tornar o dia triste, mais alegre; a perspectiva nula em certeza contente. É ainda por causa de vocês que sei a beleza do significado do sorriso, que tanto me alegra quando os vejo sorrir.
Haveria sem dúvida muito mais a se dizer. Como são muitos os que quero aqui homenagear e que homenageados se sintam.
Se a folha em branco é a vida que ainda não aconteceu, sei que a nossa vai acontecendo. Como acontece essa folha em branco que ainda a pouco não era mais do que o que viria a ser.
Que as linhas das minhas sejam traçadas onde se façam presentes as dos que me queiram bem.
E a folha vai acontecendo, onde o branco nada mais é que a vida a se fazer...

5 comentários:

Prof. Romulo Giacome O Fernandes disse...

"O maior labirinto é o deserto"
Segundo este aforismo greco-romano, a liberdade oprime; as múltiplas direções nos deixam atordoados e o excesso de opções nos fazem sujeitos mais presos à angústia da decisão;
belíssima idéia e mote de escrita;
parabéns Willian

Thonny Hawany disse...

A folha em branco é um texto em si mesma. É o portal por onde toda a imaginação humana pode e deve escapar. É numa folha em branco onde o poeta canta o amor, o cronista fala da vida e dos fatos dela, onde o teórico teoriza suas idéias, é onde o homem escreve o tudo e o nada na permanência e no respeito do próprio branco da folha como o tudo da possiblidade do nada e do tudo ao mesmo tempo, essa é numa idéia paradoxal em que o nada é tudo e o tudo e quase nada quando se quer, mesmo numa folha em branco, encontrar o infinito. Parabéns Willian pelo texto, é uma linda crônica, é uma lição de vida e de reflexão.

Laurindo Fernandes disse...

Na arte da escultura, os renascentistas acreditavam que a obra de arte encontrava-se presa no objeto a esculpir. Da forma bruta do material - seja pedra ou madeira - faziam praticamente uma lapidação daquela peça, buscando libertar dela a forma que já antes ali encontrava-se presa. De certo modo, uma folha em branco é isso, e colocamos ali palavras que, ao fim, pareciam já estarem antes, esperando-nos que a libertássemos. Uma folha em branco é prenhe de palavras, e quem escreve, as esculpe uma a uma, libertando-as na alvisse da folha. E liberta-se a si mesmo também.

Anônimo disse...

Não sou anônimo, só não sabia como mandar o comentário e fui pelo lado mais fácil...rsrsrs...

Esse texto me fez lembrar daquela redação NOTA 10 da FUVEST há muitos anos atrás, quando o vestibulando escreveu em toda a folha à lápis e depois apagou tudo com a borracha, sem deixar nada além da certeza de que ali fora escrito alguma coisa...
O tema da redação? Era: "O QUE O LÁPIS ESCREVEU, A BORRACHA APAGOU..."

assinado: WILSON GAMA

Fabiana disse...

Bem lembrado Prof. Wilson......
de certa forma ambos os textos nos levam a refletir sobre a vida...... pena, ou não, não nos permitirem voltar ao tempo, apagar e refazer um futuro.... mas o fato é que ela vem acontecendo assim como a folha em branco... sendo escrita a cada instante.
Que seja ela bem escrita!